quarta-feira, 16 de maio de 2018

Seis unhas

Três em cada pé foi o que eu pintei esta manhã à pressa com o meu filho do lado de fora da casa de banho a pressionar. Seis unhas são apenas o que se vê, hoje dia dezasseis de maio, dia lindo de sol e  calor, dia em que resolvi, finalmente, dar ar as peles.
Gente, isto não é ser bimba, isto  não é ser pobre, isto não é Província , isto é genial, ok? Aprendam que eu não duro sempre!

Bom, estão um pouco escalabardadas, eu sei, mas foi o que se pôde arranjar...

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Oh pá não sei...

Sei que há uns tempos deu-me na telha e comprei uns pintainhos para Mamãe se entreter a cuidar e nos darem ovos para o jantar. Sei que os bichos cresceram e estão ali umas galinhas que é uma esmeração, lindas e cheias de pujança e todos os dias nos dão seis ovos.
Oh pá, mas eu não sei... Juro que são todas fêmeas em idade de primeira postura e irmãs gémeas, mas uma dá ovos castanhos, outra dá ovos gigantes, outra dá mini ovos e apenas três põe ovos normais Faltam-me os kinder e os de ouro, portanto. Não sei se lhes mande limpar o sarampo para canja, ou se as deixe ficar, são concertezamente agentes infiltradas, quiçá espias contratadas para me enervar...

domingo, 13 de maio de 2018

Grito

"Este grito que trago no peito, este fôlego de vida, esta gargalhada surda, este sorriso mudo, este querer ser o que não posso, esta dúvida constante, esta vontade dilacerante, o grito que trago na voz, calado, quase sempre calado, o manto que me tapa a alma, o xaile que me cobre o corpo....
Enquanto tiro e ponho os óculos, tique que ganhei recentemente e que me faz travar o pensamento e calar as palavras que teimosamente me voam sem eu querer, penso que tenho de arranjar novos estratagemas para sobreviver a mim própria, para me livrar de mim, aqui aprisionada em pensamentos e gritos e vontades. Eu sou o sim e o não, o quero e não quero, o sonho e a realidade, o tempo e o não tempo. Queria. Queria poder dizer, queria poder fazer, queria saciar esta sede e esta fome que me consomem a calma e me dão ganas de força..."

Flausina Amarela

E se eu vos disser

Que este bolo saiu do forno às cinco da tarde, ein?
Eu já vos disse, tenho termites em casa e já tive de pegar na vassoura e correr todos da cozinha.


terça-feira, 8 de maio de 2018

Anos de vida

Diz-me o doutor de meus filhos que conheço há anos e a propósito da minha recente viagem de bike, que eu havia de abrandar, que havia de ter mais cuidado pois o nosso coração é como o motor de um carro, quanto mais trabalha, mais se gasta e se cansa. Eu.... respondi-lhe o que de imediato me ocorreu, que é isto que me dá anos de vida e força para ultrapassar todos os contratempos . E é!!
Não, não é só bom, também é dor e é sofrimento, é quase morrer de calor num dia e dois dias depois entrar quase em hipotermia por causa do frio e da chuva, são as dores nas pernas e nos braços e nas costas, é o rabo quase em ferida de tantas horas em contacto com o selim, é o cansaço, é o esforço é o medo de cair ou de não conseguir chegar. Mas também é felicidade e alegria puras, é ar livre, é beleza, é conhecer, é ver o que os outros não vêm, fazer o que os outros não têm coragem de fazer, é testar o corpo e a mente, é chegar à conclusão que queremos, somos e podemos e que nada nem ninguém nos mete medo. É desafio, é adrenalina, é conquista, é paixão. E por último, é concluir que tentando e lutando conseguimos, é a mente a dominar o corpo, é não ficar e ir, é arriscar, é saber enfrentar os medos, é ganhar ao invés de perder, é esperança, é viver.
E isto é ou não ganhar anos de vida?




segunda-feira, 7 de maio de 2018

Dualidade


Sento-me no fundo da sala panorâmica frente ao mar e um pouco afastada de todos observando os pequenos grupos que se vão formando por entre aquele grupo maior. Observo alguns, saltitando de grupo em grupo, conversando, rindo, perguntando, dizendo, lembrando histórias do passado e não querendo perder pitada, bebendo de tudo e de todos, absorvendo e dando-se de corpo e de alma cheios de certezas e de palavras. Eu observo, ora a vista do mar, ora as pessoas e aquele saltitar tão caraterístico daquela família. Engraçado como me sinto tão de outra.  Sinto-me estranha, deslocada, até um pouco desassossegada. Observo de novo a vista e regozijo-me por ser quem sou, por apreciar o mar e o sol, por ver rios em montanhas secas, por saber apreciar silêncios, meus e dos outros, mas depois fico insegura e penso como me verão os outros, talvez uma antipática com mania de importante, uma alienada familiar e resolvo juntar-me a um dos grupos. Nessa altura já todos estavam de partida para outros grupos e eu fico de novo sozinha, desarmada. Vagueio pela sala. Ainda nessa manhã me reconheceram a cara chapada de meu pai com quem de facto me identifico em todas estas características incluindo a física e já estavam a jurar a pés juntos que era igualzinha à minha mãe. Perdi-me então de novo na minha identidade sentando-me e descalçando os saltos altos por baixo da mesa para que ninguém visse que até nisso a minha família é outra. No fundo sinto-me feliz por nenhum dos meus filhos ser assim, como eu…

domingo, 6 de maio de 2018

O meu mar

Se os dias em que pedalei pela serra foram fantásticos, se vi montes, se vi vales, se andei acompanhada do cântico dos pássaros, se passei riachos e aldeias, se me achei, me reencontrei, se a minha paz se engrandeceu, se a minha alma se recompôs, voltar à minha praia e ao meu mar dá-me sempre anos de vida. O sol voltou e eu fui vê-lo. Estava lá, tal e qual e à minha espera...