segunda-feira, 13 de maio de 2019

Mau Maria!

Então e não é que de repente e assim sem avisar, nem SMS, nem mail, nem telefonema, nada, chegou a época do biquini??
Então e como é que eu, depois de três meses a vegetar no sofá de perneta no ar, carregada de mimos em forma de gelados, chocolates, bolinhos e bolachas, vou caber no dito cujo ein?
É que nem que eu cosa a boca e divida uma folha de alface pelos sete dias da semana comendo-a com uma palhinha durante um mês a coisa vai lá de mole e balofa que estou.
Estou chateada pois estou que isto assim não vale, gaja que é gaja gosta de se apresentar sem papos nem peles, nem pança a sair do calção.
Para já, vou comprar um fato de banho tipo espartilho e depois só vou à praia lá para outubro depois de ter voltado ao ginásio e a pedalar e estar rija e fresca que nem um talo de couve.
Fui.
Fui ver a praia de longe sim, de perna atada e vestida...


Não vai ser fácil....




quinta-feira, 9 de maio de 2019

Já fui e já voltei

E mais uma anestesia geral na tola e um parafuso a menos cá estou eu.
Quinze longos dias mais sem praticamente me mexer, duche de saco plástico no pé, penso de três em três dias, papo para o ar de novo, portanto.
Depois, tirar os pontos e e fazer fisioterapia à bruta.
Graças à Deus né?
Ou vai ou racha.


Antes da faca já prontinho


Depois da faca todo f@dido



terça-feira, 7 de maio de 2019

A casa dos pássaros

Veio de longe e apaixonei-me por ela assim que a vi. Tinha de a trazer. Muito bem aconchegadinha dentro da mala, lá veio ela.
Alguns anos volvidos noutro lugar, finalmente coloquei-a onde deveria ter sempre estado, junto à buganvília bem perto da minha árvore gigante que alberga muita passarada durante a noite e de dia e até alguns ninhos.
Embora pequena para o melro e sua família, quem sabe se servirá para outras que se atrevam a ir investigar. Venha o sol para eu retomar a minha observação. Um olho no livro, o outro da casinha para a árvore e da árvore para a casinha.
Até já.


domingo, 5 de maio de 2019

Ponto cruz

Já fui prendada sim.
Há tanto tempo que já nem me lembro, só quando olho para estes quadros, os únicos que ainda conservo nas paredes, recordo essa fase da minha vida.
Bordei  o enxoval dos meus filhos bebés, fiz quadros, forrei cestos, pintei, decorei com todo o amor e carinho e muitas fitas e lacinhos.
Os bordados já foram substituídos por outro tipo de roupas e de tamanhos muito maiores, os quadros foram substituídos por posters e fotos, os cestos forrados por coleções de latas e isqueiros e bonés e ténis de marca xpto. As pinturas mudaram de cor, as fitas e os lacinhos desapareceram para sempre. E com eles a minha fase mais prendada, ficaram estas borboletas em ponto cruz.
E a palavra Mãe. O beijinho e o abraço de feliz dia da mãe.



sábado, 4 de maio de 2019

Spot



O dos dias em que está sol.
Isto, claro, além de beber gasolina e acelerar. Eu e as minhas muletas e a minha perneta, estamos sempre a acelerar sem sair do lugar
Estou praticamente capaz de matar o que quer que seja. Tirem-me daqui...



quarta-feira, 1 de maio de 2019

Apanhei-os!

O meu quadrado de céu tem-se apresentado lindo e de um azul intenso nos últimos dias. Eu e meu Zé, o gato,  eu ainda imobilizada e à espera de um certo chamamento para continuar a recuperação, ele gordo que nem um texugo e por isso custa-lhe trepar árvores, ali estamos nós, confinados ao nosso quadrado, passando parte das tardes a ler ao sol. 
A ler é como quem diz, eu cá, leio só com um olho, o Zé dormita apenas com um olho igualmente, pois estamos ambos obcecados pela árvore grande e pelos pássaros que vivem nela. Passamos horas a perscrutar a folhagem à procura de passarada. 
Foi quando reparei que os melros se habituaram a nós. O casal de pássaros vai e vem vezes sem conta, à vez, trazer comida com bastante confiança mesmo sabendo da nossa presença. Consegui apanhá-los numa verdadeira sessão fotográfica.
Não sei muito sobre melros mas aguardo ansiosamente ver os pequenitos a dar os primeiros voos.










