quarta-feira, 26 de julho de 2017

O mar morreu

Os meus vizinhos ingleses estão agora mais calmos e dormem a manhã na cama. Um desperdício digo eu. O escritor já deve ter terminado o livro, toma o pequeno almoço calmamente com a esposa na varanda tal como nós.  Cumprimentamo-nos com um aceno de cabeça pois continuo sem saber que raio de língua falam eles que mais me parece um ladrar estranho, não pesco um telho, norueguês ou finlandês quem sabe. E o mar morreu, praticamente nem se mexe. Houve-se um leve ondejar que gosto de ouvir ainda na cama com a porta da sacada aberta e a olhar o céu, acalma-me os sentidos, embala-me a alma. Da piscina nem quero ouvir falar, ao sol abrasador não consigo estar, vou até à praia caminhar. Estas férias já caminhei uns sessenta quilómetros e li quinhentas páginas de livros. Aliás, cá em casa fomos todos mordidos pela mosca tzé tzé e nem um braço nos apetece mexer. Quem diria que me ia tornar numa apreciadora do nadismo.

sábado, 22 de julho de 2017

Dois tons de azul

O vizinho da casa do lado direito este ano deve ser escritor. Tecla furiosamente o dia todo sem levantar os olhos por um momento sequer. Quando não está a teclar, está a ler ou a beber café. Aparentava estar sozinha na casa mas hoje vi uma mulher e duas crianças. Levantou por fim os olhos do teclado mas ainda não os ouvi falar, não sei de que nacionalidade serão.
Os vizinhos do lado esquerdo são ingleses e todas as manhãs vêm juntar-se a eles todos os outros ingleses do condomínio, cada vez são mais. Começam a beber e a fumar aí pelo meio-dia e à tarde estão tão bêbedos que é uma animação, só espero que não nos venham vomitar nas nossas espreguiçadeiras.
Somos os únicos Tugas por aqui o que os faz olhar para nós como se de um espécime esquisito se tratasse, nem sei sequer se nos conseguem ver com tanto álcool no bucho. O escritor sei eu que não vê ninguém, o nadador salvador da piscina este ano é novo e engoliu um garfo, além disso o gato comeu-lhe a língua com certeza, também não nos vê. O jardineiro é portanto o único ser que nos cumprimenta pois já nos vê aqui há uns dezoito anos.
Mas isto não interessa nada, o que interessa na verdade são os vizinhos da frente. Dois tons de azul com som de fundo.

Bom Dia alegria

terça-feira, 18 de julho de 2017

Mala de férias

Desta vez vai cheia, cheia de cansaço, cheia de apatia, cheia de desalento, cheia de tudo e de todos. Nem sequer sei explicar porque tenho a mala tão cheia ou como fui deixando que enchesse desta maneira. Nem me reconheço nesta mala. Só espero conseguir esvaziá-la para eu mesma caber lá dentro e voltar com ela.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Perry

Chegou num dia de verão ao colo de meu pai, eramos ambos umas crianças. 
Uma pequena e engraçada bola de pelo cor de fogo, Perry, o meu cão.
O meu Perry não estava preso com uma corrente como os outros cães da vizinhança, nem ladrava raivosamente a tudo e todos que passavam perto, ele tinha um canil de cimento, grande, vedado com rede e na maioria dos dias andava solto pelo quintal brincando comigo. Lá em casa sempre fomos habituados a gostar, cuidar e respeitar os animais e tivemos vários, mas o meu Perry era especial. Ele sabia quando eram horas de lanchar ou jantar e ladrava até eu o acompanhar até casa, ele sabia que nos passeios tinhamos de olhar a ver se vinham carros para podermos atravessar e parava, ele sabia a que distância tinha correr ao meu lado quando eu ia de bicicleta e sabia o caminho para a fonte quando minha mãe me pedia para ir buscar água. O meu Perry ficava sentado encostado a mim quando eu estava de castigo porque me portava mal e muitas vezes deitava a cabeça no meu colo.
O meu Perry e eu crescemos juntos, corriamos, saltávamos e até dançávamos a valsa os dois. Mas o Perry foi treinado para caçar coelhos bravos e perdizes e a determinada altura começou a saltar os muros de casa e a andar muito tempo fora. Foi atropelado três vezes sobrevivendo sempre devido aos nossos cuidados. Eu, chorava. Chorava sempre até ele ficar bom e ele ficava. Um dia matou uma ninhada de patos de uma vizinha e ficou lá deitado à espera que o felicitassem por tamanha caçada, outra vez roubou um molho de chouriços da mercearia da nossa rua e enterrou-os no quintal e outra vez ainda, roubou um pão-de-ló inteirinho da cozinha de mamãe. Ele caçava tudo e por isso começou a ter de ficar preso no canil. Eu tinha de prometer que não tirava os olhos dele para o poder soltar.
Certo dia, já muito velhinho, esgueirou-se para o meu quarto e partiu, em paz, enrolado na colcha da minha cama, tinhamos cerca de dezasseis anos...
Ainda hoje o vejo de orelhas e patas felputas cor de fogo a correr ao vento no quintal.




