quinta-feira, 21 de junho de 2018

Giboia

Estou muito engraçada eu hoje derivado de uma noite em claro à conta de andar a tentar fotografar feixes de luz das trovoadas desta noite pendurada na varanda. Não consegui captar nem um, claro, problemas do obturador lento digo eu. E lenta fiquei eu do cérebro e da língua que ainda não me recompuz, trago aqui uma giboia enrolada ao pescoço que mais parece um cachecol. Odeio, fico nervosa, tenho medo de trovoadas mas estas fascinam-me e eu resolvi lutar contra o meu medo. Além de não ter resultado pois de cada vez que começava um ribombar eu fugia a sete pés, não preguei olho e estou hiperativa de movimentos ainda por cima desfasados de tudo o resto em mim.  A cota não bate com a perdigota, uma hiperativa a bocejar de 5 em 5 segundos. Já alguma vez viram? Sou eu.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Vai e vem

Acordei esta madrugada estranhando a claridade e a brisa que se faziam sentir no quarto  e só depois lembrei que a sacada fora escancarada para a noite na hora de dormir. Cobri as pernas com o lençol e olhei em volta, toda a casa dormia ainda, mas Rosa Maria, a minha gata amarela aguardava como sempre na mesa de cabeceira olhando-me para me dar os bons dias. Respirei fundo, bem fundo, até encher e esvaziar ao limite o ar dos pulmões. E consegui fazê-lo sem nada que o atravessa-se a meio e o impedisse de circular como em tantas outras ocasiões. Por hoje, a minha angústia se foi, sinto-me tranquila. Não sei... mas o meu peito está mais leve.

Isto do Portugal

É bom quando há bola e não há fogos, nem cheias, nem secas ou outras tragédias para chorar. É mesmo que haja, isso agora não interessa nada, o que importa agora é unirmo-nos à volta da TV com uma bejeca na mão é um cachecol da seleção ao pescoço. Há caraças!

terça-feira, 19 de junho de 2018

Casacaria

Isto são anos e anos de casacos. Casacos volumosos, de todos os tamanhos, cores e feitios, casacos curtos, compridos, pretos, castanhos, azuis, grossos, finos, desportivos, clássicos, impermeáveis, de pelo, sem pelo, de lã, de fazenda, de pele, eu sei lá. Já não sei o que faça a tanto casaco, onde os arrume  ou esconda que são casacos por todo o lado e ai de mim que faça alguma escolha para doar que esta gente é agarrada às coisas. Já tentei de tudo, roupeiros, cabides, bengaleiros, arrumados nos quartos, no hall, no corredor, eu sei lá. Só ainda não tentei a fogueira porque lá me queimaram viva em seguida. Tenho cá para mim que um mercadinho é que era. Vendia a casacaria toda e ia de férias para a Comporta ou assim. Quécacham?

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Talvez quando o sol vier...

Eu e tantos outros pela blog fora que se quedam mudos e quietos voltem a querer botar faladora. Hoje pela tarde deu um ar de sua graça, o tal de sol e logo apeteceu rir e dizer umas parvoíces, mas foi-se que está ainda envergonhado. Talvez amanhã apareça e venha para ficar.
Bom, eu cá ando, e nos entretantos dei por mim em testes ao champô de cebola. Bem bom por sinal. Depois, dei por mim a mal caber no biquini e fui ao ginásio, estou aqui que nem posso, depois dei por mim a insistir numa crise existencial que teima em demorar a largar-me, a desgostar-me e a desgostar que os outros desgostem de mim.
Raios! Se o sol não vier depressa me desfaço em desgostares. ..

É há pouco ainda dei por mim a ir  ver o mar, que este pelo menos nunca me falha, está sempre lá. Umas vezes enervado e revoltado, outras tranquilo e muito calmo, mas sempre lá, à minha espera...

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Castigos divinos

Se os há, já levei com um.
No sábado a pedalada desaguou num enorme morangal. Ora, passar sem parar perante tão bela e gostosa visão? Naaaa! Não só parámos como nos embrenhamos plantação adentro procurando os morangos maduros e engulindo-os não sem antes os saborearmos. Delícia dos deuses, ainda que um pouco a medo sem sabermos se tinham pesticidas recentes que nos provocassem daqueles desarranjos intestinais de caixão à cova. Que salixasse, mas tal não aconteceu, o que aconteceu, isso sim, foi que a partir de então comecei a sentir uma dor forte no joelho que foi aumentando de intensidade e praticamente cheguei coxa e com a perna pendurada a casa. Quase, mesmo quase a cair-me o joelho. Gelo e pomada nada fizeram e no domingo tive de abandonar a pedalada a meio para regressar a casa cheia de dores. E aqui ando eu. Não bastava a depressão por causa desta morrinha de água que não pára de cair, como agora que vem lá o sol e eu estou perneta. E isto só à conta de ter levado 2 morangos sem autorização, meia dúzia vá, bom, uma barrigada deles que me vão sair caríssimos em fisioterapia...
Toma lá morangos!

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Zé preto, o gato mijão

E o cúmulo dos cúmulos deu-se quando S. Exa. Zé preto o gato mijão, numa bela manhã destas, ainda euzinha na cama mas já a claridade iluminava o quarto, entra sorrateiramente, de olhos pregados em mim e eu nele que topei-o logo, e sem perdermos o contacto visual, o bicho roda o corpicho, alça o rabo e esguicha uma xixizada contra o cortinado.... Saltei da cama em modo bunging jumping e em sprint larguei atrás dele, corredor fora, escada abaixo, divisão em divisão até ele andar às voltas à mesa sem que eu conseguisse apanhá-lo mas atirando-lhe tudo o que apanhava pelo caminho.
Que ele andava a mijar fora do penico eu já tinha percebido pelo cheiro, mas dar-se a um desplante destes?? Que é lá isso! Um gato que vive como um príncipe das Arábias, o pires de leite todas as manhãs, as taliscas de fiambre à tarde, a ração da melhor, a latinha de mousse gourmet dia sim dia não, a mantinha polar e a areia com cheirinho?Filhadamãe do gato! Está há duas semanas de castigo e não passa da garagem. Ainda assim, acha-se o principe, senão rei do pedaço, cheio de razão e armado em importante.  O gajo nem olha para mim, vira-me as costas quando me vê e nem sequer vem pedir fiambre ou mia para entrar. Ai que isto vai correr mal.

Sim, é este... 

Nicho de mercado

E pronto. Nesta nova estação chamada priminverno em que está um calor assim para o esquisito, descobri o meu negócio complementar. Vendo baratinhos estes casaquinhos para as maçãs. As minhas  já estão todas vestidinhas, não há frio que lhes chegue. Já a mim....


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Evasão


Sou perita em fugas.
Fujo.
Fujo dos carros, da poluição, do buliço da cidade. Fujo das maldades, das guerras, das desgraças. Fujo das responsabilidades, fujo das tristezas, fujo de tudo e de todos.
Só não consigo fugir de mim...

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Demorei a tomar a decisão, mas afinal também quero falar da eutanásia

Sempre me pouparam às mortes. Viam-me com sensível, impressionável e tudo me causava pesadelos, por isso, sempre eram evitados à minha frente os assuntos  que falassem de sofrimento. Morte era palavra que não utilizavam perto de mim e ir a funerais estava fora de questão até ser adulta. Talvez por isso eu continue a evitar ir, não sei como enfrenta-los, como reagir, como atuar com as pessoas, que sentimentos me hei-de permitir sentir. Posso até dizer que perante tudo isto criei um escudo, uma proteção invisível.
Até que tive de enfrentar o atroz sofrimento de meu pai com uma doença terminal que o levou em três semanas. Foi levando-lhe as palavras, depois o sorriso, depois os movimentos, o discernimento... Até que o levou de vez quando já nem se mexia e nem os olhos abria, já nem sequer gemia. O estranho é que, nos últimos dias dei por mim a pedir a Deus que o levasse o mais depressa possível e o poupasse àquele sofrimento e até hoje tenho remorsos de ter feito aquele pedido a Deus para uma pessoa que eu tanto amava....
O meu escudo não funcionou.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Problemas no blogger

Sou só eu a quem já não aparecem os comentários do blog no email desde o dia 25 ou aconteceu a todos? O blogger está estranho e apercebi-me de algumas alterações. Passa-se o mesmo convosco ou é só mesmo comigo? Já fui ao fórum de ajuda e aconteceu um pouco pelo mundo, mas não vi ninguém a queixar-se por aqui....

