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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Mais um caixote


Encaixotei o Natal assim que chegou o dia seis sem qualquer nostalgia e com um certo alívio por saber que só volta daqui a um ano.
Já lá vai o tempo em que era uma época mágica, como quando eu era pequena e andava em ansias à espera da madrugada do dia vinte e cinco para correr para o sapatinho que colocava na véspera em frente à chaminé ou como quando sentia os meus filhos levantarem-se a meio da noite e eu corria atrás deles só para assistir à alegria nos seus olhos. Agora já não há magia. A criança mais nova da família tem dez anos e é ela que distribui os presentes que já praticamente todos escolheram, só para fazermos o teatro e a época não passar em branco. De resto, Natal é família à mesa, jogos e “Sozinho em Casa”.
As épocas sucedem-se umas após as outras, ano após ano sem grandes alaridos ou expetativas e só porque sim. Parece que tudo perdeu a magia, o brilho, a paixão. Não gosto que seja assim, é-me difícil viver sem paixão. Por agora está encaixotado, mas no ano que vem vai ser diferente.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Noventa e seis horas

Eu vi serras eu vi mares
Eu pedalei sem parar
Estou demente eu sei
Mas é assim que gosto de estar


Quatro dias, noventa e seis horas, cinco mil setecentos e sessenta minutos de suposta pausa e descanso. Nestes dias pedalei tresentos e quarenta quilómetros. Pois. Larguei tudo e pedalei.
Além de dores no rabo e nas pernas, não sei o que procuro ou sequer se procuro alguma coisa. Talvez fuja de algo não sei, só sei que estes momentos me fazem esquecer. Esquecer do estado do mundo, da pequenez de algumas pessoas, da ingratidão de outras, do trabalho por resolver, das paredes da sala à espera de serem lavas, da roupa por engomar. Do meu lado negro também.
A questão é que quando chego a casa tudo está igual. 
Exceto eu.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Ressaca Natalícia

Este Natal recebi uma caixa preta bonita com um novo livro em branco e uma caneta. Secretamente foi dos presentes que mais gostei. Secretamente porque com exceção do marido, ninguém na minha família sabe que gosto de escrever, que tenho vários livros brancos com rabiscos ou sequer que tenho um blog onde escrevo parvoíces. Quero muito escrever a primeira página deste novo caderno e agora que já arrumei o Natal, que tenho o frigorífico cheio de sobras pois tantos Natais volvidos e eu ainda não aprendi a calcular postas de bacalhau ou o tamanho do peru ou sequer a quantidade de garrafas de vinho, agora que tirei férias, agora que tenho pedaladas e aventuras agendadas para todos os dias da semana, carradas de livros para ler, centenas de fotografias para organizar, agora que tenho um caderno novo para escrever e quero tanto iniciá-lo, estou aqui sentada há tanto tempo a olhá-lo e à espera que me cheguem as palavras. Há tantos dias que me falham...


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Caminhos

Difíceis ou fáceis, sinuosos ou rectos, os caminhos levam-nos sempre a algum lugar.


terça-feira, 25 de outubro de 2016

A caravana das medições

Mandaram-me à caravana das medições. 
Uma carripana andante com dois consultórios, um para exames, outro para consultas. Modernices!
Osólhinhos já corrigidos com óculos, os pulmões cheios de ar, a tensão no seu melhor, o coração de jovem, o peso pluma, as tendinites controladas, tudo cinco estrelas. Disseram as máquinas e as medições que até estou aqui para as curvas. Foi então que foram observar as outras medições, as das gorduras no sangue e essas coisas. Credo que estou cheia de não presta, é castrol para dar e vender. Vim de lá a maçãs e folhas de alface por uns tempos. Ao fim do dia corri para o ginásio a ver se derretia algumas. Derreter, derreti, mas uma vez em casa deu-me uma vontade incontrolável de comer batatas fritas, eu que nem sou apreciadora. Mas comi. Sem ketchup ok? Quando sabemos que não devemos é quando fazemos questão e além disso, está decidido, não gosto de caravanas de medições.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Que aflição

