quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Felicidade

Noite escura, luzes para iluminar os trilhos, roupa quente para proteger do frio. Das nossas bocas saem nuvens de calor, dos olhos caem lágrimas que o vento faz saltar mas que são de alegria, as orelhas ficam geladas, o pingo no nariz, mas o coração, esse, está quente da conversa e das gargalhadas, da adrenalina de percorrer trilhos quase às escuras, desviar dos paus e das pedras, contornar os pinheiros, saltar nos declives, pedalar com força nas subidas. O céu a cobrir-nos com o seu manto de estrelas, a lua, pequena mas tão brilhante a observar-nos e a guiar-nos, a paz, o silêncio a envolver-nos e a alma a ficar cada vez mais leve e mais solta, até levitar.
Se pedalar pelos montes durante o dia é maravilhoso, já de noite é fantástico...



terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Vestida para amar

Acenou-lhe, chamou-o, gritou até.  Ele não ouviu,  não entendeu os sinais, não  reparou nos seus chamamentos. Vestiu-se então  de sentido de humor, pôs  o seu melhor sorriso, embrulhou-se no manto das palavras, calçou  os sapatos da sinceridade, usou os seus óculos da espontaneidade.
Nasceu...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Noite dentro

Acordei às  quatro e meia da manhã  sobressaltada com uma briga  de gatos na rua. Levantei-me de imediato para ir salvar o meu Zé que hoje teimou em não  querer entrar em casa para pernoitar. Era mesmo ele que estava  a ser atacado.  Afastei o outro,  peguei nele e trouxe-o para dentro todo eriçado e assustado. Acalmei-o.
Voltei a deitar-me e não  consigo dormir, abri o blog e aqui ando, às  voltas  com esta pagina em branco sem saber o que escrever. É que não  me sai do pensamento a Feira de Artesanato da minha cidade onde fui para jantar. Tão  triste, tão deprimente! Pouco mais que meia dúzia de barracas, uma de colheres de pau feitas ali mesmo, algumas Associações Recreativas e as restantes, de pessoas que vendo-se desempregadas e sem alternativas criaram o seu próprio negócio de manualidades. Bijuterias, quadros, quadrinhos e molduras, estátuas  e estatuetas, babetes e fraldas pintados, flores em malha, porta moedas em pano, nomes de crianças  para portas, candeeiros, eu sei lá,  uma infinidade de paneleirices sem jeito nenhum que ninguém  compra e poucos vão  ver. É  de louvar a atitude destas pessoas ao darem a volta às suas vidas desta forma criando uma atividade, mas tenho sinceras dúvidas  que alguma vez consigam vender alguma coisa que dê para comerem à custa do seu negócio. Vim de lá triste com este pensamento. Salvou mesmo a noite, a ginjinha d'Óbidos e o stand da Falcoaria, onde estive mais de meia hora a olhar um Bufo Real, vulgo Mocho, que me hipnotizou de tão lindo....
Bom, vou ver se durmo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Meio cheio

Hoje abri o meu caderno e passei os olhos pelos acontecimentos deste ano. Passei os dedos pelas letras, muitas delas escritas à pressa que mal as consigo ler, outras com uma letra tão certinha e direita, povoadas de símbolos alegres e divertidos. Detive-me em algumas datas que me entristecerem, mas sorri na maioria. Foi um ano de muitos acontecimentos de muitas mudanças, em mim e nos que me rodeiam, nem todas foram boas o que me deixou o coração apertado, mas a maioria fez-me crescer, ficar mais forte, enorme. Tantos momentos bons e felizes, tantas aventuras, tantas pessoas que me encheram o coração e a alma de alegria. Notei ainda algumas lacunas, muitos dias e semanas sem anotações, alguns acontecimentos que não escrevi. Talvez não tenham merecido que o fizesse, talvez sejam momentos nublados que não merecem ser anotados e devem ser esquecidos. Apesar dos altos e baixos, o meu copo continua meio cheio. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Ultimamente falecem-me coisas

Falece-me o tempo, falece-me a luz e o ar em certas partes do dia.
Falece-me o sossego, a paciência e até o discernimento.
Não sei quanto tempo vai demorar até me falecer a boa disposição
A ver, se nos próximos quatro dias de descanso faço renascer algumas destas coisas.
Hoje fiz a minha árvore de Natal.


domingo, 27 de novembro de 2016

Nesga de luz

Dizem que é dia mas eu não sei. Dizem que está frio mas eu tenho calor, talvez até faça sol e eu não sei. Não sei se os pássaros ainda saltitam nas árvores ou se estas ainda dançam com o vento, tão pouco se há nuvens no céu a desenhar montanhas e animais. Não sei.
Suponho que as folhas continuem a cair à passagem da brisa, suponho que a brisa seja fresca e que por isso os pássaros tenham encontrado seus abrigos. Suponho que seja dia mas não sei.
Preciso de uma nesga de luz. Preciso de um pouco de ar.

sábado, 26 de novembro de 2016

Bichos carapinteiros

Toda a amanhã corri para ir pedalar à tarde.
À hora de almoço vira-se a chover e cancela-se a pedalada. Fonix! E eu que necessitava tanto, mas tanto de deitar fora o stress de mais uma semana de loucos, mas apanhar outro banho até aos ossos como o da semana passada estava fora de questão, não abusemos dos micróbios da gripe que até ver se mantêm longe.
Estava frio e acende-se a lareira, abanca-se no sofá. Bichos carapinteiros atacam e eu passo a tarde do sofá para a lareira, da lareira para a cozinha, da cozinha à janela e da janela à garagem. Abre livro fecha livro, abre pc fecha pc, mete phones tira phones, liga ferro de engomar, desliga ferro, que sa lixe. Fiquei tão cansada que se chama o homem da pizza. Marido põe a mesa na sala e traz a coca-cola. Coca-cola??? Abri uma garrafa de tinto. Combinações improváveis eu sei, mas virei meia garrafa e ai que estou tão quentinha, ai que se me está a fraqueza a chegar às pernas, ai que se me enrolam os dedos nas teclas.
Se amanhã continua a chover isto vai correr mal...