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Fábrica de Sonhos

Sou possuidora de uma fábrica de sonhos. São sonhos que sonho acordada, ciente de que a maioria não passa disso mesmo. Sonhos! No entanto, esta fábrica que haveria de me fazer feliz, traz-me angustiada nos dias. Porque sonho sonhos impossíveis, porque alguns sonhos não são como os sonhei e outros, que sonhei e que são tal e qual quando se realizam, no fim de os viver, me deixam vazia deles.
Ainda assim tenho sonhado muitos que consigo concretizar e por estes dias lá foi mais um. Mais um que sonhei, mais um que realizei, mais um que excedeu as minhas expetativas.
Hoje...... Sinto-me vazia!

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Isto está bom é para o caracol

Esta tarde enquanto me senti pasmar a olhar a chuva pela janela que caía copiosamente fazendo-me lembrar um daqueles dias invernosos em que só apetece estar à lareira a aquecer a parrachita, resolvi tirar da gaveta da secretária a minha banana diária e fazer uma pausa. Isto, não fosse quem passa no corredor atrás de mim pensar que eu estava embalsamada e trabalhar que é bom, nada.
Ora pois que se lixasse masé a chuva, o problema é que a minha banana me deixou desconsolada. É que eu gosto delas firmes e hirtas, amarelas claro e lisas, a caminhar para o verde, deparei-me pois então com um autêntico pescoço de girafa, carregado de manchas castanhas, mole e cheia de fios. Acabei ainda assim por comê-la toda empapada e a custar a engolir mas a imaginá-la transformada em um queque acabadinho de sair do forno e a cheirar deliciosamente.
Ein? Aprendi isto num daqueles blogotretas de motivação. Ah poisé, temos de transformar as coisas más em coisas boas, mas depois pensei no preço da gasolina...

Olhem, isto está bom é para o caracol, não?

quarta-feira, 23 de maio de 2018

E assim é a vida

Andam a morrer-me pessoas.
Umas vão-me morrendo devagarinho, vão ficando moribundas, dia após dia, semana após semana, por vezes meses, até que acabam por se finar. Outras morrem-me sem eu querer. Algumas, mato-as eu. Só não sei se me morrem para sempre ou se ressuscitarei algumas....

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Hoje é que é!

Com uma lista enorme de tarefas para realizar ontem ao fim do dia, que durante o fim de semana estive muito ocupada social e preguiçosamente e não fiz um telho, dirigi-me muito apressada do trabalho para casa. Ao chegar ao pátio para realizar a primeira tarefa da lista, vi o meu gato Zé a dormir na espreguiçadeira e fui fazer-lhe festas, deu-me a moleza e recostei-me. Só um bocadinho. Senti as pernas tão pesadas e estiquei-as. Só um bocadinho. O Zé esticou-se e aninhou-se e eu... só um bocadinho, apaguei! Acordei às oito e tal quando os meus homens chegaram e perguntaram se não havia jantar. Quais tarefas, qual jantar.. Eu que mal consigo dormir de noite quanto mais de dia, dormi uma sesta que foi uma beleza. Não sei.. Mas hoje é que é!

Podemos?

"Terá sempre de haver uma explicação, uma razão de ser, um motivo para que aconteça ou podemos nós sentir-nos vazios depois de intensamente preenchidos, sentir-nos pesados depois de leves que nem uma pena, sentir-nos angustiados depois de plenamente felizes, ausentes depois de termos estado presentes, voar depois de presos à terra ou então parar depois de palmilhar o mundo.
Podemos?"

Flausina Amarela

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Seis unhas

Três em cada pé foi o que eu pintei esta manhã à pressa com o meu filho do lado de fora da casa de banho a pressionar. Seis unhas são apenas o que se vê, hoje dia dezasseis de maio, dia lindo de sol e  calor, dia em que resolvi, finalmente, dar ar as peles.
Gente, isto não é ser bimba, isto  não é ser pobre, isto não é Província , isto é genial, ok? Aprendam que eu não duro sempre!

Bom, estão um pouco escalabardadas, eu sei, mas foi o que se pôde arranjar...

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Oh pá não sei...

Sei que há uns tempos deu-me na telha e comprei uns pintainhos para Mamãe se entreter a cuidar e nos darem ovos para o jantar. Sei que os bichos cresceram e estão ali umas galinhas que é uma esmeração, lindas e cheias de pujança e todos os dias nos dão seis ovos.
Oh pá, mas eu não sei... Juro que são todas fêmeas em idade de primeira postura e irmãs gémeas, mas uma dá ovos castanhos, outra dá ovos gigantes, outra dá mini ovos e apenas três põe ovos normais Faltam-me os kinder e os de ouro, portanto. Não sei se lhes mande limpar o sarampo para canja, ou se as deixe ficar, são concertezamente agentes infiltradas, quiçá espias contratadas para me enervar...

domingo, 13 de maio de 2018

Grito

"Este grito que trago no peito, este fôlego de vida, esta gargalhada surda, este sorriso mudo, este querer ser o que não posso, esta dúvida constante, esta vontade dilacerante, o grito que trago na voz, calado, quase sempre calado, o manto que me tapa a alma, o xaile que me cobre o corpo....
Enquanto tiro e ponho os óculos, tique que ganhei recentemente e que me faz travar o pensamento e calar as palavras que teimosamente me voam sem eu querer, penso que tenho de arranjar novos estratagemas para sobreviver a mim própria, para me livrar de mim, aqui aprisionada em pensamentos e gritos e vontades. Eu sou o sim e o não, o quero e não quero, o sonho e a realidade, o tempo e o não tempo. Queria. Queria poder dizer, queria poder fazer, queria saciar esta sede e esta fome que me consomem a calma e me dão ganas de força..."

Flausina Amarela

E se eu vos disser

Que este bolo saiu do forno às cinco da tarde, ein?
Eu já vos disse, tenho termites em casa e já tive de pegar na vassoura e correr todos da cozinha.


terça-feira, 8 de maio de 2018

Anos de vida

Diz-me o doutor de meus filhos que conheço há anos e a propósito da minha recente viagem de bike, que eu havia de abrandar, que havia de ter mais cuidado pois o nosso coração é como o motor de um carro, quanto mais trabalha, mais se gasta e se cansa. Eu.... respondi-lhe o que de imediato me ocorreu, que é isto que me dá anos de vida e força para ultrapassar todos os contratempos . E é!!
Não, não é só bom, também é dor e é sofrimento, é quase morrer de calor num dia e dois dias depois entrar quase em hipotermia por causa do frio e da chuva, são as dores nas pernas e nos braços e nas costas, é o rabo quase em ferida de tantas horas em contacto com o selim, é o cansaço, é o esforço é o medo de cair ou de não conseguir chegar. Mas também é felicidade e alegria puras, é ar livre, é beleza, é conhecer, é ver o que os outros não vêm, fazer o que os outros não têm coragem de fazer, é testar o corpo e a mente, é chegar à conclusão que queremos, somos e podemos e que nada nem ninguém nos mete medo. É desafio, é adrenalina, é conquista, é paixão. E por último, é concluir que tentando e lutando conseguimos, é a mente a dominar o corpo, é não ficar e ir, é arriscar, é saber enfrentar os medos, é ganhar ao invés de perder, é esperança, é viver.
E isto é ou não ganhar anos de vida?




