segunda-feira, 15 de julho de 2019

Entretanto, a sul

Onde as ondas meigas e calmas do Mediterrâneo vêm beijar as areias escuras da praia e onde o sol da tarde estala na pele fazendo-me fugir para a sombra.
As noites são quentes e secas, quase tão quentes quanto os dias mas eu não sei, será do cansaço das caminhadas pelo areal, será do sol ou da simples despreocupação com o mundo, o vazio da mente que teimo em trazer, a razão pela qual aqui durmo sempre tão bem. Ou será pelo embalar das ondas do mar mesmo do lado de lá do muro? Ou será por saber que estou longe de todos os meus problemas ainda que por apenas uns dias?
De madrugada, refastelo-me na cama de portadas abertas a ouvir as pequenas ondas a bater na areia, onde entretanto o dia chama por mim.
Gosto de madrugar e deambular pela varanda perscrutando a praia, observando cães e donos numa brincadeira de fazer inveja. Desportistas correm para cá e para lá. Gosto de chapinhar no mar e entrar na sua água um pouco fria, sentir a pele a ser refrescada. Gosto, ano após ano, apesar de sempre iguais, destes dias de evasão, a novecentos quilómetros de casa.
Eu por cá, a sul, estou bem.
Até já.








terça-feira, 9 de julho de 2019

Spot


O  pinhal de Leiria ou o que resta dele é imenso. 
Há anos que me embrenho nele e julgava que o conhecia bem, no entanto, fogos e milhares de pinheiros cortados depois  tudo está diferente, foram-se os pontos de referência. 
Ontem andei perdida e até me assustei um pouco quando vi uma carrinha aparecer do nada à minha frente e no meio do pinhal, mas não houve perigo, apenas me fez desviar da rota e andar perdida mais um tempo. Valeu-me o sentido de orientação e voltei ao trilho. Mais uma aventura. Mais umas quantas descobertas. Sabiam que apesar de não haver pinheiros as aves continuam lá? Muitas me acompanharam ao longo do meu passeio. Chapins, cotovias, piscos. Milhafres imponentes. Adoro os milhafres com as suas asas enormes a sobrevoarem os céus à procura de comida.
No final lá voltei ao meu spot preferido.
Lindo não é? |



segunda-feira, 8 de julho de 2019

A Guerra dos Plásticos


Aos poucos quero juntar-me a ela. Dói-me o coração ver aqueles rios de lixo plástico, os animais a morrerem por causa dele, os pinhais cheios de despojos de quem não tem consciência, em suma, a terra a morrer e eu a ver.
Já temos o mar, a terra e o ar contaminados e daqui a mais começamos a cair para o lado que nem tordos como se diz na gíria. Assim como cuidamos da nossa casa e de nós, devemos cuidar do nosso planeta.
Esta não é uma guerra fácil tendo em conta que a nossa vida está rodeada de plástico, de manhã à noite e em todos os locais por onde passamos, mas os pequenos passos de cada um, fazem muito, por isso, vamos lá à luta.
Reciclagem já faço há muito e raramente deixo escapar algo e ai de quem deixe cá em casa. Tenho vindo a substituir recipientes de plástico por vidro e reutilizo garrafas, frascos de vidro e latas. Uso e abuso de cestos de verga. Não uso palhinhas que já não há bebés em casa, nem louça descartável, lavem e limpem que faz bem exercitar os bíceps, cotonetes também não uso, limpem masé os ouvidos com o dedo mindinho ou deixem crescer a unhaca e agora, estou a tentar abolir os sacos. Na mercearia peço para pesar avulso e coloco tudo no saco de pano que levo sempre comigo, no supermercado, levo sacos antigos comigo e encho-os com os diferentes géneros para a pesagem. Em casa volto a guardá-los e reutilizo-os até se estragarem. Só então vão para o lixo. Outros lixos domésticos e comestíveis, guardo para as galinhas de Mamãe.
Sei que não é muito aquilo que faço, mas já é alguma coisa e conto que seja cada vez mais.
Feliz por contribuir.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Receita de doutor

Caminhar na areia da praia para exercitar o pé, disse ele.
Levei a chave da praia pois àquela hora e com um dia tão cinzento a praia estava deserta e a porta já fechada.
Apenas algumas canas de pesca e alguns pescadores vestidos até aos olhos e, surpresa das surpresas, o nadador salvador, a bandeira hasteada. Provavelmente teria de cumprir o horário do contrato, coitado.
Onde já se viu uma praia deserta em pleno mês de julho.
O mar estava escuro pela falta de sol mas calmo e muito cheio. Surpreendentemente a água não estava fria. Um regalo, a água salgada.
Que paz, que calmaria, que cócegas nos pés.
Voltei a fechar a praia no regresso. Talvez volte amanhã.
Trouxe uma recordação nos bolsos.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

