terça-feira, 7 de julho de 2020

Dia 140 - Voltei de lá

Estou viva e de regresso.
Percorri de lés a lés a Estrada Nacional 2 de bicicleta. 738 kms, de alforges, de Chaves a Faro. Atravessei 13 rios, 10 serras, 35 cidades e vilas, muitas delas com temperaturas de 35 a 40 graus. Sobrevivi e trago no coração muita paz e tranquilidade, muita alegria e felicidade. Acreditei, desafiei-me é superei-me. Além das dezenas de fotos, trago gravadas na alma emoções, imagens, ensinamentos e algumas lições.
Agora podia estar aqui a escrever sobre isto durante horas, mas não me vou tornar-me chata. Apenas quero dizer-vos, acreditem em vós, desafiem-se, vivam.




quinta-feira, 25 de junho de 2020

Dia 137 - Crepúsculo


Prestes a transpor o portal, não para o desconhecido, mas para uma outra realidade, ou antes, para uma não realidade, uma outra dimensão em que existem outros deuses e outras estrelas que se alinham em forma de um outro sol e outra lua. Sete sois e sete luas onde tudo o que existe são momentos reais, mas ao mesmo tempo surreais. Assim queiram os deuses e os sois e as luas que este crepúsculo seja o mais feliz de sempre. E queiram acima de tudo, esses deuses e esses sóis e essas luas, que o regresso desse portal traga de volta a pessoa em pleno estado de felicidade e alegria, capaz de enfrentar com garra e determinação as agruras e as contrariedades.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Dia 136 - Rua de nada


Saí para passear e dei comigo na rua da tristeza.
Pergunto-me porque acabei ali, se me levaram até lá ou se eu própria me conduzi a ela. Nunca vou a essa rua porque quero, parece sempre que algo ou alguém me empurra e por vezes até parece que todos os fazem e que até eu própria acabo por fazer com que isso aconteça. Tivesse eu o dom da palavra ou o dom da escrita ou até o da compreensão e sabedoria e julgo não saberia onde ficava a dita rua onde vou amiúde. Sinto que não viajo para lá, quando dou por mim já lá estou e procuro em mim o caminho de volta. Apesar da culpa e da incompreensão acabo sempre por encontrá-lo e desta vez vai ser igual.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Dia 135 - Ósculos


Tenho saudades, quero ver. Vou. E quando vou e vejo, fico ali num impasse. Ficamos num impasse. O primeiro impulso é o cumprimento, o toque, o beijo com a mão no ombro ou nas costas, um afago no cabelo, uma carícia leve, para logo em seguida se recuar e se dar um passo atrás, transformando uma espécie de arco íris uma nuvem cinzenta. Talvez não tão cinzenta, mas ainda assim branca a tapar o sol no momento. Não que seja muito de ósculos, mas agora queria.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Dia 132 - será?


Naquela intermitência de sono leve em que não se consegue discernir se dormimos ou se estamos despertos, imaginei-me longe, muito longe, a correr por entre as urtigas atrás do cão cor de fogo. Sentia as pernas a ficarem arranhadas, mas só pensava em chegar ao fim do caminho, rente ao muro ladeado de flores. O cão alcançava-me e juntos rebolávamos pela erva enlaçados um no outro e depois voltávamos de novo ao início do caminho para repetirmos a correria e os abraços e as festas no pelo sedoso do meu companheiro de brincadeiras.
Quando chegasse a noite, minha irmã assobiaria, eu regressaria a casa, ela ajudar-me-ia a tomar banho para se assegurar que eu tirava toda a terra do cabelo e dos pés e das unhas, jantaríamos em família e eu adormeceria no sofá de tão cansada das correrias. O cão, esperaria por mim até ao dia seguinte no tapete da entrada.
Entretanto, comecei a coçar as pernas, picadas das urtigas e vi-me na minha cama, ainda cansada, mas tão feliz achando que era outra vez criança e que a minha alma era ainda livre e pura e despreocupada. Procurei o cão cor de fogo mas não encontrei, também já não havia muro ladeado de flores nem caminho para correr.
O despertador começou a tocar e eu comecei a pensar. O pequeno almoço por fazer, o jantar por pensar, a roupa por estender, o pó por limpar e um dia de trabalho à minha espera… O seguro por pagar, as compras por fazer, uma subscrição por cancelar, uma encomenda por fazer. Uma consulta por confirmar, uns telefonemas por fazer, o frigorífico por reparar....

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Dia 131 - Rios, lagos e coisas que vocês não sabem

Ai, mimimi, adoro rios e lagos e não me canso de pedalar perto deles, admirá-los, contorná-los, fotografá-los para a minha coleção de paisagens fantásticas, MAS! E porque há sempre um mas, em certas alturas do ano não se pode andar perto deles de boca aberta. E porquê perguntam vosselências. Porque ele há, rente aos rios e lagos, nuvens e nuvens de mosquitos e outras bicharadas esvoaçantes a pairar de um lado para o outro. Pois. Agora experimentem atravessar uma nuvem dessas de boca aberta. Pois. A mosquitada entra na boca e estatela-se contra o gorgomilo ficando esborrachada no dito cujo causando uma espécie de sensação de afogamento e com comichão onde não se consegue coçar. E desde já vos digo, são amargos pra caraças. Pois. Agora experimentem beber golos e golos de água que já não têm, para descolar asas e pernas de mosquito do gorgomilo. Pois!
Acho que ainda trago aqui uma perninha. Blhac.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Dia 130 - A espaços, as palavras

Este ano já escrevi neste blog cento e trinta vezes.
Se fizer uma ou duas contas e considerando que, a espaços, fico sem palavras, já escrevi muito mais do que no ano passado.
E agora, que me falham as palavras, tenho dado uso às pernas e aos olhos.


terça-feira, 2 de junho de 2020

Dia 127 - Reencontro

Desde vinte de março que não nos olhávamos ao vivo e a cores. Foi ontem.
Sem auscultadores, sem câmaras, sem filhos a chamar, sem gatos a passar em frente ao ecran e sem lar ao fundo. Não que isso fosse mau, mas era sem dúvida diferente e se dúvidas houvesse que as pessoas têm uma vida fora do trabalho, esta foi a prova. É bom que se saiba que somos profissionais, mas também somos pais, mães, filhos e gestores de uma panóplia de coisas fora do trabalho. Se somos ou não competentes, com certeza que o seremos, à nossa maneira e uns mais do que outros e em diversas áreas. Somos humanos e por isso não somos perfeitos. E viva a diferença.
Pese embora tudo isto, arrisco dizer que foi emocionante voltar a ver esta minha segunda família com quem quase passo mais tempo do que com a minha primeira e voltar a sentar-me naquele meu lugar tão familiar. Em tempo de introspeção arrisco também em perguntar-me se gostaria que certas coisas fossem diferentes para ser mais e ser melhor em tudo. Sim, gostaria. Se sempre tivermos certezas e nunca dúvidas, nunca teremos a oportunidade de uma melhoria. E eu  tenho sempre tantas dúvidas, sempre questiono, sempre mudaria algumas coisas. Se me deixassem. A ver...

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Dia 126 - Sempre que...

Alguém diz "era tão feliz e não sabia" falece uma cegonha transportando no bico dois gémeos que ia entregar a um casal infértil.. 

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Dia 125 - Chiqueda

"Conta a lenda de que o primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, foi ao cimo da Serra dos Candeeiros e lançou sua espada para decidir onde mandaria construir o mosteiro agora situado em Alcobaça. Nesta localidade caiu a espada do Rei passando a ser chamada de Quiqueda (Aqui+Queda) sendo assim o nome veio da queda da espada e depois foi evoluindo de Quiqueda para Chiqueda."

Num dia de calor intenso mas livre para pedalar, só nos restava pegar nas bikes e pedalar até algum lugar fresco, cheio de trilhos fantásticos, repleto de sombras e numa das pontas um lago de águas límpidas e cristalinas para nos podermos refrescar. E foi mesmo nessas águas que eu entrei vestida e calçada. Não imaginam o bem que soube e eu não me canso de dizer o quanto me sinto rica. Rica de paisagens e lugares, rica de emoções e alegrias que praticamente só são possíveis em cima de uma bicicleta. 