segunda-feira, 7 de maio de 2018

Dualidade


Sento-me no fundo da sala panorâmica frente ao mar e um pouco afastada de todos observando os pequenos grupos que se vão formando por entre aquele grupo maior. Observo alguns, saltitando de grupo em grupo, conversando, rindo, perguntando, dizendo, lembrando histórias do passado e não querendo perder pitada, bebendo de tudo e de todos, absorvendo e dando-se de corpo e de alma cheios de certezas e de palavras. Eu observo, ora a vista do mar, ora as pessoas e aquele saltitar tão caraterístico daquela família. Engraçado como me sinto tão de outra.  Sinto-me estranha, deslocada, até um pouco desassossegada. Observo de novo a vista e regozijo-me por ser quem sou, por apreciar o mar e o sol, por ver rios em montanhas secas, por saber apreciar silêncios, meus e dos outros, mas depois fico insegura e penso como me verão os outros, talvez uma antipática com mania de importante, uma alienada familiar e resolvo juntar-me a um dos grupos. Nessa altura já todos estavam de partida para outros grupos e eu fico de novo sozinha, desarmada. Vagueio pela sala. Ainda nessa manhã me reconheceram a cara chapada de meu pai com quem de facto me identifico em todas estas características incluindo a física e já estavam a jurar a pés juntos que era igualzinha à minha mãe. Perdi-me então de novo na minha identidade sentando-me e descalçando os saltos altos por baixo da mesa para que ninguém visse que até nisso a minha família é outra. No fundo sinto-me feliz por nenhum dos meus filhos ser assim, como eu…

domingo, 6 de maio de 2018

O meu mar

Se os dias em que pedalei pela serra foram fantásticos, se vi montes, se vi vales, se andei acompanhada do cântico dos pássaros, se passei riachos e aldeias, se me achei, me reencontrei, se a minha paz se engrandeceu, se a minha alma se recompôs, voltar à minha praia e ao meu mar dá-me sempre anos de vida. O sol voltou e eu fui vê-lo. Estava lá, tal e qual e à minha espera...



sexta-feira, 4 de maio de 2018

Só porque sim

Depois do frio e da chuva e do vento que apanhei no início da semana a pedalar na serra comprei um biquini que só vou usar lá para Julho ou Agosto. Voltei ao trabalho mas não me apetecia. Lavei sete máquinas de roupa que tenho agora para dobrar e engomar. Voltei a beber água com limão. Já estou de novo farta de pessoas... Eu Quero voltar para a serra...

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Caixa de surpresas

Existe em mim uma caixa. E em ti e nele e nela... Habita em todos nós uma caixa cuja tampa está prestes a saltar e a mudar o rumo dos acontecimentos, das nossas vidas, da nossa história. Olhando para trás dificilmente voltarei a acreditar que podemos traçar um plano de vida e segui-lo, pese embora o fizesse ou tentasse fazer até há bem pouco tempo. É que as nossas caixas, amarradas com finas fitas de seda, estão plenas de surpresas, e as delicadas fitas soltam-se ao entreabrir da tampa fazendo com que brote o mais profundo de nós. Tantas caixas há em que é preciso tão pouco para que se abra essa tampa, outras há que passam uma vida inteira fechadas. Não seremos apenas nós, tão pouco apenas os outros, será talvez um conjunto de circunstâncias quantas vezes alheias a nós que mantêm essas caixas fechadas, essas fitas amarradas. E quantas vezes aguardo ansiosamente que a tampa se abra e isso não acontece. E quantas vezes já mudei o meu rumo, quantas vezes já se me abriu a caixa e me surpreendi, quantas vezes já morri e quantas já renasci, quantas vezes já dei por mim e tentar sair por essa tampa entreaberta e a realizar sonhos, a fazer coisas difíceis e inimagináveis.  A minha caixa é cheia de surpresas. Está amarrada com finas e frágeis fitas de seda...

terça-feira, 1 de maio de 2018

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Siga!

Já pedalei 260 kms e ainda me faltam uns quantos. Muitos vá.
Já vi tanto. Por aqui aldeias com cinco casas e praticamente ninguém é mato. Algumas são lindas, as paisagens então, são fantásticas. Nunca pensei que houvesse tantas vacas neste país... É vacas de todas as cores e tamanhos

quarta-feira, 25 de abril de 2018

E prontus!

Um dia já lá vai pela GR 22 a  rota das aldeias históricas, primeira etapa Castelo Novo - Idanha - Monsanto já está. Foi abrir e fechar cercas, passar rios, dizer adeus às vaquinhas e às cabrinhas e pedalar com um calor do caraças. 29 graus, chega? Adoro estas aldeiazinhas típicas

domingo, 22 de abril de 2018

Manhã de domingo

E hoje, após seis dias de treino, resolvi que descansaria as pernas e o traseiro até quarta-feira, dia da partida para a grande aventura. Enquanto desossava o pato, sim, eu hoje estive prendada, desossei um pato inteiro, fiz arroz de pato não muito escondido, pão de ló e morangos com açúcar sem partir nem avariar nada. Posto esta constatação, lembrei-me de que ainda não vira a glicínia de Papai em flor e já era tempo dela. Dele. Limpei de imediato as mãos e corri para o quintal. A caminho, Toni, o gato estrábico de Mamãe enrodilhou-se nas minhas pernas quase me fazendo cair, aquele gato adora-me e dorme à minha porta todas as noites à espera das minhas festinhas logo pela manhã, depois vai à sua vidinha. E foi, mas atràs de mim, claro. Pois que a glicínia já está  em flor e a começar a abrir. O seu perfume está como todos os anos, inebriante e muito intenso. Esta glicínia é mágica, faz-me lembrar pessoas. uma pessoa em especial.... E faz-me tanta falta.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Diz que

Água com limão é do melhor para saciar a sede, fazer uma detox ao organismo e eliminar gorduras. Ora, estas cenas interessam-me . Vocês não sabem mas eu já fui vegetariana e crudivurista durante uma semana. Pois... Resolvi fazer uma detox e  andei a comer saladas com pimenta caiena e fruta durante oito longos dias.. . Houve alguns até que almocei e jantei melão... Sim, eu sei, é a tal cena dos alqueiros mal medidos. Mas bom, posto isto, o que é uma aguazita com limão ao longo do dia? Não seria nada se após a vasilha cheia, aí pelas dez da manhã eu não tivesse de andar a correr para o wc de meia em meia hora.
Ai... Esperem um pouco.
Voltei, mas vou ali comprar fraldas.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Ou vai ou racha

Isso ou falta de alqueiros bem medidos.
Como vou passar sete dias seguidos a pedalar, se não choverem cães e gatos, claro, decidi que esta semana haveria de treinar. Pois que ontem saí do trabalho a correr para pegar na bike e ir dar ao pedal. Ora, como num treino tem de se treinar, fui à net ver  de que lado soprava o vento e a que velocidade. Ok, fiz o meu treino mentalmente. Vou para a estrada com a bike de btt que é muito mais pesada e... contra o vento pois claro, que isso é que é de gaja rija e forte e determinada. Um bom treino é sair da zona de conforto, isso é que é.
Ah pois é, é. Tanto é que quase me deram três sincopes, uma por cada subida que fiz. E depois, evidentemente, só eu é que estava certa, mas cruzei-me com dezenas de ciclistas, todos a favor do vento e nas suas super leves bikes de estrada, lindos, leves e frescos que quando se cruzavam comigo, parecia que eu estava parada. Acho até que vislumbrei sorrisinhos irónicos, os parvos, ao verem a minha cara de tomate maduro prestes a explodir.
Com que idade se ganha juízo, ein?

Ah! Hoje lixei-os, fiz como eles.

Um dia ainda mato estes gatos

Este é "O meu espelho". Encomendado propositadamente para mim, com dois metros de altura para eu caber lá muito bem, pois sim que sou enorme eu :) e os outros tresentos e vinte e quatro espelhos da casa eram demasiado pequenos. Foi colocado estrategicamente ao fundo do corredor, perto da luz. Este é o espelho onde eu me vejo linda de morrer de manhã, à noite e a toda a hora, vá, que uma gaja tem de se ver. 

Os meus gatos acham que é um arranhador....

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Quase pronta

Faltam 9 dias para mais umas férias ao pedal e tenho quase tudo pronto. Desta vez não levo alforges, arranjei um maquinão.
Vejam! Vejam a versatilidade do bicho. Inveja ein?

terça-feira, 10 de abril de 2018

Este cinzento...

