quarta-feira, 9 de março de 2016
Prisioneira, mas só um pouco
terça-feira, 8 de março de 2016
Música para os meus ouvidos
segunda-feira, 7 de março de 2016
domingo, 6 de março de 2016
Sou como um rio
quarta-feira, 2 de março de 2016
Descobri
Aqui só há casas e gente que não é a minha e eu afinal já não queria de novo ver gente e quando eu não quero ver gente, não quero e ponto final. Era já noite e comecei por andar rápido e depois encetei uma espécie de corrida. Sem destino. Detesto correr mas estava a sentir-me bem, tão bem que me imaginei o Forrest Gump a percorrer todos aqueles caminhos durante anos, o meu cabelo a crescer e eu a envelhecer correndo, a paisagens a sucederem-se passando apressadas, as cenas a passarem por mim, aliás, eu a passar por elas. E lá fui correndo, acabando por me dirigir a um dos parques da cidade e depois para a cidade.
Os patos aninhavam-se para passar a noite, no estádio e nos parques em volta, crianças treinavam futebol, cruzei-me com um casal com dois cães, dois ou três outros corredores e ultrapassei outros tantos. Cumprimentámo-nos. Os iguais (ou parecidos vá) cumprimentam-se sempre. E fui correndo. As estradas estavam repletas de carros apressados no regresso a casa, nos prédios acendiam-se luzes, sinal de que já tinham gente dentro, algumas chaminés já deitavam fumo e aqueciam pessoas e eu imaginava as rotinas delas, apressadas de uma divisão para a outra, a preparar o jantar, a acender a lareira, a dar banho aos filhos ou a jantar. Imaginei as risadas, as brincadeiras, as conversas á mesa, a troca cúmplice de olhares, os suspiro da descompressão do dia. Corri, corri, corri, nem sei bem quantos quilómetros, mas foram muitos.
Por fim, satisfeita com tudo o que vi correndo, comecei a dirigir-me para casa, também eu e descobri. Afinal correr é tão bom.
terça-feira, 1 de março de 2016
Talvez saudade
Guardo aqui dentro num pequeno e recôndito lugar do meu coração a chave das memórias passadas. Em busca da razão para a angústia que me rouba por vezes as palavras, dei com a chave caida por entre as linhas tenues do meu silêncio. Coloquei-a na fechadura e rodei. Memórias passadas e objetos surgiram então em forma de cascata, descendo apressadamente no meu pensamento.
Os patins de bota branca que meu pai mandou vir da Alemanha quando eu era uma promissora patinadora, a caixa dos lápis de mil cores quando mostrei jeito para a pintura, a máquina fotográfica Kodak que comprou para mim e minha irmã no intuito de nos incentivar para a fotografia, a pinça para a coleção de selos e a máquina de escrever com que me presenteou quando ganhei um prémio com um poema que fiz na escola primária.
A determinada altura deixei de ir á patinagem, deixei os selos de lado e a máquina Kodak foi ficando em casa. Nunca cheguei a ser pintora nem escritora. Guardo porém todos estes objetos e até alguns mais. Tenho uma enorme paixão por eles, mas quis a vida e eu que enveredasse por outros caminhos.
Guardo, fechados á chave, tantos desejos mudos, tantas paixões adormecidas, tantas vontades preteridas. Mas uma coisa eu sinto todos os dias. O sorriso meigo dos olhos de meu pai em mim.