quarta-feira, 3 de julho de 2019

A dar nos verdes


Não consegui adiar mais, ontem tive de ir comprar carne. Esgotadas que estão as alternativas de saladas, massas, legumes salteados e peixes, e farta de reclamações, lá tive de abastecer a arca.
Contrariada é certo. Não é que não goste, mas nitrofuranos, hormonas e afins arrepiam-me só de pensar e enfarta-me mastigar e engolir tanta cena química.
Mas cá em casa os meus três homens adoram carne e refeição que não seja de carne, especialmente os filhos, dizem, não é uma boa, completa e saciante refeição. O que fazer??
Eu, gosto de peixe, mas peixe da aquicultura também me arrepia. Gosto de peixe que é do mar e é sempre o que peço quando vou comprar, mas que “o peixe vem todo do mar” é a resposta que sempre me dão.
Mas não, os peixes estão ali fechados em água salgada a enfardar farinhas e mal conseguem nadar ou crescer livremente, isso não é mar, é um quadrado de água.
Por mim virava vegetariana e pronto, mas cá em casa já me disserem que tirasse o cavalinho da chuva que querem continuar a dar forte na carne.
Pois que ando aqui a magicar uma forma de os enganar e a ganhar coragem para me impor numa viragem total, mas ainda não estou preparada para o embate.
Nos entretantos, vou dando nos verdes à parte e à socapa.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Minutias


Apesar do detox e da tática do deixa para lá contando até vinte, trinta ou até cinquenta, persistem os meus problemas com minudências.
A mudança do rolo do papel higiénico pós términus, ou a falta dela, os ténis espalhados na sala e ou outras cenas várias, muitas, fora do sítio, são coisas que me encanitam os nerves. Já vómito de gato em forma de bola de pelo, restos de ceia tardia de filhos em férias espalhados pelo sofá e cozinha de pernas para o ar derivado da confeção da mesma e ainda, garagem repleta de sacos resultantes do esvaziamento de quarto de estudante, é coisa para me dar vontade de gritar.
Não gritei.
Fechei a porta, muito devagarinho e zarpei para o trabalho
Pode ser que logo tudo esteja nos seus lugares.
Ou talvez não.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Porquê eu, sempre eu a fazer figuras....


Há muitos meses que não batia perna pelas lojas. Não só porque não tinha uma perna boa para bater perna, como também porque odeio cada vez mais as multidões, assim como o calor das lojas e os espelhos dos provadores e a música aos berros. Além disso quero sempre coisas que nunca encontro, talvez porque nem sequer existem, mas se porventura encontro, os espelhos dos provadores fazem o favor de me tirar daí a ideia.
Fui.
Estava com vontade de apanhar desilusões e a precisar de umas coisitas e fui.
Nem sei, mas não só apanhei desilusões como encontrei tudo o que queria e ainda, todas as pessoas sorriam para mim numa determinada fase da batida da perna. Uma fase grande vá. Que gente tão simpática esta com quem me cruzei. Uns queridos.
Descobri o porquê quando passei por um espelho numa loja, mesmo à saída.
Tinha a blusa do avesso….


segunda-feira, 24 de junho de 2019

E a coisa deu-se

No pé deu-se, pois deu, a alta médica, assim como a dispensa de fisioterapia, a autorização para subir e descer serras a pedalar, o regresso ao ginásio, o trabalho e a condução, tudo sem limites.
Ainda hei-de remover os dois parafusos restantes daqui a uns meses mas cá para mim ficava com eles, apenas os retirava do pé e os colocava na cabeça, já que essa ... ui, ui!
Massa sem sal ainda se consegue comer, mas galo queimado é coisa que não é nada agradável e ver no trabalho com os óculos no fisioterapeuta também é difícil. Para já não falar de autres petites choses sem nexo que faço vai não vai. Raio das anestesias... isto é que está a demorar a passar.

Nova aventura, novo desafio, em preparação :)))



terça-feira, 18 de junho de 2019

Bolo com cheiro a TiDite


Entre todos os tios e tias da minha extensa família, havia a Tia Edite.
Exímia boleira e costureira, a minha preferida e da qual guardo preciosas lembranças das tardes a cortar e cozer na máquina de costura fatos para as bonecas e do cheiro a bolos. Aquele cheirinho a bolos que se espalha pelas divisões da casa e fica impregnando paredes e cortinas durante horas, assim era. Entrávamos em sua casa, inspirávamos e com um sorriso corríamos para a cozinha na expetativa de ver a maravilha que iria sair do forno. Ao lado do bolo grande para as clientes, havia sempre uma pequena forma com um bolo pequenino para os sobrinhos que aparecessem. Aquela alegria e aquele sorriso fácil de quem gosta de partilhar era tudo para nós. E para ela.
Guardei religiosamente a receita do bolo de côco dela como se de uma relíquia se tratasse e fiz para levar para o encontro com os primos este ano. Nem tive tempo de o fotografar pois assim que deram pelo cheiro a TiDite, foram todos provar. O cheiro coincidia com o sabor. 
Vá lá que me correu bem 😊