sábado, 27 de abril de 2019

Cada vez mais

Aprecio a minha própria companhia e o meu silêncio.
Talvez porque esteja numa fase de contrariedade e numa situação que foge aos meus planos e ao meu controlo e eu me encontre irritada e aborrecida o que faz com que não queira ver pessoas, muito menos ouvi-las. Por outro lado, talvez seja bom reencontrar-me e finalmente apreciar-me e estar de bem comigo. Já não corro, já não fujo, já não me escondo da solidão. Aprecio-a agora.
Deitei-me na espreguiçadeira do jardim ao sol, tirei as meias, arregacei as calças e olhei o céu. O meu céu. O meu quadrado de céu. O sol aquece-me as pernas, Zé, o gato, aproxima-se e rebola ao meu lado, ouço um galo ao fundo, um cão a ladrar. A folhagem das plantas murmura ao sabor do vento e há chilreios por todo o lado.
Tão bom! Que paz. Por que não sei eu aproveitar isto sem ser a pedalar...
Pego no livro para ler mas pelo canto do olho observo um melro a saltitar nos telhados à minha frente, traz uma minhoca no bico. Embrenha-se na planta gigante do meu pátio que entretanto se transformou numa árvore e pelo piar concluo que foi alimentar os filhotes no ninho. Fez mais três viagens mas nunca consegui captá-lo com a minha objetiva, pois sabe da minha presença e é muito rápido. Quantos ninhos albergará aquela árvore? Quantos pássaros lá viverão? Quanta vida  há, ali mesmo no meu quintal....
Admira-me a passividade do meu gato Zé a olhar os passaritos pelo canto do olho. Acho que se habituaram a conviver uns com os outros.
Tal como eu. Acho que aprendi a conviver comigo. Finalmente.










quinta-feira, 25 de abril de 2019

Eu bem quero


Escrever, escrever, escrever neste blog quase às moscas, mas tenho sempre um gato mimado em cima de mim, mais propriamente deitado em cima do teclado....


terça-feira, 23 de abril de 2019

Orelhas!

As do Dumbo.
Era o que eu queria mesmo ter agora para poder voar para fora da minha jaula e poder ver o mundo e as pessoas e tudo e tudo.
Sim, eu neste momento cinjo-me a leitora e não escritora ou faladora para não maçar ninguém com as trombas que sinto que tenho, qual leão selvagem enjaulado e ansioso, aguardando uma tal de SMS ou um tal de um telefonema do hospital com ordem de remoção de um certo e estúpido parafuso que me impede os movimentos e a recuperação e o regresso à vida.
Alguém tem por aí umas orelhas grandes? É que se eu tivesse umas dessas orelhas nem precisava das pernas nem das muletas, passava por vós a voar e a acenar feliz da vida. Até mandava beijinhos e soltava balões e pombas brancas.
Como é que é possível que haja gente que inventa doenças para ficar de baixa eternamente e não fazer nenhum, como é possível alguém desejar ficar simplesmente a vegetar....


sábado, 20 de abril de 2019

Quando os parafusos da perna deviam ter sido colocados na cabeça...

E não foram, dá nisto.
Vipes, brancas, tonteiras nesta carola. Deixei de ser loira e até me assusto quando vejo uma ruiva a passar no meu espelho.
Socorro! 

Quem és tu e o que fizeste à Gaja Maria?? 



quarta-feira, 17 de abril de 2019

Há coisas curiosas

Uma pessoa cai ou tem um acidente ou fica doente ou o que for, fica hospitalizada, faz cirurgia, fica acamada ou o que for, mas encontra-se imobilizada e lixada em casa, desertinha para ir trabalhar, mas não pode. No entanto, passa horas esquecidas no hospital para consultas e exames, passa horas no centro de saúde a fazer pensos e a pedir credenciais e baixas, passa horas em fisioterapias, sempre, sempre, com alguém que tem de faltar ao seu próprio trabalho porque neste caso o acidentado não tem como se deslocar e também, está de baixa há imensas semanas mas ainda não recebeu ponta de um corno e poderá ter, ou até poderá não ter (há muita gente que não tem) como pagar a um taxista horas e horas para andar consigo em tantas andanças.
E depois, no meio disto tudo,  tem de se apresentar na junta médica, onde passa mais uma série de horas, supostamente para exames e verificações médicas, mas onde quem faz as verificações não é médico nem coisa nenhuma, ou pelo menos não se identifica como tal, mas vai decidir se a pessoa terá ou não justificação para estar de baixa ou se a baixa é ou não fraudulenta....
Há coisas mesmo curiosas.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Liberdade

Estranhei.
Depois entranhei.
A minha mobilidade continua limitada, a minha vida continua parada (entre aspas), mas eu não fiquei a chorar e a lamentar-me e a achar que sou uma desgraçada e que só a mim me acontecem desgraças. Não. Nunca derramei uma lágrima, pelo contrário, dez minutos após saber da minha desgraça, estava conformada, queixo levantado, sorria para as enfermeiras e estava munida de uma enorme dose de paciência, pronta para o que viesse.
A caminho do bloco operatório imaginei-me numa gincana de macas conduzidas por enfermeiros tresloucados e de cabelos em pé e fui sempre a rir-me e a conversar com o meu condutor.
Uma vez lá chegada, estava super descontraída.
Afinal, não é cada episódio da nossa vida uma passagem para outra margem?
Estou na sétima semana "de molho" e vejo já luz ao fundo do túnel. Além disso estou contente.
Contente, porque arrumei e organizei tudo quanto é gaveta cá em casa, ok que demorei meio dia com cada uma, mas estava a fazer algo e o que não consegui fazer, anotei para fazer depois. Tenho uma página A4 de ideias para concretizar assim que tenha mobilidade. Aprendi a fazer listas de compras online num abrir e fechar de olhos, tão cómodo que é, vou continuar a utilizar o sistema. Aprendi a estender roupa e a engomar sentada, aprendi a cozinhar aos saltinhos de pé coxinho, aprendi a transportar pequenas coisas penduradas nas muletas ou ao pescoço. Aprendi a tomar banho sentada num banquinho e com um saco enfiado na perna. Entro e saio do duche de muletas. Um luxo ein?
Só visto!
O meu companheiro de luta é o meu anjo da guarda. Muitos me ajudam e me mimam e eu sou uma sortuda. Não podia ter melhor família e melhores amigos.
Eu li livros, eu vi várias séries, trabalhei remotamente dia sim dia não e descansei os meus dois neurónios, embora destes dois que me restam, estejam também a ficar queimados.
Agora digam-me lá, parada a minha vida?
É claro que sinto falta do meu trabalho, dos meus colegas, de conduzir, de poder dar-me na real gana e ir às compras. Tenho saudades de vestir roupa normal, de me arranjar, de me calçar. Tenho saudades de pedalar.
Tenho saudades de liberdade.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Era uma vez, uma vez