Ultimamente só me passam merdas estranhas pela cabeça, saltam cá com uma pressa deste meu vulcão em erupção espalhando-se por mim em forma de lava encandescente. Aliás, sempre passaram, mas depois havia as outras, as mais coerentes e concisas que até faziam algum sentido  e era nessas que eu me focava, eram essas que verbalizava, que juntava em letras que até perfaziam frases. Estou em crer que agora penso do fim para o princípio e depois não consigo fazer com que as coisas façam sentido, as letras baralham-se, as palavras atropelam-se e as frases não saem. Nem o amor que é belo, nem a chuva que é fantástica, nem o cantar dos pássaros me fazem conseguir juntar palavras. A juntar a isto ontem atropelaram-me a auto-estima. No meio de todo este apagão até foi bom, a ver se volto da lua, me ponho em órbita e chego depressa à terra.
Até logo então.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Procuro

Procuro todos os dias respostas às minhas perguntas, procuro ultrapassar as minhas dores, as minhas angústias, procuro desafiar-me, atingir objetivos, superar-me e levar outras pessoas a fazer o mesmo. Procuro ver os meus erros e repará-los, procuro deitar fora desilusões e tristezas. Procuro a todo o custo ver o lado bom de tudo, procuro fazer os outros felizes e procuro todos os dias a minha própria felicidade.
Nem sempre consigo.
No entanto, muitas das respostas encontro-as pelo caminho, enquanto pedalo por aí, ao som dos pássaros e do mar, à velocidade do vento e do fresco dos dias. Hoje pedalei durante sete horas.
Cheguei feliz e cheia de certezas.



domingo, 25 de setembro de 2016

Reconciliação

Ontem de manhã, só de marido e filhos e após uma semana difícil, peguei na minha música e na bike e fiz-me à estrada com o intuito de ir passear sozinha até à Lagoa da Ervedeira. Bastantes quilómetros para pedalar sozinha mas talvez fosse até mais longe, dependendo do cansaço e das tendinites com que tenho lutado ultimamente pois até é coisa pouca, para os projetos futuros que tenho em mente. Logo se via.
Embrenhei-me nos meus pensamentos e ao som da minha música constatei que este mundo que é só meu, cresce um pouco mais todos os dias. Reconheço-me cada vez mais escassa de palavras e com cada vez mais silêncios, alguma solidão da qual não fujo e até procuro, muito trabalho, muitas mudanças que não sei se vão ser boas, algumas tristezas, muitas desilusões, algumas questões de saúde, tantas coisas postas em causa, tantos medos que nem costumo ter. Concluía  eu que  no fim de contas a vida não é um mar de rosas e que apesar de tudo só tenho é que a levar para a frente sem medos, quando toca o telefone a convidarem-me para uma tarde de btt. Ups! Apesar de ainda ir a caminho da Lagoa, aceitei prontamente que eu nunca me nego a uma pedalada. 
Abrandei o ritmo para não me cansar tanto, fui até à Lagoa e voltei, almocei a correr, troquei a roupa transpirada, mudei de bike e lá fui para uma pedalada com os amigos. O que me diverti, as gargalhadas que dei, as paragens que fizemos para beber minis, eu que nem gostava de cerveja, para comermos maçâs e pêras diretamente das árvores. Após um total de cento e trinta quilómetros não consigo explicar como não me sentia cansada pois necessitava disto para me reconciliar com a vida e comigo própria. 
Não posso, não quero, que este mundo que é só meu tome conta da minha vida.



domingo, 11 de setembro de 2016

O meu coração

O meu coração é de pedra
O meu coração é de algodão, 
Tão pleno de amor em alguns dias
e em outros não...

terça-feira, 21 de junho de 2016

Destralhei a minha vida

Juntei as revoltas e as desilusões,  as injustiças e as tristezas e deitei tudo num baú. Coloquei lá  as pessoas tóxicas, os dias maus e tudo o que me desagrada. Livrei-me de algumas palavras e outras tantas ações.  Livrei-me de alguns pensamentos. Fechei e deitei fora a chave.
Deixei bem ao meu lado o azul do céu, as ondas do mar,  o sol e a brisa da manhã. Deixei as minhas pessoas, as coisas que gosto de fazer e muitos sorrisos. Deixei a vontade de lutar e apoiar e concretizar. Deixei o amor , a amizade e o carinho. Guardei bem juntinho a mim o perdão  e a paciência. Fiquei com o cheiro a flores , os sonhos e a força  de vontade.
Destralhei a minha vida, sinto-me muito mais leve e feliz.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Efeitos colaterais

