quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Lembram-se da Pipi das meias altas?

Quando casou, meu pai nunca quis que faltasse nada lá em casa e prezava muito a saúde de Mamãe, não querendo que ela carregasse as bacias da roupa para lavar até ao ribeiro. Vai daí mandou construir um tanque de lavar roupa no quintal, em cimento e de tamanho XL que mais parecia uma piscina. Depois veio a máquina e o tanque lá ficou, mas eu andava sempre a piscar-lhe o olho...
Eu e prima Goreti, sim, tenho uma prima Goreti, não é italiana, mas os pais puseram-lhe este nome e eu até gosto, é diferente e exótico. Dizia eu então, que ambas as duas, andávamos a magicar há algum tempo uma cena para fazer naquele tanque:


Lembram-se da Pipi das meias altas? Pois é, diziam que eu era parecida com ela, vá se lá saber porquê, talvez por ter a tromba cheia de sardas e ser uma Maria Rapaz, não sei, mas esta cena não me saía da cabeça.
Um belo dia, esperámos que Mamãe saísse para as compras, esgueirámo-nos até ao quintal, enchemos o tanque de água até cima, fizemos uns totós no cabelo, calçámos as nossas meias às riscas do sarau que íamos ter na coletividade e saltámos lá para dentro. Bom, foi o maior forrobodó das nossas vidas... até Mamãe chegar, claro! Gastámos litros e litros de água do poço que servia para regar o quintal, quase afogámos as alfaces plantadas ali ao lado com a água que chapinhámos e ainda tingimos as meias e ficámos constipadas, Castigo durante três longas semanas! As crianças sofrem muito :))

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Verões azuis

Eram os anos 70 e tal e à semelhança de outras pessoas por aqui, também nós, acampávamos na praia, todos os verões.

Em chegando o dia 1 de Julho, carregávamos o carro até ao cimo de tudo o que possam imaginar, por vezes era até necessário ir por duas vezes e rumávamos ao acampamento para montar a nossa casa de verão em cima da areia da praia. Um areal imenso, quase branco, onde espelhava o sol e onde as ondas do mar vinham morrer na praia numa espuma de um branco imenso, mesmo ali, quase aos nossos pés.
A tenda, a nossa rica casinha ultra moderna trazida da Alemanha por um familiar, tinha 4 assoalhadas, 2 quartos, um para os meus pais, outro para mim e minha irmã, a sala, em todo o comprimento e a cozinha com uma janela de rede transparente e uma pála por fora, que abríamos de manhã e fechávamos à noite. Na cozinha havia um fogão de dois bicos, um porta loiça, um despenseiro para as mercearias e até um pequeno frigorífico. À volta da tenda havia estacas onde eram atados cordéis para delinear o nosso território. À frente, deixava-se um espaço para a mesa e as cadeiras, onde havia sempre uma jarra com flores que colhíamos nos pinhais circundantes  e um chapéu de sol. Comíamos sempre  lá fora, mesmo à noite, à luz do "pitromax". O sol a aquecer-nos as costas, o barulho das ondas, o mar ao fundo. Ali não havia rádios, nem televisões, conversávamos o tempo todo.
E ali passávamos os verões, nós as mulheres e os filhos, de 1 de julho até finais de setembro e os pais, em acabando as férias, saíam de manhã para ir trabalhar e voltavam à noite. Sim, na altura era assim na classe média baixa, talvez.

