quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Sou

"Não  suporto meios termos. Por isso, não  me dou pela metade. Não  sou meio amiga nem quase seu amor. Ou sou tudo ou não  sou nada".

Clarice Lispector

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sol!

Ainda me estou a refazer do dia inteiro que passei ontem em casa entre o sofá e a cozinha e a cozinha e o puf frente á  lareira, mais às  merdas que vi na TV e as que li, as festas que fiz ao gato, as vezes que me dirigi á  merda do armário  da casa de banho que precisa ser limpo e arrumado  e voltei para trás  porque não  me apetecia mexer um dedo. Ainda não me refiz da  puta da vontade que não  tive de tomar a decisão  de calçar  umas galochas e vestir um impermeável  e sair para a rua quanto mais não fosse para ser levada pelo vento ou apanhada pela chuva. E não pedalei! Hibernei! Um hibernamento tal que só  há pouco reparei que havia sol... yuuppiii!

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Sempre vale a pena quando a arte de amassar não é pequena

Foi quando deitei os primeiros grãos de terra em meu pilão para de seguida lhe juntar algumas sementes, talvez salsa ou coentros ou mesmo outras ervas com mais substrato como me sugeriu a Nina, para que germinassem e florescessem já que a minha arte de amassar não fazia jus a tão nobre utensílio de cozinha e dado-lhe assim alguma utilidade, que ele, o meu pilão, olhou para mim com aqueles seus olhos tristonhos e a meia haste como que implorando que o não fizesse, que lhe desse uma segunda oportunidade, que juntos ainda seriamos muito felizes amassando em conjunto alhos, sal, pimenta e outras ervas, massa de pimentão, azeite, banha de porco e por aí.... 
De lágrima no olho de tão comovida com tal pedido mudo, feito apenas com o olhar, hesitei, parei de deitar a terra e decidi-me por fim pela tal segunda oportunidade. Agarrei-me ao pilão e toca de lhe colocar vários ingredientes, amassando sem cessar, fazendo uma pasta com que iria barrar a carne. Pilão estava feliz da vida, sempre a dizer que desta vez é que era, que iria correr tudo bem, que o cozinhado iria ficar tão, mas tão bom, digno de uma estrela Michelin até e que ninguém iria reclamar. Entusiasmada assim fiz, barrei a carne, juntei vinho branco e esperei pelo dia seguinte. Tabuleiro ao forno durante duas horas et voilá, estava delicioso. 

Estou orgulhosa de mim e do meu pilão :)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Ode

Agora imaginem-me de tranças e fato comprido, não, não é um robe, imaginem umas vestes de seda, debruadas a oiro, super adequadas para dias de chuva,  sentada num banquinho no alpendre, desculpem, pérgula, de lira ao colo e a dedilhar as cordas. Estou rodeada de gatos e os passaritos vão  chegando a cada acorde instalando-se nos barrotes do telhado. A buganvília dança  na minha frente e as orquídeas enxotam os caracóis  e as lesmas que se aproximam nestas alturas de chuva para as comerem.
Entre miados, chilreios, mais a minha voz de cantora lírica, está  ali a barraca armada.
Ah! Já me esquecia de vos elucidar, a música vem do gira discos, que eu cá não  sei tocar lira, muito menos cantar.

Ora vamos lá, cantem comigo:

Não  há  chuva não  há  vento
Nada que me turve o pensamento
Ó tristeza vai-te embora
Que é  chegada a tua hora
E se teimas em ficar
Até  os meus pés  molhar
Vou até  ao fim do mundo
Só  para te parar

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Três tristes dias

Daqui vejo o dia em vários  ângulos  e está  cinzento e triste em todos eles. A borrasca cai incessante há  horas, há  dias, há quase três tristes dias. Pingos de chuva juntam-se e em conjunto escorrem pelos vidros deixando-os com riscos de água, parece que choram. Faz três tristes dias. As árvores abanam lá fora, dançam ao sabor do vento e alheias, tremem, gemem, parece que sofrem. Já lá vão tres dias. Os pássaros que observo todas as manhãs a saltitar no relvado do estacionamento e de árvore  em árvore,  desapareceram, não sei onde se resguardam nestes tristes dias. Os cães  da casa ao lado  não estão  como sempre perto do muro a ladrar, faz três  tristes dias. Da receção não chegam gargalhadas e nos corredores não  se vêm sorrisos.
Os carros que passam na estrada levantam aquela babugem que se espalha no ar e esse ar, húmido, pesado, triste, tudo engole á sua volta. Vejo rostos cinzentos, de escuro vestidos, afundados nos ecrãs e a carregar nas teclas lentamente. Parece geral a borrasca. Faz três  tristes dias....
Se se pudesse beber um birinaite na empresa, era hoje.

Pilão

Dos pilões que conheço, um é "o pilão", contrário de pilinha ou pila grande, portanto, e o outro é encher o copo e beber tudo até á última gota sem parar para respirar, o que se chama de "beber de pilão". Mas família tem reclamado os meus cozinhados, eu cá acho que são tão bons que nem sei como isto acontece, mas cansada de os ouvir, andei a pesquisar novas receitas. Algumas das receitas mencionavam  o  esmigalhar e amassar dos temperos no tal do pilão. Foi então crescendo em mim uma enorme vontade de ter um. Sogra que é um ás na cozinha tem um pilão, mãe, para onde os meus filhos correm quando os meus cozinhados não lhe aprazem, tem um pilão. Chefes que são chefes de cozinha em condições, têm todos um pilão. Ora, se eu tivesse um pilão, quem sabe, seria também eu, uma chef de cuisine. Corri tudo quanto é loja á procura de um pilão e aparentemente já não se usa e não seria fácil de encontrar, mas eu que cismei que haveria de ter um pilão, procurei, procurei e encontrei! Não resultou no entanto. O que é que eu agora faço ao raio do pilão? Planto lá dentro uns pezinhos de salsa?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Em que é que ficamos?

Disseram-me na semana passada dos estúpidos que estavam em vias de extinção. Esses e os parvos de merda. Há  pouco vieram dizer-me que cada vez há  mais....
Em que é que ficamos?