Em chegada a casa trazia a cabeça para esvaziar de assuntos tratados e apenas alguns por tratar que o dia hoje rendeu, finalmente estou a voltar á rotina ainda que a minha alma e o meu corpo vagueiem por lugares longínquos, algures pelo Norte de Espanha e ainda andem no Caminho de Santiago.
Troquei as calças por uns calções, a blusa de seda por uma t-shirt, prendi o cabelo e enfiei uns chinelos de dedo já velhos e com o formato torto dos meus pés. Saí para o pátio e peguei na vassoura. Apetecia-me  varrer folhas, arrancar ervas daninhas e cortar as guias da buganvília que estão a nascer fora do sítio, preparar finalmente as espreguiçadeiras para apanhar sol. Só que não havia sol. Queria que as minhas rosas não estivessem já secas, mas estão e queria que a buganvília já estivesse em flor, tanta flor, que eu ficasse ali a admirá-la esquecendo-me das borboletas que se passeiam em mim quando me vejo ainda a subir e a descer aqueles montes e a viver mais uma aventura, a qual não sai de mim. Enquanto podava as guias deixei que as borboletas me inundassem e comecei a sonhar. Sonhei o impossível. Fazer o Caminho em família, eu, o marido e os meus dois filhos. Quanto ao marido, até já o fizemos juntos há dois anos, mas seria com os filhos, nós os quatro. Adoraria viver esta aventura com eles, transmitir-lhes estas emoções, mostrar-lhes tudo o que vi e vivi.
Ooops! Entretanto esqueci-me que haveríamos de jantar e corri para a cozinha. Parti um prato, cortei um dedo numa lata de cogumelos e ainda deixei cair a salada pelo chão. Isto não está fácil :)

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Cucu

Dias de Primavera e calor são dias que me trazem insonias e desvarios, vontades de ar e de luz, vontades de rua.  São dias que me trazem vida ao ar livre, desorganização e confusão até  a rotina dos dias de sol se voltar a instalar. Estes dias são  dias de abrir janelas para o mundo, de descobrir a pele e arejar o mofo. São  dias de lavar a alma, dias de estar alerta às  cinco da manhã  para não perder pitada da sinfonia dos pardais.
Estes dias são também  dias de muito trabalho e muito cansaço. Dias de planear, dias de realizar.
Mas eu ando aí. ...
Cucu!

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Quem me viu e quem me vê

Eu, que bordei a ponte de cruz uma vaquinha e um cavalo, fraldas e babetes, eu que forrei cestos com folhos e lacinhos, que pintei potes e vasos e até forrei as prateleiras da despensa com papel autocolante em tons de verde esperança. Eu que tinha os armários e roupeiros tão bem arrumados e organizados  e que lavava as cortinas amiúde.. Mãos de fada era o que eu tinha. Isso e uma grande pachorra que se me finou há muito. Não assim há tanto tempo, mas desde que comecei a olhar e a pensar a sério na minha pessoa.


Um makeover, uma parede vazia, quatro lindos "novos" quadros para colocar fotografias. Todos os dias os olho, todos os dias eles olham para mim com aqueles olhos ansiosos e tristes de quem está sempre á espera. Todos os dias penso escolher quatro fotos entre as milhares que tiro e que guardo. Fotos de nós, com o nosso ar de gente feliz e bem disposta ou não, mas que nos mostram como realmente somos. Todos os dias acabam por passar sem que isso aconteça.
Há um ano...
Esta noite porém, tive uma epifania e anotei-a no meu caderno para que de manhã me lembrasse. A máquina colocada no tripé, montada no meio da sala, quatro fotos, uma de cada um de nós, estilo auto retrato, correr com o cartão de memória á loja, imprimir, vir a correr e colocá-las nos quadros. Simples e rápido não é?
Quantos meses será que vou ter de limpar o pó á máquina e ao tripé?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Filha da puta de sorte