Que não me sai da alma nem do corpo, à semelhança do céu lá fora. As minhas nuvens são grandes e escuras e estão tão baixas  que quase as alcanço com as mãos. Quem me dera poder agarrá-las, empurrá-las, afastá-las de vez para deixar entrar o sol e o calor nesta minh'alma cansada e desgastada. Tantas vezes estas nuvens já vieram para depois se afastarem e deixarem passar a justiça e a verdade, a destrinça no pensamento daqueles que apenas se vêem a si próprios. Sei. Sei que mais tarde ou mais cedo isso acontecerá, acredito ou quero acreditar que todos os olhos verão a realidade e não apenas o que querem ver. Enquanto isso o tempo vai passando. 
Aqui fico. À espera.

Há já algum tempo

Que não ia ao Spa...
E posso dizer que após várias horas num banho de lama e outras tantas a tirá-la da bike, dos sapatos, da roupa, do cabelo (my God, o meu cabelo), fiquei como nova.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Preciso vacinas várias

Arranquei com as minhas próprias mãos, dentes e até um xizato quase todo o gel que tinha nas unhas. Quase todo sim, mas até ao final do dia vai o resto....

terça-feira, 3 de abril de 2018

Os macacos e os galhos

Os médicos estudaram para tratarem doenças, os professores estudaram para poderem ensinar, os engenheiros para fazerem trabalhos de engenharia, aos pedreiros foi ensinado a construir casas e aos eletricistas a tratar das eletricidades. Cada macaco no seu galho, portanto.
Existe no entanto um galho para o qual ninguém estudou mas em que todos sem exceção são especialistas, mestres ou até doutorados. Avaliar pessoas! Avaliá-las, estudar o seu comportamento e tirar conclusões. Muitas conclusões. Depreendendo que daí advêm opiniões, restrições, julgamentos e punições.
Com que direito pergunto eu, acham que devemos aceitar como válidos os mesmos, vindos de pessoas leigas na matéria, ein? Por acaso vamos nos consultar ao pedreiro ou pedimos que um médico nos construa uma casa? Ora, tento na língua minha gente, já por algum acaso pensaram em calar essas boquirrotas quando se trata de comportamento humano? Sabem tudo não é? Ainda por cima o que sabem é sempre unilateral, estas avaliações, estas conclusões, estes julgamentos, são sempre, mas sempre aos outros, nunca a nós....

Mães

Eram cinco da matina quando um fulminante ataque de tosse me arrancou ao meu sono de beleza. De mansinho e para não mais perturbar o próprio do sono de outros, esgueirei-me até ao frasco do xarope. Voltei mais calma mas gelada e não mais dormi. Até chegar a hora de levantar, tive mil pensamentos, trinta deles foram sempre os mesmos, em loop e prendiam-se com as reclamações sobre o meu súbito e perturbador ataque que iria ouvir pela manhã.
As mães nunca podem ficar doentes.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Sem volta

Longe vai o meu tempo, aquele em que por alturas da Pascoa havia grandes limpezas. Um ritual que veio passando de geração em geração e me calhou em herança. Paredes e tectos eram esfregados, janelas lavadas, armários forrados e reorganizados, colocados naperons lavados. Mas eu nem uso naperons e o pó amarelo dos pinheiros ainda nem veio, há muito que esqueci as grandes limpezas. O meu tempo é agora de fuga, de evasão, o meu tempo é agora de largar as paredes e os tectos, de sair para a rua e beber da vida.

domingo, 1 de abril de 2018

Countdown


Aquele friozinho na barriga já começou. O frenezim e a ansiedade de pensar em tudo, de preparar tudo para que mais um sonho se concretize é uma sensação inexplicável e só passa quando chegar o dia de partir para mais um enorme desafio, mais uma grande viagem e acima de tudo, mais uma aventura.
Faltam 22 dias.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Murcho

Ummm! Isto por aqui anda murcho como murchos andam os dias e as noites. Bom, murcho não será o termo cá para os meus lados que isto são acontecimentos surprendentes e avassaladores a cada dia. Ainda não processei um e já lá vem outro mais espantoso que o anterior. Sobreviverei a tudo cheia de pujança é o que eu vos digo.
Feliz Páscoa minha gente e cuidado com a dentuça.

segunda-feira, 26 de março de 2018

O lugar das coisas

O de cada um no sofá e à mesa, o lado da cama, o da pia da casa de banho à esquerda e à direita, o das prateleiras dos sapatos de cada um. O do capacete da mota no chão da garagem, o do frasco de iogurte largado no sofá, o de cada manta dobrada, uma sim, outra não, no lugar onde cada um se senta. O dos ténis no chão da sala, o do caderno na mesinha de cabeceira, o de um casaco caído do cabide, o de um boné, ou vários, no móvel do corredor, o da roupa esquecida em cima do bidé ou o do rolo de papel higiénico acabado e por substituir....
Há coisas que nunca mudam. O lugar das coisas por muito que queiramos.

domingo, 25 de março de 2018

Talhão 256

E agora deixemo-nos cá de coisas que hoje foi um dia muito importante para o talhão 256 do Pinhal de Leiria. Hoje foi o dia em que veio gente de todo o país para plantar 67500 pinheiros bravos e assim rearborizar, apenas uma pequena parte do nosso pinhal ardido, eu sei, mas temos de começar por algum lado. Se até aqui eram quilómetros e quilómetros de cinzas e pinheiros queimados, agora que muitos já foram cortados e o terreno preparado para a replantação, são quilómetros e quilómetros de nada, de chão vazio, pequenos montes e declives de deserto. Julgo que já não vou viver o suficiente para ver estes pinheiros adultos, mas que o vejam os meus filhos ou netos e por isso temos que rapidamente replantar a área. Fui de bike e ainda aproveitei para procurar um pouco de verde.







Cenas que me acontecem aos domingos...

Logo pela manhã toca a acordar. Yeah, Está sol!!!! 
Salta da cama, abre estores, abre janelas, tudo ao léu para tirar o mofo.
Pois... com tanta energia a fita de abrir o estore da sala parte-se! Buahhhh! Logo hoje que está sol, logo hoje que é domingo, logo hoje que senhores que arranjam cenas estão no descanso... Logo hoje que eu me refastelaria no meu sofá com aquela imeeeesssa luz a brotar da janela em que eu vislumbraria pelos de gato por todo o lado, e migalhas de filhos comerem na sala pelo chão e uma pequena teia de aranha que Dona Coisa da limpeza não viu, nunca vê, logo hoje que eu queria ver os três últimos episódios do This is us a descansar o cu da pedalada da manhã e ao mesmo tempo regozijar-me com o quentinho e com a luz do sol a entrar-me janela dentro. Pois que saí, entrei, voltei a sair e agora, que remédio tive eu senão voltar a entrar e cá estou eu. Encontro-me para aqui, na penumbra, na escuridão, de estore fechadinho até acima, mais o homem, os dois bem juntinhos para não termos medo. Não há pelos de gato, não há migalhas, não há teias de aranha, apenas o escuro a um domingo de sol à tarde. Domingos!!

terça-feira, 20 de março de 2018

Compreendo

Compreendo e acho lindas as manifestações de carinho no face, no insta e na bloga. Compreendo as homenagens, os agradecimentos, as fotos com os pais, compreendo a partilha do amor que se sente e se quer expor ao mundo. Compreendo o orgulho dos pais cujos filhos lhes fizeram estas sentidas homenagens. Compreendo quem, como eu, sofra por já não ter o seu. Só não compreendo porque é que o Dia do Pai não é todos os dias...

domingo, 18 de março de 2018

O que dizem os seus olhos #1

São grandes, verdes e pestanudos. Nem novos nem velhos, rodeados porém de marcas da vida e dos efeitos do tabaco que o corretor de olheiras mal disfarça. A sombra clara dá mais vida àqueles olhos, o rímel fá-los ainda maiores. São olhos doces os seus. Muito doces, muito meigos. Olhos de mãe inata, de conselheira e de amiga. São olhos risonhos e divertidos que nem tristes deixam de ser belos. Os seus olhos dizem tranquilidade, dizem amor, dizem força contra as dificuldades. São olhos que falam. São olhos que sonham acordados, são olhos que querem. Muito. São olhos com esperança e com vontade, são olhos sinceros e verdadeiros os seus. 

sexta-feira, 16 de março de 2018

Posto isto..