sábado, 15 de junho de 2019

Esta que vos escreve

Parou para se coçar.
Como era de esperar, depois da tempestade vem aquela cena de limpar e varrer, colocar as coisas nos devidos lugares, abrir portas e janelas e pôr tudo a arejar, limpar para voltar a brilhar. Em suma, um sem parança de trabalhos para ficar tudo operacional.
Assim estou eu, além do regresso aos regressos, isto é, ao trabalho, ás pedaladas, que com tanto cuidado demoram uma eternidade, às lides da casa, dos filhos, da família e dos amigos, ainda acumulo a fisioterapia, o jantar de secção, o piquenique anual dos primos, o piquenique de final de época mais o de final de ano lectivo, mais o libertar a casa do estudante e ainda a ansiosa espera pelo raio-x e a consulta para saber se a minha perneta está finalmente curada.
Estou muito ocupada mas estou aqui e trago-vos no coração.

A propósito do encontro anual dos primos, olhem aqui a minha árvore:




segunda-feira, 10 de junho de 2019

Embalo

Foi o despertador a acordar-me a horas certas, o ritual da preparação matinal e o rumo para a luta diária. As boas vindas das pessoas do dia a dia, os sorrisos, os desejos de bom regresso.
Foi uma semana de recomeços, de regressos ao quotidiano. E que bem que me soube sentir o corpo em movimento, a alma saciada. Já nem lembrava que havia tantas pessoas e tantos problemas além dos meus. 
Primeiro a medo e sem grandes pressas na incerteza de que o meu pé ia colaborar, mas depois de o sentir firme e sem dor, lá fui arriscando cada vez mais e pedalei três dias seguidos, estou que nem posso das partes que contactam com o selim. 
O sol a  aquecer-me, a brisa a embalar-me, as paisagens a sucederem-se em catadupa, as que eu adoro e conheço tão bem, mas que parecia ser a primeira vez que as via.... 
Bom, foi mais uma luta contra a ventania maluca que me empurrava para trás a cada pedalada, mas como isso não tem nada de belo nem de poético, fiquemo-nos pelo embalo da brisa.
Ainda bem que resolvi dar alta a mim própria pois sabe bem fazer parte do mundo. Só espero que tenha feito a opção correta, esta de auto dar-me alta, mas isso só vou saber daqui a uns dias na próxima consulta e após mais duas semanas na luta diária da vida.
Talvez nessa altura eu queira voltar p'ra ilha, mas aí já não há nada a fazer. Toca a trabalhar masé.




terça-feira, 4 de junho de 2019

Fisioterapia


Nos preparativos para voltar ao trabalho ainda esta semana, sem dúvida que o ponto alto do meu dia tem sido a ida à fisioterapia.
Ali, não sou a mais velha como na maioria dos sítios que frequento, ali, sou das mais novas e a menos entrevada.
Olho para aquela gente à minha volta e fico assustada. A vida é mesmo madrasta e a velhice e a doença parece que surripiam a dignidade. Admiro e venero a boa disposição de algumas daquelas pessoas que se vêm assim mas não esmorecem. Um dia quero ser assim.
E isso dá-me esperança. Esperança para o imediato e esperança para o futuro.
Mas bom, esta semana comecei com os saltinhos no trampolim, os agachamentos ainda que pequenitos e com exercícios em desequilíbrio no bosu.
Não tarda já estou a correr e a pedalar.
O meu tendão de aquiles está mais rijo que um bife do pojadouro. Eu queria que já estivesse transformado em picanha, mas é o que se pode arranjar no momento.
O meu tornozelo está um pouco estranho com altos e baixos onde não devia e inchado tipo balão mal cheio. Isso é o de menos, só quero é que não doa.
A minha perna direita está magrinha que só ela, que parece uma perna de pau e vai ser uma trabalheira fazê-la ficar firme e hirta.
Sou uma chata com estas coisas eu sei, mas entretanto vou estar tão ocupada que nem vou ter tempo de me lembrar deste assunto e daqui a quinze dias já me estou a queixar que preciso de férias.
Coisa que nunca me passa, esta insatisfação, faz parte da minha alma.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Ó p'ra ela

A andar tão certinha e direitinha, sem canadianas, sem coxear e ainda com os dentes todos :D:D


segunda-feira, 27 de maio de 2019

Sim, as anestesias...