Já  lá  vão dois dias e a coisa não se dá  em pleno. Meneio a cabeça para cima, para baixo e para os lados e tudo vai ficando estranho ao movimento. Parece que vejo mutantes. Aumentam, diminuem, ficam desfocados, enevoados. Não  há  meio de encontrar a posição  certa para ver bem o que quero. Já consigo ler ao longe e ao perto, avé, mas encontrar a posição  certa da cabeça para ver simplesmente em frente o ecran do PC por exemplo, é dos desafios mais difíceis dos últimos  tempos, já  alterei a sua posição vezes sem conta. Nada.
As limitações  são  tramadas e não vejo hora de finalmente me adaptar, se é  que vou conseguir. É que já tenho dúvidas. Além  disso, já é  por demais visível  e tenho mesmo de assumir, sou uma cota de óculos  progressivos.....

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O melhor de nós

Das inúmeras pessoas que passam pelas nossas vidas, umas são céu, outras são inferno, mas todas mesmo todas nos ensinam algo.
Todas nos ensinam, quanto mais não seja, alguns golpes de karaté, umas quantas saídas ninja e alguns diálogos mais para o monólogo. Algumas levam-nos a deflagrar incêndios, a lançar dardos e a usar armaduras. Muitas levam-nos a construir bunkers.
Valham-nos no entanto as que nos ensinam a lamber as feridas, a levantar a cabeça e a seguir em frente. Valham-nos as que sempre acreditam, as que depositam em nós confiança, as que nos ensinam e nos amam. Valham-nos as que nos abraçam e nos dão a mão, quer estejamos no céu ou no inferno e para as quais não necessitamos de bunkers. Valham-nos as que tiram o melhor de nós.
Tenho muitas, sou feliz.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

A cobra

Íamos a pedalar por cima da ponte, ali entre Pedrogão Grande e Pedrogão Pequeno e parámos para espreitar o rio Zêzere lá em baixo. Foi quando a vimos, chamámos-lhe de imediato "a cobra". Isto é só uma parte, pois a puta da cobra vai do rio até lá acima às casas, tão grande que nem a consegui apanhar toda.


Ora ali estava um belo de um desafio, disse um. Dasse! Só gente doida, pensei, aquilo parecia o Alpe d'Huez da volta a França, eu não vou conseguir, disse eu logo. Eis senão quando, dei por mim atrás deles à procura do caminho para subir a cobra e a pensar "Ora, eu consigo, eu consigo, eu consigo"

Conseguem vê-los lá em baixo na ponte?
E agora, mais perto, já vêm? Pois...
Eu disse-lhes que partia um pouco mais acima para lhes tirar fotos a subir e depois acompanhava-os, mas não, assim não valia disseram eles, tinha de partir lá de baixo... Aí fui eu... Dasse!
E ponham "Dasse" nisso, que ela era inclinada e comprida como um raio, em calçada romana e com alguns buracos. Até eu fiquei surpreendida, que por vezes menosprezo as minhas capacidades, mas consegui mesmo subir o caraças da cobra sem desmontar e sem parar. Claro que cheguei lá acima sem vontade de tirar fotos, o coração a querer saltar pela boca e as pernas tremiam-me tanto que tive de parar um pouco para descansar e beber toda a água que levava comigo. Se me tapassem a boca finava-me ali mesmo.

Mas tenho de confessar, não me cabe uma palha no cu. Eu e a minha máquina nova somamos e seguimos.

