quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Máscara

Foi por detrás daquela máscara que tudo aconteceu. As guerras, os duelos, os debates. A raiva e o desespero, a solidão e a tristeza, a dúvida. Mas também o amor e a amizade, o querer. Foram as luas minguantes, as brumas que tudo escondem, tudo toldam e tudo escondem. Mas depois vieram os sóis e as luas, a vida a brotar de dentro e a voltar ao normal. A máscara tudo esfuma e tudo tapa e só os mais atentos conseguem vislumbrar através dela. Ninguém o fez..... Ou até fez e muito.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Ainda que não me perguntem


- Então GM, como vai essa dieta ein?
Eu quero porque quero dizer-vos.
-Ooooolhem, vai bem muito obrigada.
Na verdade, e segundo a nutri do gym eu nem tenho excesso de peso, mas eu sei, porque sei, que nós sabemos destas coisas, eu tenho três teimosos quilos acima do meu peso habitual que chegaram assim de mansinho e se foram instalando ali para a zona da cintura e da barriga, vá. Alguém os perdeu e eu achei-os pronto. E depois comprei umas calças de cintura subida, verdes e justas, mas a alargar para baixo tipo maxi saia mas em calça, lindas de morrer e acontece que não consigo respirar dentro delas….
Vai daí que me propus a alguns cuidados extra na alimentação que me fazem andar em ressaca de açúcar e gorduras, ao regresso ao ginásio que me tornou paralítica durante alguns dias  e o beber água com limão como se não houvesse amanhã que me faz praticamente viver no wc. Eis que na quinta-feira passada tive desejos de sopa de grão que comi desenfreadamente e depois no sábado a pedalada parou na TiMaria dos Queijos e o cervejão e a farinheira grelhada estavam uma delícia e no domingo à noite havia festa na terrinha e marchou o arroz doce quentinho fazendo-me recuperar o perdido, snif!
Esperem… eis que voltei a entrar nos eixos e estou a portar-me lindamente agora, mas, e porque nestas merdas há sempre um mas, hoje é dia de confraria do pastel de nata… Ai que eu não respondo por mim.

Fiz granola!! Ó p'ra ela tão maravilhosa :)





quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Modernices ou a vida dentro de um retangulo


É certamente por estas e por outras que os CTT, os tais do correio caracol, estão se finando e procuram desesperadamente outras vias de negócio como a banca e os transportes expresso…
Ora, gaja que é gaja, vai não vai tem de fazer uns certos exames a peças do  seu corpitcho. Antigamente iam levar-se as lamelas devidamente acondicionadas aos correios que laboratórios só os havia em Lisboa e no Porto e em se sendo da província, nicles batatoides, enviavam-se por carta. Depois passou-se a ir ao dito laboratório ali perto pessoalmente entregar a caixinha cujo resultado chegava a casa pelo tal dito correio caracol, levava-se ao médico e bla, bla bla whiskas saquetas. Hoje e com estas modernices das internetes, a assistente do próprio médico trata da entrega das lamelas em mão, o resultado vem para uma gaja por email que por sua vez o reencaminha ao médico que por sua vez instrói a assistente para telefonar a informar que uma gaja tem uma receita do Dr. com um tratamento para levantar. Tudo isto num espaço de dias. E vejam bem que até já há receitas que nos chegam ao telefone que é smart e sendo smart basta mostrá-lo na farmácia e já todos sabem do que se trata. Quem está mesmo lixado é quem não tem smarts e internetes. E depois admiram-se que uma p’ssoa passe a vida de volta dos smarts e não saiba viver sem eles. É que os smarts hoje em dia têm a nossa vida lá dentro.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Todos diferentes, todos iguais, uns mais do que outros