Dizem que falando com as plantas, elas crescem e florescem mais depressa.
Eu cá não sei nada disso de falar com as plantas, mas tenho grandes prosas com Zé, o gato e só sei que o meu jardim nunca esteve tão bonito. Às tantas é o gato que fala com elas.
O meu pequeno jardim está verde e viçoso e todos os dias nascem braças e guias novas. Há duas semanas que cuido dele, regando, aparando rebentos que nascem fora do sítio, ponho terra, tiro ervas daninhas e aprecio a sua beleza sorrindo. As minhas unhas estão encardidas de esgravatar na terra e as mãos picadas de aranhiços e urtigas, mas isso não interessa nada, o meu jardim está tão lindo :)








quinta-feira, 23 de maio de 2019

Ovos de galinhas felizes

Galinhas de Mamãe andam super felizes desde que lhes comi o galo. Ein?
Sim, comi, pois então. Os grandes comem os pequenos, certo?
Ele teimava em saltar-lhes para a espinha a toda a hora arranhando-lhes o costado e depenando-lhes toda a pescoceira. Ora isso é coisa que não se faz a uma galinha pois galinha que é galinha gosta que lhe saltem para a espinha mas não pode ser assim a fartazana que uma galinha tem sentimentos.  Então... Pimba, finou-se. Aliás, alguém o finou que eu sou incapaz de matar bichezas. Já come-las... Dou um jeito.
Como dizia eu, galinhas estão felizes e largam ovos como se não houvesse amanhã.
Desta vez transformei-os em pão de ló mas derivado a sentir-me uma Mureia, metade mulher metade baleia, adulterei o dito.
De um fiz dois e para ambos os gostos, com e sem chocolate. Troquei a farinha para bolos por farinha de amêndoa e de linhaça, troquei o açúcar refinado por mascavado ficando assim, bolo, mas bolo light, sem manteigas nem outras cenas gordas e calóricas.
Ó p'ra eles tão lindos.
Vai um chá?


quarta-feira, 22 de maio de 2019

Anestesia

Não é que a minha vida esteja povoada de acontecimentos dignos de notas ou palavras ou sequer letras escritas pois a mesma encontra-se há uns tempos mais insossa que um pão integral.
A questão é que a minha cabeça é ultimamente como uma folha em branco, um rol por preencher, uma nuvem cerrada sem raios de sol que a perfurem.
Aqui não passa nada. Não entra grande coisa, quanto mais sair.
Falta-me a imaginação, rareia-me o pensamento, estou muda de palavras. As minhas lembranças estão em negação, teimosas que só elas. Quando preciso ou quero, nada se me aflora ás ideias.
O engraçado é que nem me sinto mal nem me sinto bem, não estou infeliz nem eufórica, não estou triste, mas também não estou exuberante.
Estou.... vazia.
De certezinha que isto é das anestesias.
Acho que me adormeceram e se esqueceram de me acordar.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Mau Maria!

Então e não é que de repente e assim sem avisar, nem SMS, nem mail, nem telefonema, nada, chegou a época do biquini??
Então e como é que eu, depois de três meses a vegetar no sofá de perneta no ar, carregada de mimos em forma de gelados, chocolates, bolinhos e bolachas, vou caber no dito cujo ein?
É que nem que eu cosa a boca e divida uma folha de alface pelos sete dias da semana comendo-a com uma palhinha durante um mês a coisa vai lá de mole e balofa que estou.
Estou chateada pois estou que isto assim não vale, gaja que é gaja gosta de se apresentar sem papos nem peles, nem pança a sair do calção.
Para já, vou comprar um fato de banho tipo espartilho e depois só vou à praia lá para outubro depois de ter voltado ao ginásio e a pedalar e estar rija e fresca que nem um talo de couve.
Fui.
Fui ver a praia de longe sim, de perna atada e vestida...


Não vai ser fácil....




quinta-feira, 9 de maio de 2019

Já fui e já voltei

E mais uma anestesia geral na tola e um parafuso a menos cá estou eu.
Quinze longos dias mais sem praticamente me mexer, duche de saco plástico no pé, penso de três em três dias, papo para o ar de novo, portanto.
Depois, tirar os pontos e e fazer fisioterapia à bruta.
Graças à Deus né?
Ou vai ou racha.


