Assim que abriu a porta para deixar os netos numa suposta festa de aniversário, a sala irrompeu a entoar os parabéns e a bater palmas em ritmo acelerado. O susto e a surpresa foram tão grandes que o homem largou-se a chorar encostando-se à parede para melhor de apoiar e respirar fundo. Quem viu aquela emoção chorou também, assim como chorou no abraço apertado com cada uma das suas pessoas e ainda com o filme de memórias e de gratidão que a filha e os netos lhe prepararam. Afinal eram setenta anos de história, de amor e de alegrias. O abraço tão sentido entre eles então comoveu o mais duros dos presentes. Foi uma tarde muito emotiva aquela.
Mostrar mensagens com a etiqueta Familia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Familia. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 24 de outubro de 2017
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Utopia
Já sonhei muitos sonhos.
De um malmequer cheio deles fui puxando cada pétala, umas demoradamente após grande espera e uma ainda maior luta, outras numa tão grande pressa que quase as deixei cair. Cada pétala, cada concretização de um sonho. Algumas pétalas estão ainda por tirar, outras, desisti delas. Não porque a pétala fosse difícil de puxar mas porque substitui o malmequer.
A pétala da utopia contém um grande sonho e já o sonho há uns quatro anos. Este sonho continuará comigo até que não mais consiga sonhar com ele.
Eu, ele, uma autocaravana, duas bicicletas e muito tempo e dinheiro para correr mundo pedalando.
Nada demais não fosse este um sonho para realizar algures num fututo longínquo após filhos encaminhados, profissões finalizadas e mais umas quantas situações resolvidas. Utopia...
Será que nessa altura ainda terei força nas pernas para pedalar?
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
A TV
Não sei bem precisar o ano mas abrindo as gavetas da minha memória, sei que foi no ano seguinte á revolução de Abril ou no outro. Em uma dessas gavetas também, vejo-me criança ainda na escola primária, estava calor e eu passava a tarde em casa. Lembro-me que não estava de castigo, pois a muito custo lá tinha comido a sopa. Eu nunca tinha fome e nunca queria comer, passava muitas tardes de castigo sentada á mesa até que chegava a hora do lanche e eu lá comia pão com marmelada. Aí era devolvida á minha liberdade mas sempre com o sentimento que no dia seguinte teria de comer.
A tarde ainda ía a meio quando ouvi o carro de meu pai chegar. Do alto da minha inocência pensei porém que tal não era habitual e que provavelmente não seria bom sinal, reparei no entanto minha mãe a olhar de soslaio para mim com um sorriso nos lábios sem que eu percebesse, pensava ela. Menos mal.
Corri lá fora e já meu pai tirava uma grande caixa da mala do carro dirigindo-se para a sala. Retirou a televisão do móvel onde se encontrava e cuidadosamente foi abrindo a caixa. Tirou de lá uma nova TV colocando-a meticulosamente no lugar da anterior. Enquanto eu dava pulinhos de roda deles fazia mil perguntas ás quais ninguém me respondia. Por que raio teriam comprado uma nova TV se aquela ainda estava boa? Com movimentos vagarosos mas certeiros e carregados de perícia, como em tudo o que metia as mãos, meu pai ligou o aparelho á tomada, ligou, sintonizou.... Era uma televisão a cores! A primeira da minha rua e um aparelho do futuro de que todos falavam e desejavam um dia possuir. Saltei, gargalhei, abracei os meus pais tanto mas tanto que quase os esganei. Minha irmã apareceu vinda do quarto e juntou-se á festa. Meus pais não cabiam em si á conta da felicidade que nos tinham proporcionado.
No dia seguinte e nos outros, toda a garotada da rua ía lá para casa ver os desenhos animados a cores até que um após outro todos foram tendo também a sua própria TV a cores.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
O melhor de nós
Das inúmeras pessoas que passam pelas nossas vidas, umas são céu, outras são inferno, mas todas mesmo todas nos ensinam algo.
Todas nos ensinam, quanto mais não seja, alguns golpes de karaté, umas quantas saídas ninja e alguns diálogos mais para o monólogo. Algumas levam-nos a deflagrar incêndios, a lançar dardos e a usar armaduras. Muitas levam-nos a construir bunkers.
