quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Eu gosto é de levar com o vento nas trombas

Pois gosto. Gosto é de pedalar ao ar livre, gosto é de saborear as lágrimas que me caem dos olhos por causa do vento, gosto do cheiro dos pinheiros, das paisagens, do barulho dos riachos e dos pássaros a cantarem à minha volta, gosto de ver as folhas a esvoaçarem à minha passagem, gosto de andar horas de sorriso na cara, gosto de ficar suja de lama, gosto de ficar com as pernas cansadas, o cu dorido, o cabelo colado à cabeça  e gosto de ficar com a alma livre, leve e solta. 
Tem sido difícil pois tem, com os temporais dos últimos tempos e depois de praticamente ter ficado entrevada ao decidir correr uma data de quilómetros a fugir da chuva quando há meses não o fazia resolvi montar a bike nos rolos, colocar imagens do National Geographic no PC mais uma banda sonora de passarada a chilrear e pedalar sem sair do lugar. À falta de cão, olhem, caço com gato. Podia até ser a mesma coisa pois podia, mas não é. Eu gosto é de levar com o vento nas trombas. Snif!



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Não gosto

Não gosto quando me arrombam os dias.
Metem-me o pé de cabra à porta e entram pelo meu dia adentro sem que eu consiga impedir. 
Trocam-me a tarde com a manhã, reviram-me as horas, deixam-me os minutos fora do sítio sem que os consiga encontrar. A calma fica assustada, a concentração foge com medo e o raciocínio fica num alvoroço.
Gosto ainda menos quando me arrombam as noites. Trocam-mas pelos dias, reviram-me os sonhos, desarrumam-me o descanso. A cama fica toda embrulhada, a pele exaltada e a rotina alterada.
Já venho, vou buscar uma corrente e um cadeado.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

É

E no meio do barulho que melhor oiço o silêncio.
É no escuro que melhor vejo a claridade

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Gostava

Sempre que as oiço, dizendo-as ou ouvindo-as sem que queira, juro a mim mesma que um dia vou ser capaz. Se há palavras, que eu sei, que voam com o vento, outras há que ficam gravadas no tempo, suspensas por um pequeno e ténue fio de voz num qualquer recanto da memória. Essas, as que ficam, são muitas vezes como pequenas agulhas que se vão espetando na pele e que a nós e aos outros fazem doer em certos momentos. E doem uma eternidade...
Talvez possa ainda chegar o dia em que eu consiga dourá-las, contorná-las, enfeitá-las com flores e berloques para que não mais doam. Gostava. É que eu teimo em acreditar em palavras...

Esternocleidomastoideo!
Hoje esta dói-me p'ra caraças.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Pintei



Lanterna para a noite

Pintei uma porta para o mundo e saí
Pintei uma janela para o amor e amei
Pintei uma lanterna na noite e olhei
Pintei estrelas, pintei flores
Pintei o céu e o mar
Pintei filhos, pintei mães
Pintei a alegria e a felicidade
Pintei...



sábado, 4 de fevereiro de 2017

E após vinte e um dias de pausa forçada pedalei!
Acordei e não quis saber de nada, peguei na bike e fiz-me ao caminho. Contra o vento, contra a chuva, contra o tempo, fui. O vento estava tão forte que dificultava a pedalada e me empurrava para trás mas em chegada à praia verifiquei que o mar amainou e pareceu-me até ver um pequeno raio de sol a tentar furar por entre as nuvens, chuva nem vê-la. Não vi vivalma, não me cruzei com ninguém por aquelas bandas, mas não há que fiar pois à vinda para casa assim que resolvi agachar-me atrás de um pinheiro para escorrer a água às azeitonas ao ar livre apareceu um carro, dois corredores e uma moto. Raios, uma Gaja já nem pode fazer uma mijinha no pinhal descansada...
Foram apenas trinta quilómetros mas alegraram o meu coração. 
Bom fim de semana.