Antes da faca já prontinho


Depois da faca todo f@dido



terça-feira, 7 de maio de 2019

A casa dos pássaros

Veio de longe e apaixonei-me por ela assim que a vi. Tinha de a trazer. Muito bem aconchegadinha dentro da mala, lá veio ela.
Alguns anos volvidos noutro lugar, finalmente coloquei-a onde deveria ter sempre estado, junto à buganvília bem perto da minha árvore gigante que alberga muita passarada durante a noite e de dia e até alguns ninhos.
Embora pequena para o melro e sua família, quem sabe se servirá para outras que se atrevam a ir investigar. Venha o sol para eu retomar a minha observação. Um olho no livro, o outro da casinha para a árvore e da árvore para a casinha.
Até já.


domingo, 5 de maio de 2019

Ponto cruz

Já fui prendada sim.
Há tanto tempo que já nem me lembro, só quando olho para estes quadros, os únicos que ainda conservo nas paredes, recordo essa fase da minha vida.
Bordei  o enxoval dos meus filhos bebés, fiz quadros, forrei cestos, pintei, decorei com todo o amor e carinho e muitas fitas e lacinhos.
Os bordados já foram substituídos por outro tipo de roupas e de tamanhos muito maiores, os quadros foram substituídos por posters e fotos, os cestos forrados por coleções de latas e isqueiros e bonés e ténis de marca xpto. As pinturas mudaram de cor, as fitas e os lacinhos desapareceram para sempre. E com eles a minha fase mais prendada, ficaram estas borboletas em ponto cruz.
E a palavra Mãe. O beijinho e o abraço de feliz dia da mãe.



sábado, 4 de maio de 2019

Spot



O dos dias em que está sol.
Isto, claro, além de beber gasolina e acelerar. Eu e as minhas muletas e a minha perneta, estamos sempre a acelerar sem sair do lugar
Estou praticamente capaz de matar o que quer que seja. Tirem-me daqui...



quarta-feira, 1 de maio de 2019

Apanhei-os!

O meu quadrado de céu tem-se apresentado lindo e de um azul intenso nos últimos dias. Eu e meu Zé, o gato,  eu ainda imobilizada e à espera de um certo chamamento para continuar a recuperação, ele gordo que nem um texugo e por isso custa-lhe trepar árvores, ali estamos nós, confinados ao nosso quadrado, passando parte das tardes a ler ao sol. 
A ler é como quem diz, eu cá, leio só com um olho, o Zé dormita apenas com um olho igualmente, pois estamos ambos obcecados pela árvore grande e pelos pássaros que vivem nela. Passamos horas a perscrutar a folhagem à procura de passarada. 
Foi quando reparei que os melros se habituaram a nós. O casal de pássaros vai e vem vezes sem conta, à vez, trazer comida com bastante confiança mesmo sabendo da nossa presença. Consegui apanhá-los numa verdadeira sessão fotográfica.
Não sei muito sobre melros mas aguardo ansiosamente ver os pequenitos a dar os primeiros voos.










sábado, 27 de abril de 2019

Cada vez mais

Aprecio a minha própria companhia e o meu silêncio.
Talvez porque esteja numa fase de contrariedade e numa situação que foge aos meus planos e ao meu controlo e eu me encontre irritada e aborrecida o que faz com que não queira ver pessoas, muito menos ouvi-las. Por outro lado, talvez seja bom reencontrar-me e finalmente apreciar-me e estar de bem comigo. Já não corro, já não fujo, já não me escondo da solidão. Aprecio-a agora.
Deitei-me na espreguiçadeira do jardim ao sol, tirei as meias, arregacei as calças e olhei o céu. O meu céu. O meu quadrado de céu. O sol aquece-me as pernas, Zé, o gato, aproxima-se e rebola ao meu lado, ouço um galo ao fundo, um cão a ladrar. A folhagem das plantas murmura ao sabor do vento e há chilreios por todo o lado.
Tão bom! Que paz. Por que não sei eu aproveitar isto sem ser a pedalar...
Pego no livro para ler mas pelo canto do olho observo um melro a saltitar nos telhados à minha frente, traz uma minhoca no bico. Embrenha-se na planta gigante do meu pátio que entretanto se transformou numa árvore e pelo piar concluo que foi alimentar os filhotes no ninho. Fez mais três viagens mas nunca consegui captá-lo com a minha objetiva, pois sabe da minha presença e é muito rápido. Quantos ninhos albergará aquela árvore? Quantos pássaros lá viverão? Quanta vida  há, ali mesmo no meu quintal....
Admira-me a passividade do meu gato Zé a olhar os passaritos pelo canto do olho. Acho que se habituaram a conviver uns com os outros.
Tal como eu. Acho que aprendi a conviver comigo. Finalmente.










quinta-feira, 25 de abril de 2019

Eu bem quero


Escrever, escrever, escrever neste blog quase às moscas, mas tenho sempre um gato mimado em cima de mim, mais propriamente deitado em cima do teclado....


terça-feira, 23 de abril de 2019

Orelhas!