Valham-nos no entanto as que nos ensinam a lamber as feridas, a levantar a cabeça e a seguir em frente. Valham-nos as que sempre acreditam, as que depositam em nós confiança, as que nos ensinam e nos amam. Valham-nos as que nos abraçam e nos dão a mão, quer estejamos no céu ou no inferno e para as quais não necessitamos de bunkers. Valham-nos as que tiram o melhor de nós.
Tenho muitas, sou feliz.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Eu ja venho
Sou moça de aquário cujas palavras chave dizem ser excentricidade, criatividade, liberdade. Dizem tambem que sou altruista, anárquica , progressista, solidaria. Um doce de moça portanto.
Calhou-me no entanto estar rodeada de escorpiões. ..
Sim, esses, os emotivos, decididos, poderosos e apaixonados. Mas também ciumentos, compulsivos e obsessivos, ressentidos e teimosos.
Ando aqui então numa roda viva a dividir-me em comemorações. Todos os anos tenho um inicio de Novembro atribulado sempre por bons motivos pois comemorar aniversarios é bom por muitas e variadas razões. Eu já venho ok?
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Então, vocês também pedem biscoitos?
Foi segunda feira todo o santo dia, embora lá mais para a tarde começasse a parecer-me que afinal já era terça, como aliás me acontece todas as semanas. Custa a arrancar, mas depois lá entro em modo cruise control e depois é sempre a rolar. Muitas vezes travo, noutras acelero e lá se vai o cc, mas no fundo isso até dá pica e emoção à semana. Sendo então segunda feira, e como há muitas semanas a esta parte, começo logo com uma reunião de trabalho que normalmente dura toda a manhã. Aí pelas doze horas começa a dar-me a paradinha e a falta de concentração. Hoje, num desses momentos em que o meu pensamento vagueia, embora contrariado por mim, mas sempre armando-se em teimoso, que me passou aqui uma lembrança a correr "Ó mãe, não pedes um biscoito?"
Pois foi numa tarde já longínqua, eram os meus filhos ainda pequenos, em que fui com eles às compras. Escolhemos algumas coisas, experimentaram e dirijo-me à caixa. Na parte em que saquei do cartão e o entreguei para efetuar o pagamento, sai-se um dos pirralhos, que mal tinha altura para chegar ao balcão a dizer:
"Ó mãe, mas tu não pedes um biscoito? Vais pagar sem pedires um biscoito?"
"Mas porque haveria eu de pedir um biscoito à senhora, filho" E porque alguém, numa loja de roupa, haveria de ter biscoitos para dar aos clientes?" perguntei-lhe a piscar o olho à vendedora em jeito de pedido de desculpas.
"Então, eu quando vou com a tia e ela vai pagar pede sempre um biscoito"
Ummm! Pensei, aquela não bate bem da bola com certeza. Paguei e viemos embora. Pensei nisso durante dias, não conseguindo compreender a lógica da coisa.
Foi então, numa segunda feira cinzenta p'ra caraças, muitos dias mais tarde, que se me fez luz e me ocorreu a solução para tal cluedo.
Biscoito = desconto!
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
"Figo"
Figo é o seu nome, claro, ou não fosse o cão supostamente de guarda de uma casa com três futebolistas, a minha.
Para cão de guarda faltou-lhe o perfil. A boca grande e os dentes afiados ainda vá que não vá, mas o porte mais para o gordo do que para o atlético, os olhos meigos e as lambidelas que dá a toda a gente, fazem dele o Labrador mais meigo e bonacheirão que conheço.
Veio com 9 meses e já latagão, para estimular a responsabilidade de MaisVelho, tarefa em que não teve sucesso, sendo que MaisVelho não é apegado a animais, muito menos a responsabilidades, tinha no entanto uma forte apetência para roedor. Roeu macieiras e pereiras com 60 anos, cercas, redes, roupa e sapatos, tapetes, brinquedos, roseiras e hortênsias. Desenterrou ainda duas buganvílias enormes e vários arbustos, o que lhe valeu um apartamento com quarto e sala contígua. Tudo o que cai naquele AP é roído, incluindo vários recipientes para comida e água, brinquedos e mantas. Agora como do chão e o bebedouro é de cimento.