quarta-feira, 12 de julho de 2017

Livre

Há vinte e oito dias, doze horas e quarenta e três minutos que não fumo. Este era o ano, o do meu cinquentenário, aquele em que eu decidi que iria dar mais uma reviravolta na minha vida. Não foi em Janeiro ou em Fevereiro, muito menos em Março mas foi em Junho, por alturas da grande viagem a Santiago, por alturas da notícia do cancro da mama de duas amigas, foi nessa altura que o clic se deu em mim. Que coisa estúpida fumar! Como podia eu, uma adepta do desporto e da vida saudável....
Não que até fosse uma grande fumadora, mas dois ou três cigarros que fumasse por dia era ser fumadora na mesma e a prova disso é a aplicação que me lembra disso todos os dias. Neste momento poderei ter mais onze horas e meia de vida do que teria se nunca tivesse fumado. Bom, quando morrer, não morro às dez da manhã mas sim às nove e meia da noite, vá. 
Não importa, não importa se vou a tempo de alguma coisa, o que importa é que há vinte e oito dias que estou livre de mais um vício.
Entretanto vou para freira.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Lembranças de Santiago

Como em tudo nesta vida, o tempo vai suavizando os acontecimentos, sossegando as emoções e apagando certos pormenores até então presentes em nós todos os dias. Há no entanto momentos que nos ficam gravados nos recantos da memória e vai não vai, a nossa cabeça vai buscá-los. Das memórias que me acompanham constantemente, uma delas é sobre a grande viagem a Santiago onde conclui o quão pequenos e relativos são os nossos próprios mundos, apesar de os acharmos os maiores e mais importantes de todos. Numa enorme montanha, cada um de nós não é mais do que uma das pedras e há egos tão, mas tão grandes, que uma montanha não chegaria para os albergar.
Momentos houve em que ía focada no meu próprio sofrimento, nas minhas próprias dificuldades, nas minhas dores nas pernas,  no pó, no calor abrasador ou no suor a escorrer-me para os olhos, no peso dos alforges e nos quilómetros que ainda me faltavam para chegar, quando avistava outros peregrinos, a pé, carregadíssimos, coxos, e com aquele calor a caminharem apoiados nos cajados mas que continuavam a andar, cheios de vontade e determinação e a sorrir nos desejavam "Bon Camino". Noutro lugar deparei-me com um cesto de limões e garrafões de água à disposição de quem passa-se, noutro ainda, numa fonte estava um casal a encher garrafões de água e assim que nos aproximámos afastou-se para que saciássemos a sede e molhássemos a cara e depois... depois veio a Labruja e eu não podia com a minha bike tão pesada para subir aquelas pedras até lá acima e alguém ma levou. Chamei-lhe o meu anjo da guarda e nesse momento jurei a mim mesma que iria recordar-me para sempre daqueles momentos e do que eles me ensinaram.
E é por tudo isto que quando oiço alguém apregoar o quão maravilhoso é e os outros não, me sinto estranhamente alienada e num outro mundo....





domingo, 9 de julho de 2017

Estranhamente

Tenho momentos em que me sinto perdida e sozinha no meio da multidão, completamente deslocada, desfazada, estranhamente alienada. Fico perdida nos dias em que não me reconheço,  nas palavras que ouço e não compreendo nem me falam ao coração e muito menos à alma, nas gargalhadas que oiço e que dou mas que não sei interpretar, nos sorrisos que sorrio e que me sorriem mas que não consigo vislumbrar. Tenho momentos em que eu não sou eu, estas pessoas não são as minhas, este mundo não é o meu. Acho que estou a precisar de férias.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Filho de uma orquídea

Quisesse eu que a minha orquídea desse notas de cem euros ou fios de ouro ou até vouchers de férias mas não. Quisesse eu que minhas orquídeas dessem lindas flores para alegrar as minhas jarras e a matreirisse dos meus gatos que se divertem a virá-las, mas não e  nem vos sei explicar muito bem o que aconteceu aqui mas tenho uma orquídea que dá pinheiros.....

terça-feira, 4 de julho de 2017

Pontes em nós

Perguntei-me em tempos como circularia o amor em mim, como correria a paixão, ou como a seguir às lágrimas apareceriam os sorrisos.
Perguntei-me em tempos por que caminhos chegaria a alegria depois de uma grande tristeza ou como chegaria a mim o sentimento de voltar a ser grande depois de me sentir tão pequenina.
E em tempos obtive a resposta, em tempos tive certezas.
Atravessam pontes. As pontes que existem em nós

domingo, 2 de julho de 2017

Alugo filha para sessão de compras

Tenho vários biquinis de todas as cores e feitios, mas cismei que este ano queria porque queria um fato de banho sexy para espalhar magia na praia. Pois! Mas como escolher tal coisa sozinha, sem mais um ou dois pares de olhos para analisar, perscrutar, opinar? Uma filha por exemplo, eu, que só tenho filhos, um marido alérgico a compras, uma irmã que vai às compras com a sua própria filha, resmas de amigas com resmas de próprias filhas e uma mãe que mal consegue andar e não pode acompanhar-me, como, como vou eu escolher um fato de banho que me fique a matar, que seja a minha segunda pele, um pedaço de tecido nem grande nem pequeno, que esteja impecável no rabo e nas mamas e na barriga, que tenha um padrão discreto mas moderno e que me faça parecer uma sereia ein? Pois resolvi chantagear meu MaiNovo prometendo-lhe mundos e fundos por uma opinão. Lá fomos. Escolhi seis, boralá para o provador, chamei filho. "Ui! Tantos?" pergunta. E assim que vesti o promeiro ele diz. "Para tudo! É esse, levas esse. Pronto, veste-te e vamos embora! Mas.... começo por dizer, mas não me achata as mamas e fica bem no rabo e não tem muitos atilhos e a cor não é um pouco clássica e....mas... mas e os outros, não é melhor experimentar os outros?
"Nada disso, é o mais giro, fica-te bué de bem, nunca pensei mas fica" E prontos, de certezinha que é tudo mentira mas ele é bom argumentador, convenceu-me e lá fui eu pagar os mundos e fundos que lhe fiquei a dever por esta singela opinião. Agora estou aqui de queixo a tremer, ansiosa, à espera que acabe a bola para poder passar na frente da tv com o meu novo fato de banho perante restantes homens da casa e suplicar opiniões.