REPOST


quarta-feira, 2 de novembro de 2016


Era uma vez um casal digamos médio. Médio porque não era novo nem velho, não era rico nem pobre, não era feio nem bonito, nem do Norte ou do Sul. Não era também o maior áz do pedal mas não de todo o conanas da pedalação. Era médio portanto mas muito determinado a pedalar Serra da Estrela a fora. 
O dito casal abancou em Manteigas num pequeno e bonito hotel familiar, de um requinte fantástico com uns anfitriões cinco estrelas.
No segundo dia o tal casal chega esbaforido da pedalada aos seus aposentos deparando-se com o aquecimento ligado e o calor a bombar que a serra à noite é muito fria. Abrem-se as janelas para correr o ar, toma-se a banhoca e fazem-se à vida. Após a pança compostinha de queijo da serra e um divinal estufado de javali, fizeram-se ao quartinho, fecharam as janelas e aquietaram-se.
Mas, e porque há sempre um mas nas histórias dos casais médios, começaram a ser sobrevoados por moscas, muitas moscas. Voos rasantes e até secantes, aterragens forçadas, levantamentos a alta velocidade, as moscas eram mais que as mães, pousavam nas mãos, no cabelo, no nariz, não paravam quietas e eram tantas mas tantas que o barulho das asas já estava a enervar. 
E foi assim o serão daquele casal médio na serra. A matar moscas.  Ao fim de uma hora jaziam mortas no chão vinte e oito moscas. Cinco não se deixaram caçar mas fizeram-se emboscadas para as empurrar para a casa de banho e esta foi trancada e calafetada não fossem  elas escapar-se pela greta da fechadura. Dormiram então exaustos de tanto caçar e não mais aquelas janelas se abriram. 
O ar da serra é maravilhoso.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Nova etapa


Yeah!
Que alegria, o gesso já lá vai no entanto, recomeçar a andar,  só daqui a duas ou três semanas após remoção de um dos parafusos.
Isto vai, devagar mas vai.
Ó se vai :)


domingo, 7 de abril de 2019

Sem título

Estava aqui a coçar a minha perneta desenfreadamente por dentro do gesso com uma agulha de tricot, quase mesmo até fazer sangue que vocês não imaginam a coceira que isto dá, quando me ocorreu a pergunta que a psicóloga de uma amiga lhe fez na primeira consulta pós cancro da mama:
"O que é que te aconteceu para chamares o cancro à tua vida?"
Pois.... que raio de pergunta para se fazer, que raio de abordagem, que raio será aquilo de chamar desgraças para a nossa vida? O que pensar, o que responder?
Será mesmo que chamamos inconscientemente acontecimentos para as nossas vidas para resolver questões para as quais não temos resolução? Será???
Bom, que eu andava cansada, desmotivada, exausta mesmo, a nível psicológico, andava, que achava que precisava de uma pausa no trabalho, achava, que deveria repensar os meus azimutes e mais uma série de coisas, deveria e que desejava ardentemente que algo se altera-se e que tivesse tempo para fazer certas coisas, desejava.
Agora, será que necessitava mesmo de partir um tornozelo para ficar imóvel em casa já lá vão seis longas semanas para concluir que no final de contas tenho saudades do meu trabalho e do stress e das intrigas dos colegas e da confusão do departamento e de cozinhar e engomar para a família e das resmunguices deles e de tantos contratempos a todos os níveis e desta tristeza esquisita e de não ter tempo para nada? Será que precisava de ficar sem palavras e com a alma doente de tão vazia' Será que precisava de ficar com a vida em suspenso E de saber quem me quer bem e para quem sou importante?
Quer-me cá parecer que sim...
Agora já chega, já cá tenho a minha lição.
Amanhã é um dia importante na minha vidinha de perneta e o meu nome do meio é esperança, não é, mas é :)
Até amanhã.

sábado, 6 de abril de 2019

Vejam só que coisa mais linda mais cheia de graça

À falta de mobilidade, ajusta-se o azimute para outras atividades. Indoor, claro e sentada. Ah pois!
Estas foram a quatro mãos. Maridão lixou e pintou a caixa, cortou os tubos e arranjou os pés dos suportes das pulseiras, eu fiz o resto. Que tal?
Digam lá que isto não merecia um vlog no youtube...














segunda-feira, 1 de abril de 2019

Recantos meus #2

Porque a vida também é feita de memórias e de recordações e de coisas.
Coisas das quais somos feitos, coisas que nos definem enquanto pessoas.
Coisas que marcam as nossas vidas....