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Dia 124 - Estranheza

Perdi a conta aos milhares de folhas que já varri do pátio nos últimos tempos. A mim parece-me que a Cheflera gigante está a morrer, mas por outro lado, talvez todos os anos lhe tivessem caído os mesmos milhares de folhas sem eu ter dado por ela e sem as ter varrido tão insistentemente. Acho que o fazia apenas uma vez por semana, ao sábado e se tivesse tempo. Na verdade, varrer folhas, desde o início desta pandemia e do confinamento tornou-se uma terapia para mim, um momento verde e muito zen. Todas as manhãs varro a apanho folhas e todos os fins de dia estou ansiosa para fazer o mesmo. Com estas noites quentes ainda aproveito para regar e espalhar o odor a terra molhada e a flores. Corto aqui, aparo ali, acrescento terra, admiro as borboletas e tiro teias de aranha e ervas daninhas. Estranheza, é o que sinto destes novos hábitos e obsessões. Daqui a nada nem me reconheço.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Dia 123 - Monstros alados

Cheguei ao areal logo de manhãzinha estava este imenso e ainda vazio tal como eu gosto.
A baixa mar fizera recuar a água  até bem ao fundo e vinha apenas beijar a areia em pequenos arremessos de espuma o que deixou as passagens entre praias com acesso para caminhar.
Estendi a toalha, abri o guarda sol, besuntei-me de protetor e lá vou eu a chapinhar. Nem sei, andei quilómetros para sul, passei por várias praias, muitos pescadores, uma imensidão de azul e prata, um som de embalar que me faz esquecer do mundo e mergulhar numa felicidade imensa.
Só pensava como era uma sortuda por viver perto daquele mar e daquela imensa beleza.
Comecei entretanto a pensar que a maré podia estar a encher e tapar-me a passagem entre praias e iniciei o regresso entrando no mar a espaços, para refrescar.
Estendi-me na toalha para secar e embrenho-me na leitura. Eis senão quando, começo a sentir comichões.
Quando decido levantar os olhos das letras verifico que estava rodeada de formigas enormes com asas. Não sei bem se eram formigas, mas que eram enormes, eram, praticamente crocodilos, mas alados. Não mais tive descanso, não paravam de chegar mais e mais e mais, brotavam do interior das areias.
Estavam na toalha, nas pernas, no pescoço, no cabelo.. PQP, que bicharada aquela, mas era só eu que estava a ser atacada naquela praia? Olhei em volta e estava tudo descansadinho a apanhar sol. Mau!! Sacudi-me como podia, arrumei a trouxa e rumei para casa.
Passei o resto do dia na espreguiçadeira do pátio a tomar banhos de mangueira ao som não do mar mas da passarada a sobrevoar os céus. Não foi mau, até pelo contrários.
Há pouco vou a pochete que levo sempre para a praia e onde guardo os pertences saem-me de lá dois formigões alados vivinhos da silva. Ninguém merece passar as horas de layoff a ser assim atacada.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Dia 122 - O melhor do pior

Pese embora o grande atrofio que as máscaras me causam, pois além de não me deixarem respirar, raciocinar ou refrescar, permitem-me fazer coisas até agora impensáveis como permitir-me rir de certas situações. O problema é quando me olham nos olhos que eu também rio com os olhos...

terça-feira, 19 de maio de 2020

Dia 121 - A ponta de um corno

É no que estou focada esta semana, não fazer ponta de um corno. É o que se faz nas férias não é?
Bom, além de uma tarde no cabeleireiro a tentar fazer algo destes três pelos, uma manhã a fazer recados a Mamãe e uma tarde de papo para o ar na praia, depois do mergulho, claro, que o mar e o calor, desta vez estão do meu lado, não quero saber de tele trabalhos, tele conferências, tele picagens ou tele fonemas, nem sequer almoços e jantares, pós e aspiradores, roupa para lavar ou engomar. Desemerdem-se que esta Gaja precisa de uma pausa. Ah, meti-me num desafio de exercício físico de 30 dias e vou no dia 11, agora começa a doer, pois a quantidade de repetições dos exercícios aumenta todos os dias, mas esta Gaja que aqui vos escreve parvoíces, e ponham parvoíces nisto, quando se mete num desafio é para cumprir. Além disso, não fazer ponta de um corno custa, ok?

domingo, 17 de maio de 2020

Dia 120 - Fuga

Com um fim de semana assim solarengo, só podia pegar na bicicleta e sair para apanhar uma grande dose de vitamina. E um bronze à pedreiro, vá.
Eu e marido arrancámos até à estrada atlântica e sempre rente ao mar rumámos a sul. Fomos visitar a Cerca de Veados do Sítio da Nazaré onde existem cerca de trinta veados, lindos, que vêm comer à nossa mão e até deixam fazer umas festinhas. Esta é a época do ano em que os seus chifres estão cobertos de veludo que depois cai expondo o osso. Bichos lindos e majestosos.
Em seguida subimos a Serra da Pescaria e a dos Mangues para em seguida descer em direção a S. Martinho do Porto. Subir custa sempre, mas o esforço é inversamente proporcional ao resultado final, isto é, quanto mais se sobe mais difícil é, mas mais vale a pena. Além do sentimento de satisfação e conquista por se ultrapassar mais uma dificuldade, a vista é magnífica e esta, sem dúvida é das sensações que me traz felicidade. Um imenso mar azul profundo a direita e os campos cultivados e em vários tons de verde à esquerda. Para rematar, um céu azul intenso a fundir-se no infinito. Uma paleta de cores bastante variada a pintalgar o meu dia. Uma fuga pela natureza, fugindo da cidade e das pessoas. S. Martinho  dispensa comentários, é uma praia lindíssima e eu sou uma sortuda. à distância de alguns quilómetros a pedalar, estou perto de lugares fantásticos.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Dia 119 - Ler os olhos

Nunca fez tanto sentido a observação dos olhos das gentes para tentar entender o que as palavras ou a falta delas nos dizem. Com todos os rostos cobertos por máscaras, conseguiremos nós vislumbrar?

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Dia 118 - Escolha



É sempre nossa e só nós podemos decidir o que queremos para nós e fazer por isso. 
Mudar, seguir outro caminho, quebrar amarras e prendermo-nos a outras é uma escolha. 
Ir ficando ou adiar é uma escolha. 
Deixarmo-nos ir é uma escolha.
Não fazer nada é uma escolha.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Dia 117 - Cá dentro


E cá estou eu, mais uma vez, presa a uma cadeira, em frente a uma mesa de trabalho. Zé gato dorme enroscado entre o teclado e o écran, aos poucos vai-se apoderando do meu espaço. Por entre as cortinas vejo que está sol e oiço o trânsito lá fora. À exceção da música de fundo que sai do meu computador, um pouco para que não me sinta tão sozinha, a casa está silenciosa, mas o mundo já mexe. As pernas entorpecidas, o corpo em ânsias de liberdade e movimento e os dedos deslizando sobre as teclas, cá vou debitando trabalho ao longo de mais um dia. Gosto do meu trabalho atual, mais parado, mais administrativo do que nunca, e longe daquilo que já fiz e que sempre quis para mim, mas já não sinto a paixão e a energia de outrora e isso atordoa-me. Várias escolhas ao longo da minha vida, várias mudanças de direção foram levando-me neste sentido e durante os últimos anos fui até apreciando esta situação. Fui deixando de querer mudar o mundo, fui deixando de querer ser e fazer diferente, fui-me acomodando. Em alguns dias levanto-me disposta a mudar tudo, mas depois, ao longo do dia, vou deparando-me com uma engrenagem já montada e a funcionar e perco a vontade de ser a pedra que a faz parar e ou mudar de direção. Além disso, praticamente não sou nada nem ninguém, não tenho esse poder e só vou criar entropia. Para mim e para outros. No fundo, faço parte de um rebanho e embora por vezes contrariada e com a alma em convulsões, lá vou indo para onde o pastor manda. Docilmente. E a vida é assim, temos por vezes de adormecer a nossa essência, rebelde e atormentada, nómada e sem parança para vivermos bem com nós próprios e com os outros. A guerrilha também cansa.

domingo, 10 de maio de 2020

Dia 116 - Aura

Ontem, olhei o meu rosto demoradamente ao espelho e não apreciei o que vi. De repente parece-me que nestes últimos meses algo se transformou em mim. Umas quantas rugas mais, vários fios de cabelo brancos, a pele flácida e descaída, as pálpebras parece que cresceram em direção aos olhos e toda eu perdi o brilho de outrora. Pareço-me a mim, baça e com ar triste e cansado, velho. Talvez me sentisse assim naquele momento, não sei bem. Teimo contrariar  o tempo e mentindo-me a mim própria e tentando fazer tudo como há uns anos atrás, lá me vou iludindo e fazendo crer que o tempo não passou por mim, eu é que vou passando por ele, linda, leve e fresca. Chocou-me e entristeceu-me ver-me assim, no entanto.
Já hoje, depois da pedalada pelos pinhais e pelas praias onde respirei o azul do mar e bebi a luz do sol, onde senti a brisa acariciar-me o braços e onde pedalei com tanta força que o vento assobiava nos meus ouvidos, senti-me viva, tão viva, tão alerta, tão cheia de viço. Antes do banho, voltei a olhar o meu rosto. Além do leve bronzeado da pedalada ao ar livre, podia até estar exatamente igual, mas eu vi-o diferente, foquei-me na alma, observei a minha aura de uma ponta a outra e essa sim, tem um brilho imenso, sente-se livre, feliz e pode tudo. Não tem mais de vinte anos.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Dia 115 - Partilha