É este...

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O que eu fui encontrar

Ao ver fotos antigas por aqui perdidas no meu telefone. Fotos de Góis e Pedrogão Grande onde durante alguns verões acampei lá um fim de semana e dei uma pedaladas.... Já fui lá tão feliz.
Que nostalgia.... Que triste, agora tudo queimado.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Madrugadas

O sino da igreja repica as seis da manhã e eu já acordada. Chateia-me não conseguir aproveitar a noite para dormir, no entanto aprecio aqueles momentos em que posso dar largas à imaginação e ao pensamento sem ter de o cortar a meio porque tenho isto ou aquilo para fazer. Tenho calor, empurro a roupa com os pés , dá - me o frio volto a aconchegar-me. Na ombreira da porta vislumbro os contornos da Rosa Maria e do Zé, os meus dois gatos, sentados à espera que um de nós se levante para lhes dar o Pires de leite. Somos de hábitos. Tomara que cheira-se a café acabado de fazer. Mas não. Espreguicei-me lentamente e dei largas ao pensamento.
Hoje vai ser um bom dia.

domingo, 25 de junho de 2017

Sábado à tarde

Fui ao baú da paz interior e tirei meio quilo. Juntei-lhe um rio tranquilo, uma planície verdejante, uma sombra e um banco para descansar. Para a água atirei o stress da semana de loucos, na areia das bermas do rio enterrei as preocupações e os contratempos, nas nuvens cinzentas do céu escondi as tristezas. Fechei os olhos e respirei fundo, cheirava a rio e a verde e quando os abri fez-se magia, era paz o que sentia.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Dante

Mal cheguei da minha aventura levei de chofre com a realidade. O voltar ao trabalho e à rotina no dia seguinte, os fogos e as mortes, doenças de alguns amigos do peito, dois deles a quem foi diagnosticado cancro, outro hospitalizado... Há várias noites que não durmo. Esta inquietação, este desassossego, este calor consome-se por dentro e por fora. Abro os olhos e vejo pessoas a morrerem, fecho os olhos e parece que vejo chamas. Tenho com certeza algum botão avariado.
Esta noite resolvi beber um copo de vinho e tomar um comprimido para dormir. A cambalear consegui subir as escadas e chegar à cama mas passadas três horas oiço nitidamente uma briga de gatos na rua e achei que era o meu Zé. Fui salvá-lo.  Três da manhã e eu na rua de pijama à procura do Zé. Nada! Voltei a subir as escadas e fui ver o meu aspecto de alucinada no espelho da cada de banho. Lá estava o filha-da-mãe-do-gato, à fresca, esparramado no chão a dormir!
Ele estava bem, eu é que voltei a não dormir. Abaixo gatos e moto-serras e fogos e doenças e outras merdas que tiram o sono e uma gaja!!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Limbo

O gosto e a vaidade com a aparência acicatou-se-me quando fui da Província estudar para Lisboa e já com dezoito por conta da minha colega de quarto que era tão feminina, tão mimosa, tão bonita. Acabei a tentar ser como ela e a conjugar roupas, a comprar sapatos e malas da mesma cor, sombras para os olhos, pulseiras e aneis, a colocar merdas na cara e a usar soutiãs de renda. Nunca consegui no entanto desfazer-me do meu outro eu, o da cara lavada, dos ténis, da roupa confortável e desportiva que em nada se coaduna com a minha profissão. E por isso ando há anos neste limbo, a tentar equilibrar os meus dois eus, ponho e tiro, ponho e tiro, até chegar a um acordo comigo própria todos os dias.
Nesta grande viagem tinha de carregar com o corpo todas as minhas necessidades e decidi não levar luxos. Nos alforges levei apenas dois equipamentos para pedalar, uma roupa para as quatro noites, chinelos, um agasalho, toalha, duas cuecas e dois soutiãs e uma bolsa com miniaturas de produtos de higiene essenciais.O resto da bagagem continha ferramentas, cãmara de ar, dropout suplente, comida, documentos, dinheiro, máquina fotográfica, telemóvel e a caderneta de peregrino. Meu Deus! O que me custou transportar aqueles nove quilos e ao fim do segundo dia, sem a roupa ainda lavada, nem um soutiã tinha para vestir para ir jantar.
Viver no limbo é lixado. Se por um lado até vivi confortavelmente durante cinco dias sem entender para que precisamos de tantas merdas, por outro senti-me nua. Faltava-me o meu perfume, o meu cheiro, a minha base para disfarçar o cansaço, o secador de cabelo para não parecer uma maluca e a minha almofada. Ai a minha almofada! Ah! Faltaram-me uns tampões para os ouvidos para não ouvir aquela moto serra toda a noite a trabalhar naquele albergue...

Voltei, voltei... voltei de lá!

