"O rosto é a porta da alma". (Cícero)
Quantas vidas, quantas mortes, quantas alegrias, quantas tristezas. Um rosto marcado pela vida e pelos anos, um rosto com alma. Quantos segredos, quantas palavras, quantos silêncios, quantas lágrimas ou sorrisos conterá este rosto...
Gosto de olhar os rostos de frente, nos olhos, observá-los. Os que me rodeiam, os com que me cruzo, os que conheço e os que nunca vi antes. Tento escrutinar-lhes a alma, interpretar-lhes cada sulco, cada pedaço de pele, os olhos, a boca. Há rostos onde nada vejo, olhos mortiços, pele sem vida, bocas finas e apertadas, sulcos disfarçados, rostos sem expressão. Esses são um enigma para mim, embora ache que são rostos dissimulados, maquilhados, mascarados. Por alguma razão talvez, são os rostos da indiferença.
Há no entanto rostos que são para mim um livro aberto. Consigo ler-lhes a alma, a essência, a tristeza, a felicidade, a dor, o abandono, a solidão, o sucesso... Um rosto diz-nos tantas coisas. Gosto de olhar os rostos, a porta da alma.
(Nota: Rosto de uma Nazarena desconhecida que captei com a minha objetiva há 3 anos. Este rosto melancólico e resignado fascinou-me...)