Enquanto a música chega entrecortada e às ondas ao rádio coletivo e agora estrategicamente colocado junto à janela, o vento uiva lá fora. Não sei como aquelas árvores não estão já descabeladas de tanto abanar. Apesar de mais um resto de tempestade, chegam réstias de sol à minha janela e passaritos esvoaçam lá fora.  Debatem-se contra o vento mas lá vão avançando e ganhando terreno. Tal como eu. Hoje é sexta feira, dia de confraria e vai haver sangria ao almoço. É bom sinal.

terça-feira, 13 de março de 2018

Cuidadora

Sou supostamente uma cuidadora. Cuidadora de filhos. cuidadora de pais, de casa, de trabalho, de mim e de todos os outros. Os que me rodeiam. É suposto os cuidadores saberem cuidar. Cuidar é amar, ajudar, apoiar. É educar, orientar, ensinar. Cuidar é saber respostas, é saber tomar decisões, é arranjar soluções. Cuidar é fazer dos filhos, dos pais, da casa e do  trabalho, pessoas e lugares felizes e perfeitos sem querer nada em troca. Todos os dias acordo determinada a ser a melhor cuidadora do mundo, mas todas as noites acabo concluindo que não o sei ser. E todas as insónias me trazem uma certeza. Necessito, eu própria que cuidem de mim...

segunda-feira, 12 de março de 2018

Alma minha desassossegada que se encanita por tudo e por nada

Se ontem eu queria matar pessoas, hoje foi um dia de tréguas, tréguas da chuva, tréguas do vento, tréguas do meu pensamento. O céu não chorou e chegou até a estar pintado de azul por vários momentos, o verde até me pareceu mais verde e a minha alma sossegou. Lá fiz as pazes com a minha pessoa. 
Vesti o meu melhor sorriso, calcei a minha boa disposição e fiz-me à vida embrenhando-me no trabalho o dia todo. E se a marmita do almoço trazia uma sopita e uma empada de galinha para tirar os remorsos baleares do fim de semana, o lanche foi bolo desmanchado. Feio mas bom que estava o gajo. 
Voltei ao foco e fui ao gym, esmerei-me no jantar e para o dia ser perfeito, só faltou mesmo o voo sincronizado do pelotão de pássaros da uma da tarde, mas a primavera está tardia.  Bem que perscrutei o horizonte mas não deram um ar de sua graça, há muito que não os vejo e, julgo, não voltarão tão depressa, parece que vai continuar a chover. Se amanhã eu voltar a querer matar pessoas, desculpem qualquer coisinha, é derivado dos nervos em franja, sim, a tal que cortei à tigela há uns tempos e já voltou a crescer.
Que alma esta a minha, tão mas tão desassossegada. Encanita-se por tudo e por nada.

domingo, 11 de março de 2018

Eu juro que tentei

Fazer de um domingo de tempestade um domingo agradável. 
Vá, um domingo enclausurada e sem pedalar, um domingo a fazer comida para filho levar para universidade, um domingo a engomar roupa sem fim, um domingo a chorar baba e ranho com os episódios da morte do Jack do This is Us. Raios partam a série, quando começo a ver vou logo buscar lenços pois já sei que aí vem molho. 
Mas eu tentei, juro que tentei que fosse uma clausura agradável.....
Numa aberta fui ao pão quente a cinquenta metros de casa, de bicicleta. Assim que montei na bike de regresso, o saco de papel rasga-se e o pão espalha-se na estrada. Fui pedir um saco, apanhei o pão do chão e zarpei para casa, veio uma bátega de água, apanhei um banho. Já de roupa trocada e seca, resolvi fazer um bolo, ia saber bem com um chá. Após forma untada verifiquei que era demasiada massa para o tamanho da forma, sai também um bolo de caneca e saiu mesmo, literalmente. De seguida o bolo ficou colado ao molde, coloquei ovos na pizza do almoço filhos, não gostaram, ferro de engomar avariou, (graças a Deus) episódio 13 da série deu erro e não consegui ver, vi os da morte e funeral do Jack. Chorei, chorei, chorei....
Ainda bem que este domingo está a acabar!!! Yuppiii, vem lá a segunda-feira :)

quarta-feira, 7 de março de 2018

Julia

Quando deu por si encontrava-se no meio de um caminho desconhecido. Um caminho que descia em direção a um largo de onde não se vislumbrava saída. Esse largo estava envolto em uma leve bruma e havia pessoas. Apesar de haver muitas, as pessoas estavam sós, longe umas das outras, tinham um olhar apático e movimentos presos, praticamente não se mexiam, não falavam, pareciam paradas numa cápsula de tempo, amarradas a um marasmo sem volta. Agradável e cómodo porém, aquele caminho até ao largo. Bonito e confortável o tal largo. Não fora no entanto aquele o caminho que escolhera em tempos e do qual se desviara nem sabia como. Esse, era a subir, em direção à vida, ao sol e aos sorrisos. O que escolhera tinha mar e serras e caminhos vários, uns verdejantes e mornos, outros cinzentos e frios mas também era cheio de vida, de projetos e de sonhos.
Era a hora  então, seguiria de imediato por um atalho pois em chegando ao largo poderia não conseguir sair....

And the Oscar goes to....

Que tal, acham que posso copiar?

segunda-feira, 5 de março de 2018

Estranho

Será descabido que vários adultos de meia idade que raramente saem do casulo e terão cada vez menos palavras para dizer, quando saem se divirtam com os telemóveis? Descobrem e experimentam aplicações, tiram selfies e fotos a tudo o que mexe, fazem filmes, postam enquanto jantam e comentam-se uns aos outros. Experimentam o boomerang, as capas de revista, o que dizem os signos e mais uma série de porcarias e riem até mais não. Será descabido que no dia seguinte, após a ressaca, ainda vão às lágrimas de tanto rir com as figurinhas que fizeram?
Talvez não seja descabido, talvez seja só estranho.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Uff!

Foi apenas quando ouvi as oito badaladas no sino da igreja que realizei que havia de estar a sair para o trabalho e ainda estava deitada. Porra! Este corpinho anda cansado, mas a partir desse lapso de tempo ganhou uma energia nunca antes vista. Parecia uma cabrita aos saltos de um lado para o outro. Não que tenha problemas se chegar atrasada, masé que eu sou das horas. Gosto, faço questão de chegar a horas, antes da hora, na loucura um minuto depois da hora, vá. Sou inglesa por parte das horas sim e espumo da boca, fuzilo com o olhar, mato, quem me faz esperar. Afinal eu consigo é ser mesmo muito rápida de manhã, arranjei-me, comi e apesar de sair de casa às 8:35  consegui chegar ao trabalho às 8:30. A blusa vinha desabotoada, o cabelo desgrenhado o pequeno-almoço ainda está aqui entalado mas juro que isto vai correr bem, oh se vai. É sexta feira!(dito em tom de cantoria)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Estudasses!

Um dia quando tiver outra vida, vou fazer tudo diferente. Anda cá a parecer-me que a máxima "Estudasses" me assenta que nem uma luva. É que eu até estudei. Quinze longos anos, fora os que andei na Menina Graciete, que eu sou do tempo em que não havia pré escola. Concertezamente que não foram os estudos certos. Sim, sucede-me que há dias e dias que se sucedem sucessivamente em que me levanto, lavo as ramelas e quedo-me apresentável saindo para o trabalho, onde fico o dia inteirinho incluindo a hora do almoço. Aquela cena da marmita para poupar tempo e dinheiro e manter a linha, pois.
Do trabalho passo pelo ginásio ou não e corro para casa para tratar de alimentar as minhas termites de estimação. Mais coisa menos coisa, tipo lava, estende, apanha e passa e fina-se-me o dia.
Inveja! Inveja da má mesmo é o que sinto de certos seres com tempo e euros para fazer do seu dia um dia no paraíso. Elas dizem que trabalham, mas depois passam horas a fotografar-se com seus novos outfits e a prantarem-nos nos blogues, a fazer videos, em atividades com os filhos, vão ao cabeleireiro e à despelagem, ao cinema e às compras, pintam, escrevem que se fartam e ainda lêem mais livros do que uma biblioteca possui.
Possuída ando eu. Há qualquer coisa que se me escapa por entre os dedos e não são só os euros, será talvez o tempo e a imaginação, ou mesmo a organização, mas cá para mim são mais os connects.