Foram 480 kms de aventura, de calor, de camaradagem, foi o espírito de mosqueteiro, isto é, "um por todos e todos por um". Foram cinco dias de felicidade, de desafio, de dificuldades ultrapassadas, dia a dia, pedalada a pedalada.
Não sei se cheguei mais serena, se mais inquieta, não sei se encontrei o que procuro ou se vou continuar na minha luta. O que eu sei é que seguramente cheguei diferente. O que eu sei é que as lágrimas que me saltaram dos olhos assim que cheguei finalmente à praça em Compostela vieram do coração. Foram lágrimas de alegria, foram de felicidade, foram de gratidão e superação. Foram também de alívio, que já me doía o cú e as pernas e as costas e tudo e mais alguma coisa.
Há experiências, há pessoas, há situações que nos tornam melhores.
Sim, cheguei uma melhor pessoa, cheguei seguramente mais forte e com outra perspetiva de vida.






domingo, 11 de junho de 2017

A Leste

Sei que ando arredia, ausente e muito sem tempo, mas a minha cabeça anda a mil e o meu pensamento já está em viagem há muitos dias, não vejo hora de finalmente partir na minha bike, carregada até aos olhos para fazer cerca de 500 kms. Maluca eu sei, mas mais maluca do que eu é certamente a Loira do Também quero um blog que me desafia para estas coisas e faz muito bem pois ajuda-me a concretizar sonhos. Pena tenho de não viver mais perto dela para partirmos mais vezes à aventura.
Obrigada Loira.


quinta-feira, 8 de junho de 2017

As pulgas amestradas

Primeiro mandaram-nas saltar e elas, tentaram saltar. Ainda não tinham aprendido a saltar já as mandavam rodopiar. Elas, tentaram rodopiar. Não tinham ainda conseguido bem rodopiar, mandaram-as nadar. Depois tinham de saltar, rodopiar  e nadar. Como ainda não tinham aprendido a nadar, morreram afogadas.
Filhas da puta das pulgas que não sabem fazer um cara-go!!!!

terça-feira, 6 de junho de 2017

Será que é só nos filmes?

Assim que chega a casa, suspira, descontrai e aos poucos vai tirando a máscara. Os sapatos de salto, a roupa certinha e apresentável, tira as pulseiras e os brincos, prende o cabelo. Veste uma roupa larga e confortável, amarrotada de ter sido atirada à pressa para o roupeiro no dia anterior, uma t-shirt velha, umas calças mais que usadas, mas o que importa isso, afinal é para andar em casa, na intimidade do lar, sem máscaras, sem maquilhagem que disfarça as gelhas do dia e encobre os olhos cansados, sem um penteado que disfarça o cinzento da alma,  sem o sorriso número sete que esconde as contrariedades. Sabe tão bem poder estar finalmente na pele que tão bem se ajusta a si. Tira a loiça da máquina, põe roupa a lavar, faz o jantar, dobra cuecas e meias, trata dos filhos, faz o jantar, arruma a cozinha. Uf! Um banho, um pijama fofinho, um pouco de creme nas mãos. Exausta, descansa... Caramba. Nos filmes e nas revistas e nas séries, as mulheres estão em casa, bonitas e apresentáveis, de batom nos lábios, penteadas, calçadas, engraçadas, sem nada para fazer que não seja mimar maridos e filhos, ler, conversar, ouvir música, pintar, escrever e rir muito... Será que é só nos filmes?

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Quando eu vejo o mundo

Desafios são desafios.
Mas mais do que um desafio, mais do que um treino para a grande viagem que é já na próxima semana, essa sim O Desafio, mais do que um teste a mim própria, à resiliência, à capacidade de sair da zona de conforto, à aptidão para ultrapassar dificuldades, ao poder da mente que no fundo comanda o nosso corpo nisto tudo, mais do que um teste à capacidade física, estou a falar, claro, de um desafio de bicicleta pelo mato que envolve muitos quilómetros, muita dificuldade técnica e física, muitas subidas e descidas assustadoras...
Mais do que chegar a casa suja e a cheirar a cavalo, moída até aos olhos, as pernas e os braços arranhados das silvas e dos arbustos, o joelho negro de uma pequena queda a descer a alta velocidade, eu vi o mundo, eu alimentei a minha paixão...









quarta-feira, 31 de maio de 2017

Ei-lo

O pinheiro manso:


Hoje não me disse grande coisa até porque nem tempo tive para olhar para ele. Pareceu-me ouvi-lo sussurrar que as minhas favas guisadas com ovos escalfados eram as melhores do mundo. Fui a correr cozinhá-las, mas já vi que o tipo é muito mentirosos pois cá em casa, além da minha pessoa, ninguém gosta.. :(

terça-feira, 30 de maio de 2017

Pinheiro manso

Enquanto trabalho consigo observar do janelão, além de muitas outras árvores, um enorme pinheiro manso que todos os dias chama a minha atenção. Ali recortado no céu, majestoso, maior do que todos os outros, um tronco enorme e grosso, as braças fortes e robustas, formando uma copa redonda e farfalhuda que deve albergar centenas de pássaros assim que cai anoite. Faz-me lembrar um pai, uma amigo, um chefe, um patrão....
Hoje, empurrado pelo vento forte gesticulava tanto, mas tanto de um lado para o outro que parecia furioso com alguém. De tanto olhar aqueles movimentos quase fiquei hipnotizada. Imaginei-o ainda maior, assustador, a crescer para mim e a proferir palavras que eu não entendia.  Desviei o olhar.
Mais tarde voltei a olhá-lo. O sol tornou-o dourado, parecia que bailava, abanava-se suavemente. Para mim ele sorria ao mesmo tempo que dizia "deixa lá isso, não leves tudo tão a peito".
Veremos o que me vai dizer amanhã.