Domingo passado, não querendo deixar passar o dia sem a homenagear e não podendo beijá-la nem abraçá-la, fui levar uma singela orquídea branca a minha mãe. Ficou muito comovida e disse “Ohh! Não estava à espera de nada, não tenho nada para te dar”. “Mas tu é que és a mãe, disse eu. Mas tu também és mãe, anda cá!”
Pega na tesoura de podar e num cordel e aí vai ela, devagarinho, meio trôpega, mas cheia de convicção, comigo atrás dela. Atravessámos o quintal e chegamos às roseiras em flor. Escolheu seis rosas cor de rosa, cortou, aparou os espinhos, montou um arranjinho, atou com o cordel e estendeu-mas. Feliz dia da mãe!
Lembro-me desde sempre da sua generosidade e ninguém sai de casa dela sem algo nas mãos. E se não tem nada preparado, oferece o que tem. Sempre. Ovos, laranjas ou limões, um pedaço de bolo, um ramo de salsa, um saco de nozes, uma flor, um café ou um chá, uma taça de sopa, um chocolate, uma nota para os netos… Temos sempre de beber ou comer algo e trazer qualquer coisa na mão. Este sentimento de partilha foi transmitido a mim e a minha irmã, mas nenhuma das duas tem esta capacidade de improvisação e de vontade de partilhar a todo o custo. E hoje, para a maioria das pessoas, o dar ganhou outro significado, o do valor, o das datas marcadas, o da obrigação. Em breve, perder-se-á.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Dia 114 - Fuga

Do meu escritório improvisado na mesa da sala de jantar ouvi o trânsito quase voltar ao normal. Espreitei à janela e lá estavam as vizinhas, à porta da mercearia munidas de máscara, mas através dela consegui perceber os seus sorrisos, as suas conversas, a sua alegria por se sentirem um pouco mais livres. A meio da manhã fiz uma pausa e corri ao café cá da rua. Apesar do copo de plástico e de ter de o beber na rua para dar lugar a outros que aguardavam a minha saída para entrar, o café, preto, forte e sem açúcar foi como que um clímax após um mês de abstinência, uma explosão de alegria, um prazer indescritível. Só ultrapassado, claro, quando fechei o expediente e me fiz ao caminho na minha bicicleta em direção ao mar.
E assim lá vou desconfinando.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Dia 113 - Redirecionar

Dei ontem por finda a minha participação no desafio "Um post por dia até ao fim do corona".  Não que o corona tenha terminado, mas porque acabou o fim do confinamento e agora, aos poucos, todos vamos retomando as nossas vidas e redirecionado os nossos rumos. A uns resta-lhes apanhar os destroços e seguir em frente, a outros, redefinir os azimutes e mudar o rumo dos acontecimentos e a outros ainda, seguir conforme a banda tocar.
Eu, vou dançar conforme tocar a banda, redefinindo azimutes todos os dias até que a minha vida volte ao normal. 
Vemo-nos por aqui, como sempre.

domingo, 3 de maio de 2020

Dia 112 - Super poder

Sim, sou mãe de dois e se ter e criar um filho ou dois ou três não nos torna alguém com super poderes, então o que nos tornará?

sábado, 2 de maio de 2020

Dia 111 - 48 - Dia de...

Dia de transformar velho em novo
A velha aparelhagem estava muda há anos. Foi agora  colocada na garagem e ligada e uma música suave enche agora o espaço onde faço exercício e trato da roupa.
Dia de pintar as portas de casa, que estão aos poucos a voltar a ser brancas imaculadas
Dia de provar cachupa pela primeira vez. Gostei
Dia de avivar cores a cestos e transformar algumas peças de decoração
Dia de apanhar um empeno a pedalar. Minha nossa, o que o meu concelho tem para aqui de subidas...
Dia de pensar no início do desconfinamento. Para mim, vai ficar tudo igual, continuo em casa e a fazer apenas saídas estritamente necessárias. Corridas e pedaladas no pinhal perto de casa são estritamente necessárias neste momento. Necessárias à minha sanidade mental.
E vocês, vão desconfinar?



sexta-feira, 1 de maio de 2020

Dia 110 - 47 - Choné ou xoné?


Saqueta de chá de frutos vermelhos, chávena, microondas, dois minutos, clic!
Snif, snif, começa a cheirar a queimado, ai o meu chá, vou a correr, saqueta a arder, nem uma pinga de água. #$)(&%?=) -se

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Dia 109 - 46 - Dúvidas

Agora que já vamos ter ordem de soltura, progressiva, é certo, mas que sim, que com as devidas precauções e se tudo correr como previsto lá para junho, estamos desconfinados, será que mantenho a travessia da Nacional 2 de bicicleta com sete pernoitas fora de casa ou cancelo tudo e adio mais um sonho?

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Dia 108 - 45 "Um post por dia até ao fim do corona"



Comecei este post logo de manhãzinha.

Primeiro, escrevi que agora que a quarentena está prestes a findar, me dei conta que neste tempo todo, além de trabalhar, cozinhar, limpar e estar de trombas, não fiz nada. Não li livros, não vi séries, não tirei fotos, não filmei tik toks, não fiz grandes introspeções, não escrevi textos de fazer chorar as pedras da calçada, não meditei sobre a mudança de atitude nem tomei grandes resoluções. Apaguei

Depois, escrevi como estava feliz por iniciarmos finalmente o desconfinamento e embora um pouco a medo e com muito, muito cuidado, paciência e determinação, tudo irá voltar aos seus lugares. Mas depois lembrei-me do teletrabalho, das lays off's, das paletes de desempregados, das pessoas que mal têm dinheiro para comer. Apaguei

Depois... Depois lembrei-me que entretanto vem aí a época de ir à praia. Yupiiii!



segunda-feira, 27 de abril de 2020

Dia 106 - 43 "Um post por dia até ao fim do corona"

Usain Bolt

Fui correr. E como sempre que vou correr, faleci três vezes no primeiro quilómetro. Falta de ar, taquicardia, calor, essas coisas, mas depois a coisa, estabilizou, como sempre estabiliza e eu lá continuei. Sete quilómetros, um décimo e qualquer coisa de uma maratona, praticamente nada, portanto, mas uma grande alegria para mim, que correr é uma canseira do caraças. Além do mais, ainda faleci uma quarta vez quando fui atacada pelo Xavier. Afrouxei quando o vi, pareceu-me simpático e fofinho, comecei a passar e assim que ia ao lado dele, o gajo desatou a correr e a ladrar atrás de mim. Quase, quase a trincar-me os calcanhares, fingi apanhar uma pedra e mandar-lhe para o assustar já que não podia fazer mais nada e foi quando ouvi gritar. ''Ai, não faça mal ao meu Xavier que ele é amigo!'' Ui, claro que não lhe faço mal, mas ele é tão amigo que lhe apeteceu trincar-me para me cumprimentar. Gente! Qual Usain Bolt, qual quê, o record dos duzentos metros é meu!

domingo, 26 de abril de 2020

Dia 105 - 42 "Um post por dia até ao fim do corona"

Sorte, fortuna e prosperidade

Enquanto envolvia delicadamente as claras batidas em castelo firme no preparado de chocolate para terminar a mousse e temperava as asinhas de frango para o lanche ajantarado, tudo "discos pedidos", pensava cá com os meus botões na quantidade de grilos que ouvi cantar ontem quando fui pedalar um pouco por aí.
Acho que não ouvia tantos grilos cantar há muito, muito tempo. Imensos a numa grande cantilena o caminho todo. Será do silêncio que os rodeia, será da calmaria, será porque a poluição é menor e eles sobrevivem mais e mais tempo?
Os grilos são conhecidos como símbolo da prosperidade.
São conotados com a sabedoria.
Na China e no Japão, considerados um símbolo de boa sorte, fortuna, prosperidade e vitalidade.
E diz uma lenda que os deuses enviaram os grilos à terra para nos lembrar que devemos ser felizes apesar de tudo.

