domingo, 18 de novembro de 2018

Quando eu for grande

Quero saber planear refeições e organizar marmitas. Estou fartinha de ler sobre o assunto e até já tentei algumas dicas, assim como tentei várias vezes preparar na noite anterior o que vou vestir no dia seguinte. Simplesmente transcende-me desaparafusa-me os neurónios, baralha-me e contraria-me. Não consigo. Mesmo que prepare a roupa, quando acordo é que sei se acordei cinzenta e sou incapaz de vestir uma roupa encarnada e se acordo executiva não me sinto confortável com umas calças de ganga e se acordo desportiva tenho de esquecer o blazer e as calças vincadas. Ora, o mesmo se passa com a comida. Como é que eu vou saber ao domingo o que me vai apetecer comer na quinta-feira ein? E se eu tiver carne e só me apetecer uma sopinha? E se as termites cá de casa devorarem tudo ao jantar e não restar nada para a marmita? E se eu fizer mal os cálculos (como sempre) e apenas sobrar um fio de esparguete para três, ein? Esqueçam lá isso. Eu nunca me lembro de manhã de deixar algo a descongelar, nunca sei o que fazer e nunca tenho tempo ou me apetece aquilo que planeei. É muito bom, muito mesmo, ter tudo controlado e organizado, mas gente, eu sou uma gaja espontânea, faço e digo e só penso depois. Socorro! Preciso de um workshop de marmitas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Hyacinthus



A minha Manuela das limpezas é uma idiota pois tem sempre imeeensas ideias.
Algumas brilhantes, outras nem por isso, para não falar no que acaba por partir ou estragar à conta de tanta mudança. A minha Manuela é um furacão capaz de levantar o sofá com uma mão e aspirar em baixo com a outra, mas eu até agradeço (se não deixar cair o sofá, claro).
Estou sempre em ânsias para chegar a casa às quartas-feiras e descobrir qual foi a ideia que teve essa semana e tenho a dizer-vos que tenho tido muita sorte nunca me ter calhado encontrar a cozinha no quarto e o quarto na sala. Mas tenho jacintos em novembro. Ah pois é! Um pouco raquíticos é certo, mas tenho. E esta ein? A minha Manuela é ou não é um espetáculo?


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Praga


Quinze quilómetros a pé por dia de mapa na mão, outros tantos de autocarro panorâmico a ouvir os guias, mais alguns de barco rio Moldava acima e abaixo, praticamente em silêncio e de olhos bem abertos, embrenhámo-nos pelas ruas, pelos parques, pelos monumentos e por entre as centenas e centenas de pessoas (na maioria chinocas ou japoinas ou lá o que eles são, mas com os olhos em bico) bebendo e processando tudo o que víamos e ouvíamos. E tudo o que vi e ouvi e senti foi fantástico. Praga é uma cidade maravilhosa, carregada de história e de beleza. Em dezenas de fotos imortalizei o que os meus olhos viram, mas na minha alma trouxe muito mais de tudo e que vou guardar na minha caixa das viagens para ir abrindo de vez em quando.
Vão lá se puderem que vale tanto a pena.











segunda-feira, 5 de novembro de 2018

A idade engorda

Já tinha constatado o facto em diversas ocasiões no entanto e devido a alguns genes de certas pessoinhas magras que teimam em contradizer tal teoria ainda fiquei na dúvida. Comprovei a gordice este fim de semana ao entrar para um grupo no Facebook de pessoal da minha geração na escola secundária. Ai o que me ri com aquelas fotos e a nostalgia que senti ao recordar certos momentos  e certas pessoas a quem perdi o rasto. Mas bom, praticamente toda aquela gente hoje é o dobro do que era há trinta anos. Pois que está mais que provado, a idade engorda, isto é, aumenta a idade e engorda o corpitcho às p'ssoas... A algumas, muito mesmo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Não sei bem porquê

Tenho sempre pressa e corro todos os dias em várias direções. Pressa em sair, pressa em fazer, pressa em chegar seja lá onde for. Vivo à pressa e dificilmente consigo esperar com calma por algo ou alguém. Quando dou por mim estou a ranger os dentes e até já me doem os maxilares da força que faço para controlar esta minha pressa de viver. É nem sei bem porquê. Mas ainda há uma réstia de esperança para a minha pessoa.
Há momentos em que a pressa se vai.




terça-feira, 30 de outubro de 2018

Está tudo bem

Apesar deste mar de água que tem caído dos céus ultimamente e de já quase não haver folhas nas árvores nem cabelo na minha cabeça por causa da ventania.
Apesar das constantes viagens para o hospital porque os velhotes da família caem que nem tordos, está tudo bem.
Apesar de ter dado mais uma oportunidade ao meu gato mijão para entrar em casa por causa do frio e ele ter mijado nas cortinas e apesar de não poder pedalar nem correr na rua por causa do mau tempo.
Apesar de ter uma viagem marcada e paga e de, em calhando, não poder ir e de alguns tapetes me tirarem o chão todos os dias, está tudo bem.
Tenho os pés quentinhos e acabei de comer um Twix todinho.
Vai ficar tudo bem! Eu sei.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Não há condições...


Ser velho e doente é triste, muito triste. Não posso dizer que seja condição deste ou de outro país porque velhice e doença existe em todo o lado, mas na verdade por cá somos escassos em soluções e ver-se doente numa cama de hospital ou lar ou o que quer que seja, sem conseguir movimentar-se ou comunicar, mas consciente, é triste e muito indigno. Questiono se será Deus tão grande assim, se terão as pessoas de sofrer tanto para partirem, questiono-me porque terá de ser a vida tão injusta….

Por estas e por outras sinto e mostro alguma resistência ao saber que para lá caminho a passos largos. Por estas e por outras tento viver todos os dias o melhor possível e o máximo que posso na rua e em contacto com a natureza para dar alimento ao corpo e à alma e tentar preservar a minha qualidade de vida. Além da bike tenho feito umas corridas pelas ruas e parques da cidade, corpo e alma agradecem, as gargalhadas também, especialmente ontem.

Saí do trabalho, equipei-me já em passo de corrida e saí para me embrenhar no mundo, mas… Como já sabem, comigo, há sempre um mas e muito ar me entrava pelo pandeiro acima, o calção estava curto, a cueca do calção enfiava-se-me por entre o nalguedo. Raios! Fiquei cusuda de terça-feira para hoje ou quê? Ora, puxa e empurra calções durante sete longos quilómetros para não ir toda a viagem com as peles assim à mostra. Compra uma gaja um outfit à atletista das corridas, super caro ainda por cima e é isto, lava-se e fica assim, minúsculo no pandeiro… Vou reclamar à loja, ó se vou!
Findo o trajeto e em chegando a casa aflita, corri para o wc e ao tirar os calções… etiqueta à frente!!! Calções ao contrário, portanto…

Ora digam-me que ser cota e destrambelhada não é triste…