domingo, 28 de maio de 2017

Boa tarde Célia

Disse-me uma vez uma das filhas da vizinha da frente que eu fui criada como menina fina e não sabia nada da vida. A Célia, que não vejo há anos, havia já casado pois engravidara ainda adolescente e vivia longe mas tinha vindo visitar os pais. Ora, eu buzinei à Célia não sabendo de quem era o carro que estava estacionado em frente da minha garagem, a mesma onde eu queria entrar e não conseguia porque a Célia lá tinha deixado o carro.
Depois da buzinadela a Célia saiu disparada do portão, parecendo que estava do lado de lá à espera que eu buzinasse para soltar o leão que estava dentro dela. Eu, quando a vi dirigir-se a mim com o cabelo encrespado, o ar tresloucado e a lingua afiada deixei-me ficar à espera, dentro do carro. (Ai não!) Bom, a Célia parecia que tinha ali muita coisa entalada e falava sem respirar. Sim, a Célia, que eu lembrava-me, a que tinha em criança a aparência de um gato assanhado e selvagem, que nunca vinha à rua brincar nem falava com ninguém, mas ali, naquele dia, a lingua soltou-se-lhe e ela falou, falou, falou. De tudo o que disse e que o meu escudo filtrou, ficou-se-me na memória, que eu estava a buzinar-lhe porque fui criada como uma princesa, sim, eu que tinha tido tudo, até uma bicicleta e vestidos aos folhos, eu tinha era a mania que era fina, agora buzinar aos outros, vejam lá bem.
O meu maxilar inferior foi descaindo e ficando boquiaberto  por não compreender que raio de conversa era aquela, eu nem me lembrava que se tive ou não vestidos aos folhos e fiquei sem palavras, o que enervou ainda mais a Célia.
A vizinhança veio à rua e a Célia teve então todos os olhos postos em si com muita atenção, boquiabertos por a ouvirem falar. O trânsito ia-se acumulando atrás de mim que me encontrava no meio da estrada à espera de poder entrar em casa e alguém tentou acalmá-la para que tirasse o carro. Ela lá caiu em si e, a deitar fumo dos pneus, lá arrancou a cento e duzentos à hora e a gesticular ainda até deixarmos de a ver.
Pedi desculpa, entrei na garagem, saí do carro, respirei fundo e pensei: "Boa tarde Célia"

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Espiga e bruxaria


Hoje foi Dia da Espiga, a tradicional quinta-feira da Ascensão, feriado Municipal aqui por estas bandas do Oeste da Nação. 
Como a tradição ainda é o que era foi dia de "piquenicar" com os amigos no pinhal, dia de comer coelho com arroz de ervilhas e beber vinho ao ar livre, dia de deixar a conversa em dia, gargalhar e fazer uma incursão pelos pinhais à la pata até ficar com os pés e as pernocas bem sujas. Os miúdos andavam por ali e chegam um pouco assustados com algo bem estranho que viram ali perto, numa encruzilhada....


Bruxarias sem dúvida. Um mundo tão curioso quanto assustador, perturbador até. E como Google is my friend que eu sei, andei a pesquisar. Credo! Isto é todo um mundo de feitiçarias para tudo e mais alguma coisa. Só não é rico e belo e tem amor e tudo e tudo quem não quer. Há receitas para todos. MEDO!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Bolhas

São bolhas aqueles escudos que criamos à nossa volta onde achamos estar protegidos de tudo e de todos. São bolhas em forma de rede de dentro das quais só vemos e ouvimos aquilo que queremos e onde apenas deixamos entrar quem nos faz bem, quem nos faz feliz. São bolhas aqueles céus onde apenas queremos ver sol e mar e flores. São bolhas as redomas que erguemos que por vezes nos fazem sentir capazes de tudo. A minha bolha falhou-me, mentiu-me e eu meti-me em mais uma aventura. Um duatlo! Sim, um duatlo com corrida, btt e mais corrida no fim. Pois são bolhas. Nos pés (acho que me vão cair as unhas). Dores nas pernas, não vão cair mas ficaram abananadas. Como é que uma Gaja de cinquenta anos acha que pode confiar assim na sua bolha ein?


sexta-feira, 19 de maio de 2017

La tortura

Trabalhar todas as sextas feiras no antro da confraria do pastel de nata não é bom. Temo ficar com a visão e o olfato definitivamente comprometidos.... 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Sopro

Hoje acordei amarrotada, envelhecida, praticamente desprendida, tristemente ausente e desnudada.  Desejosa de que a ventania que se fazia ouvir nas frinchas das minhas janelas me arrancasse e levasse para bem longe assim que eu abrisse a porta e saísse para a rua.
Voltaria quando o sol brilhasse e o vento amainasse.  Voltaria quando um pequeno sopro o meu coração sossegasse.
Não me levou, mas ainda vai levar.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Vidas

Por entre as vidas eloquentes e intensas, marcantes e especiais, dramáticas ou felizes que há por aí, a minha é só uma vida.
Há quem seja rico, descendente da realeza, conduza um Porsche. Há quem seja especialmente bonito, ou se destaque pela altura, ou saiba escrever, pintar, correr, cantar. Há quem seja bom pai, bom filho ou a esposa exemplar. Há quem trabalhe num lugar de chefia, seja um líder ou tenha algum atributo que faz de si um ídolo ou um exemplo a seguir.
Eu não sou nada nem ninguém e nunca fiz nada de grandiosamente espetacular. Talvez por isso a minha vida seja apenas e só uma vida. Uma vida onde por vezes faz sol e por vezes chove, uma vida ora monótona, ora cheia de sobressaltos. Mas uma vida. A minha.

