domingo, 13 de dezembro de 2015

Feito!

Vacinei-me contra a raiva. Em seguida passei pela farmácia e comprei 10 kgs de pachorra, dois comprimidos para os nervos e dois kgs de ideias. Levei óculos escuros para que não me chorassem os olhos com as luzes, cotoveleiras para afastar pessoas e capacete para o caso de a coisa ficar mesmo perigosa. Aí vou eu para a cidade e depois para o Shoppping. Em dois dias despachei os presentes todos. Sou muito despachadinha. Tão despachadinha que até comprei presentes para "moi même".
O que gostei mais foi esta máquina á prova de tudo. Á prova de choque, de lama e de água. Agora quando vou pedalar, em vez de parar, tirar as luvas, tirar o telemóvel da bolsa protectora, carregar em tudo quanto é botão para tirar uma foto quando simplesmente o momento já passou, agora é levar a máquina na mão e clic aqui, clic ali e ela a bater nos pinheiros e nas pedras e a cair na água e a ficar intacta (vamos ver....)


Gira não é? Mesmo a fazer pandã com a bike. E até já a estreei, funciona. Ainda..



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

As segundas á quarta

Hoje não, não foi segunda feira mas eu que até aprecio as rotinas, quer dizer, tenho dias, nuns apetece-me tocar "As quatro Estações" de Vivaldi no piano, mas noutros só me apetece tocar "AC/DC" na guitarra. É por assim dizer uma versatilidade "derivada" do humor cá da minha pessoa, mas não, não sendo então segunda feira, eu agi como se fosse e acordei de mau humor. Isto de ter verificado que o fim de semana XL se finou não foi bom, não foi. Então, como em todas as segundas de manhã, estava emburrada, irritada e muito rabujenta e á tarde  já muito bem disposta, produtiva e com a mania de engraçada. Gosto de me armar em engraçada eu, de cantar enquanto trabalho e de mandar umas larachas. Pois... 
Eu juro que todos os dias tento trabalhar calada e quieta a bem do bom ambiente de trabalho e da concentração, mas isto de as coisas serem como são e de a essência nunca mudar é mais forte do que eu, o que hei-de eu fazer?
Com isto tudo, marchou um destes...
Corpo de chocolate com recheio de caramelo que se desfaz na boca e nas mãos deixando-as deveras pegajosas. Uma verdadeira badalhoquice no que toca a canetas e papelada e telefones, mas coisa mais boa não há e desde que o descobri nunca mais o larguei. A primeira maravilha da minha gaveta das guloseimas. A marca? Nã, não conto a não ser que paguem bem.



terça-feira, 8 de dezembro de 2015

As coisas são como são

Foi por alturas de um final de dia, que por sinal tinha sido encantador mas que foi ficando cinzento á medida que avançava, que me apercebi da mudança na minha até então distorcida realidade. 
Há muito que os dias amanheciam brilhando, talvez alguns fossem cinzentos ou até chovesse, mas a mim parecia-me sempre que lá mesmo em cima, por cima das nuvens o sol brilharia para sempre. Mas a neblina apoderou-se do céu e aconteceu que á minha volta tudo pareceu se transformar, sem que me tenha realmente apercebido. Foi então, naquele final de dia já escuro que realizei uma vez mais que por muito brilho que dêm ás palavras e ás atitudes, por muito que se tente modificar, voltar atrás, andar para a frente ou para os lados, até para cima e para baixo, chega uma altura em que se verifica que a essência nunca muda.
Um pássaro é sempre um pássaro e gosta de voar, um cão é sempre um cão e gosta do seu dono e uma pessoa é sempre uma pessoa, um ser cheio de brilhos mas também de tons cinzentos.

Um gato é sempre um gato e gosta de dormir á lareira....



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Burgessa

Uma gaja bem quer  aprumar-se e armar-se em dondoca para ir ás compras, mas não passa de uma burgessa.
Hoje tirei um dia de férias e á tarde fui pedalar. Em chegando a casa tomei um banho, sim, uma gaja lava-se depois de pedalar, aperaltei-me e corri a uma loja para comprar umas coisas. Encontrei lá um colega de trabalho...
- Xi, Gaja tu não páras, já foste pedalar hoje, tu nem nas férias descansas?
- Ein? como é que sabes, tenho um ar assim tão cansado?
- Não, tens é o vinco do capacete na testa...

domingo, 6 de dezembro de 2015

Ouvi dizer

Que era inverno e que por ser inverno se usavam os pêlos...
O inverno não encontrei, mas ainda vi dois casacos

E um por do sol fantástico...



E uma imensidão de mundo envolta em neblina...


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A vingança

Gataria anda enervada.
Depois da minha brilhante ideia, a árvore de Natal anti-gatos, de momento com as luzes desligadas para não chamar a atenção, gataria anda tristonha e cabisbaixa. Afinal é Natal e não há árvore para trepar e virar, bolas e estrelas para brincar, judiarias natalícias para fazer. Vai daí que gataria resolveu fazer a vingança e pata ante pata começaram a arranhar o meu rico sofá, hoje bati com os olhos nele.... A vingança está concretizada! 
Um dia ainda mato estes gatos e para já está tudo de castigo na garagem.




terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A lampada mágica

Foi num dia frio de inverno, logo pela manhã, que desejei tão fortemente esfregar a lampada mágica e voar. Acreditei, esfreguei e voei!
Talvez esse voar não tivesse sido bem sucedido pois ao invés de o meu voo ter aterrado algures na Muralha da China como era meu desejo, aterrou no meio de um conflito entre dois mundos. O inferno era tal que choviam pedras e tiros, as crianças corriam sem destino chorando, as mulheres gritavam ao verem-se perdidas e sem nada, as suas casas estavam destruidas e os seus maridos empunhavam armas e disparavam sem saberem muito bem para onde nem contra quem.  Já não havia ruas, não havia casas, não havia carros nem animais. Não havia alimentos. Havia sim feridos, doentes, gente com fome, gente que já nem era gente. O fm estava próximo. Tão próximo que corri a pegar na lampada, esfreguei com muita força e voltei a voar para o meu cantinho. Cheguei! 
Cheguei com a certeza de não querer mais partir, com a certeza de que apesar de tudo, voar para longe nem sempre é o que no final de contas desejamos. Cheguei com a certeza de que o inverno, o frio e os dias cinzentos são céu comparados com o inferno.