Bom, mas o céu estava sempre azul, o mar sempre calmo e nós éramos livres. Livres para fazermos o que nos desse na real gana. Eu, tinha de cumprir as horas das refeições e se comesse, que eu nunca comia, podia andar livre e solta sem preocupações e sem castigos e eu fazia um esforço ganhando assim a minha liberdade.
Os pais juntavam-se uns com os outros para confraternizar, os irmãos mais velhos jogavam voleibol, nadavam, namoriscavam e jogavam à lerpa a dinheiro. E nós, os putos, passávamos horas no mar, íamos às camarinhas, visitávamos outras praias, trepávamos às dunas e organizávamos expedições para explorar tudo ali à volta. Um dia conhecemos até uma família inglesa com 3 filhos que nos dava arroz doce sem açúcar e pão com manteiga de amendoim para o lanche. Todos juntos tivemos aventuras que davam para fazer mais uma coleção de livros de "os Cinco" da Enid Blyton.
Verão após verão.
Fui tão feliz a acampar na praia.
Mas depois, houve um ano em que se tornou proibido acampar na praia e construíram um parque cheio de condições no pinhal lá em cima. Nunca chegámos a ir para lá, não era a mesma coisa. E depois descobrimos o Algarve e as casas longe da praia e todo um areal apinhado de gente estranha e cheia de nove horas. Não mais houve expedições ou descobertas, bandos de amigos à solta ou sequer liberdade.
Saudades que eu tenho daqueles verões azuis... 

Eu não disse?

Bate forte, mas passa depressa. Ainda não chegamos ao final de fevereiro e a maioria do pessoal que começou no início do ano cheios força e vontade já desistiu. Ontem cheguei ao Gym as 19 horas e o balneário estava quase vazio, as aulas a meio gás e até tive uma elíptica disponível. É todos os anos assim, as pessoas que eu já vi chegar e desistir. É que isto de ir ao ginásio é coisa para cansar, tomar algum do nosso tempo e não é carregar num botão para obter resultados. Pena é que muitas pessoas são assim em tudo na vida. Desistem rápida e facilmente á primeira dificuldade..

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Como sobreviver a isto de ser mãe?

As mães são do caraças! Os putos fazem cagadas até ao pescoço, eles vomitam a casa toda e a nós, eles sujam mais roupa que um exército inteiro em plena batalha campal, eles fazem-nos passar noites e mais noites sem dormir, eles abrem cabeças e partem pernas e depois mostram-nos o sorriso nr. 10, aquele do cachorrinho abandonado e dizem "mamã querida" e nós derretemo-nos todas, inchamos de orgulho e ainda agradecemos a Deus a benção que nos deu.
Mas digam-me como, como é que eu vou gerir isto??


Bom, depois de ter sobrevivido a todas estas mensagens e mais umas quantas sem o ter morto e sem me ter dado um enfarte por cada uma que recebi, aqui a minha pessoa é capaz de tudo. E ponham tudo nisso, que isto de ser mãe tem coisas que a própria coisa desconhece. Não bem assim que se diz pois não? Passa a ser...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Isto do mundo dos homens

Em casa sou a única mulher, no trabalho sou a única mulher do departamento, a pedalar sou a única mulher do grupo...
Já sei falar de gajas boas, de carros, de futebol, de bebidas, de mecânica de bicicletas e até já quase me sai um intrínseco foda-se em vez de um "bolas!"
Já não sei falar de sapatos, nem de vestidos, nem da maquilhagem de primavera ou sequer do que vou fazer para o jantar.
Entretanto ainda vou dar comigo a pensar em cus, mamas e ratas.
Ah! Havia era de aprender a "mijar" em pé, dava-me jeito no btt.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Estou p'raqui toda empanada

Depois das aventuras dos últimos tempos, voltei às pedaladas a sério. Gente, o que eu subi, o que eu desci, o que pedalei na areia mole e contra o vento, foi coisa para me deixar p'ráqui toda empanada, assada, dorida... Doem-me músculos que nem sabia que tinha, mas como sempre, parece que tenho 10 anos a menos, por dentro claro, que por fora, as rugas de expressão... nem o frio nem o vento me esticam  as peles.
Ai as minhas perninhas, parece que pesam 50 kgs cada uma, coitadas. Precisava de ficar pendurada no arame da roupa a noite inteira para me esticar, mas é capaz de estar um pouco de frio e chuva...