Figo é um doce, são aí uns 40 kgs de cão, mas pelos vistos, é muito revoltado por ter de viver no seu AP e todos os santos dias, quando vai dar a sua voltinha, larga a correr quintal fora, usando as patas e o focinho para abrir as portas dos galinheiros e dos patos da vizinha que amanha o quintal de Mamãe. Ora, a bicharada de duas patas sai para o paraíso e devora as couves, os feijões verdes e as alfaces da senhora. Obviamente, está logo o caldo entornado. Pois eu, tenho uma cana e todos os santos dias antes de ir para o trabalho, ando pelo quintal fora a reunir suas excelências, os das penas que comem os verdes da vizinha e a distribui-los pelos seus quartinhos no condomínio. Sempre sonhei ser pastora, vá.
Quanto a Figo, quase posso jurar que lhe vejo um sorrisinho irónico no canto das beiças, o sacana, quando olho para ele já deitado de barriga para o ar à espera das festinhas que lhe faço antes de ir embora.
Parte-me o coração ter de lhe fechar a porta do AP, mas caso contrário arrisco-me a chegar a casa e não ter casa...
terça-feira, 14 de julho de 2015
A vida como ela é
Saíram hoje os resultados dos exames nacionais. MaiNovo terminou o 12º ano com sucesso e chegou a hora. E a hora repete-se... Mais um que vai voar com as asas que lhe demos à procura de um futuro. Um futuro desconhecido, incerto, mas apesar de tudo um futuro carregado de esperança. Por enquanto pois pensemos numa coisa de cada vez. Se o futuro é amanhã e amanhã tudo pode acontecer, tenhamos então esperança no amanhã.
Um misto de emoções percorre-me, um misto de orgulho e de angústia, um misto de alegria e de medo ao saber que daqui a uns meses se tudo correr bem, ele vai para longo voar sozinho. Quero e não quero. Aliás, quero, faço gosto, anseio pelo futuro dele, mas não posso deixar de pensar que a casa vai ficar ainda mais vazia.
É a vida como ela é. Assim.
sábado, 11 de julho de 2015
Querido, encolhi a casa
Cada vez que me ponho a fazer limpezas, arrumo/escondo, dou e meto para o lixo coisas e mais coisas que não servem para mais nada senão para limpar. Quando o marido se põe a olhar à procura de alguma coisa que já não está no lugar habitual até tremo, são caixas e caixas de tralha de tudo o que possam imaginar que a minha sogra foi guardando desde que ele nasceu e lhe mandou para cá e que eu "guardo". É verdade que também eu, vou guardando coisas ao longo dos anos, coisas que me falam ao sentimento, mas vocês não imaginam a quantidade de cadernetas de cromos da bola que eu tenho ali dentro de um arquibanco e os cartões da escola, e os troféus do todo o terreno e do futebol e dos rallies e as coleções de revistas e jornais e os carrinhos e... Mas não é só ele, MaisVelho faz coleção de isqueiros, MaiNovo faz coleção de latas de bebidas e eu faço coleção de gatos. Ai a minha coleção de gatos, são gatos às dezenas. A cada lugar onde vou, trago uma gato, amigos, familiares e conhecidos, trazem-me gatos. Ele é gatos da Tailândia, da Suécia, da Escócia, dos States, da Alsácia, eu sei lá, é almofadas, gatos, chávenas gatos, marcadores gatos, é para ali uma gataria vinda dos confins do mundo que já nem sei o que fazer àquilo tudo. E limpar todas estas porcarias??? Minha nossa! Mas para que é que uma pessoa faz coleções de coisas?
Raio de ideias parvas.
Segunda-feira vou comprar mais umas caixinhas, vai tudo parar à garagem. E quando não conseguir enfiar lá o carro... não sei, talvez venda os móveis e os sofás e nos sentemos e comamos em cima das caixas. Ou isso ou meto fogo a tudo.
Bom, fartei-me das limpezas e fui pedalar. E nada como uma pausa à beira mar para uma fartura.
Ai que estava tão boa.
Raio de ideias parvas.