Só pode ser um bom sinal...

sábado, 25 de abril de 2020

Dia 104 - 41 "Um post por dia até ao fim do corona"

Transplante

Encontrei finalmente um lugar condigno para o meu pinheiro-gémeo-de-orquídea e não os consegui separar. Aguardo ansiosamente vê-los crescer juntos, brincar à apanhada, saltar à corta, quem sabe até, jogar à macaca. Talvez um dia destes queiram um quarto para cada um e sair com amigos diferentes e depois vão acabar por separar-se pois talvez um vá para a universidade e o outro queira emigrar. Quem sabe um dia arranjem um amor e acabem por ter filhos. Ou vivam em casa dos pais até aos quarenta, não sei. Pese embora achemos que conhecemos os nossos filhos como um .livro aberto, por vezes eles surpreendem-nos. Veremos.
Bom, depois disto, só me falta escrever um livro. Ou talvez não. Não será uma autobiografia, tudo aquilo que venho aqui escrever? Não conhecem vocês tanto de mim por causa daquilo que escrevo? Está em curso portanto, o livro da minha vida.


sexta-feira, 24 de abril de 2020

Dia 103 - 40 "Um post por dia até ao fim do corona"

E entretanto já lá vão quarenta dias...

Hora de almoço, pausa no teletrabalho e ida à rua para apanhar ar.
Estou tão cansada....
Resolvi inspeccionar as suculentas que plantei há uns dias. Filhas de filhas de outras filhas que trouxe de uma aldeia na Lousã. Que saudades daqueles passeios serra acima e serra abaixo, dos sobreiros, do cão que faz o pino e dos queijos do fim da rua. Que saudades das gargalhadas e das noites à lareira com os amigos. 
Será que vamos lá voltar? 
Entretanto, na maior das tranquilidade, as suculentas estão viçosas. 

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Dia 102 - 39 "Um post por dia até ao fim do corona"


Kit do mal

Caracol é um bicho engraçado. Anda com a casa às costas e assim, passeia o dia todo super tranquilo, quando vê um spot que lhe agrada estaciona e põe os corninhos ao sol, dorme uma sesta e tal, não aborrece ninguém e aí vai ele de novo, na sua vidinha. Mas come as minhas plantas!! E se como as minhas ricas plantas como se não houvesse amanhã, eu tenho de fazer alguma coisa, não é? Pois que fui buscar o meu kit do mal, muuhahaha! Granulado com eles que isto aqui não é o da Joana. Três doses foi o que eu já deitei nas minhas plantas e senhores caracóis não largam a breguilha, acho até que eles pensam que é comida e ficam todos satisfeitinhos….

Já o kit do mal que largaram nos humanos está a dar-nos que fazer ein? 
Quando é que isto acabará já que o granulado não funciona..

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Dia 101 - 38 "Um post por dia até ao fim do corona"


Minh’alma

Tão azul e tão brilhante, tantas vezes cinzenta e periclitante
Uma alma inquieta e desassossegada, tão ansiosa e atormentada
Tem dias alegres e felizes, divertidos e hilariantes
Outros tantos de tristeza, desalentada e desesperante
Uma alma insatisfeita, desanimada, impaciente e inconformada
Pouco tem de segura e confiante, é mais escorregadia e inconstante
Minh’alma teimosa
Minh’alma cintilante
Minh’alma apaixonada e desconcertante

Quem me dera...
fosse diferente


segunda-feira, 20 de abril de 2020

Dia 99 - 36 "Um post por dia até ao fim do corona"

Mitologia

Farouk, foi o nome de um dos meus cães. 
Zeus, era o gato. 
Diana, é o nome de minha irmã, teria sido Ulisses se fosse rapaz.
Nem sei como escapei... 

domingo, 19 de abril de 2020

Dia 98 - 35 "Um post por dia até ao fim do corona"

Respirar

E ao trigésimo quinto dia de confinamento fui vê-lo. Peguei na bicicleta e de mansinho embrenhei-me no pinhal que continua completamente nu devido aos fogos e nu se irá manter durante anos, mas lá fui eu, por entre as dunas já vestidas de verde. Ao chegar soube que ele me esperava, lindo como sempre, vestido de um azul intenso e transparente, calmo, tão calmo, a espuma beijava a areia e o sol fazia-o brilhar. Cheirava a azul e a verde, marulhava baixinho como quem sussurra. O mar. O meu mar. Regressei feliz mas com uma ainda maior  certeza que me é difícil viver sem ele ...

sábado, 18 de abril de 2020

Dia 97 - 34 "Um post por dia até ao fim do corona"

Apimentar

Não fora a garrafa de Bombeira do Guadiana tinto que quase bebi inteirinha (mais ninguém gosta de tinto cá em casa, os pindéricos) e estava aqui a passar a língua pelas paredes ou a mergulhá-la em água fria com gelo. Estava euzinha, Gaja Maria Chef de Cuisine, a esmerar-me num chili com carne para alimentar as termites cá de casa, quando se descola o fundo do moinho das pimentas e me cai toda uma montanha de grãos dentro do tacho. Passei os vinte minutos seguintes a pescar com uma mini colher, mas nem por sombras consegui tirar metade. Os grão pretos, até achei bastantes, mas os de pimenta rosa e branca, eram da cor da carne, acho que os trincámos todos ao jantar. Eu e restante agregado familiar estamos prestes, não digo a falecer, mas a despejar tudo quanto é garrafa de cenas que se bebem.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Dia 96 - 33 "Um post por dia até ao fim do corona"

Das coisas boas disto tudo é poder almoçar em casa e ao ver a primavera pela janela poder ir buscá-la....

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Dia 95 - 32 "Um post por dia até ao fim do corona"

"Puzzle"




Já tinha visto e já me tinha questionado várias vezes para que raio seria toda uma panóplia de apetrechos e como se usariam. Nunca dei assim tanto azo à minha imaginação uma vez que sou moça que usa capacete pedalador muitas e muitas vezes destruindo toda e qualquer possibilidade de ter uma linda cabeleira. Vendo tão difícil quanto longínqua de momento essa minha faceta, resolvi permitir-me por tempo indeterminado toda uma possibilidade fútil e vaidosa. Tenho desafio para uns dias, quem sabe, semanas, quiçá, meses...

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Dia 94 - 31 "Um post por dia até ao fim do corona"

No seguimento do post de ontem, tenho a dizer-vos que isto foi há 15 dias quando ainda achava piada a isto de estar confinada, agora só me apetece estar enroscada no sofá a comer bolos e a beber vinho tinto sem me mexer. Vou pedir a alguém aqui de casa que me traga um guardanapo que tenho as beiças todas sujas.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Dia 93 - 30 "Um post por dia até ao fim do corona"


Hoje faço 4 semanas de isolamento. Sem açúcar, nada de carne ou pão. A mudança tem sido fantástica e sinto-me espetacular! Zero álcool! Uma dieta vegan saudável, sem glúten, sem cafeina e 2 horas de exercício físico por dia em casa. Perdi imensa gordura e ganhei massa muscular. Estou fantástica.

Não faço ideia de quem é esta publicação, mas com certeza que já faleceu ou está prestes a falecer, seca de corpo e de alma.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Dia 92 - 29 "Um post por dia até ao fim do corona"


Por ora, esgotadas que estão as ideias brilhantes e a motivação para manter a boa disposição, incluindo bolos, chocolates e vinho, permitam-me ter um dia menos bom. Estou oficialmente em modo elefante, isto é, de trombas!  Sei o que pensaram quando falei do modo elefante, empanturrada, gorda, balofa, modo redondo, portanto, mas não, quer dizer, ummmm, bom, talvez um pouco, mas o que quero mesmo é deitar cá para fora que sinto uma enorme tristeza por toda esta situação sem fim a vista. Amanhã será um novo dia, todo o dia. Até amanhã.

domingo, 12 de abril de 2020

Dia 91 - 28 "Um post por dia até ao fim do corona"

Uma Páscoa diferente, esta.
Pedalei vinte e três quilómetros no quintal, estive duas horas a passar roupa a ferro no "ginásio" isto é garagem, ao som da Rádio comercial, o almoço não foi cabrito assado mas peixe e vá lá que houve um folar e um pacote de amêndoas de chocolate, muitos telefonemas e abraços virtuais. Mais um dia passado em casa sem ver ninguém, sem ver o mar, a serra ou o pinhal. Mais um dia...
Já lá vai quase um mês de confinamento e não se vislumbra fim à vista. Está o Luís Marques Mendes a dizer na tv que só haverá uma vacina no verão de dois mil e vinte e um e que até lá não vamos conseguir erradicar o Covid-19 e teremos de manter o distanciamento e viver semi confinados.
PQP, isto é, Puta Que Pariu isto tudo!

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Dia 89 - 26 "Um post por dia até ao fim do corona"

Hoje atirei-me à garagem barra arrumos munida de aspirador, esfregona, muitos panos e muita água. O contentor de lixo à porta viria a revelar-se pequeno para tanta coisa da qual resolvi desligar-me, cada vez me convenço mais de que não são precisas coisas para sermos felizes e ainda estou para saber como se junta tanta tralha.Terminei ao fim de cinco horas, altura em que revi os amigos e bebemos um copo, cada um na sua casa, claro. O corona traz-nos estas coisas. E sim, comprovo, o filme do qual todos falam, "Milagre da cela 7" faz chorar baba e ranho.
Uma ótima Páscoa para vós.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Dia 86 - 23 "Um post por dia até ao fim do corona"

As portas da guerra.