Revistas que guardamos uma vida e embora algumas acabemos em algum momento por deixar ir, outras vão ficando e ficando e ficando. Não nos conseguimos separar delas, fazem parte de nós, de algum período das nossas vidas. 
Molduras com fotos,  algumas vamos substituindo, outras vão ficando porque marcam momentos. Momentos nossos.
Livros. Livros e mais livros, nunca me desfaço dos livros, alguns herdei-os, esses então, ficarão eternamente.


Coleções de moedas e de selos que tão cuidadosamente e praticamente sem respirar, observei meu pai e colocar com uma pinça nos álbuns. Foram noites e noites que passámos nisto...
Prémios e troféus de BTT, de futebol, de rally, de TT. Recordações e cadernetas das viagens a Santiago de Compostela. Recordações de outras viagens, de outros lugares, de outras gentes...


Álbuns de fotografias. Muitos. Daqueles de antes da era digital... Cheios de memórias e recordações.
Como posso eu ser minimalista em relação a isto? Como posso não ver estas coisas todos os dias, como poderia eu deixar ir estas coisas?


quinta-feira, 28 de março de 2019

Asas

Já fui muito. Já fui tudo. Já fui nada.
Já fui eu. Já quis ser outras que não eu. Já tentei ser outras. Não deu.
Sou de projetos, sou de objetivos, sou de sonhos.
Sou de asas e nessas asas eu voo.
Não me canso de voar.
Serei muito, serei tudo, serei eu.
Voltarei a ser eu mas nunca vou parar de voar.


quarta-feira, 27 de março de 2019

Tivesse eu

inventado colecionar notas de cinquenta ou de cem e estava rica a esta hora.
Agora gatos do mundo....

Isto é só uma pequena parte da coleção




domingo, 24 de março de 2019

O outro lado

Da vida.
Dos dias.
Dos meus dias neste momento.
Quão estranho é estar confinada a casa sem poder fazer o que me der na real gana.
Quão estranho é estar parada no tempo, ter a vida em stand by.
Hoje ralharam comigo quando me lamentei por não poder pedalar nestes dias maravilhosos de sol e por não poder fazer praticamente nada do que gostaria. Se esta é a realidade do momento, é esta que temos de viver. E aproveitar. Logo outras realidades virão, só temos de ir saboreando aquilo que vamos tendo. Certo? Certo!
Ontem levaram-me a ver a praia e o mar. Levaram-me a jantar. Hoje levaram-me ao Talhão 60/61 do Pinhal de Leiria onde aconteceu mais uma atividade de reflorestação da área ardida. Pude sentir o calor do sol e a brisa a fazer-me esvoaçar os cabelos, pude respirar fundo e encher-me de energia. Pude exercitar os braços a fazer andar as minhas quatro pernas. Há pois é, vou ficar massuda dos biceps. Estragam-me com mimos é o que é e felicidade é o que sinto.
Estou rodeada de pessoas que se preocupam em fazer-me feliz.
Só tenho de estar à altura do momento.

terça-feira, 19 de março de 2019

Glicinia

RE-Post 8 de maio 2015

Lembro-me sempre dele quando olho a glicinia em flor, as folhas tão verdes, as flores de um lilás tão vivo, o aroma tão intenso a primavera. Gosto de passar perto e inspirar aquele aroma, imagino-me no paraíso. 
Parece até que ainda o vejo, todos os sábados, pendurado no escadote a atar e cuidar das braças que teimam em se espalhar por sítios que ele não quer. Tudo é cuidadosa e meticulosamente projetado e executado por forma a atingir a perfeição por ele idealizada, como de resto, saía perfeito tudo o que fazia.
Sábado após sábado eu ia ver qual era o projeto daquele dia e todos os anos por esta altura eu lhe dizia que cortasse uma braça da glicinia e ma plantasse num vaso. Eu queria uma glicinia daquelas no meu jardim, plantada por ele.. Todos os anos ele acabava por se esquecer. 
Foi já no hospital, poucos dias antes de partir na sua eterna viagem para o céu que meu pai me disse, assim do nada, que fosse lá a casa e que perto do poço estava um vaso com uma glicinia plantada e já em fase de crescimento para mim.
Ainda não a trouxe, mas quase todos os dias vou ver a dele.



segunda-feira, 18 de março de 2019

Baixou em mim

A Gaja Maria Kondo.
Sim, a tal das arrumações e organizações. Credo!! Sim, credo!!
É que apesar do meu estado perneta, enclausurada, em repouso e recuperação, nem por isso consigo expulsar a sem parança que há em mim...
Posto isto e além de ler e ver séries e tv, juro que até já gosto um pouquito do programa da Cristina mas estava a dar-me cabo dos tímpanos que a moça guincha p'ra caraças, introduzi uma nova táctica na mina rotina.
Ver vídeos de DIY, organização, arrumação, decoração. Tudo em ão portanto.
Em seguida passei à ação.
Sentadinha, de gaveta em gaveta, seleção, novo método de dobragem, novo método de organização arrumação. Duas horas ou três por dia para não me cansar muito.
Digam lá, não fica um mimo? Pena isto só durar uma semana, duas na loucura...