E enquanto penso nisto, há um pequeno aranhiço a passear-se no meu ecrã.
Um aranhiço é prenúncio de dinheiro não é? 
Parece então que a minha vida vai mudar...

domingo, 14 de maio de 2017

Encontro

Olhei devagar, demoradamente, perdi-me no horizonte azul, raiado de montículos de nuvens brancas. Não te encontrei. Nem a mim.
Percorri caminhos apertados e estradas longínquas e sinuosas, quilómetros sem fim. Não te encontrei. Nem a mim.
Corri, nadei, voei, cantei, chamei, gritei. Não te encontrei. Nem a mim.
De súbito abri bem os olhos e vi. Vínhamos os dois, de mão dada pelo areal num passo lento e curto. Os pés descalços a chapinhar na água, as almas nuas de tudo e de todos. Vínhamos os dois, encontrámo-nos um ao outro.

Voltemos então às nossas vidinhas

 O Papa já se foi, o Salvador já ganhou e as rotundas já estão limps e desimpedidas das comemorações da vitória do Benfica.
Muitas lições aprendemos este fim de semana. Que elas nos sirvam para as nossas vidas. Voltemos então a elas...

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Digam o que disserem

O Homem vestido de branco a sorrir, a beijar as crianças, milhares de velas, as lágrimas nos rostos de quem sente o coração apertado, os cânticos.
Concordem ou não, gostem ou não, acreditem ou não. A fé é mesmo um "pormaior".
Emocionei-me

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Chegou!

Após uma incursão pelo IMTT online, após uma viagem a uma agência documental, após três visitas ao próprio IMTT, uma das quais para descobrir que eu e outra pessoa tinhamos o mesmo número de carta de condução e outra para uma entrevista para provar que a minha permissão de conduzir não era falsa, quatro longos meses depois, após chegarem os registos manuscritos dos arquivos centrais de Évora e dos de Lisboa e de chegarem  a conclusão que alguém, algures no tempo tinha cometido um erro, chegou finalmente a renovação da minha carta de condução. Já não estou fora da lei. Yeihhh!

Outras

É nos dias em que me falham as palavras que mais emoções se atropelam dentro de mim. Talvez porque sinta alegria, mas ao mesmo tempo tristeza, talvez porque tente respirar fundo e me falte o ar, talvez porque sinto sol cá dentro e veja a chuva lá fora, não as consiga catalogar e verbalizar.
Recorri ao meu índice de emoções para escolher e lhes dar um nome, percorri-o de alto abaixo e apenas escolhi o último item.
Diz:
* Outras...

Agora sim

Sou uma gaja que está na moda.
Não que tenha comprado uns sapatos da última coleção Jimmy Choo, uns óculos de sol Prada ou uma mala Louis Vitton. Não.
Eu comprei e estou a comer umas bolachas integrais de grãos ancestrais, isto é, quinoa, chia e linhaça. Agora sim, sou uma gaja que está na moda.
E não é que nem são más?

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Filhos de ninguém

Abri a janela de par em par para sorver a brisa fresca da manhã e encher os pulmões de alegria e de esperança. Enquanto ouço o chilrear dos passaritos penso nos filhos de ninguém.
E eu tenho um.
Jurei a mim mesma que este ano não me ia doer quando chegasse o fim do dia sem receber um beijo e um "feliz dia da Mãe" deste meu filho de ninguém.
Não recebi.
E continua a doer. Muito.
Todos os anos me dói. Não só neste dia, mas em todos os dias em que ele teima em ser filho de ninguém...

sábado, 6 de maio de 2017

Fátima

Fizemo-nos ao caminho que eu queria porque queria, ir ver o terço gigante e em que é que paravam as modas por Fátima e quem sabe até, captar alguns momentos para vos elucidar sobre os preparativos da vinda do Papa Francisco de que tanto se tem falado na TV. Subimos, subimos, descemos, voltámos a subir, perdemo-nos nos trilhos, voltámos a encontrá-los. Os caminhos para Fátima não são nada fáceis, mas tentámos ir depressa pois à vinda ainda queríamos parar na Feira de Leiria para comer uma fartura, no entanto não pudemos passar dos 40 :-)


Morremos na praia! 
Não vi o terço gigante, não vi as modas, não apreciei o ambiente, não tive o meu momento de silêncio introspetivo que sempre sinto lá, não me arrepiei com aquela paz. A dez quilómetros de Fátima, uma avaria obrigou-nos a encurtar caminho. 