(Desculpem-me o superego, isto passa. Há momentos em que pequenas vitórias nos sabem como pão para a boca...este, por coisas cá minhas, foi um deles)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Aqui

O rádio toca baixinho e as colegas discutem algum assunto lá ao fundo. Olho para o monitor que mostra números e letras sem fim. Por momentos fecho os olhos e vislumbro tudo azul. Azul céu, azul mar, azul infinito, azul. O sol brilha lá fora e as bandeiras badanicam, as árvores dançam ao sabor do vento que de tão forte dissipou a cortina de névoa que me separava  do meu infinito azul.
O cansaço físico e mental tem vindo a apoderar-se de mim, do meu corpo, daninha cabeça, a sugar-me as forças, a tirar-me a boa disposição. Em chegando a esta altura do ano parece que até o ar me pesa e tudo me empurra para trás dificultando-me as passadas.
O fresco do AC chega até mim numa lufada de ar frio e desperta-me desta letargia momentânea. O apagão acaba, a energia volta, é preciso continuar ...
Mais uma semana e picos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Nunca percas o sorriso

Ele foi a pessoa que eu mais admirei, o meu ídolo, o meu pilar de segurança, o meu suporte e apoio sempre que eu tinha necessidade. O meu pai era adepto das conversas, tudo se esclarecia com conversa, nunca com um estalo. Além disso era adepto dos castigos como penalização e dos prémios de desempenho. Adorava o meu pai, no entanto, era difícil arrancar-lhe um sorriso. Era uma pessoa demasiado séria e carrancuda e poucas coisas o faziam sorrir. O seu sorriso, a maioria das vezes, via-se apenas nos olhos e eu lembro-me de todos os dias da minha vida inventar macacadas e tentar fazer coisas boas para o fazer sorrir. Eu tinha de lhe arrancar um sorriso por dia, corresse por onde corresse! Nem sempre consegui, mas nos dias em que olhava para os olhos dele e os via sorrir, era um dia feliz para mim.
Sou bastante parecida com ele, dizem, eu cá acho que nem aos calcanhares dele eu chego ou alguma vez chegarei, mas bom, uma coisa é certa, eu também sorrio com os olhos, mas eu, tenho um sorriso fácil. Gosto das pessoas que sorriem. Receber um sorriso é das coisas mais gratas que tenho na vida. Um sorriso fala muito mais que uma palavra e eu, quando deixo de sorrir é porque algo vai mal e é por isso que dou tanta importância a um sorriso e ao sorriso ou falta dele nas outras pessoas.

Nunca percas o sorriso!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Os pais dos filhos

No dia em que soube que a pequena Margarida não resistiu e em que a ténue linha que a ligava à vida se quebrou, tão pequenina, tão inocente, tão frágil que nos faz sentir quão injusto é este mundo, vieram à minha memória momentos por que passei e que penso muitos de nós passámos com os nossos filhos. Momentos de desespero, momentos de dúvida, momentos de dor e tristeza. Momentos de culpa, momentos de impotência, momentos vazios e apáticos aos quais dificilmente conseguimos reagir, mas que é suposto. Vieram à minha memória lembranças de casos onde nem sempre os heróis são os filhos, mas muitas vezes são os pais, esses que supostamente tudo devem saber, fazer, ultrapassar. Sim, os pais, quem os protege, quem os defende, quem os incentiva, ajuda e ensina a ultrapassar tamanhas perdas, tamanho sofrimento. Quem os condecora e os elogia, quem os enaltece, quem os reconhece pelo facto de todos os dias fazerem o melhor que sabem e podem pelos filhos? Esses que movem montanhas, esses que morreriam todos os dias para salvar os filhos se preciso fosse. Sim, esses, os pais dos filhos.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Não sou! Sou?

Já quis ser patinadora, ginasta, cantora, escritora, professora...
Já quis já quis desaparecer, já quis morrer.
Já quis viver, já quis respirar, já quis sentir..
Já quis aprender línguas e correr mundo, já quis ter asas e voar, já quis ter um coração do tamanho do mundo e conter em mim todas as pessoas, todos os animais, todas as árvores.
Já quis amar.
Já quis ser má e já quis ser boa.
Já quis ser a melhor na minha profissão, já quis ser a melhor mãe e a melhor filha.
Já quis ser a melhor irmã, a melhor amiga, a melhor esposa, a melhor...
Por vezes sou a pior.
Por vezes não sou nada nem ninguém, ou sou?
Sou!
Sou tudo isto e algo mais, muito mais. Sou uma pessoa. Uma pessoa como tantas outras, cheia da nada e cheia de tudo. Sou eu!
E és tu, e tu e ainda tu. Pessoas... Somos pessoas.