Só uma pequena amostra:








quinta-feira, 14 de março de 2019

E enquanto a vida acontece lá fora

Que eu bem a vejo da minha janela, aqui estou eu, em repouso e de perna no ar.
Perna no ar no sofá, perna no ar na cama, perna no ar nas consultas do hospital, perna no ar no pátio, a apanhar sol...


quinta-feira, 7 de março de 2019

Fogo cruzado

Nas cinco noites que passei no hospital, perneta, senti-me como se de uma trincheira se trata-se.
Se na primeira noite não passei do corredor, o que até veio a revelar-se de valor pois tinha todo um enorme espaço para respirar e muita ação para me distrair, a partir daí, passei para uma enfermaria com três camas, o que também, de início, me agradou bastante. Fiquei na cama do meio, entre duas velhinhas acamadas, frente à tv, tudo muito calminho, tudo muito arrumadinho.
As velhinhas eram umas queridas.
Depois dos banhos, pequeno-almoço e medicação, instalei-me e relaxei.
Foi quando começou a guerra.
Parece que caí de para quedas num autêntico fogo cruzado.
Uma velhinha ressonava de um lado, a outra respondia do outro. Uma engasgava-se, a outra quase cuspia a dentadura. E eu ali no meio.
Eis que começo a ouvir tiros espaçados de um lado. Do outro responde uma rajada de metralhadora.
E eu ali no meio.
Aquilo eram morteiros, tiros de espingarda, carabinas. Juro que até houve disparos de kalashnikovs, rifles e outra maquinaria pesada. Algumas, estou certa, deitavam molho no final.
E eu ali no meio. Pedi para ser aberta uma greta da janela para renovar o ar, uma delas constipou-se. Ficou rouca mas não perdeu o piu e o tiroteio e a ressonância continuaram por quatro dias.
E eu ali no meio, na trincheira a levantar bandeira branca sem ninguém me dar confiança.
Quando tive alta e respirei ar puro, juro que até tive tonturas...
Vai uma p'ssoa para o hospital para se curar e sai de lá toda amarela e esburacada de tantos tiros.

terça-feira, 5 de março de 2019

Vida de perneta



Estou perneta já lá vão dez dias.
Fui finalmente operada na quinta feira e na sexta já vim para casa.
Mas, para quem não sabe, eu sofro de bichos carpinteiros e sábado já me sentia tão bem que fui ao jantar de carnaval do meu grupo do costume. No domingo, com a ajuda das minhas duas pernas auxiliares passeei pelo quintal, pedi para me levarem a ver o mar e fui lanchar a casa de uns amigos.
Pois. Sou doida, eu sei.
Na segunda, quando fui fazer o penso o meu pé assemelhava-se a um peixe balão sem boca e fui avisada para estar sogadita e com o pé no ar, gelo e mais gelo ou estragava tudo.
Convenci-me então que tenho todo o tempo do mundo e que pese embora tudo e mais alguma coisa, o tempo é o que fazemos dele, o que me dá forte nos nervos mas tem de ser.
É que eu tinha a mania que não tinha tempo. E quem acha que não tem tempo, vive a mil e eu vivo e gosto de viver a mil.
Eu sei, sou teimosa que nem uma mula, ainda por cima, uma mula sem parança.
Mas se eu quero porque quero ficar boa o mais breve possível para poder voltar a viver a mil e pedalar, pedalar, pedalar, que eu preciso voltar a pedalar, tenho de me resignar à minha simples vidinha de perneta em recuperação.
Aceito o pequeno almoço na cama, tomo banho sentada, venha tudo quanto é mimo que eu quero (vou ficar uma Mureia, metade mulher, metade baleia).
Resumidamente tenho de passar os dias de papo para o ar no sofá.
Já marchou o livro que estava a meio há semanas, o resto da série da Casa de Papel e toda a do Narcos. A fila de espera é imensa. Ai mas ai que tenho tanto que fazer. Tantos livros, tantas séries, tantos blogues para ler, tantos mails do trabalho para ver e até quem sabe trabalhar à distância.






sexta-feira, 1 de março de 2019

E assim se gasta meia vida

Fui de bicicleta à bênção dos ciclistas a Fátima. 
Em chegada lá, não coloquei a puta da  vela a arder porque a fila tinha mais de um quilómetro, não assisti à missa pois havia dezenas de ciclistas e não se ouvia nada. 
Fui almoçar uma sandocha de leitão, portanto.
Antes tivesse esperado e antes tivesse ficado. Ou nem sequer devesse ter ido. Sei lá eu. 
O que eu sei é que na volta vinha a descer um estradão a cento e duzentos à hora e aparece-me uma curva fechada que não consegui fazer. O instinto deu-me para travar. Mal feito! A roda da frente esbarrou e eu esbardalhei-me feio. 
Esfarrapei todo o lado direito nas pedras e fiquei aflita de um pé. Respirei fundo, bebi água, descansei, endireitei-me, ajeitei o orgulho ferido e mais o pé e aí vou eu. Doía-me horrores mas dava para pedalar. Pedalei mais vinte quilómetros até não poder mais pelo que foram levar-me a casa. 
De casa ao hospital, tornozelo partido, tíbia rachada perna acima. Rica coisa fui arranjar.
Cinco dias de internamento, cirurgia e três parafusos no pé depois, aqui estou eu... já em casa, perneta, de férias forçadas e cheia de mimo. Trabalhar e pedalar só daqui a uns meses...


terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Cuidado!