A fartura é que não pôde faltar e em vez de uma comi duas. Sou uma bruta eu sei. Não vos mostro para não ficarem invejosos, ok?
Até amanhã

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Estranha forma de ser

Esta que por vezes se apodera de mim.
Tenho em mim umas asas que tanto se abrem e me deixam voar qual pássaro tonto em dias mornos de primavera como se fecham e me prendem à terra, quedando-me quieta e quase sem vida.
Tenho em mim umas palavras que tanto saem que se atrapalham umas às outras, como se me prendem e enrolam na garganta sem que as consiga proferir.
Tenho em mim tamanho amor, ansioso por se espalhar e em chegando a hora fica apenas a olhar.
Tenho beijos, tenho abraços, tenho lágrimas à flor da pele.
Tenho calor, tenho frio, sinto alegria e logo um arrepio.
Estranha forma de ser.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Agridoce

É uma confusão o que sinto cá dentro, um turbilhão, uma loucura de atitudes boas e más que gira na minha cabeça e me confunde, um conjunto de palavras ditas sem sentir que se esfuma sempre que o ego de cada um fala mais alto. E depois há os outros, aqueles que não falam mas nos mostram o quão estão lá para nós e para os outros.
É uma confusão o que sinto cá dentro e por mais anos que viva nunca vou estar preparada para deixar de me surpreender com pessoas. Umas pela positiva, outras pela negativa.
Achava que sabia ler olhos e corações, decifrar sorrisos. Mas não. O mais engraçado é que já nem dói.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Hoje foi dia de desafio

Mais do que mais um desafio concluído, foi sentir que de alguma forma ajudei alguém a participar e a superar-se. Mais do que a minha própria superação, foi saber colocá-la de lado para ajudar alguém a consegui-la. Estou feliz.


sexta-feira, 28 de abril de 2017

O que nos mostram

Sorrir quando quer chorar, correr quando que parar. Não poder quando quer amar, contrariar quando quer apoiar, apenas olhar quando quer abraçar.
Nem sempre aquilo que nos mostram é mesmo o que nos mostram.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Noventa e seis horas

Eu vi serras eu vi mares
Eu pedalei sem parar
Estou demente eu sei
Mas é assim que gosto de estar


Quatro dias, noventa e seis horas, cinco mil setecentos e sessenta minutos de suposta pausa e descanso. Nestes dias pedalei tresentos e quarenta quilómetros. Pois. Larguei tudo e pedalei.
Além de dores no rabo e nas pernas, não sei o que procuro ou sequer se procuro alguma coisa. Talvez fuja de algo não sei, só sei que estes momentos me fazem esquecer. Esquecer do estado do mundo, da pequenez de algumas pessoas, da ingratidão de outras, do trabalho por resolver, das paredes da sala à espera de serem lavas, da roupa por engomar. Do meu lado negro também.
A questão é que quando chego a casa tudo está igual. 
Exceto eu.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Prazer solitário

Colhi um pouco de sol
Colhi um pouco de mar
Guardei-os no meu bolso
Para mais tarde me deleitar

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Para sempre

A cuidar das flores te imagino
Nestes dias de saudade
E sempre que elas florescem
Penso em ti até à eternidade....

terça-feira, 18 de abril de 2017

Difícil de entender

Não compreendo esta angústia que por vezes me nasce no peito durante a noite apanhando-me adormecida e desamparada e acorda juntinho a mim em algumas manhãs cinzentas. Tolda-me o pensamento, atrofia-me o espírito, tira-me o ar e me inunda de tristeza. Aparece sempre em alturas inesperadas chegando de mansinho e pintando de cinzento tudo à minha volta.
Não compreendo.
Assim como não compreendo que se vá desvanecendo, dissipando ao longo do dia transformando-se em alegria e boa disposição.
Chego a pensar que o meu outro eu, sim tenho um outro eu, mais escuro e tenebroso, esteja à tentar apoderar-se de mim....

Quem diz que uma bike não cabe num Mini?

Está enganado pois está. Eu própria jurava que não cabia.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Guerra, só depois do café

A vida é uma guerra, o trabalho é uma guerra, as pessoas são um guerra. Eu própria sou uma autêntica guerra e todos os dias me levanto e me apronto para tal.
No entanto, guerra que é guerra, só depois do café que antes não há cá guerra para ninguém.
E o café tem de ser curto, intenso, sem açúcar e bem cedinho que gosto de começar as guerras assim que nasce o dia.
Mas havia de fazer uma pausa na guerra que estou a ficar cansada.
Mesmo com café as Guerreiras têm de descansar. Não têm?

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Mulheres polvo

Não sei quem decidiu dizer que as mulheres são multifunções e conseguem pensar e fazer várias coisas ao mesmo tempo. Bom, até somos e até pensamos e até fazemos montanhas de coisas enquanto o diabo esfrega um olho, mas, mas... Então e quando pela milésima vez chegamos a casa a correr à hora de jantar o próprio jantar e verificamos que não pensámos no simples pormenor de tirar algo da arca antes de sair de casa às oito da matina e esgotámos todas as ideias e improvisos e nem sequer encomendámos um frango de plástico na loja da esquina, ein? E quando temos a casa cheia de homens esfomeados que só sabem fazer uma coisa de cada vez que é estrelar ovos e/ou colocar no microondas comida congelada ein? Bom gente entendida e estudiosa, ou decidem que também os homens conseguem pensar e fazer várias coisas ao mesmo tempo incluindo de manhã lembrarem-se que têm de jantar à noite e saberem cozinhar sem destruir a cozinha ou eu quero ter uma pilinha para não ter que pensar em nada. Aliás, para pensar apenas uma coisa de cada vez, como ter fome por exemplo.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Quem tem amigas assim...

