sexta-feira, 1 de julho de 2016

Também a mim

Pego na caneta e num papel. Sim, gosto de escrever de caneta em punho e em papel, ver as letras a formarem-se nas linhas, a mão  a escorregar na folha, riscar, fazer esteriscos, escrever mais abaixo,  voltar acima, riscar mais um pouco, voltar a escrever e cada vez que leio,   acrescentar mais um ponto, uma vírgula,  uma palavra. Só  depois passo para as teclas e vejo o texto ir surgindo no écran, como que um filho  que conheço tão bem.
Escrevo sempre a azul e a folha, pode ser uma qualquer. Um papel que está  para ir para o lixo, um caderno, uma agenda, um ticket de compras, gosto simplesmente de escrever nem que sejam listas de compras mas, também  a mim, não  me apetece. Da caneta não  sai nada, do papel não  chegam letras refondas e azuis, das teclas apenas faturas, encomendas, guias e ficheiros sem fim. Mails então, são  aos milhares para responder e dar seguimento......
Vontade zero!!
Raios partam se amanhã não  vou comprar  uns 20 kgs.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Tanto e nada

O seu olhar perdeu-se algures no horizonte,  a sua voz ficou calada, o seu pensamento voou inquieto, rápido e rasante. Imagens e palavras passaram a correr sem no entanto pararem para serem lidas ou sequer ouvidas.  São  palavras sem nexo, sem vontade e sem cor, imagens sem contornos e sem definição. As noites foram vestidas de sonhos, estranhos e turbulentos. As ideias misturaram-se num emaranhado  novelo onde a ponta se perdeu. O tempo fugiu, a inspiração escorreu por entre os dedos e esfumou-se no ar.
Cansada ....

domingo, 26 de junho de 2016

Dois tons de azul e um de encarnado

Hoje pendurei a bike no suporte da garagem e fui até á praia corar as peles. Já tinha saudades de me esticar no areal e perder-me a olhar os dois tons de azul de que mais gosto, o do céu e o do mar. O mar, apesar de azul, estava um cão, mas o céu, esse, não me falhou, estava no seu melhor, vestido de azul intenso. E a luz maravilhosa da manhã, aquela luz vinda do sol que nos incendeia por dentro e por fora. Ciente que estou de alguns dos seus malefícios, busuntei-me toda de protector hiper mega potente, coisa talvez para não deixar tapar as marcas do fato de ciclismo, mas isso não interessa nada, esqueci-me porém, de uma pequena parte do corpo. Tão pequena que nem me lembrei que o Deus Sol a fosse descobrir. Pois que descobriu, pois que apanhei um escaldão... nos pés! Tenho portanto uns pequenos pés cor de tomate que me doem com'ó caraças. Boa semana.


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Posto isto

Estou muito ocupada fazer umas compras em libras e provenientes ali de um país  que eu cá  sei que hoje  levou um abanão. Agora vai ser vê-los cair que nem figos maduros...

terça-feira, 21 de junho de 2016

Destralhei a minha vida

Juntei as revoltas e as desilusões,  as injustiças e as tristezas e deitei tudo num baú. Coloquei lá  as pessoas tóxicas, os dias maus e tudo o que me desagrada. Livrei-me de algumas palavras e outras tantas ações.  Livrei-me de alguns pensamentos. Fechei e deitei fora a chave.
Deixei bem ao meu lado o azul do céu, as ondas do mar,  o sol e a brisa da manhã. Deixei as minhas pessoas, as coisas que gosto de fazer e muitos sorrisos. Deixei a vontade de lutar e apoiar e concretizar. Deixei o amor , a amizade e o carinho. Guardei bem juntinho a mim o perdão  e a paciência. Fiquei com o cheiro a flores , os sonhos e a força  de vontade.
Destralhei a minha vida, sinto-me muito mais leve e feliz.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Efeitos colaterais

Em chegada a casa trazia a cabeça para esvaziar de assuntos tratados e apenas alguns por tratar que o dia hoje rendeu, finalmente estou a voltar á rotina ainda que a minha alma e o meu corpo vagueiem por lugares longínquos, algures pelo Norte de Espanha e ainda andem no Caminho de Santiago.
Troquei as calças por uns calções, a blusa de seda por uma t-shirt, prendi o cabelo e enfiei uns chinelos de dedo já velhos e com o formato torto dos meus pés. Saí para o pátio e peguei na vassoura. Apetecia-me  varrer folhas, arrancar ervas daninhas e cortar as guias da buganvília que estão a nascer fora do sítio, preparar finalmente as espreguiçadeiras para apanhar sol. Só que não havia sol. Queria que as minhas rosas não estivessem já secas, mas estão e queria que a buganvília já estivesse em flor, tanta flor, que eu ficasse ali a admirá-la esquecendo-me das borboletas que se passeiam em mim quando me vejo ainda a subir e a descer aqueles montes e a viver mais uma aventura, a qual não sai de mim. Enquanto podava as guias deixei que as borboletas me inundassem e comecei a sonhar. Sonhei o impossível. Fazer o Caminho em família, eu, o marido e os meus dois filhos. Quanto ao marido, até já o fizemos juntos há dois anos, mas seria com os filhos, nós os quatro. Adoraria viver esta aventura com eles, transmitir-lhes estas emoções, mostrar-lhes tudo o que vi e vivi.
Ooops! Entretanto esqueci-me que haveríamos de jantar e corri para a cozinha. Parti um prato, cortei um dedo numa lata de cogumelos e ainda deixei cair a salada pelo chão. Isto não está fácil :)