As do Dumbo.
Era o que eu queria mesmo ter agora para poder voar para fora da minha jaula e poder ver o mundo e as pessoas e tudo e tudo.
Sim, eu neste momento cinjo-me a leitora e não escritora ou faladora para não maçar ninguém com as trombas que sinto que tenho, qual leão selvagem enjaulado e ansioso, aguardando uma tal de SMS ou um tal de um telefonema do hospital com ordem de remoção de um certo e estúpido parafuso que me impede os movimentos e a recuperação e o regresso à vida.
Alguém tem por aí umas orelhas grandes? É que se eu tivesse umas dessas orelhas nem precisava das pernas nem das muletas, passava por vós a voar e a acenar feliz da vida. Até mandava beijinhos e soltava balões e pombas brancas.
Como é que é possível que haja gente que inventa doenças para ficar de baixa eternamente e não fazer nenhum, como é possível alguém desejar ficar simplesmente a vegetar....


sábado, 20 de abril de 2019

Quando os parafusos da perna deviam ter sido colocados na cabeça...

E não foram, dá nisto.
Vipes, brancas, tonteiras nesta carola. Deixei de ser loira e até me assusto quando vejo uma ruiva a passar no meu espelho.
Socorro! 

Quem és tu e o que fizeste à Gaja Maria?? 



quarta-feira, 17 de abril de 2019

Há coisas curiosas

Uma pessoa cai ou tem um acidente ou fica doente ou o que for, fica hospitalizada, faz cirurgia, fica acamada ou o que for, mas encontra-se imobilizada e lixada em casa, desertinha para ir trabalhar, mas não pode. No entanto, passa horas esquecidas no hospital para consultas e exames, passa horas no centro de saúde a fazer pensos e a pedir credenciais e baixas, passa horas em fisioterapias, sempre, sempre, com alguém que tem de faltar ao seu próprio trabalho porque neste caso o acidentado não tem como se deslocar e também, está de baixa há imensas semanas mas ainda não recebeu ponta de um corno e poderá ter, ou até poderá não ter (há muita gente que não tem) como pagar a um taxista horas e horas para andar consigo em tantas andanças.
E depois, no meio disto tudo,  tem de se apresentar na junta médica, onde passa mais uma série de horas, supostamente para exames e verificações médicas, mas onde quem faz as verificações não é médico nem coisa nenhuma, ou pelo menos não se identifica como tal, mas vai decidir se a pessoa terá ou não justificação para estar de baixa ou se a baixa é ou não fraudulenta....
Há coisas mesmo curiosas.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Liberdade

Estranhei.
Depois entranhei.
A minha mobilidade continua limitada, a minha vida continua parada (entre aspas), mas eu não fiquei a chorar e a lamentar-me e a achar que sou uma desgraçada e que só a mim me acontecem desgraças. Não. Nunca derramei uma lágrima, pelo contrário, dez minutos após saber da minha desgraça, estava conformada, queixo levantado, sorria para as enfermeiras e estava munida de uma enorme dose de paciência, pronta para o que viesse.
A caminho do bloco operatório imaginei-me numa gincana de macas conduzidas por enfermeiros tresloucados e de cabelos em pé e fui sempre a rir-me e a conversar com o meu condutor.
Uma vez lá chegada, estava super descontraída.
Afinal, não é cada episódio da nossa vida uma passagem para outra margem?
Estou na sétima semana "de molho" e vejo já luz ao fundo do túnel. Além disso estou contente.
Contente, porque arrumei e organizei tudo quanto é gaveta cá em casa, ok que demorei meio dia com cada uma, mas estava a fazer algo e o que não consegui fazer, anotei para fazer depois. Tenho uma página A4 de ideias para concretizar assim que tenha mobilidade. Aprendi a fazer listas de compras online num abrir e fechar de olhos, tão cómodo que é, vou continuar a utilizar o sistema. Aprendi a estender roupa e a engomar sentada, aprendi a cozinhar aos saltinhos de pé coxinho, aprendi a transportar pequenas coisas penduradas nas muletas ou ao pescoço. Aprendi a tomar banho sentada num banquinho e com um saco enfiado na perna. Entro e saio do duche de muletas. Um luxo ein?
Só visto!
O meu companheiro de luta é o meu anjo da guarda. Muitos me ajudam e me mimam e eu sou uma sortuda. Não podia ter melhor família e melhores amigos.
Eu li livros, eu vi várias séries, trabalhei remotamente dia sim dia não e descansei os meus dois neurónios, embora destes dois que me restam, estejam também a ficar queimados.
Agora digam-me lá, parada a minha vida?
É claro que sinto falta do meu trabalho, dos meus colegas, de conduzir, de poder dar-me na real gana e ir às compras. Tenho saudades de vestir roupa normal, de me arranjar, de me calçar. Tenho saudades de pedalar.
Tenho saudades de liberdade.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Era uma vez, uma vez