É tão fácil e rápido fazer compras online. Basta colocar o número do cartão de crédito, o nome e a validade e depois os três números de segurança que estão escarrapachados atrás.

Sou adepta desta modalidade de compras e até tenho bastante cuidado em não utilizar sites que não sejam fidedignos. A questão é que alguns até parecem, mas têm gente desonesta a manuseá-los. Isso e gente à espreita em tudo o que é canto nisto nas internetes e à espera de um deslize de alguém.

À Marta dali da zona das Antas, a duzentos quilómetros de onde eu habito, portanto, que fez compras no valor de duzentos e tal euros no continente online com o meu cartão, estimo bem que as cervejas e os peixes que mandou entregarem lá na casinha dela, lhe tenham dado uma enorme caganeira.

O dinheirinho já voltou para a minha conta, a ela não sei o que vai acontecer, mas a caganeira desejo-lha na mesma, ok?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Se tem cara de benuron

Perguntou a minha amiga a alguém que desfiava um Rosário de doenças há mais de meia hora.

O que eu me ri

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Fragilidades



Não gosto de fingir que tenho uma vida maravilhosa de princesa rica, mas também não gosto de expor as minhas fragilidades e as minhas apreensões. Ambas, tendem a poder ser mal interpretadas e podem trazer-me dissabores. Então das duas uma, ou falo, ou calo-me e a opção é sempre minha.

E posto isto,
Quantas vezes escrevo e apago logo em seguida….
Quantos textos em rascunho tenho por aqui sem os levar à luz…
Quantos pensamentos, quantas tristezas, quantas dores acabam por ficar caladas …

A opção fica-se muitas vezes por falar das coisas boas que me acontecem, das que gosto e me fazem feliz, das que me puxam para cima o ego e das que fazem as pessoas comentar nesse sentido. Quem não o faz, nem que seja para tentar ultrapassar e esquecer os sentimentos menos bons?
Hoje, no entanto, queria falar de uma das minhas fragilidades. Quando digo na brincadeira que sou má mãe, não é brincadeira, é sentido e verdadeiro e esta frustração incomoda-me todos os dias.

Não sei ser mãe!

Os meus filhos já são adultos e até são uns bons meninos. Não são no entanto aquilo que gostaria que fossem, não porque sou teimosa, presunçosa ou obstinada, mas porque acho que outros caminhos teriam sido melhores para eles e eu só lhes quero o melhor, mas lá vou me resignando e habituando-me a lidar com as suas escolhas, nunca sem grande sofrimento, confesso, especialmente quando acho serem más escolhas.

A grande questão é que não consigo conversar com eles, fazer com que me ouçam ou ouvir o que querem dizer e levá-los a pensar mais assertivamente sem a coisa descambar. Acabamos sempre por trocar galhardetes e acusações, ficando chateados e amuados uns com os outros. Isto estilhaça-me o coração. A maior dificuldade é sempre a mesma, fazê-los cumprir regras e entender o meu ponto de vista. Eu, considero ter mais saber e eles consideram que eu estou fora do contexto atual. Eles acham sempre que eu não sei nada e nem sequer vale a pena ouvirem-me e vice-versa, claro.  Será porque falo demais, porque não sei falar, porque não sei mesmo do que falo ou porque falo o que não devo?

Morro um pouco por dentro sempre que isto acontece e acho que a culpa é minha por que não sei ser mãe. Porque ser mãe não é só amar e amar incondicionalmente. Ser mãe é saber amar. E eu não sei.
Pese embora tudo, uma coisa eu sei, tenho tentado de tudo. Mesmo! Achando que não sei ser mãe, cheguei a recorrer a pedo-psiquiatras, psicólogos, conversas e mais conversas, castigos, técnicas variadas e até algumas palmadas, ajuda de professores e educadores, familiares, amigos. Faço o que posso e o que sei, mas de alguma forma me sinto sempre culpada de não saber ser mãe. Todos os dias penso no assunto e decido na minha cabeça que hoje vai ser diferente. Em alguns dias até é, mas nos outros volta tudo ao mesmo. Dizem que um dia eles vão acabar por entender e se chegar a nós, que isso acontece com todos. Não acho. Ou então não quero achar porque estes são meus e os meus têm de ser especiais. E esta é a minha luta.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

“Diz-que” boas mesmo boas


São as mulheres de cinquenta, mais doces e sumarentas, e por isso mais maduras e prontas a apanhar da árvore. Sabem das coisas e têm mais calma, e além disso já não possuem arestas nem quinas vivas, são, portanto, mais redondas e encaixam melhor.
Gostei de ouvir e até fiquei fã de quem proferiu tais palavras, mas só por causa das merdas decidi que quero as minhas arestas e quinas vivas de volta. Voltei ao ginásio e em três dias consegui um andar novo. Ai que me dói tudo! Livrem-se! Livre-se quem disser que eu não já não consigo de volta a minha alta performance ginastical e as arestas de antigamente, que eu mato.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Digam-me lá



Se a minha Manuela não passou ao lado de uma grande carreira.