Segunda-feira vou comprar mais umas caixinhas, vai tudo parar à garagem. E quando não conseguir enfiar lá o carro... não sei, talvez venda os móveis e os sofás e nos sentemos e comamos em cima das caixas. Ou isso ou meto fogo a tudo.
Bom, fartei-me das limpezas e fui pedalar. E nada como uma pausa à beira mar para uma fartura.
Ai que estava tão boa.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Somos quatro
Já lá vai o tempo em que a azáfama e a atrapalhação tomava conta das nossas quatro vidas todas as manhãs. Andávamos feitos baratas tontas cada um em sentidos opostos a fazer funcionar as manhãs. Era um custo fazê-los acordar e levantar, era uma canseira lavá-los e vesti-los, uma chatice fazê-los comer o pequeno almoço, metê-los no carro e deixá-los no infantário ou na escola a horas de chegar a tempo ao trabalho. Por vezes bastava uma birra daquelas teimosas para deitar por terra os nossos horários e a calma e discernimento necessários para iniciar um árduo dia de trabalho.
Por isso as minhas manhãs foram começando cada vez mais cedo para que não houvesse atrasos nem stresses de maior pois faço questão de ser pontual em tudo.
Esse hábito, o das manhãs, entranhou-se, enraizou-se, foi ficando e ainda hoje me levanto cedo, aprecio a calmaria, gosto do meu tempo, das minhas rotinas matinais.
Ainda somos quatro, cada um com o seu acordar, cada um com uma velocidade diferente, cada um com os seus passos, certos e iguais todos os dias (quase todos). Cruzamo-nos pela casa, cada um nas suas rotinas, os quatro sincronizados e nunca chocando uns com os outros. Parecemos peças de um puzzle, únicas e individuais mas que encaixam umas nas outras quais autómatos programados.
Todos têm tarefas definidas, um abre as janelas e vai ao pão, outro dá comer aos gatos, dois fazem a cama, dois estendem roupa, dois põe objetos nos lugares, aliás, dois fazem tudo e outros dois levantam-se calmamente, arranjam-se, comem e saem para as suas vidas, ainda assim somos quatro e temos um acordar tranquilo, que nos faz enfrentar os dias serenamente (nem sempre). Gosto das minhas manhãs de hoje.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Médicos online
MaisVelho dirigiu-se ao catálogo online de sintomas e doenças e decidiu que tinha sinusite. Telefonou-me e queria ir às urgências. Ok!
Em chegados à porta do SAP viu cerca de 10 pessoas à espera e nem sequer quis entrar. Ok!
Fiquei danada e não lhe dei mais confiança, não devia estar assim tão doente. Ok!
De volta a casa decidiu que tinha de pôr gotas no nariz. Ó Mãe... Não havia.. Ok!
Após nova consulta ao catálogo de sinusites, sintomas e tratamentos, queria rhinomer.
Ó Mãe... não havia. Ok!
Voltou depois e queria soro fisiológico. Ó Mãe... Estava fora do prazo. Ok!
Depois queria um conta gotas. Ó Mãe... Ok!
Depois queria colocar água e uma colher de sal grosso dentro de um mini frasco conta gotas.
Ó Mãe... Ok!
Chocalhou, chocalhou, voltou a chocalhar, enfiou nariz a dentro e assoou-se. Ok!
Repetiu vezes sem conta este processo, Ok!
Está melhor...
Em chegados à porta do SAP viu cerca de 10 pessoas à espera e nem sequer quis entrar. Ok!
Fiquei danada e não lhe dei mais confiança, não devia estar assim tão doente. Ok!
De volta a casa decidiu que tinha de pôr gotas no nariz. Ó Mãe... Não havia.. Ok!
Após nova consulta ao catálogo de sinusites, sintomas e tratamentos, queria rhinomer.
Ó Mãe... não havia. Ok!
Voltou depois e queria soro fisiológico. Ó Mãe... Estava fora do prazo. Ok!
Depois queria um conta gotas. Ó Mãe... Ok!
Depois queria colocar água e uma colher de sal grosso dentro de um mini frasco conta gotas.
Ó Mãe... Ok!
Chocalhou, chocalhou, voltou a chocalhar, enfiou nariz a dentro e assoou-se. Ok!
Repetiu vezes sem conta este processo, Ok!
Está melhor...
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Glicinia
Lembro-me sempre dele quando olho a glicinia em flor, as folhas tão verdes, as flores de um lilás tão vivo, o aroma tão intenso a primavera. Gosto de passar perto e inspirar aquele aroma, imagino-me no paraíso.
Parece até que ainda o vejo, todos os sábados, pendurado no escadote a atar e cuidar das braças que teimam em se espalhar por sítios que ele não quer. Tudo é cuidadosa e meticulosamente projetado e executado por forma a atingir a perfeição por ele idealizada, como de resto, saía perfeito tudo o que fazia.
Sábado após sábado eu ia ver qual era o projeto daquele dia e todos os anos por esta altura eu lhe dizia que cortasse uma braça da glicinia e ma plantasse num vaso. Eu queria uma glicinia daquelas no meu jardim, plantada por ele.. Todos os anos ele acabava por se esquecer.
Foi já no hospital, poucos dias antes de partir na sua eterna viagem para o céu que meu pai me disse, assim do nada, que fosse lá a casa e que perto do poço estava um vaso com uma glicinia plantada e já em fase de crescimento para mim.
Ainda não a trouxe, mas quase todos os dias vou ver a dele.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Identidade
Se é certo que os casais que partilham os mesmos gostos e fazem coisas em conjunto, estreitando laços, alimentando a cumplicidade e estando mais tempo juntos têm, na maioria das vezes, uma relação mais saudável e feliz, também é certo que os casais não têm forçosamente de partilhar os mesmos gostos. Cada indivíduo é único e deve manter a sua identidade, independentemente de terem uma relação com alguém e quererem que esta funcione.
É claro que, se por exemplo, vão tirar férias juntos e um quer ir para o Porto e outro para o Algarve e não chegam a um consenso, ou cada um faz fincapé com a sua ideia e não cede um milímetro, é certo que é muito mais difícil fazer funcionar a relação.
Nestas coisas das relações humanas há que saber ceder, adaptar, contornar, em suma, gerir de uma forma que se contentem todos e não um só, mantendo ao mesmo tempo a própria identidade.
Não é fácil o equilíbrio, pois não, mas uma coisa eu posso dizer-vos que estou casada há mais de 20 anos, é de grande importância haver gostos e actividades em comum, nem que para isso tenhamos de nos repensar e adaptar a novas realidades. É importante ter quereres e encontrar algo que seja comum ao casal, para além dos gostos e/ou actividades, Não que ela tenha de jogar futebol com ele e a seguir ir beber umas bejecas e ele tenha de ir Zumbar com ela, mas podem fazer caminhadas juntos ou outra coisa qualquer, não?
Vão por mim que sei das coisas :-)
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Mãe normal!
Não sei se os mande embalsamar ou se simplesmente lhes desligue o botão do som.
Esta coisa de ter de pensar às 8 horas da manhã o que vou fazer para o jantar às 9 horas da noite, anda a dar-me cabo da mioleira. Temo que a loucura se apodere da minha pessoa entretanto, no que às refeições para filhos resmungões diz respeito.
Muitas manhãs tenho tido ultimamente em que se me desvanece a parte do jantar e não deixo nada a descongelar. Ora, enquanto me dirijo feliz e contente em direção ao ginásio para o momento "meu" do dia, é quando me vem à ideia o raio do jantar. Depressa ligo à minha churrasqueira predileta para encomendar um repasto à maneira, que depois da loucura dos saltos, flexões e abdominais, vem mesmo a calhar pois é só levar para casa e jantar descansadinha.
Ora, eu que tento fazer os meus filhos felizes todos os dias, tenho aprimorado a escolha, ou tentado vá. São barrigas de leitão, ou entremeada de vitela, ou espetadas de peru, plumas de porco preto...
E não é que sempre que isto acontece tenho reclamações? Acreditam que filhos fizeram uma manif a reivindicar uma mãe normal, um jantar normal, assim como as outras famílias que são normais?
Eles querem FRANGO! Apenas e só um simples e normalíssimo frango...
domingo, 5 de abril de 2015
Tempos idos
Domingo de Páscoa, dia de estrear um vestido novo, umas meias rendadas e uns sapatos novos. A minha irmã dava-me banho, secava-me o cabelo, ajudava-me a vestir e aí pelas 11 horas lá íamos de mão dada visitar a minha Madrinha.