Estudasses GM, estudasses!

domingo, 25 de fevereiro de 2018

São mais de cinquenta

Não sombras lá do tal Grey, mas rascunhos que nunca publicarei.
Sinto. Sinto muito. E quando sinto escrevo. Escrevo o que não consigo dizer a ninguém e escrevi tantas coisas nestes últimos dias, mas há muito que sei que já não sou anónima e não consigo, nem posso, despir-me assim de mim....

Ontem vi a primavera quando fui pedalar. Vi mantos verdes atapetados de pequenos malmequeres brancos, ouvi o chilreio de dezenas de pássaros, vi o sol e a luz. Aquela luz clara e brilhante que anuncia os dias amenos, senti o cheiro a fresco e a verde e cheguei cansada, quase noite, mas muito feliz. Pedalar é como escrever. Uma terapia.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O poder aliviante do suspiro

O dia está mau, suspiro
O dia está bom, suspiro
O merdoso(a) do lado não se cala, suspiro
O merdoso(a) do lado não diz uma palavra, suspiro
No trabalho a coisa não flui, suspiro
O trânsito empaca, suspiro
Dá comichão e não se pode coçar, suspiro
O nosso amor telefona, suspiro
Rasga-se uma meia, suspiro...
Ora, um bom de um suspiro alivia com'o caraças, a questão é que pode dar aos outros uma impressão errada daquilo que podemos estar a sentir.
É que tanto pode ser a versão soft do foda-se, como a versão soft de algo assim mesmo em bom. Suspiro!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Palhacito

Meu pai era um homem demasiado sério. Sério no sentido de honesto, justo e sensato, também sério no sentido de quem carrega o mundo às costas, mundo esse que aparentemente pouco lugar lhe deixava para usufruir das pequenas alegrias da vida, mas acima de tudo, sério, de semblante carregado e riso difícil especialmente no ver de uma criança como eu para quem sorrir e gargalhar era tão fácil. A determinada altura a minha preocupação todas as noites, quando ele chegava do trabalho era fazer os seu olhos sorrirem. Sim, ele sorria com os olhos e se por ventura consegui-se arrancar-lhe um sorriso branco que era quando conseguia ver-lhe os dentes ao sorrir, era o auge, a apoteose da minha performance diária. Foi uma época bastante criativa da minha parte aquela. Eu cantava, dançava, pintava, dizia graçolas, fazia teatros, mímicas, ginástica, tudo. "O canito" de meu pai inventava de tudo por um sorriso. Isto até perceber que de facto a vida era séria demais,

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Portagem

Ultimamente entram e saem mais pessoas da minha vida do que aquilo que consigo processar.
É um verdadeiro corropio e ainda por cima a uma velocidade praticamente de jacto. No fim da passagem fica apenas aquele rasto de fumo branco que conforme os ventos demora mais ou menos a dissipar-se. Sinto-me uma portagem, uma fronteira, um ponto de passagem com tranqueira que abre e fecha constantemente e onde no fim de contas tudo passa mas ninguém pára. Não porque tenha sido propriamente a causadora de tal mas porque a vida é um comboio que rola sobre carris e pára em todos os apeadeiros, uns entram, outros saem  e a puta da vida é mesmo assim. Bem que me dizem vezes sem conta que temos de ser duros. Sejamos portanto duros, duríssimos e distantes e frios que as mossas nos duros são difíceis de deixar marcas.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Em pontas

Enquanto pedalava com esforço, ofegante e já cansada, tentando contornar as pedras soltas, as lajes escorregadias, as curvas, os paus caídos no trilho e ultrapassando a subida íngreme, abri o fecho do casaco para que o ar me refresca-se  o peito, arregacei as mangas para sentir o vento nos braços e olhei para a frente vislumbrando que o fim da subida ainda se encontrava longe. Faço força nas pernas, tentando pedalar com mais força e vigor, desvio-me das pedras à direita, fujo do precipício à esquerda, a roda de trás esbarra mas eu consigo segurá-la e pedalada a pedalada lá vou subindo. Apesar do vento fresco, sinto o suor a escorrer pelas costas, tenho calor, muito calor, queria beber água mas não posso largar o guiador para não me desequilibrar e uma coisa não me sai do pensamento. Vou conseguir, vou conseguir. Imaginei-me então uma bailarina, leve, muito leve, com uma saia de tule esvoaçante. Um plié, um jeté, um tendu, uma pirueta, tudo tão delicado e suave, tudo tão fácil e tão belo. 
Aparentemente. Tal como aquela serra. 
Após a curva deparo-me com um novo patamar, este ainda mais íngreme, mais a pique, com mais pedras e muito mais difícil, mas o bailado continua e a música há-de caminhar para o seu auge e eu hei-de chegar ao fim no meio de piruetas e piruetas em pontas, com a minha saia de tule tão fresca a esvoaçar e, num jeté perfeito, chego finalmente ao topo. A música pára, o pano cai. Quando volta a subir eu faço uma vénia como quem agradece a ovação da plateia que está de pé. Mentira, não há ovação, muito menos plateia, apenas há os que foram mais depressa do que eu e chegaram primeiro, mas ao olhar para trás. alguns há também, que vêm mais devagar ou os que estão parados a descansar, os que já não têm força para pedalar, os que caem, os que desistem. Não importa, nada importa, eu naquele momento sou uma prima ballerina das pedaladas, sou tudo, eu posso tudo, eu não desisti, eu consegui! E a vida é assim!

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Dúvidas, a minha vida é só dúvidas

Olhei pelo canto do olho o calendário e resmunguei. É isto todos os anos. Em dezembro é o natal e a passagem de ano, em  fevereiro é o carnaval e o dia dos namorados, em março é o dia da mulher e do pai, em abril é a páscoa, há o dia da criança, dos avós,  o são joão, o pedro e o António, o aniversário de casamento, o de namoro, o próprio do aniversário de umas quarenta pessoas importantes, o dia de pagar o IMI, o dia de pagar os seguros, o dia de ir a um batizado, a um casamento, a uma comunhão, enfim, um sem número de dias festivos onde temos/devemos investir. E eu, chata e ranzinza, estou pelos cabelos com tanta festa, tanta loja com montras temáticas, tanto apelo ao comércio e às comemorações só porque sim que me dão cabo do orçamento. Para bem ser acabava com todas estas merdas lamechas todas, mas no meio disto tudo há uma coisa que me lixa a sério. Porque raio dou eu tanta importância ao Dia da Mãe?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Saber amar

Disse-me, olhando distraída como quem se sente perdida, que o amor lhe fugiu e se escondeu em parte incerta. Disse-me que seu coração mirrou e se encontra encarquilhado. Já não sabe esperar, pacientar, contornar, já não sabe proteger ou amparar, já não sabe cuidar ou gostar. A não ser de si. E de si tem dúvidas. Sente-se órfã de coração e de amor.
Eu.... não tive palavras.
Acho que também eu já não sei amar.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

E foi assim!