Eram oito e quinze da manhã quando saí para a guerra, esta semana calham-me as manhãs. 
Calcei as minhas melhores botas, vesti o look de trabalho e coloquei o colete à prova de balas por cima assim como cinturão com as armas. A metralhadora, as granadas, o capacete e até uma calibre 38, just in case, todas em forma de spray. Fiz-me a ela, a guerra.
O inimigo, não o vi mas senti-o a rondar. Sei que me espreita em cada esquina, mas sigo o meu caminho que os medos são sempre relativos e têm apenas a importância que lhes quisermos dar. Embora esteja na linha da frente mesmo à porta da guerra e me apeteça fazer-me a ele de peito feito, ao inimigo, claro, fiquei sogadita na trincheira. Aliás, queria ficar sogadita, mas como em todas as guerras, as coisas complicam-se e o pelotão não escapa à puta da confusão. Sei que, entretanto, o inimigo vai vacilar e é nessa altura que o vamos aniquilar nem que seja à machadada. Posto isso, tudo voltará a ser como dantes. Ou não!
Valha-me a estrada para casa praticamente vazia e o almoço pronto a comer.
Um luxo esta guerra.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Dia 85 - 22 "Um post por dia até ao fim do corona"

Começo finalmente a entender o significado da máxima "viver um dia de cada vez" que tanta tinta já fez e faz correr todos os dias e que até, sou sincera, me enervava solenemente de tão utilizada em todas as situações. Disso, tento agora auto convencer-me, um dia de cada vez, sem pressas, sem sofrimentos por antecipação, sem análises ou suposições, sem desilusões.
Só mesmo vivendo cada dia, o melhor possível.Certo?
P.S.
Coronabunda está de rastos pois esteve o coronadia de ontem inteirinho colada ao coronasofá. Marcharam duas longas metragens, uma delas "o Irlandês que são só três horas, toda a última temporada da Casa de Papel e os dois últimos episódios do "This is us"
Ui, que não há coronarabo que aguente. Hoje, para me coronaredimir foi dar ao coronapedal uma hora nos rolos e mais meia hora  de coronacrossfit com MaiNovo. Estou nova. Ai, ui.

domingo, 5 de abril de 2020

Dia 84 - 21 "Um post por dia até ao fim do corona"

coronatelegrama.
Domingo.stop.Vigésimo dia de quarentena. stop. Chuva again. stop.
Já me dói a coronabunda. stop.passei o dia no coronasofá e este até já tem coronacovas.stop. já vi quatro episódios da Casa de Papel. stop. Já olhei quinhentas vezes pela coronajanela e já não há coronapaciência. stop. se ninguém mata esse tal de coronavirus, mato-o eu. stop.



sábado, 4 de abril de 2020

Dia 83 - 20 "Um post por dia até ao fim do corona"



Diz quem sabe das coisas que quando finalmente pudermos sair vai estar a chover a cântaros.
Que chova carago, e que seja a um sábado que eu ponho as minhas melhores galochas e o meu maior impermeável e saio por aí a pedalar até cair para o lado. E ainda paro em duas pastelarias, numa como três pasteis de nata e noutra um rim carregadinho de chocolate e um mil folhas de café. Depois paro nas sandochas de leitão ali para os lados de Fátima e acompanho com um copo de frisante e a chegar a casa ainda paro para beber umas minis pretas como recovery. Hei-de chegar a casa a rasca do rabo e das pernas, mas tomo um banho quentinho e vou sair para beber e dançar até de manhã. De manhã, com a cabeça já limpa e o corpo em alerta máximo, não me vou deitar e vou passar o dia a beijar e abraçar as minhas pessoas e todas as pessoas dos outros que encontrar.
E depois acordei!

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Dia 82 - 19 "Um post por dia até ao fim do corona"

Glicinia

Demos por findas as pinturas dentro de casa e segue-se a lavagem do exterior com máquina de alta pressão. A mim, cabe-me ligar e desligar a água e calafetar portas e janelas.
Posto isto, pude voltar a dar as minhas voltas pelo quintal a hora de almoço, seja de bicicleta ou a pé. Ao passar pela glicínia que meu pai plantou há muitos anos, sobressaltou-me o perfume e voltei-me para a olhar de novo. Ainda não está totalmente florida, mas a primavera já despertou nela o que habitualmente desperta em mim, ou seja, uma vontade enorme de desabrochar.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Dia 81 - 18 "Um post por dia até ao fim do corona"

Ficus microcarpa

Termites da casa não param de roer tudo o que apanham e a despensa grita por novas provisões.
Ontem depois do expediente tentei ir ao supermercado e depois a outro, mas cada um tinha cerca de vinte ou trinta pessoas à porta, à espera, ao frio e à chuva. Desisti. Hoje tentei de novo à hora do almoço e a coisa até se deu, a fila era grande mas andou rápido. De facto, a espera e a paciência, neste momento, são das maiores qualidades que podemos ter. Ainda corri a outro supermercado para satisfazer um pedido específico de Mamãe e ao passar no corredor, olhei para ele, ele olhou para mim, segui. Voltei atrás, peguei nele, mirei-o de alto abaixo. Trouxe-o comigo.
Tão pouco para alegrar o meu dia.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Dia 80 - 17 "Um post por dia até ao fim do "

Se me dissessem que eu um dia ainda iria fazer um bolo de maçã e canela na pausa para almoço de um dia de trabalho e iria comer uma fatia quentinha, eu iria chamar tola a essa pessoa.
Se me dissessem que eu um dia iria trabalhar de manta nas pernas e fato de treino e pantufas, eu iria morrer a rir.

terça-feira, 31 de março de 2020

Dia 79 - 16 "Um post por dia até ao fim do corona"


Se um dia alguém me dissesse que eu iria ter o meu Zé Gato como companheiro de trabalho, eu iria rir-me muito ironicamente

segunda-feira, 30 de março de 2020

Dia 78 - 15 "Um post por dia até ao fim do corona"

Ontem à noite retirei do armário toda a minha coleção de gatos para o poder arrastar e o marido pintar as paredes. Comecei por contá-los mas desisti, tal é a quantidade. Tenho gatos provenientes de muitos lugares do mundo, uns que me trouxeram, outros que eu própria trouxe, de cada país, de cada lugar por onde passei. Consigo imaginar-me em cada sítio, lembrar-me dos cheiros e dos sabores, das lojas ou mercados onde os adquiri e dos gatos que lá ficaram para a próxima vez. Consigo ver o que vi, sentir o que senti, viver o que vivi e rir-me do que me ri. Ainda que sentada na minha cadeira, dentro destas paredes em que estou confinada, já corri mundo.
Fui tão feliz e não sabia.

domingo, 29 de março de 2020

Dia 76 e 77- 13 e 14 "Um post por dia até ao fim do corona"

Bom, hoje são dois posts em um mas até podiam ser três ou quatro ou dez que entretanto isto está para durar e os posts vão parecer todos iguais e já não há cu que aguente estar sentada à espera que isto passe com boa disposição e criatividade.
Ontem resolvi ir correr perto de casa como dizem as leis e ao invés de virar para sul até à cidade como faço habitualmente, virei a norte e em quinhentos metros estava no pinhal. Correr no pinhal é bem mais difícil e mais lento por causa dos paus e das pedras mas muito mais agradável. As borboletas acompanharam-me, os passaritos chilrearam à minha volta e a brisa correu entre os pinheiros fazendo arrepiar-me a pele quando passava por mim. Não que tivesse frio, mas porque a sensação de andar na rua tem agora outro significado.

Hoje é domingo e as pinturas levaram um grande avanço, maridão parece um pro nestas andanças e em breve terminará. Se a coisa der para o torto na profissão dele, pode muito bem virar pintor. Eu, dei asas à imaginação e tenho duas folhas de papel cheias de ideias para alterar e transformar  alguns cantos da casa logo que possa deslocar-me para adquirir alguns produtos. Nos entretantos e como tantas outras coisas neste momento, não vão passar do papel.