REPOST


quarta-feira, 2 de novembro de 2016


Era uma vez um casal digamos médio. Médio porque não era novo nem velho, não era rico nem pobre, não era feio nem bonito, nem do Norte ou do Sul. Não era também o maior áz do pedal mas não de todo o conanas da pedalação. Era médio portanto mas muito determinado a pedalar Serra da Estrela a fora. 
O dito casal abancou em Manteigas num pequeno e bonito hotel familiar, de um requinte fantástico com uns anfitriões cinco estrelas.
No segundo dia o tal casal chega esbaforido da pedalada aos seus aposentos deparando-se com o aquecimento ligado e o calor a bombar que a serra à noite é muito fria. Abrem-se as janelas para correr o ar, toma-se a banhoca e fazem-se à vida. Após a pança compostinha de queijo da serra e um divinal estufado de javali, fizeram-se ao quartinho, fecharam as janelas e aquietaram-se.
Mas, e porque há sempre um mas nas histórias dos casais médios, começaram a ser sobrevoados por moscas, muitas moscas. Voos rasantes e até secantes, aterragens forçadas, levantamentos a alta velocidade, as moscas eram mais que as mães, pousavam nas mãos, no cabelo, no nariz, não paravam quietas e eram tantas mas tantas que o barulho das asas já estava a enervar. 
E foi assim o serão daquele casal médio na serra. A matar moscas.  Ao fim de uma hora jaziam mortas no chão vinte e oito moscas. Cinco não se deixaram caçar mas fizeram-se emboscadas para as empurrar para a casa de banho e esta foi trancada e calafetada não fossem  elas escapar-se pela greta da fechadura. Dormiram então exaustos de tanto caçar e não mais aquelas janelas se abriram. 
O ar da serra é maravilhoso.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Nova etapa


Yeah!
Que alegria, o gesso já lá vai no entanto, recomeçar a andar,  só daqui a duas ou três semanas após remoção de um dos parafusos.
Isto vai, devagar mas vai.
Ó se vai :)


domingo, 7 de abril de 2019

Sem título

Estava aqui a coçar a minha perneta desenfreadamente por dentro do gesso com uma agulha de tricot, quase mesmo até fazer sangue que vocês não imaginam a coceira que isto dá, quando me ocorreu a pergunta que a psicóloga de uma amiga lhe fez na primeira consulta pós cancro da mama:
"O que é que te aconteceu para chamares o cancro à tua vida?"
Pois.... que raio de pergunta para se fazer, que raio de abordagem, que raio será aquilo de chamar desgraças para a nossa vida? O que pensar, o que responder?
Será mesmo que chamamos inconscientemente acontecimentos para as nossas vidas para resolver questões para as quais não temos resolução? Será???
Bom, que eu andava cansada, desmotivada, exausta mesmo, a nível psicológico, andava, que achava que precisava de uma pausa no trabalho, achava, que deveria repensar os meus azimutes e mais uma série de coisas, deveria e que desejava ardentemente que algo se altera-se e que tivesse tempo para fazer certas coisas, desejava.
Agora, será que necessitava mesmo de partir um tornozelo para ficar imóvel em casa já lá vão seis longas semanas para concluir que no final de contas tenho saudades do meu trabalho e do stress e das intrigas dos colegas e da confusão do departamento e de cozinhar e engomar para a família e das resmunguices deles e de tantos contratempos a todos os níveis e desta tristeza esquisita e de não ter tempo para nada? Será que precisava de ficar sem palavras e com a alma doente de tão vazia' Será que precisava de ficar com a vida em suspenso E de saber quem me quer bem e para quem sou importante?
Quer-me cá parecer que sim...
Agora já chega, já cá tenho a minha lição.
Amanhã é um dia importante na minha vidinha de perneta e o meu nome do meio é esperança, não é, mas é :)
Até amanhã.

sábado, 6 de abril de 2019

Vejam só que coisa mais linda mais cheia de graça

À falta de mobilidade, ajusta-se o azimute para outras atividades. Indoor, claro e sentada. Ah pois!
Estas foram a quatro mãos. Maridão lixou e pintou a caixa, cortou os tubos e arranjou os pés dos suportes das pulseiras, eu fiz o resto. Que tal?
Digam lá que isto não merecia um vlog no youtube...














segunda-feira, 1 de abril de 2019

Recantos meus #2

Porque a vida também é feita de memórias e de recordações e de coisas.
Coisas das quais somos feitos, coisas que nos definem enquanto pessoas.
Coisas que marcam as nossas vidas....



Revistas que guardamos uma vida e embora algumas acabemos em algum momento por deixar ir, outras vão ficando e ficando e ficando. Não nos conseguimos separar delas, fazem parte de nós, de algum período das nossas vidas. 
Molduras com fotos,  algumas vamos substituindo, outras vão ficando porque marcam momentos. Momentos nossos.
Livros. Livros e mais livros, nunca me desfaço dos livros, alguns herdei-os, esses então, ficarão eternamente.