Este ano não carnavalei!
Normal para muitos mas não para mim que desde que me lembro já usei dezenas de disfarces, dancei, sambei, gargalhei, todos os anos me diverti até não poder mais com os meus amigos. Não sei se me está no espírito mas sei que sempre fui no embalo e nunca me arrependi.
Desta vez não me apetecia e o embalo foi outro.
Rumei a norte pela noite dentro e levantei-me de madrugada para pedalar, para me embrenhar por montes e vales, conhecer lugares novos há muito na minha lista. As míticas Fisgas de Ermelo, o mítico Monte Farinha e a Senhora da Graça, Varzigueto, Rio Cabril, Mondim, Celorico.... Lugares fantásticos! Não me desiludi.
E como se não bastasse  vim para baixo e para fugir aos Carnavais continuei a aventura pela Serra d'Aire e candeeiros. Estes lugares já conheço todos, mas não me canso de os ver.
Não dancei, não sambei, não gargalhei com os disfarces dos outros nem com o meu ou dos meus amigos, mas sorri. Tanto. Respirei. Tanto. Vi. Tanto. Senti. Tanto, mas tanto...















quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Memória seletiva

Não lembro as palavras
Não lembro a expressão
Não lembro o dia ou sequer a hora
Mas lembro
Perfeitamente
As promessas em vão

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Últimas

Elucidou-me este fim de semana mê rique filhe, muito sensato e assertivo o raças do miúdo, que o facebook se tornou a rede social dos  velhotes que se divertem a postar e a comentar a vida dos outros. Dantes faziam-no na rua, boca a boca e ao vivo e a cores, agora fazem-no comodamente em casa. Passaram a ter a língua na ponta dos dedos. Então e a rapaziada, pergunto. A rapaziada evoluiu naturalmente e naturalmente foi deixando o face mudando-se para o insta, o twitter, o snapchat e outros que tal. A rapaziada odeia cusquices.
Concordo com ele e também constato que de há uns meses a esta parte as amigas de mamãe e outros velhotes da minha rua me enviaram pedidos de amizade. Acho engraçado e muito bom para eles acompanharem os tempos modernos, mas as tendências estão a mudar sim e o face deixou de ser de longe uma rede social interessante. Não por causa da média de idades dos utilizadores, mas por causa do seu conteúdo e do rumo que as redes sociais estão a tomar.
Don't like!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Mariquices

Ah! Agora que também eu já tenho uma dessas doenças da moda, sou chique e estou bem mais integrada na sociedade moderna e já tenho até mais um assunto para falar com pessoas e para entrar em grupos e chats e tudo e tudo, yeah!
Ah pois, que isto das cenas virtuais é que é.
Além disso, estou muito mais descansada pois já não vou morrer de caganeiras. 
Vocês desculpem-me a expressão mas... sim, muitas caganeiras. E que caganeiras!
Pois que eles é o gluten, eles é a lactose, eles é as alergias, eles é as intolerâncias a tudo e mais alguma coisa e eu a rir-me destas mariquices. Entretanto desconfiei e amuei aqui com a minha tripa, fartinha de me pregar partidas, sem que me ocorre-se tal possibilidade e sujeitando-me a exames mirabolantes que ainda por cima me invadem aqui os buracos e as entranhas.
Ao ler pela bloga uns posts sobre o assunto, lembrei-me de fazer uns testes. Tira leite normal mete leite de amêndoa ou de arroz, tira iogurtes, tira queijos, volta a meter, voltava tirar e.. Voilà! A tripa melhora, a tripa piora, volta a melhorar. Não sei porquê mas parece que me tornei intolerante à lactose. Toma, embrulha, gaja do campo que tem a mania que isso são tudo mariquices...

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Pudesse eu

Enquanto olho as minhas unhas com o gel já a meio e as pontas riscadas e estragadas das luvas de andar de bike e decido a cor que vou colocar a seguir
Enquanto acho que amanhã vou ficar a pé porque hoje tive preguiça de ir às bombas meter gasolina e esperar pela minha vez e decido que amanhã saio mais cedo de casa para ir fazê-lo
Enquanto passo a responsabilidade do jantar para  a mão maridão e decido zarpar a toda a velocidade para o ginásio.
Enquanto me esfalfo na aula de combat e logo a seguir na de spinning e decido que ainda vou fazer Hiit  porque acho que podia passar horas naquilo sem me cansar
Enquanto decido andar de pijama no meio da rua pendurada nos muros dos vizinhos a salvar o meu gato de uma briga
Enquanto ando às voltas na despensa à procura de um chocolate e penso em decidir que havia de me deixar dessas gulodices...
Enquanto decido isto tudo e mais alguma coisa, penso cá com os meus botões que eu havia era de decidir em me preocupar mais com estas minudências do que com outras que me quedam de sorriso amarelo ou sem sorriso e aspeto de calmaria por fora quando por dentro sou um verdadeiro vulcão em erupção, uma autêntica mulher bomba capaz de se fazer explodir a qualquer momento.
Pudesse eu mandar nisto tudo e seria capaz de tomar decisões mesmo difíceis...
Pudesse eu.... faria e diria tantas coisas.

domingo, 28 de janeiro de 2018

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Hakuna Matata

Fazer uma pausa, apanhar ar no corpo e na alma, organizar as ideias e colocá-las nas gavetas adequadas.
Estar só por momentos.
É fácil em casa, corro para o quintal, percorro as árvores devagarinho, esgravato na terra, mudo uma planta de vaso como quem dá nova vida a algo, arranco ervas daninhas imaginando arrancar dores de mim. Ali, eu posso desnudar-me, quedar-me descalça e despida de tudo e de todos. Também é fácil quando vou até ao ginásio e solto a franga ou quando pego na bicicleta e vou ver o mar. Tirar o melhor de mim, expurgar o lixo com que me sujo todos os dias deixando que a visão fique mais clara e mais nítida, fazer com que as palavras fiquem mais doces.
Já em outros lugares não há escapatória possível. Não posso arrancar as ervas que penso serem daninhas, percorrer as árvores e esgravatar a terra está fora de questão, mudar as plantas de vaso dando-lhes novas vidas não está ao meu alcance, soltar a franga ou ir ver o mar traz consequências difíceis de gerir. Desnudar a alma então, é morte certa.
Olhem, Hakuna Matata, que é como quem diz... Que sa ffff@

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A lerda que habita em mim

Não é que ame isto das redes sociais, mas gosto de acompanhar as novas tecnologias e num certo dia, iluminada, criei uma conta no Instagram. Adoro fotografia!
Calhou nos entretantos seguir uma pessoa que se intitula de "turista profissional" que posta todos os dias fotos de lugares incríveis que me cortam a respiração e me fazem sonhar e viajar quando estou demasiado agarrada ao meu chão. A partir daí, vários "turistas profissionais" pediram que os segui-se. Cheguei até um dia a receber um convite para que euzinha me torna-se um deles. Não liguei nenhuma, achei que era mais uma daquelas tretas que nos querem impingir carregadinhas de vírus. Turista Profissional?? Que é lá isso??
Há uns dias bateu-me aqui uma uma luz que me encandeou. Ei! Turista Profissional! Turista profissional???
Assim tipo, levantar de manhã e ir passear, conhecer lugares paradisíacos, praias, cidades, restaurantes, museus, ruas no caraças mais velho e fotografar para que outros queiram lá ir? Assim tipo todos os dias? Ein? Mas o que é que eu tenho de fazer para isso, ein?
Já revirei o tlml de frente para trás e de trás para a frente, vasculhei-o todinho à procura do tal convite e não encontro. Até já o desmontei não vá a mensagem ter-se escondido atrás de algum byte mafioso e nada.
Ando aqui a matutar nisto. Acho que era gaja para abraçar esta profissão....

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Diz que disse - Paleo

Ouvi já muito falar do conceito Paleo, ou seja, alimentar-se como os homens e as mulheres do paleolítico que comiam apenas o que encontravam disponível onde viviam, quer na terra, quer no mar. Diz que é uma alimentação descomplicada e neste momento adaptada aos tempos modernos, muito saudável, pois exclui alimentos processados e pelo vistos, otima também para quem quer perder peso. Aparentemente funciona às mil maravilhas. Eu cá, sou amiga e estou a contar-vos, mas não posso comprovar pois ainda não sigo o conceito, mas tenho acompanhado quem segue e parece-me muito bem, estou até a pensar adotar algumas dicas, não para perder peso, mas para comer saudável. Pesquisem  sobre isso que vão ficar surpreendidos.
Umas dicas:
Paleo XXI
Conceito
No facebook:
Paleo descomplicado

E calibrar bananas, não?