Ela não deveria ser técnica de limpeza, mas sim engenheira licenciada e doutorada e ainda outras coisas em ada. Além de criativa põe os planos em prática e com sucesso. Não me coloca problemas, mas apresenta-me soluções.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Quando te dás conta que não tomaste os comprimidos...

Estás a ter uma conversa séria no trabalho e sentes um leve arranhar no pescoço, mesmo junto ao gorgomilo. Mandas a mão ao local e dás com a etiqueta que devia estar atrás, mas não, está mesmo ali, à frente, com um pequeno chumaço e tudo..
Isto tem-me acontecido tanto ultimamente que sou gaja para lançar a moda.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

E foi assim


Quatro horas e meia de chapinhanso Luso e Bussaco acima e Luso Bussaco abaixo. A água brotava do chão cheia de força e escorria trilhos abaixo formando pequenos rios que fomos trepando um a um. Pedras e pedregulhos, árvores caídas, lama. Chapinhámos durante cinquenta quilómetros de pura diversão. Não valeu o banho de água fria do Luso no fim nem eu não ter levado na bike vários garrafões para encher com aquela água pura e cristalina, mas valeram as fotos para registar o momento, valeu o leitão e o frisante na Mealhada, valeu o companheirismo e as gargalhadas todo o caminho, valeu também o tareco de primeira classificada no meu escalão que trouxe para casa. Não que houvesse mais alguma maluca com mais de cinquenta anos a aventurar-se naquilo, por isso o ganhei, mas até fica bem na minha prateleira de troféus. 😊




quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Yoga

Tive uma nova epifania e deu-me para ir experimentar uma aula de Yoga.
Gente! Estou até ao momento a tentar desatar os nós que fiz com os braços e as pernas. Mas sim, aauummmmm, aauummmmm.
Estou zen e com um torcicolo no pescoço.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Vinte sete de Janeiro é um dia do caraças

O meu.
Cheguei há muitos anos, antes da hora prevista, minúscula e cheia de speed na goela. Nunca mais parei. Dizem de mim que era reguila. Ainda sou e nem a idade me tranquiliza.
Sou muito...refilona
Não suporto...atrasos
Eu nunca...digo nunca
Eu já...fui à América
Quando eu era criança...usava óculos e aparelho nos dentes
Neste exato momento...estou à rasquinha para ir ao wc
Eu morro de medo de...aranhas
Eu sempre gostei...que me surpreendam
Se eu pudesse...dava a volta ao mundo a pedalar
Fico feliz...quando os meus filhos estão felizes
Se eu pudesse voltar no tempo...fazia tudo igual
Adoro...animais
Quero muito ir...dar uma volta ao bilhar grande
Eu preciso de...amor e uma bicicleta
Não gosto de ir...a funerais
E pronto.
Partilho convosco, amigos virtuais e não só um bolinho que sou moça prendada (quando quero)



quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O que me prende


Já há muito que queria ter falado sobre a minha família do trabalho, mas como falar de trabalho nos blogs pode criar “azias” em algumas pessoas, tenho me inibido de tal.
É hoje.
Sim, o que temos no trabalho é tipo uma família, afinal de contas passamos mais tempo lá do que em qualquer outro lugar ou com quaisquer outras pessoas. No meu caso até almoço lá, passo muitas, muitas horas com aquela gente.
E se dentro das famílias, existem pais e mães que nos amam e nós amamos incondicionalmente, irmãos e primos do coração, tias velhas e chatas e outras porreiraças, primas e primos invejosos, falsos e velhacos que não nos podem ver nem nós a eles, tios birrentos e teimosos de quem passamos a vida a fugir,  alguns parentes afastados, outros até que nunca chegámos a conhecer e amigos, que os amigos também fazem parte da família, no trabalho é igual.
Eu tenho tudo isso e muito mais pois estou no seio de uma família numerosa. Há, portanto, familiares de todos os tipos e para todos os gostos.
Tive a sorte, no meio desta gente toda, de acabar por ir parar a um departamento de primos fixolas. Somos unha e carne, tipo mosqueteiros mesmo. É um por todos e todos por um, sempre. Seis homens e eu. Um nem precisa falar para os outros saberem o que está a pensar, estamos sempre de acordo e entendemo-nos muito bem. Choramos e rimos em conjunto e quando um tem problemas todos ajudam, quando o trabalho não corre bem, todos apoiam. Vamos à happy hour ás sextas-feiras e eu sou um deles. Contam sempre comigo. Estou muito grata por fazer parte deste grupo de primos e fico feliz todos os dias por vir trabalhar por causa deles.
Não tenho dúvidas. Naqueles momentos em que a vontade é bater a porta e sair daquele lugar, o companheirismo, a amizade e o bom ambiente que nos une, pesa cinquenta por cento para nós sete. 
E é o que me prende, sim.


terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Rotinas novas


Se há uns anos, ter de passar um domingo em casa era como se me estivessem a matar, agora matam-me se me fizerem sair de casa.
No verão é praia, claro, que estar ali a torrar ora de um lado ora de outro como quem assa frangos a ouvir as ondas de olhos fechados e a cheirar a maresia é bem melhor do que preguiçar fechada dentro de casa com sol lá fora. Mas aí a partir de novembro e até abril, gosto de hibernar aos domingos. Mas só à tarde, claro, que de manhã é para pedalar. Nem sei como é que isto me foi acontecer, mas a lareira a crepitar, a manta nas pernas, gatos ao colo, livro, computador, telemóvel, filmes e séries sem fazer ponta de um corno e após ter passado a manhã a cansar-me, dá-me anos de vida. Passeios dos tristes, hipermercados, lojas e centros comerciais, ir ver jogos disto e daquilo, barulhos e confusões? Não me chamem que eu agora quero é paz e descanso. E quando chega a hora do lanche ou da janta e verifico que não há pão? Ui! Vai tu, não vai tu, não me apetece, vai tu. É quase sempre o mesmo que vai. Ele, claro, voluntário à força se não estiver a ressonar. Vai daí grelham-se uns petiscos à lareira, bebe-se um copito e relaxa-se até ser dia. Ah tardes de domingo boas.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Sei bué sobre ventos


Vi as árvores a abanar. Fui ver. Ora bem, Norte, Sul, Este e Oeste, (a ajudar com as mãos virada a Norte) olhar as bandeiras e as árvores. Está de Norte! Meu dito, meu feito e confirmado na minha app secreta no telefone que é esperto que nem um alho. Meus colegas olharam-me estupefactos. Percebo mesmo bué de ventos. Desde que me dediquei às pedaladas que me vi obrigada a estudar a situação que isto de enfrentá-lo ou ir à sua boleia tem muito que se lhe diga. Mas uma coisa é certa, quando uma Gaja vai de bike, ele está sempre, mas sempre de frente, dificultando a pedalada. Quer me cá parecer que ele vira conforme lhe dá na real gana só para me lixar. Sei bué sobre ventos é o que vos digo, quando a bike até abana está para aí a 40km/hora e quando só me faz chorar os olhos, de 12 a 24 km/hora. Quando nem consigo pedalar o melhor é voltar para casa. Ah. E quando não há vento, não há vento. Viram como eu como eu sou entendida em ventos?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Ser criança não era fácil


Sempre fui muito desassossegada. Lembro-me de ser garota e ser uma inconstante da alma e do corpo principalmente das pernas, por isso, ainda bem que sou do tempo em que se brincava na rua até à noite, altura em que a minha irmã, sete anos mais velha do que eu e muito responsável vinha à rua assobiar e eu, respeitadora, voltava para casa para a banhoca e o jantar.
Eram quase quatro meses de férias de verão em que eu corria pelos quintais, subia às árvores, aliás trepava tudo o que ficava nas alturas para ver as vistas, andava de bicicleta, jogava ao elástico e ao berlinde e ao prego e à apanhada e às escondidas e ao aeroplano e a muitas outras brincadeiras, algumas até bastante parvas, que se inventavam no momento. Era uma sem parança como dizia meu pai.
Sei que um dia fiquei doente das pernas. Eram tantas as dores que eu mal conseguia andar e chorava que nem Madalena arrependida com medo de não conseguir ir brincar. Meus pais ficaram preocupados e já achavam que eu tinha alguma doença maluca pois não comia nada, era uma franganita e não parava quieta e agora estava doente das pernas. Levaram-me ao hospital. Depois de algumas horas em testes e exames viemos sem diagnóstico e com um paracetamol, não me acharam nada. Pelo caminho meus pais insistiram em perguntar ao que tinha andado a brincar nos últimos dias. Lá me descosi e confessei que tinha estado a tarde toda do dia anterior a saltar da pilha das bilhas de gás nas traseiras do café…
Pois…. Não chegavam já as dores que eu tinha nas pernas como ainda fiquei de castigo quinze longuíssimos dias daquele verão, sem poder brincar fora de casa e ainda fiquei proibida de sequer passar pelas traseiras do café e mais ainda de tocar nas bilhas de gás.
Toma! Ser criança na altura era dificílimo. Ainda se houvessem tablets e Playstations e Nintendos e telemóveis, eu nem tinha saído do sofá….

domingo, 13 de janeiro de 2019

Quando percebes que de ti já esperam tudo

Há anos que não ia ver um jogo de hóquei em patins, mas a equipa da terra está na primeira divisão e ontem foi o dia em que fui ver um jogo. Gostei tanto, foi tão emotivo que durante o jogo postei uma foto do jogo no insta e no face.
Hoje, encontrei uma amiga que não via há algum tempo e ela perguntou-me logo
- "Hóquei? Qual de vocês lá em casa anda no hóquei?"
Quando respondi que ninguém, que fomos ver só porque sim, ela disse:
- "Ah, pensei que eras tu"
Pois.... quando a maluqueira de alguém leva outro alguém a considerar a hipótese de uma moçoila de cinquenta e picos jogar hóquei, espera-se dali tudo.

By the way, ser guarda redes de hóquei em patins é lixado....