É quando entro com o carro na garagem, feita à larga para dois, que ainda lá cabem, mas muito à justa, que verifico que a minha outrora grande e espaçosa garagem, encolheu. Não sei bem quando foi isso, nem quando lhe fui atribuindo novas funções que foi acumulando sem se queixar ao longo dos anos, mas se é certo que tem o propósito de arrumar e guardar carros, acumula muitos outros propósitos. E se de tempos a tempos sofre um esvaziamento, também é certo que poucas semanas demora a ficar cheia de novo.
Pois minha garagem é guardadora de coisas e possuidora de multifunções.
Se acolhe carros, bicicletas e skates, minha garagem também acolhe uma verdadeira lavandaria, um dispensador de produtos congelados, um guardador de ténis de filhos, uma garrafeira, um ecoponto, uma oficina para bicicletas, possui uma secção de ração animal, um armazém de materiais de limpeza, uma sala de troféus e um armazém de velharias. Minha garagem é também um armazém intermédio. Entenda-se por armazém intermédio, aquele sítio onde deixamos quase tudo que ainda não vai para o lixo ou para doar, mas que depois acaba por ir. No fundo, minha garagem parece muitas vezes uma mega store do chinês onde há milhares de merdas e de tudo um pouco.
Chegou pois aquele momento enervante em que depois de estacionar o carro mal consigo abrir as portas... Temo ter chegado o momento de acontecer por ali mais um furacão...