Agora é que foi! E não venham cá com merdas, cortei relações com o facebook e mais nada! Então não é que o gajo todos os dias me sugere cortes de cabelo para mulheres com mais de cinquenta anos???? Desde quando é que uma mulher deve usar um determinado tipo de cabelo em função da idade que tem? Eu cá uso os meus três pelos da forma que achar melhor e ninguém tem nada a ver com isso. Quer dizer, uma gaja vai na rua e as pessoas olham e pensam "olha, aquela tem mais de cinquenta anos, usa o cabelo assim" ou então "olha, aquela tem a mania, a usar um penteado de quem tem vinte anos eheheh".
Sou de acordo que se saiba estar, que se seja sensato, que não se faça passar por quem não se é com conta peso e medida, mas.... Cortes de cabelo para mulheres de  cinquenta?

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Sobreviventes

Sobrevivemos à eleição do Trump, sobrevivemos ao weinstein, sobrevivemos a sweat da H&M, aos incêndios, ao sismo.....
Havemos de sobreviver à Super Nanny ou lá o que é!

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

De certezinha

Se me dissessem há uns anos que um dia eu iria apreciar uma tarde inteira de domingo, colada ao sofá em frente à lareira, quentinha, quentinha, ora pasmada a olhar as chamas, ora a fazer festinhas aos gatos, ora a ver filmes e séries sem me mexer, eu iria gargalhar alto e bom som que era como quem diz "credo, nem morta!"
Pois devo ter morrido ...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Expressão?

Às vezes parece que falo Chinês pois o que digo nem sempre é aquilo que os outros ouvem. Na dúvida, é estar calada. Ou encolher os ombros e estar calada. Ou sorrir e estar calada. Ou então chorar, espernear, olhar de vinte formas possíveis, mas não esquecer, estar calada! O chinês é de facto difícil de entender...

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

E foi assim

Um ano nunca é só mau ou só bom. Um ano traz-nos coisas boas e coisas más e o que interessa é que entre o que nos traz de bom e de mau, o saldo seja sempre positivo.
Ao som do Ed sheeran folheei  o meu caderno de 2017 e detive-me na página dos objetivos. A lista não era grande, tinha apenas quatro ou cinco items sendo que o primeiro era ser feliz e o último era deixar de fumar. Dois dos items do meio não foram conseguidos, transitaram para 2018 e ainda que continuem a ser difíceis de atingir, a ideia é continuar a tentar. Do último que era deixar de fumar aos cinquenta anos tenho a dizer que foi um sucesso. Apesar de não fumar mais do que três ou quatro cigarros por dia, eram demais. Estou agora em paz com este assunto. Do item principal, em esmioçando, teria muito para dizer, o ano começou mal, cheio de contratempos, muitas contrariedades, questões de difícil resolução, alegrias aqui e ali, mais contratempos, depois tudo se foi compondo e tudo descambou de novo e de novo tudo se compôs e por aí fora, caindo e levantando-me logo a seguir. Tentando não esmorecer, inventando novos alentos, arranjando motivações e fazendo por fazer acontecerem coisas boas, o que gosto e o que quero. Nunca a tristeza levou a melhor durante muito tempo. Tenho ainda de falar do outro item do meio do qual fizeram parte vários desafios pessoais. Do que me propus e do que dependeu de mim, todos foram superados que eu sou de ir ao fim do mundo para isso. É difícil eu desistir de um desafio.
Por fim tenho de vos dizer que os anos nunca são fáceis nem difíceis, são trezentos e sessenta e cinco dias nunca iguais uns aos outros e, na maioria, são o que fazemos deles.
Posto isto, o Ed Sheeran lá ia cantando o "Perfect", mas de perfect eu não tenho nada, o que tenho é um balanço positivo e uma enorme vontade de fazer de 2018, mais um ano, que entre o deve e o haver, há-de ter um resultado liquido bastante favorável à minha pessoa. 
Fechei o caderno e fiz-me à vida.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Por cá

Hoje a minha "apneia" transportou-me de novo para a rua, mesmo em frente aos meus olhos. Chove. As árvores bailam freneticamente, embaladas talvez por uma qualquer melodia rápida e nervosa. Deve estar frio, mas eu sinto-me bem cá dentro. Não está aqui sol (ainda) e existem alguns focos de incêndio, uns a serem apagados, outros nem por isso, mas apesar de tudo e da aura iluminada de uma enxaqueca pairar mesmo por cima dos meus olhos, sinto-me bem. Estou quentinha.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O tal mês

Este mês é o tal mês.
Aquele que me faz pensar e repensar, o que me mete nervos, o que me deprime.
Este mês é aquele em que vou passar do meio século para a frente quando continuo a não saber bem quem sou. Agradeço. Agradeço a vida, agradeço a alegria, agradeço a felicidade.
No entanto, sei que já tenho idade para ter juízo, mas todos os anos é a mesma coisa e cada vez pior, não há meio de assentar e aceitar de uma vez a idade que tenho. Ora acho que ainda estou aqui para as curvas e meto-me em desafios físicos malucos ora sinto que não tenho energia nem idade para fazer certas coisas. Ora vou até ao ginásio e faço duas aulas seguidas e não, não é pilates e ioga, é body combat e cycling, ou body pump e Hiit, ora tenho medo que me achem ridícula. Olho para mim e vejo-me nova, sinto-me nova, quero fazer o que as novas fazem. Depois olho as outras pessoas da minha idade e penso que o meu espelho me anda a enganar. Eu não sou nova!
Tanto projeto, tanto plano e eu que já não sou nova...
Há pois... masé que as minhas vitaminas já chegaram, vocês vão ver. Ó se vão.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Apneia

O olhar perde-se no horizonte, fica vítreo, imóvel. O corpo fica inerte, suspenso apenas por cordas invisíveis. A alma fica vazia. Enorme mas cheia de nada. O pensamento pára, o vento pára, o ar fica sem cor e eu deixo de respirar. Não oiço, não vejo, não sinto... São pequenos momentos de nada. São bons estes momentos de nada...

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Talvez

Talvez seja da idade. Talvez...
Não porque seja algo velha, ou menos nova, mas porque já vivi tantas emoções, porque já me iludi e desiludi tanto, porque já fiz tantas coisas boas. E más. Porque já fui tão feliz e infeliz, tão triste e tão alegre. Talvez seja por tudo isso que algumas coisas se tornam tão relativas, tão suaves, tão pouco importantes. Ou talvez tenham mudado as prioridades, os interesses. Ou talvez eu esteja diferente. Ou igual. Para melhor. Ou para pior. Talvez...

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Uma árvore vale muito

Uma árvore vale muito e este ano perdemos imensas.
Vamos todos sofrer com isso! Já estamos a sofrer com isso!
Vai daí que fui aos ctt para comprar uma e estavam esgotadas. Depois chegou o Natal e ofereceram-me duas. Estranho ir aos ctt comprar árvores não é? Eu explico, mas olhem que ninguém me pagou para fazer publicidade, eu estou a falar disto porque aqui na minha zona ardeu 80% de pinhal o que me deixou desolada e seria bom que muitos de nós tivessem a iniciativa de comprar as suas árvores para reflorestar o nosso Portugal. Pena que esta iniciativa terminou em 31 dezembro mas muito provavelmente e devido às circunstâncias, irá haver outras.
Nos ctt por 3 eur compra-se um kit "vale uma árvore", os ctt comunicam à Quercus, a pessoa regista a sua árvore que será plantada na primavera de 2018 e cuidada durante 5 anos eu seu nome, a pessoa recebe por email notícias sobre a sua árvore e sobre o bosque onde é plantada. Foram escolhidas 28 espécies de árvores autóctones e alguns lugares para a plantação. Não é fantástico?
As minhas estão registadas e aguardo ansiosamente notícias sobre a sua plantação para as visitar. As minhas até já tem uma ninhada de coelhos para abrigar eheheh

umaarvorepelafloresta.quercus.pt

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Ainda agora começou o ano e eu já fiz merda

Banhoca para tirar o surro velho. Cabelo cheiroso. Ummmm! Mas esta franja está enorme... Pente. Tesoura. Corta! Ummm. Lados espigados? Corta! Comprido. Corta! Torto. Corta! Corta, corta, corta dando asas ao Eduardo Mãos de Tesoura que há em mim.
Estão a ver a Beatriz Costa, estão? Sou eu! Buahhhhh!!!