Não se vislumbra fim à vista para tudo isto e eu sinto-me triste hoje.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Dia 76 - 12 "Um post por dia até ao fim do corona"

Hoje, após o teletrabalho entrei de fim de semana finalmente e fui dar um passeio

Fiz um bolo
Participei numa festa de aniversário por teleconferência e até fizemos um brinde.
Andei todo o dia à procura de Zé Gato e encontrei-o finalmente às seis horas a dormir dentro de uma gaveta
Fui buscar os pintainhos que Mamãe tinha encomendado e acomodei-os no seu T1
Amanhã seguem as pinturas, desta vez na sala de jantar
Até amanhã




quinta-feira, 26 de março de 2020

Dia 75 - 11 "Um post por dia até ao fim do corona"


Começo finalmente a adaptar-me a isto do teletrabalho, como de resto e muito provavelmente, todas as outras pessoas nesta situação. Consigo cumprir o horário, mesmo sem marmita e tendo de cozinhar para quatro ao almoço e já faço isto tudo com uma perna às costas. Uma questão de ter o escritório ao lado da cozinha e ser multifunções, talvez.
Cá em casa o primeiro andar ficou pronto. Em tempos mandei pintar tudo de um amarelo, lindo, o amarelo das revistas de decoração "El Mueble", no entanto, agora quisemos tudo branco e estou a adorar a luz. Linda, luminosa, resplandecente. O branco é de facto uma cor fantástica ou não fosse ela a cor da espuma do mar, das nuvens e do fofo algodão.

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quarta-feira, 25 de março de 2020

Dia 74 - O prometido é devido


Dia 73 - 10 "Um post por dia até ao fim do corona"

Está um dia fantástico lá fora, nem parece que andam bichezas por aí.
Na hora de almoço, peguei na bike e dei umas dez voltas ao quintal até fazer um carreiro por entre as ervas. Fiquei tonta (mais tonta) de tanto andar à roda, mas valeu para o resto do dia. Talvez ainda vos faça um filme da voltinha. Logo depois do trabalho ou amanhã há mais.
Enquanto maridão pinta paredes e tetos como se não houvesse amanhã, Zé Gato anda a rondar a tomar conta da ocorrência. Tem asorelhas e o rabo pintados. Ainda andei atrás dele para o fotografar, mas ele pensou que era um jogo de caça e desatou a correr. Fascina-o o movimento do rolo para cima e para baixo, estamos sempre a espera que se atire em voo para brincar, o que era bonito de se ver, atendendo ao facto que pesa sete quilos.
Supervisionei e reguei as minhas plantações do fim de semana, parece-me que a coisa vai pegar.
Já desisti de pedir a filhos que arrumem cenas e se mantenham quietos. Insistem em ir correr na rua, querem à viva força ir comprar comida para saírem de casa e põe música e jogos em altos berros.
E prontus! Assim vão as cousas por aqui.

terça-feira, 24 de março de 2020

Dia 72 - 9 "Um post por dia até ao fim do corona"

Hoje coloquei uma jarra com primaveras mesmo atrás de mim para aparecer na imagem das teleconferências. Ninguém deu por ela.
Mudei de calças de treino e usei-as com camisa. Por causa dos peitorais, claro.
Os meus colaboradores da empresa familiar, por vezes perguntam quando "despego" do trabalho diurno para prestar os serviços que me cabem nesta outra sociedade familiar. Estão prontinhos três quartos. Pintados lavados, limpos e arrumados. Fizemos ainda algumas alterações em dois deles, ficando apenas a faltar uns pormenores de decoração, adiados para quando isto passar.
O meu "Chef de cuisine" hoje fez pizzas para o jantar. Com massa folhada...
Não saio de casa há 5 dias, altura em que comecei em teletrabalho. Tenho visto o sol da janela mas quando tenho tempo de o ir espreitar ao pátio ou à varanda, já ele se foi. Dever ser isto a prisão domiciliária. Só não tenho pulseira electrónica.


segunda-feira, 23 de março de 2020

Dia 71 - 8 "Um post por dia até ao fim do corona"

Não fossem as tele conferencias bi diárias com imagem e deixava-me andar com o mesmo fato de treino largo e amarrotado, pantufas, cara lavada e cabelo desgrenhado todos os dias.
Assim, é só dos peitorais para baixo.

domingo, 22 de março de 2020

Dia 70 - 7 "Um post por dia até ao fim do corona"

A minha empresa familiar de manutenções vai de vento em popa.
É uma empresa muito versátil e embora não pareça, pois sendo uma pequena empresa com apenas quatro colaboradores é enorme nos projetos que desenvolve.
Tenho pintor, desmontador e arrastador de móveis e pessoal indiferenciado que se ocupa das limpezas, lavagem, secagem e engomagem de roupas, cortinas e tapetes. Tenho também um colaborador de quatro patas que várias vezes ao dia percorre a casa para tomar conta da ocorrência. Tenho ainda vários chef's de cuisine e até uma jardineira. que quando pega no aparador de sebes e na tesoura de podar é um vê se te avias. E para transplantar e semear? Não há pai para ela, apenas tem uma exigência nas condições de trabalho que é haver uma pequena escova para esfregar as unhas e desencardir as mãos.
Tenho por fim de confessar que dois dos colaboradores, se revelaram um pouco debilitados fisicamente. Encontram-se muitas vezes cansados, dói-lhes os braços e as pernas e têm sempre muita fome. Têm de estar sempre a ser motivados e por vezes até, de ser coagidos a colaborar.
A despensa levou um rombo.
Não precisamos de fazer braços com o ginásio improvisado na garagem. Pernas também não que começámos pelo primeiro andar e já perdemos a conta aos degraus que subimos e descemos.
Amanhã é segunda-feira, volto ao teletrabalho.

sábado, 21 de março de 2020

Dia 69 - 6 "Um post por dia até ao fim do corona"

Pois a mim parece-me que pintar paredes, limpar, lavar e arrumar certas coisas adiadas ad eternum e em equipa familiar, uma coisa boa desta quarentena.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Dia 68 - 5 "Um post por dia até ao fim do corona"

Quarentena.
Teletrabalho, muito.
Gostei apesar de tudo, do silêncio, da falta de notícias por não ter ligado tv nem ter visto nem ouvido nada que se relaciona-se com o bicho. Até ao momento.
Gostei da falta de  opiniões e das certezas opostas de uns e de outros a buzinarem-me aos ouvidos. Gostei de não ter tempo de pensar o quão mau vai ser o nosso futuro.
Quase não conseguia vir aqui hoje, mas neste momento já estou de fim de semana. Yes!
Estranho, tudo isto, aparentemente vivemos num filme de ficção científica.
Reclusa na minha própria casa, rodeada dos maus que andam lá fora, eu que preciso de tanto ar...
Bom, agora vou procurar cenas de humor aí pelas redes sociais para me rir um pouco
Adios!

quinta-feira, 19 de março de 2020

Dia 67 - 4 "Um post por dia até ao fim do corona"

Declarado o estado de emergência!
Nada mudou no entanto. Quem se confinou a casa voluntariamente porque o pode fazer continua a inundar as redes sociais sobre os problemas de estar fechado em casa, coitadinhos. Quem está em casa em teletrabalho ou a tomar conta dos filhos, lá vai levando a coisa como pode e quem quem tem de levar isto para a frente porque o país não pode parar e a economia e o dinheiro falam mais alto, continua lá fora a arriscar e a poder levar o bicho para casa.
É é isto. No final de contas não vamos todos ficar santos lá para o verão e as desigualdades continuam, assim como as injustiças. As coisas são como são e assim continuarão apesar de tudo. 

quarta-feira, 18 de março de 2020

Dia 66 - 3 “Um post por dia até ao fim do corona”

Dizem que estamos em guerra.
E sim, parece que estamos em guerra pese embora eu nunca tenha vivido uma guerra.
E estar em guerra não é fácil. Não é fácil trabalhar, ser mãe, ser filha, ser esposa, dona de casa e ser eu em tempo de guerra, quando anda tudo aos tiros. Se bem que alguns são à queima roupa, outros há que são bem certeiros. Adiante que ontem fui sacudir o stress e após a meia hora de corrida à volta do estádio com a ciclovia completamente deserta, iniciei os treinos indoor. Depois da corrida, mais meia hora a pedalar nos rolos, abdominais e pranchas e ainda levantamento de pesos com um aparelho sofisticadíssimo que meu Mainovo engendrou. E cozinhar e pôr roupa a lavar e arrumar e tudo e tudo.
As coisas são como são, e guerra é guerra.

terça-feira, 17 de março de 2020

Dia 65 - 2 do movimento “Um post por dia até ao fim do corona”


Alinhavam-se decisões e afinam-se preparativos. Para o que der e vier, dizem.
Eu, bebo o meu chá e como as minhas bolachas marinheiras sentada à secretária, enquanto teclo um email. Desenxabidas estas bolachas, mas agora que já montei o estaminé de treino na minha garagem posso talvez mudar de bolachas que só me apetece açúcar. Chocolates, bolos, qualquer coisa, desde que seja doce. Olho pela janela e penso como será possível andarem aí bichezas infeciosas com um dia tão bonito. É como os pêssegos do quintal de mamãe, lindos por fora, mas com lagarto dentro. Enquanto isso anda tudo louco e a capacidade de concentração não é muita, no entanto parece que está tudo com muita pressa de fazer um milhão de coisas antes de... 