Coleções de moedas e de selos que tão cuidadosamente e praticamente sem respirar, observei meu pai e colocar com uma pinça nos álbuns. Foram noites e noites que passámos nisto...
Prémios e troféus de BTT, de futebol, de rally, de TT. Recordações e cadernetas das viagens a Santiago de Compostela. Recordações de outras viagens, de outros lugares, de outras gentes...


Álbuns de fotografias. Muitos. Daqueles de antes da era digital... Cheios de memórias e recordações.
Como posso eu ser minimalista em relação a isto? Como posso não ver estas coisas todos os dias, como poderia eu deixar ir estas coisas?


quinta-feira, 28 de março de 2019

Asas

Já fui muito. Já fui tudo. Já fui nada.
Já fui eu. Já quis ser outras que não eu. Já tentei ser outras. Não deu.
Sou de projetos, sou de objetivos, sou de sonhos.
Sou de asas e nessas asas eu voo.
Não me canso de voar.
Serei muito, serei tudo, serei eu.
Voltarei a ser eu mas nunca vou parar de voar.


quarta-feira, 27 de março de 2019

Tivesse eu

inventado colecionar notas de cinquenta ou de cem e estava rica a esta hora.
Agora gatos do mundo....

Isto é só uma pequena parte da coleção




domingo, 24 de março de 2019

O outro lado

Da vida.
Dos dias.
Dos meus dias neste momento.
Quão estranho é estar confinada a casa sem poder fazer o que me der na real gana.
Quão estranho é estar parada no tempo, ter a vida em stand by.
Hoje ralharam comigo quando me lamentei por não poder pedalar nestes dias maravilhosos de sol e por não poder fazer praticamente nada do que gostaria. Se esta é a realidade do momento, é esta que temos de viver. E aproveitar. Logo outras realidades virão, só temos de ir saboreando aquilo que vamos tendo. Certo? Certo!
Ontem levaram-me a ver a praia e o mar. Levaram-me a jantar. Hoje levaram-me ao Talhão 60/61 do Pinhal de Leiria onde aconteceu mais uma atividade de reflorestação da área ardida. Pude sentir o calor do sol e a brisa a fazer-me esvoaçar os cabelos, pude respirar fundo e encher-me de energia. Pude exercitar os braços a fazer andar as minhas quatro pernas. Há pois é, vou ficar massuda dos biceps. Estragam-me com mimos é o que é e felicidade é o que sinto.
Estou rodeada de pessoas que se preocupam em fazer-me feliz.
Só tenho de estar à altura do momento.

terça-feira, 19 de março de 2019

Glicinia

RE-Post 8 de maio 2015

Lembro-me sempre dele quando olho a glicinia em flor, as folhas tão verdes, as flores de um lilás tão vivo, o aroma tão intenso a primavera. Gosto de passar perto e inspirar aquele aroma, imagino-me no paraíso. 
Parece até que ainda o vejo, todos os sábados, pendurado no escadote a atar e cuidar das braças que teimam em se espalhar por sítios que ele não quer. Tudo é cuidadosa e meticulosamente projetado e executado por forma a atingir a perfeição por ele idealizada, como de resto, saía perfeito tudo o que fazia.
Sábado após sábado eu ia ver qual era o projeto daquele dia e todos os anos por esta altura eu lhe dizia que cortasse uma braça da glicinia e ma plantasse num vaso. Eu queria uma glicinia daquelas no meu jardim, plantada por ele.. Todos os anos ele acabava por se esquecer. 
Foi já no hospital, poucos dias antes de partir na sua eterna viagem para o céu que meu pai me disse, assim do nada, que fosse lá a casa e que perto do poço estava um vaso com uma glicinia plantada e já em fase de crescimento para mim.
Ainda não a trouxe, mas quase todos os dias vou ver a dele.



segunda-feira, 18 de março de 2019

Baixou em mim

A Gaja Maria Kondo.
Sim, a tal das arrumações e organizações. Credo!! Sim, credo!!
É que apesar do meu estado perneta, enclausurada, em repouso e recuperação, nem por isso consigo expulsar a sem parança que há em mim...
Posto isto e além de ler e ver séries e tv, juro que até já gosto um pouquito do programa da Cristina mas estava a dar-me cabo dos tímpanos que a moça guincha p'ra caraças, introduzi uma nova táctica na mina rotina.
Ver vídeos de DIY, organização, arrumação, decoração. Tudo em ão portanto.
Em seguida passei à ação.
Sentadinha, de gaveta em gaveta, seleção, novo método de dobragem, novo método de organização arrumação. Duas horas ou três por dia para não me cansar muito.
Digam lá, não fica um mimo? Pena isto só durar uma semana, duas na loucura...

Só uma pequena amostra: