terça-feira, 16 de junho de 2015

Vergonha



Helena seguia no seu passo curto e apressado, não sabia muito bem para onde. Naquele dia, curiosamente e ao contrário de em todos os outros dias, não sabia onde se dirigir, absorta que estava em seus pensamentos. Seguia em frente, virava à direita, depois voltava para trás, virava à esquerda, a cabeça baixa e o semblante carregado. Parecia carregar o mundo às costas.
Conhecedora de que errar é inerente à condição humana, que errar faz crescer, aprender, discernir com exatidão o que de mais certo existia na vida, sabia porém, que esquecer seus próprios valores e deixar-se ir pelos valores de outros, errando deliberadamente, era tudo o que não queria para si. Vergonha era o que sentia... 

22 comentários:

  1. As Histórias estão de volta, Boa! ;) - apercebi-me agora que a do dia 9 passou-me ao lado.
    Beijos

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    1. :) há dias em que apetece vestir um personagem :))

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  2. Estou a gostar de ler as tuas histórias :)

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    1. Gostava de saber escrever a sério, ficariam muito mais bonitas :)

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  3. Com estas histórias fica-se a pensar no que aconteceria a seguir...
    :-)

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    1. Aplica-se a tantas possibilidades... cabe a cada um imaginar o resto :))

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  4. A consciência do erro e o desejo de não querer passar por cima dos seus valores (ainda que já o tenha feito) dá espaço para um novo recomeço.
    Beijinhos Gaja

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    1. e para a aprendizagem e para sermos melhores pessoas :)

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  5. Gosto destes mini-contos ... deixam-me sempre a pensar! :)

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  6. Quando é vergonha de nós próprios, pedimos desculpa e seguimos em frente, no mesmo passo, o nosso. Quando é vergonha dos outros, por nos termos enganado numa avaliação de alguém que acabou por se mostrar indigno do nosso respeito, resta-nos manter presos àquilo em que acreditamos e dar valor a quem no-lo merece :)

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    1. Aplica-se a ambos os casos e a muitos outros. Resta-nos remediar a situação, aprender com ela e seguir em frente, no nosso passo :)

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  7. Por vezes, acontece desviar-nos do nosso trilho e perdermo-nos por caminhos que não são nossos. Faz parte do percurso que cada um tem de seguir e a vergonha é, por vezes, uma bússola que nos indica o caminho certo. Gostei muito do texto :)

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    1. Assim deve ser, não somos perfeitos e o erro e a vergonha de percorrer caminhos que não são nossos faz parte das nossas vidas. Aprendamos com eles :)

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  8. Isto está cada vez mais emocionante...

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    1. Não te apoquentes Ricardo, vai não vai dão-me estas coisas, mas passa :)))

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  9. A vergonha pode roer-nos por dentro, pedaço a pedaço. Independentemente da razão, não é um sentimento agradável :)

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    1. Não é, mas olhemos para ele como uma possibilidade de recomeço :)

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