Que oferecem massagens de relaxamento no aniversário cá de moi même, tem tudo.
Fui hoje receber o meu presente, Oh! coisa mais boa.
Faço anos em Janeiro, alguém quer adiantar-se, quer?


domingo, 2 de abril de 2017

Sonhar, sempre

Esta manhã quando acordei preparei-me para guardar os sonhos debaixo da almofada e vestir a pele profissional para a semana, mas depois pensei, porquê? Porquê guardar os sonhos e não dar-lhes asas todos os dias, porque não deixá-los voar a nossa volta, pintar-nos o céu de sorrisos, a terra de alegrias e o coração de esperança? Porque não deixá-los fazer parte das nossas rotinas. Porquê? Trouxe-os comigo.

sábado, 1 de abril de 2017

Cenas alternativas

Estica aqui, torce ali, empurra, puxa, para os lados, para a frente, para trás, agulhas ao longo da perna, fita adesiva e até à próxima sessão. Aguardo a construção das palmilhas para corrigir os pés que no final de contas me causam as dores no joelho e na perna e me impedem de correr e caminhar sem dor. Daqui a mais umas sessões estou nova diz o matulão de dois metros que me anda a esticar. Sem químicos, sem contra indicações, sem efeitos secundários.
Cenas alternativas... 

terça-feira, 28 de março de 2017

Nunca é tarde

Foi quando o cinzento se apoderou dos meus dias e da minha vida, foi quando os meus filhos cresceram e ficaram independentes não querendo mais uma mãe galinha atrás deles, foi quando os meus amigos estavam ocupados, foi quando me sentia só. Foi quando os meus dias ficaram vazios e o meu tempo enorme, tão enorme que não sabia o que fazer com ele. Perdi-me, tentei achar-me, voltei a perder-me e o meu barco andou à deriva num mar revolto por algum tempo. Peguei porém no leme e tentei reajustá-lo. E reajustei-o pois foi aos quarenta e quatro anos que descobri uma nova paixão. E desde então que não paro de crescer e de aprender e de concretizar sonhos....


domingo, 26 de março de 2017

Vulnerabilidade

Olho para esta página em branco e vejo-a nua tal como me vi a mim um dia destes, nua no corpo e na alma, despida de tudo e de nada, como quem sobe ao púlpito e perante uma imensa plateia se lhe varrem as palavras. Ouvi as instruções que já conheço de cor, resignada e convencendo-me que há coisas de que não gostamos mas temos de fazer para o nosso próprio bem. E enquanto a máquina me apertava e espalmava as mamas, eu nua, percorria a plateia com os olhos à procura de um sorriso ou uma palavra de incentivo. Elas vieram, que um bom profissional sabe fazer bem o seu trabalho, mas não foi por isso que deixei de me sentir vulnerável e insegura, nua de roupa e de alma. Da plateia trouxe um "sim, está tudo bem". E uma constipação.

sábado, 25 de março de 2017

Há dias em que não sei o que é que sei. Mas de todas as coisas que não sei que sei, uma eu sei. A vida tanto tem de maravilhosa como de fodida.

Ramalhete




Dizem que é primavera mas as bátegas de água tocadas a vento embatiam nas minhas janelas. O frio gelado entrava por baixo da porta e eu quase tremia de frio. A pedalada não aconteceu. Não fui ver o mar, não fui até à serra, não me embrenhei pelos pinhais adentro neste momento prenhes de água. Sentindo-me presa, fechada e sem ar fui até ao quintal de Mamãe ver as camélias. Todas caídas no chão. As laranjas também assim como muitos botões de flores que entretanto haviam de desabrochar. O quintal estava cinzento e triste. Tal como eu. Um gato desconhecido e felpudo dormia enroscado debaixo do telheiro, um casal de melros namoriscava em cima da cerca. Tudo à espera... Fiquei gelada, colhi apenas um ramalhete de salsa e coentros para o jantar e corri para casa também eu à espera. Da primavera.

segunda-feira, 20 de março de 2017

A minha chave

Trago comigo uma chave. Esta chave abre e fecha gavetas todos os dias da minha vida. Hoje peguei nela cuidadosamente e abri a gaveta que fica à minha esquerda, coloquei lá o mau humor e a melancolia que esta primavera cinzenta me trouxe e tirei o meu melhor sorriso. Abri de seguida a que estava logo acima e coloquei lá os problemas e os contratempos, tirei a alegria que embora um pouco envergonhada anda aqui a rondar. Guardei a chave para amanhã.

domingo, 19 de março de 2017

Alinhar os chakras

Não sei o que raio é isso dos chakras mas que anda por aqui alguma coisa desalinhada lá isso anda. Foi por isso que aceitei mais um desafio, caminhada de 16 kms pela Fórnea, mesmo ao lado de Porto de Mós na Serra de Aire e Candeeiros no intuito de dar ar à alma e ao corpo e repor energias. 
Já perdi a conta às vezes que lá fui de bike mas a pé foi a primeira vez e não me arrependi nem um pouco, consegui até correr em algumas subidas. Descer é que foi o caraças, acho que me vão cair as unhas dos pés de ir todo o caminho a travar. A serra estava linda como sempre, já cheia de flores e cheirinho a primavera, pena o nevoeiro que não deixava ver muito longe.
Dos chakras não sei, só sei que ainda assim espero que tenham encontrado alinhamento e deixem de me acontecer "cenas" esquisitas.