segunda-feira, 16 de março de 2020

Dia 64 - 1 do movimento “Um post por dia até ao fim do corona”

Bora lá aderir ao desafio:

"Um post por dia até ao fim do corona"



Primeiro pensei fazer posts engraçados e irónicos, tornar a situação leve e divertida para mim e para quem anda por aqui. Depois pensei fazer um diário da minha própria situação dentro do contexto da comunidade onde me encontro para dar a conhecer a minha realidade e um dia mais tarde poder vir aqui ver como foi. Mas depois pensei também, sei lá eu, se vou cá estar para o fazer ou sequer se vou querer recordar estes momentos e por fim, pensei que ainda mal começou e já estou farta desta treta toda quanto mais ainda falar disto, vou masé falar de outras. Neste momento, no entanto, a situação não passa ao lado, é mesmo uma realidade e temos de aprender a viver com ela, se a realidade de cada um ajudar alguém, tanto melhor.
E enquanto não decido o rumo desta tasca, saí de casa para trabalhar e aqui estou eu a fazer as minhas tarefas normais, com algumas limitações, é claro, muitas até, que a maioria das empresas e estabelecimentos têm os seus planos de contingência. Há colegas em casa com os filhos, outros em teletrabalho, o que também eu poderei fazer em breve, almocei num horário desfasado dos outros, lavei as mãos cinco vezes esta manhã, evitei ao máximo deslocar-me pelos corredores e aproximar-me de quem quer que seja. Somos quatro em casa, no entanto...todos foram para o seu próprio trabalho, espero que nenhum de nós leve o bicho para casa.


domingo, 15 de março de 2020

Dia 63 - A coisa está negra

Não vou dizer grande coisa pois já quase tudo foi dito sobre este vírus que, parece, veio para mudar as nossas vidas. À semelhança da maioria das pessoas conscientes, desde sexta-feira que me dispus ao recolhimento seguindo as recomendações. Por ora, não tendo filhos menores de 12 anos, irei trabalhar e até que me digam para não ir ou para me remeter a casa e ao teletrabalho. A pedalada de sábado foi pela serra, como o marido, longe de tudo e de todos, mas hoje, bateu-me cá dentro que tinha apenas dois litros de leite, 1 garrafão de água e 3 rolos de papel higiénico. Pois... E as redes sociais cheias de fotos de prateleiras vazias. Fui. Havia de tudo afinal e trouxe apenas o que tinha em falta pois se tivermos de ficar todos de quarentena, podemos ir às compras, não vale a pena entrar na onda de algumas pessoas. Já agora, qual é a questão com o papel higiénico, que não chego a entender porque todos levam às paletes. Será que o Covid dá problemas de esfincter e eu não sei?
Bom, fiquem em casa e sejam criativos a passar o tempo mas não se matem uns aos outros.
Protejam-se

quinta-feira, 12 de março de 2020

Dia 62 - Ontem


Zé gato ronrona com a cabeça em cima da minha mão e chateia-se quando me mexo. Eu, alterno entre a leitura do livro, os blogues e o tricot sem grande entusiasmo, olho de soslaio para a tv e cabeceio de sono. Tento, noite após noite, dividir o tempo por várias atividades, mas não consigo concentrar-me em nada. Talvez devesse ter ido ao ginásio ou correr para deixar sair o stress. Apesar de todo aquele amontoado de respirares e transpirares perigosos neste momento, venho sempre de lá a sentir-me bem, não sei porquê, mas o exercício físico tira o melhor de mim. pensei, no entanto, no que Macau fez para erradicar o Corona e decidi não ir a lugares muito frequentados por agora e ficar por casa. Zé gato bocejou e foi para outro colo mais sossegado e quentinho, já eu, amontoei tudo na mesinha e estiquei-me a dormitar. Mais um serão passado.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Dia 61 - Em suspenso

Enquanto lavo demoradamente as mãos e desinfeto com o produto disponibilisado a cada canto desta empresa, vou pensando em todas as maçanetas das portas que toquei até chegar à minha sala, nas pessoas com quem falei, nos almoços no refeitório, no casamento em Madrid em Abril, nas férias em Marbela, na travessia de bicicleta já tratada, será que tenho atum suficiente na despensa, com quem andam os meus filhos, como me vou aguentar sem ir ao ginásio ou sem visitar as minhas pessoas. Bahhh! Siga fazer a vida normal que não consigo não respirar e não consigo não viver (apesar de andar com dificuldades há mais de um mês à conta dos pólens) . 

segunda-feira, 9 de março de 2020

Dia 60 - plano de contingência

As calamidades sempre nos trazem algo de bom.
Caminham para o fim os beijinhos e os apertos de mão de circunstância e a (des)conhecidos. Aleluia!


domingo, 8 de março de 2020

Dia 59 - Solidária

Quando tenho um dorsal à frente do guiador e existem classificações, a minha faceta competitiva vem à tona e saio da minha zona de conforto para dar tudo o que tenho e ter boa classificação. O que fazer quando somos formatados assim. No entanto, já não participo em provas de Btt. Neste momento e com a minha idade a avançar, eu quero é usufruir, ver as paisagens, fazer travessias e conhecer lugares e pessoas a pedalar, mas sem me cansar muito.
Hoje, participei num btt organizado e solidário para ajudar uns miúdos da coletividade a irem participar num torneio no estrangeiro (vamos ver se se realiza). Não tinha classificações nem prémios, mas tinha dorsal. Isso e a super competitividade do meu marido, que vem sempre atrás de mim a melgar-me para eu dar ao pedal e ser a primeira mulher a chegar, fez soar aqui as campainhas da competitividade. E foi tão bom. Uma canseira, é certo, mas aquela adrenalina, aquela vontade, aquela coisa cá dentro, sempre a pedir para dar mais fez-me reviver bons momentos. Duros e sofredores mas bons. Estou feliz, ainda não faço muito má figura.

Dia 58 - Foi dia

Dia de usufruir do presente de aniversário que mais gosto de receber.
Circuito de spa e massagem relaxante. Gente! Coisa mais boa, uma gostosura mesmo.  Adoro água e ainda por cima quente, era gaja para passar lá um dia inteiro até ficar engelhada que nem uma velhinha. E a massagem... OMG, que mãos. Precisava daquelas mãos uma vez por semana para tirar as rijezas dos tendões que tenho nas costas. Coisas do stress e da má postura, pois claro.
Não queria eu mais nada né?

sexta-feira, 6 de março de 2020

quarta-feira, 4 de março de 2020

Dia 56 - Marmita analysis


O conteúdo
Há quem as leve a abarrotar e com fruta e sobremesa,  dignas de alimentar uma família inteira, mas não, é só para um e normalmente são feitas por suas mamães para seus riques filhes. Há quem as leve com muito conduto e pouca carne ou peixe, normalmente as feitas pelas esposas, que seus queridos maridos são de bastante alimento mas as cenas estão caras comágaita. E há as das minidoses, normalmente de mulheres e feitas pelas próprias, que não só poupam na despesa, como pretendem manter a linha, mas depois correm para as máquinas automáticas comprar chocolates. Ah, há ainda as do atum com massa ou arroz ou do arroz e massa com atum e os das unidoses compradas no supermercado, que querem dizer que não houve tempo ou não estou para me chatear, ou não tenho quem me faça a marmita nem estou para ir comer fora por isso está mais que bom assim. Há ainda a bela da marmita do peixe com legumes, a do bife de frango com arroz, há a do detox, a da sopinha e mainada, a do prato gourmet e a da galinha caseira.

A lavagem
Há quem lave as marmitas no fim de comer e há quem as leve para mamãe ou esposa lavar. E quem as lava, há os que apenas passam por água que em casa vai para a máquina, há os despachadinhos, os lentos, os super lentos que primeiro molham, depois esfregam e depois tiram a espuma e finalmente  os que tocamaobicho á marmita de-mo-ra-da-men-te até fazer uma fila de desesperados e com pressa de ir fumar o seu cigarrito ou apanhar ar antes de voltar ao trabalho.

A secagem
Há os que limpam as marmitas com os panos coletivos, os que levam o seu próprio pano e os nojentos, que usam as toalhas de papel das mãos e da boca para limpar a dita.

A bebida
Há os da água a acompanhar, os dos refrigerantes e os que simplesmente não bebem nada.

Eu
E depois há eu
Minidose em recipiente de vidro, lavo super despachadinha, seco com pano próprio e faço-me à vida.
Não bebo nada, só café. A fruta, como-a entre as refeições, mas vou por vezes à máquina dos chocolates. Muitas vezes, vá. Levo muito arroz, arroz com peixe, arroz com carne, arrozdisto e daquilo. Adoro arroz. Quando não sobra nada do jantar porque as minhas termites devoraram tudo, vou comer fora e mainada.

