quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Dia 147 - sou

No inverno sou do calor, no verão sou do fresco. Definitivamente sou da luz e sou do sol mas sem exageros. Parece então que sou do meio termo e na verdade o que não gosto mesmo é de extremos. Talvez por isso o destino me tenha feito nascer no centro onde tudo é mais ameno, embora a minha veia itinerante, irreverente e desassossegada me faça querer conhecer esses tais extremos. Tanto vou para sul como para norte e volto lá sempre que possivel. Sempre, sempre como se fosse a primeira vez, adorando cada vista, cada sensação, cada segundo que lá passo. Há uns dias, essa tal de veia levou-me uma vez mais para norte e desta vez de autocaravana, pela primeira vez. Senti-me um saltimbanco de terra em terra, com a trouxa às costas, em busca de cantos e recantos, todos tão mágicos, cada um mais fascinante que o outro. Da praia do Belinho aos cavalos selvagens do Gerês, das escarpas do Douro às cascatas da Estrela, foram dias deliciosos. Falta, fez-me a minha bicicleta que me levaria a explorar mais e melhor, mas ao invés de uma semana, necessitaria de um mês.
Hei-de voltar portanto. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Dia 146 - Quando alguém nasce

Há quem nasça para salvar vidas, outros nascem para inventar coisas, outros para serem pais, alguns nascem para trabalhar e outros para fazerem alguém feliz. Há quem nasça apenas para viver e outros até para morrer. Eu nasci para ser livre e voar.... 

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Dia 144 - impagável

 A pica que dá fazer clic no "enviar" do email comunicado de ausência para férias. Especialmente quando já praticamente todos regressaram. Muhahahaha

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Dia 142 - Quantas vezes

Olhei para o meu mundo e o achei pequeno. Tantas e tantas vezes eu pensei que o meu mundo era tão pequeno, pequeno por demais, sabendo eu que lá fora, fora dele, do meu mundo, havia uma imensidão à minha espera. Há! Há um mundo imenso que desconheço e onde tenho sede de me embrenhar. Só que este é composto por diversos pequenos mundos como o meu, aquele que eu acho pequeno demais e que não é, pois ao observar os outros reconheço que alguns serão tão pequenos como o meu, mas tão valiosos e, no final de contas tão enormes, que fazem parecer ínfimos todos os outros. O nosso mundo só é pequeno quando nós queremos. 

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Dia 141 - Nada de novo

Ela pode até decidir, lá dentro dela, que a partir de agora será diferente. Pode até calar-se, ou pode começar a falar mais, pode dourar os cabelos com raios de luz, ou pode prendê-los num carrapito como quem prende as emoções. Pode comprar um vestido de flores bem curto, ou então bastante comprido, usar um chapéu que até é a cara dela, ou aqueles óculos de sol que escondem os sentimentos dos olhos. Pode escolher o caminho e evitar as pedras ou o musgo húmido e escorregadio, afastar os gravelhos que a fazem tropeçar, vestir o seu melhor sorriso, limpar a alma de passados e escancara-la aos futuros e ir seguindo, pelo caminho mais largo e mais seguro. Haverá talvez um desvio aqui, uma travagem ali, ultrapassagens, inversões de marcha uma recta de aceleração, mas, no final de contas, onde chega, nada é diferente.
E a do quarto esquerdo mantém-se quieta, o do primeiro direito soma e segue sempre na frente e os do rés do chão sempre iguais a si próprios. Sem surpresas. Até a do terceiro andar, que parecia ter-se mudado para o quinto, não passou da entrada. 
Há coisas que nunca mudam por mais que se tente. 
A essência é como o karma. 

terça-feira, 7 de julho de 2020

Dia 140 - Voltei de lá

Estou viva e de regresso.
Percorri de lés a lés a Estrada Nacional 2 de bicicleta. 738 kms, de alforges, de Chaves a Faro. Atravessei 13 rios, 10 serras, 35 cidades e vilas, muitas delas com temperaturas de 35 a 40 graus. Sobrevivi e trago no coração muita paz e tranquilidade, muita alegria e felicidade. Acreditei, desafiei-me é superei-me. Além das dezenas de fotos, trago gravadas na alma emoções, imagens, ensinamentos e algumas lições.
Agora podia estar aqui a escrever sobre isto durante horas, mas não me vou tornar-me chata. Apenas quero dizer-vos, acreditem em vós, desafiem-se, vivam.