Ouvi que alguns casais com o tempo se vão tornando parecidos, se adaptam, se transformam e se fundem à imagem um do outro.  Há mesmo teorias e estudos sobre isso e até já vi imagens de casais vestidos de igual… Isto só pode ser nas Américas ou na China, claro, onde todos os fenómenos acontecem inclusivamente esse, mas várias ilações eu já tirei por aqui, tantas vezes acontece que se um é desportista, ambos se tornam desportistas, se um é gordo, ambos se tornam gordos, se um é culto, ambos se tornam cultos, mas também já vi aberrações que não lembram a ninguém e me espanta como alguns casais estão juntos há tantos anos, sendo eles tão opostos e parecendo não haver um único ponto em comum.
Eu cá não sei, mas no caso do Zé e da Lili sempre houve diferenças que no fundo eles foram respeitando sem invadir demasiado o espaço um do outro, mas, pessoalmente estou em querer que o tempo acentuou essas diferenças e que com esse mesmo tempo um pequeno fosso foi se instalando dando origem a um abismo que se tornou a determinada altura difícil, senão impossível de transpor. Existem razões algumas que a própria razão desconhece e uns se acham seres tão perfeitos que tentam fazer os outros à sua própria imagem criando sem se aperceber um distanciando enorme, fazendo silenciar quereres, fazeres e sentires do outro. E os silêncios doem por demais, as distâncias matam devagarinho e as circunstâncias ditam os desencontros. Talvez matem mais a um do que a outro, ou calem mais um do que o outro, o que é certo é que há um momento em que a magia já há muito que se foi e tudo deixa de fazer sentido. Decididamente já não se quer ser perfeito, já não se quer agradar ou deixar andar, quer-se ser apenas e só o que se é e pronto. Se por um lado quero aconselhar que sim, que lutem para diminuir a distância e os silêncios, por outro tenho vontade de dizer que não, que vão finalmente ser o que são…

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Não, não consegui explicar de forma a fazer-me entender…


Hoje tentei explicar a alguém que também não, não era capaz de me levantar às sete da manhã para fazer exercício físico mas que sim, sete, seis ou mesmo cinco se fosse para ir subir uma qualquer serra a pedalar ou andar uma ou duas horas de carro para ir conhecer uma nova ciclovia no outono onde os noventa quilómetros de pedalada ao longo de um rio são mágicos porque as folhas de vários tons de dourado vão caindo ao passarmos, atapetando os caminhos e iluminando os céus, que sim, que não me custa o frio e o calor ou até a chuva, a madrugada ou a noite quando se trata de subir ao monte e ver o mundo lá de cima, bem pertinho do céu e das nuvens. Que sim, que tudo vale por aquela imensidão a meus pés, aquela paz, aquele silêncio. Que não, não me custa pedalar dias seguidos para conhecer novos lugares, que não me custa o suor, o cansaço, a dificuldade, o pó, as pedras e as silvas quando é para pedalar, que não me custa fazer vários quilómetros toda molhada porque descobrimos um riacho por entre as árvores e nos refrescámos vestidos e calçados lá dentro. Não, não consegui explicar..


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Recaída


Hoje acordei comunista. Bom, comunista, não, é mais da oposição, seja ela qual for. Ou então, não, acordei apenas com vontade de dizer o que penso. E quando acordo assim é quando verifico todas as coisas que estão mal à minha volta com as quais eu discordo e quero/queria mudar. Não que nos outros dias não as veja, que vejo, mas nestes dias especialmente, em que acordo comunista ou da oposição vá, dá-me nas ganas e faço-as saber ao mundo, só que o mundo não quer nem saber e eu para aqui fico, com algumas palavras a menos e uma sensação de ter falado demais. Sempre fui assim, de querer mudar o dito mundo, nunca ganhei nada com isso, ou ganhei mesmo muito pouco, e entretanto, por conta de algumas ensinadelas, outras tantas zangadelas e enervadelas e muitas pisadelas, quase me deixei disso. Hoje e de quando em vez volto a ter recaídas. Raios e coriscos!