sexta-feira, 10 de abril de 2015

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Diferente




" Vocês riem de mim por eu ser diferente e eu rio de vocês por serem todos iguais "

Bob Marley






A mala

Todos os dias me levanto dez minutos  após o toque do despertador. Nesses dez minutos faço montes de coisas, aliás, não faço nada, por vezes adormeço até, mas aqueles dez minutos de ronrom são sagrados. 
Normalmente espreguiço-me, alongo os olhos, procuro o fresco da cama com os pés, tento perceber se está frio ou se está calor, se chove ou se os passaritos chilreiam, sinal que está sol.
Percorro mentalmente o roupeiro à procura da roupa perfeita  para aquele dia, percorro cada cabide, cada prateleira, abro cada gaveta. Escolho o cinto, a écharpe e os sapatos, decido qual o agasalho e se mudo ou não de mala. Ah, a mala! Isso das malas...
Nunca há uma mala de gaja perfeita, aquela que faz pendant com a cor dos sapatos daquele dia, aquela que tem o tamanho certo, as divisórias certas, aquela onde se consegue colocar e encontrar toda uma parafernália de coisas tão úteis a uma gaja.
Um corta unhas, uma pinça, um espelho, dois pares de óculos, pensos higiénicos, pensos rápidos tampões, carregadores, telefones, esferográficas, fio dental, onde está quando é preciso, onde?? o moleskine, lenços, pente, pastilhas, talões de compras amarrotados, post its, chaves do carro. Mas onde se enfiam o raio das chaves, onde?? Um amuleto, uma pen, elásticos para o cabelo, dezenas de cartões, porta moedas, documentos, fotografias, a caneta do tablet, o próprio do tablet, cigarros, isqueiros, os que não funcionam e os outros, um ou dois clips já ferrugentos, dez pacotes de açúcar que nunca ponho no café e guardo, para quê não sei, listas de compras antigas, três batons de cores diferentes, mais dois para o cieiro, mais....
Socorro!!
Mas porque é que as gajas haviam de inventar isto das malas, porquê? É que só de trolley com rodas...
Vou-me deitar, estou cansada!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Entrelinhas

Olá, sou a Gaja Maria e já quis esconder-me.
Na verdade não me chamo Maria, muito menos Gaja, claro, mas queria esconder-me.
Esconder-me por trás deste nome, desta imagem, esconder o meu lado mais obscuro, o meu lado cinzento, por vezes até negro. Queria falar, queria escrever, queria deitar para fora o que me ia na alma, sem me criticarem, sem me julgarem, sem me confrontarem.
Uns dias queria poder dizer que estava lixada com a puta da vida e porquê, outros dias queria apenas dizer que não me cabia um feijão frade no cu de tão feliz e contente. Queria poder contar a alguém o que me fazia triste, partilhar o que me fazia feliz, deixar de me sentir amordaçada, amarrada. Tudo isto eu queria dizer, escondida, sem sofrer consequências.

Durante algum tempo até foi possível...

Mas porque há males que até vêm por bem, resolvi resolver-me .
Gaja Maria assenta-me que nem uma luva, mas já não preciso esconder-me.


domingo, 5 de abril de 2015

Tempos idos

Domingo de Páscoa, dia de estrear um vestido novo, umas meias rendadas e uns sapatos novos. A minha irmã dava-me banho, secava-me o cabelo, ajudava-me a vestir e aí pelas 11 horas lá íamos de mão dada visitar a minha Madrinha. 
Ela havia de dar-me beijos repenicados, um conjunto de lençóis com renda de bilros, ou um conjunto de banho de turco do mais grosso ou uma toalha de linho bordada à mão, tinha de me encher a arca do enxoval. Havia de me dar um folar com três ovos, sinal do apreço e do carinho que tinha por mim e umas amêndoas feitas pela vizinha. Eu havia de fazer festas ao gato, ver o canário que tinha na gaiola, esperar que ele cantasse e ver as flores que estavam tão viçosas, fruto dos seus cuidados.
Ela havia de dizer que não tinha muita saúde, havia de desfiar o rol das suas doenças, mas que eu estava muito crescida e que esperava ainda poder um dia vestir-me da cabeça aos pés para o dia do meu casamento.
E assim foi. 
Os lençóis com renda de bilros continuam dentro da arca do enxoval, nunca os usei...

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Fez-se luz!

Contêm, finalmente, apareceu o sol aqui pelo Oeste logo de manhã.
Curioso como o semblante das pessoas muda, ficam luminosas, sorridentes e largam o cinza e o preto, arriscam num verde, num azul, quiçá um branco ou um cru. É vê-las a saltitar felizes de um lado para o outro.
Da janela aberta fo meu bolinhas azul, vejo agora os passaritos a esvoaçar de galho em galho, consigo até ouvir o seu chilrear. Reparo em alguns campos de um verde intenso, outros cobertos de flores amarelas  e vejo agora,  apenas agora, vejo que muitos estão cultivados.
O dia tem outra cor e cheira a alegria e a esperança. Cheira a calor...
Inspiro profundamente, bebo este ar, absorvo esta luz e sorriso cá por dentro.
Venha de lá o fim de semana XL.