quinta-feira, 25 de junho de 2020

Dia 137 - Crepúsculo


Prestes a transpor o portal, não para o desconhecido, mas para uma outra realidade, ou antes, para uma não realidade, uma outra dimensão em que existem outros deuses e outras estrelas que se alinham em forma de um outro sol e outra lua. Sete sois e sete luas onde tudo o que existe são momentos reais, mas ao mesmo tempo surreais. Assim queiram os deuses e os sois e as luas que este crepúsculo seja o mais feliz de sempre. E queiram acima de tudo, esses deuses e esses sóis e essas luas, que o regresso desse portal traga de volta a pessoa em pleno estado de felicidade e alegria, capaz de enfrentar com garra e determinação as agruras e as contrariedades.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Dia 136 - Rua de nada


Saí para passear e dei comigo na rua da tristeza.
Pergunto-me porque acabei ali, se me levaram até lá ou se eu própria me conduzi a ela. Nunca vou a essa rua porque quero, parece sempre que algo ou alguém me empurra e por vezes até parece que todos os fazem e que até eu própria acabo por fazer com que isso aconteça. Tivesse eu o dom da palavra ou o dom da escrita ou até o da compreensão e sabedoria e julgo não saberia onde ficava a dita rua onde vou amiúde. Sinto que não viajo para lá, quando dou por mim já lá estou e procuro em mim o caminho de volta. Apesar da culpa e da incompreensão acabo sempre por encontrá-lo e desta vez vai ser igual.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Dia 135 - Ósculos


Tenho saudades, quero ver. Vou. E quando vou e vejo, fico ali num impasse. Ficamos num impasse. O primeiro impulso é o cumprimento, o toque, o beijo com a mão no ombro ou nas costas, um afago no cabelo, uma carícia leve, para logo em seguida se recuar e se dar um passo atrás, transformando uma espécie de arco íris uma nuvem cinzenta. Talvez não tão cinzenta, mas ainda assim branca a tapar o sol no momento. Não que seja muito de ósculos, mas agora queria.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Dia 132 - será?


Naquela intermitência de sono leve em que não se consegue discernir se dormimos ou se estamos despertos, imaginei-me longe, muito longe, a correr por entre as urtigas atrás do cão cor de fogo. Sentia as pernas a ficarem arranhadas, mas só pensava em chegar ao fim do caminho, rente ao muro ladeado de flores. O cão alcançava-me e juntos rebolávamos pela erva enlaçados um no outro e depois voltávamos de novo ao início do caminho para repetirmos a correria e os abraços e as festas no pelo sedoso do meu companheiro de brincadeiras.
Quando chegasse a noite, minha irmã assobiaria, eu regressaria a casa, ela ajudar-me-ia a tomar banho para se assegurar que eu tirava toda a terra do cabelo e dos pés e das unhas, jantaríamos em família e eu adormeceria no sofá de tão cansada das correrias. O cão, esperaria por mim até ao dia seguinte no tapete da entrada.
Entretanto, comecei a coçar as pernas, picadas das urtigas e vi-me na minha cama, ainda cansada, mas tão feliz achando que era outra vez criança e que a minha alma era ainda livre e pura e despreocupada. Procurei o cão cor de fogo mas não encontrei, também já não havia muro ladeado de flores nem caminho para correr.
O despertador começou a tocar e eu comecei a pensar. O pequeno almoço por fazer, o jantar por pensar, a roupa por estender, o pó por limpar e um dia de trabalho à minha espera… O seguro por pagar, as compras por fazer, uma subscrição por cancelar, uma encomenda por fazer. Uma consulta por confirmar, uns telefonemas por fazer, o frigorífico por reparar....

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Dia 131 - Rios, lagos e coisas que vocês não sabem

Ai, mimimi, adoro rios e lagos e não me canso de pedalar perto deles, admirá-los, contorná-los, fotografá-los para a minha coleção de paisagens fantásticas, MAS! E porque há sempre um mas, em certas alturas do ano não se pode andar perto deles de boca aberta. E porquê perguntam vosselências. Porque ele há, rente aos rios e lagos, nuvens e nuvens de mosquitos e outras bicharadas esvoaçantes a pairar de um lado para o outro. Pois. Agora experimentem atravessar uma nuvem dessas de boca aberta. Pois. A mosquitada entra na boca e estatela-se contra o gorgomilo ficando esborrachada no dito cujo causando uma espécie de sensação de afogamento e com comichão onde não se consegue coçar. E desde já vos digo, são amargos pra caraças. Pois. Agora experimentem beber golos e golos de água que já não têm, para descolar asas e pernas de mosquito do gorgomilo. Pois!
Acho que ainda trago aqui uma perninha. Blhac.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Dia 130 - A espaços, as palavras

Este ano já escrevi neste blog cento e trinta vezes.
Se fizer uma ou duas contas e considerando que, a espaços, fico sem palavras, já escrevi muito mais do que no ano passado.
E agora, que me falham as palavras, tenho dado uso às pernas e aos olhos.