O que é que isto vos interessa, não sei, mas gosto de observar cenas curiosas.

terça-feira, 3 de março de 2020

Dia 55 - Estranhamente estranha



Gosto que me dêem alguma atenção, mas ser o centro das atenções no meio de um grupo, assusta-me.
Ser transparente de forma a que ninguém me veja ou ser ignorada desgosta-me, mas ter todos à minha volta a dar-me beijos ou a tocar-me e à espera que eu fale, enerva-me.
Ter que participar em conversas de “chacha” encanita-me os nervos, especialmente se as conversas andam à roda de falar de fulano e sicrano, filho ou tio ou primo de alguém, porque eu nunca sei quem é ninguém, nunca estou a ver onde moram, nem o que fazem, nunca sei que se divorciaram ou se são pais deste ou daquela.
E nunca sei essas coisas porque o meu disco rígido não tem essa parte, veio com defeito.
Não gosto de ser a primeira a chegar aos eventos, mas também não gosto de ser a última nem de fazer entradas triunfais.
Não gosto de estar mal vestida ou descabelada ou desleixada, mas também não gosto de ser a estrela da festa. Definitivamente não aprecio ser aquela para quem todos olham seja por que razão for, fico sempre a achar que me caiu um dente ou tenho a saia presa nas cuecas e o cu à mostra. 
Gosto de um elogio, mas nunca me acho a última bolacha do pacote, até pelo contrário, nunca estou cem por cento segura, acho sempre que estão a ser só simpáticos comigo. 
Não gosto de dominar as conversas, não gosto de meter conversa com desconhecidos, mas gosto que me deixem falar quando quero intervir ou então não abro mais a boca para deixar os brilhantes brilharem. Não tenho a pretensão de ser adorada por todos, ou de ser a mais conhecida, ou a mais popular ou a mais seja o que for, mas também não quero que pensem que sou uma pindérica, ou antipática, ou que tenho o nariz no ar ou a mania de importante e superior.
Não preciso de companhia para ir às compras nem de alguém para estar à mesa comigo, ou para pedalar ou correr ou ir ao gym, faço tudo muito bem sozinha e na boa.
Contrariamente, por vezes queixo-me que estou muitas vezes sozinha, mas adoro a minha solidão e poder fazer o que me dá na real gana. O que gosto mesmo é de me queixar, talvez seja uma forma de pedir mimo.
Adoro cometer loucuras, mas transtornam-me as quebras de rotina.
Não gosto de pedir favores nem gosto muito que mos peçam a mim.
Uf! é melhor parar por aqui.
Sou mesmo esquisita eu. E sei que sou.

Dia 54 - Em modo azedo


Engraçado (é uma graça do carai, é, é) é quando põe e dispõe de ti achando que és uma mula de carga a quem todos os dias metem mais sacos de milho no seirão para carregar e te acenam com uma pequena cenoura, achando que ainda tens é sorte de ser uma mula de carga e ainda se esquecem de te dizer que afinal tens mais uns sacos para levar…

segunda-feira, 2 de março de 2020

Dia 53 - Madre Teresa de Calcutá


Há opiniões alheias que me cansam. Gosto de as ouvir, pensar sobre elas e até dissecá-las se as achar interessantes ou com algo em comum com as minhas. Mas quando começam a bater a mesma tecla, dia após dia, semana após semana, como se isso fosse a única e absoluta verdade e não uma mera opinião pessoal e fazem disso cavalo de batalha e ainda, disparam em todos os sentidos, quando toda e qualquer conversa, ideia, brincadeira, ou seja o que for vai parar ao mesmo, ainda por cima deprimente, negativo e negro que nem breu, ó pá, fodei-vos. Vão masé dar banho ao cão.

domingo, 1 de março de 2020

Dia 52 - Barril

Todas as minhas pessoas nasceram às revoadas em resumidamente três meses do ano, agosto, novembro e fevereiro. Mais coisa menos coisa, vá. Não sei o que terá dado a esta minha gente, para se dividirem assim em grupos mensais. É que além de ser um rombo financeiro em presentes, todos na mesma altura, não se consegue em três meses, comer tudo para o resto do ano. Bem que se podia fazer uma escala, para ser uma festa em cada mês, mas não, há meses que é dia sim, dia não. Ainda por cima, este ano até houve o tal do vinte e nove de fevereiro, que há quatro anos não havia e foi dia de mais um aniversário e amanhã, esgotarei por fim o plafond de festas. Uf!Até que enfim pois estou que nem posso e nem sei como regressar à linha que está por ora uma linha redonda, assim mais para o barril.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Dia 50 - Viver


Tenho tentado viver descontraída e descomplicadamente ao sabor dos acontecimentos para não sair defraudada ou desiludida com as ideias e objectivos que por aqui fervilham e não consigo concretizar.
Não sei, no entanto, viver assim. Isto de navegar ao sabor da onda e sem mão no leme, sem terra à vista por que navegar, deixa-me a vida morna e sem sal.
Talvez por isso, além de cenas várias que me dão na real telha e faço, repentinamente e sem pensar, tenho sempre uma lista, nem que seja mental, de objetivos a realizar e nos quais penso e planeio todos os dias. Podem ser objetivos vários, melhoramentos ou mudanças em casa, viagens, compras, poupanças, enriquecimento pessoal, quer seja a nível de conhecimentos, relacionamentos, desafios físicos e ou mentais. Muitos não dependem apenas de mim, claro, e aí o esforço é ainda maior pois é preciso fazer com que todos remem no mesmo sentido, mas esses têm um gostinho ainda mais especial quando concretizados.
E dos vários deste ano, ando a preparar-me para um que me faz fervilhar o sangue nas veias pois envolve, autocarro, comboio, pernas e bicicleta com alforges.
Gente, os preparativos vão de vento em popa e os treinos já começaram. Só este fim de semana pedalei duzentos e dezassete quilómetros e caminhei dez na serra, além de ter dançado e pulado no sábado até às três da manhã. Bom, ontem estava de rastos, mas depois de uma boa noite de sono e descanso, acordei prontinha e feliz para ir para o trabalho.
Gente! A primavera já chegou à serra, assim como as flores e a passarada. Foram dez quilómetros de pura felicidade.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Dia 49 - Máscara

É fingir que somos o que não somos, é encarnar um personagem, é ser desinibido por nos sabermos protegidos por uma carapaça que não é a nossa.
Nada que um sem número de pessoas não faça todos os dias, mas no Carnaval é mesmo suposto.
Quanto a mim é pura diversão e este ano não fugiu à regra. Vai para mais de trinta anos que eu e meus amigos nos mascaramos e saímos para dançar e nos divertir. Houve uma altura até, quando a filharada era pequena que íamos todos  e vestidos de igual, chegávamos a ser mais de trinta. Hoje, cada filho vai com o seu próprio grupo e nós, os de sempre, mantemos a tradição e lá vamos. Confesso, a minha vontade já não é a de outrora e os três dias foram reduzidos a um para matar o bicho. As noites de folia demoram agora a recuperar :)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Dia 47 - Aquele lugar

A que chamamos de lar mas onde não é só a visão que se nos tolda ao entrar mas também todos os outros sentidos. Podia entrar de olhos vendados que o reconheceria pelo cheiro que é inconfundível. O cheiro a corpos gastos e cansados as caras apáticas, vazias de vida e tristes de tristeza profunda, à espera de gente que lhes passe a mão nas mãos, à espera de rostos conhecidos que nem sempre se reconhecem. Aquele lugar dói. Nem dói somente por ser aquele lugar, acho que a velhice dói, a tristeza dói, a doença e a solidão doem. Demais... 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Dia 46 - Calores de inverno

Caramba, nunca li por aqui nada sobre este flagelo que me assola e me aflige e que provavelmente é secreto e é melhor esconder ou então é tão banal que nem vale a pena falar dele. Não sei. São Calores, senhores, calores, pelos vistos próprios da idade. Em calhando, nem devia falar disto pois em calhando sou só eu que me encanito, pois pelo que sei, o mulherio encara estas cenas com descrição e toda aquela maturidade que a idade lhes traz. Porra!! Onde estará a minha?
É um veste e despe em segundos, é um transpira e seca num ápice, é um abrir e fechar de janela mais um liga e desliga aquecimentos, que até espanta quem me rodeia. 
Gente! Entre um deita de pijama e um acorda de repente esbaforida, despe, vai à varanda a correr em cuecas para arrefecer, arranjei um valente constipação. Cof, Cof, atchim!
Mas porque é que nós gajas é que temos de ter tudo ein?