Ela havia de dar-me beijos repenicados, um conjunto de lençóis com renda de bilros, ou um conjunto de banho de turco do mais grosso ou uma toalha de linho bordada à mão, tinha de me encher a arca do enxoval. Havia de me dar um folar com três ovos, sinal do apreço e do carinho que tinha por mim e umas amêndoas feitas pela vizinha. Eu havia de fazer festas ao gato, ver o canário que tinha na gaiola, esperar que ele cantasse e ver as flores que estavam tão viçosas, fruto dos seus cuidados.
Ela havia de dizer que não tinha muita saúde, havia de desfiar o rol das suas doenças, mas que eu estava muito crescida e que esperava ainda poder um dia vestir-me da cabeça aos pés para o dia do meu casamento.
E assim foi.
Os lençóis com renda de bilros continuam dentro da arca do enxoval, nunca os usei...
quarta-feira, 25 de março de 2015
Sei que já passou o dia dos posts sobre os pais
Mas dia do pai é quando um filho quiser e eu hoje apetece-me por cá para fora que voltei a visitar o meu e voltei a olhar aquela fotografia em que ele está a sorrir e com ar feliz. Gosto tanto daquela fotografia. Conversei com ele. Fui contar-lhe os últimos acontecimentos, lembrar-lhe o quanto gosto dele, falar-lhe da falta que ele me faz e dizer-lhe que tenho saudades...
sábado, 21 de março de 2015
E pronto!
O meu coração palpita que nem uma batata frita.
Lá foi o mê rique filhe para terras de Espanha para a sua tão ansiosamente aguardada viagem de finalistas andar uma semana em vinha d'alhos e divertir-se à brava.
De todas as recomendações que lhe dei, não sei se houve alguma que não tivesse "entrado a 100 e saído a 200", Ok, espero então que me chegue inteiro na próxima semana, todo feliz e contente e com muitas histórias para contar.
domingo, 21 de dezembro de 2014
Eu bem dizia que isto era perigoso
No início tinha medo que me pelava de fazer descidas de bike, imaginava-me sempre a cair e a partir-me toda e quer fossem pedras, areia, paus ou outra coisa qualquer, tudo me fazia uma enorme confusão. Felizmente nunca aconteceu e por isso fui ganhando confiança e agora quanto mais louca e difícil for a descida mais gozo me dá desafiá-la e lá vou eu, não sem ter alguma precaução claro. Mas se eu gosto de descer, maridão é um maluco e ontem deu em querer voar.
Às tantas vejo-o passar por mim a voar indo estatelar-se à minha frente após um fantástico mortal encarpado ficando imóvel mas todo compostinho, sem a roupa rota, de óculos postos e sem sangue à vista. Travei de repente quase fazendo eu também um salto mortal, tal era a inclinação da p@ta da descida, pensando que o gajo se tinha matado e fui socorre-lo juntamente com outro colega. No final de contas soube cair, só não soube escolher o local pois no meio de tanta erva foi-me cair em cima das pedras e além de um joelho e um pulso inchados, a roda empenada e dois raios partidos à conta do pau que lá se enfiou tudo acabou bem. Hoje fomos andar outra vez!
Se este gajo se mata nem sei o que lhe faço...
Às tantas vejo-o passar por mim a voar indo estatelar-se à minha frente após um fantástico mortal encarpado ficando imóvel mas todo compostinho, sem a roupa rota, de óculos postos e sem sangue à vista. Travei de repente quase fazendo eu também um salto mortal, tal era a inclinação da p@ta da descida, pensando que o gajo se tinha matado e fui socorre-lo juntamente com outro colega. No final de contas soube cair, só não soube escolher o local pois no meio de tanta erva foi-me cair em cima das pedras e além de um joelho e um pulso inchados, a roda empenada e dois raios partidos à conta do pau que lá se enfiou tudo acabou bem. Hoje fomos andar outra vez!
Se este gajo se mata nem sei o que lhe faço...
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Nunca percas o sorriso
Ele foi a pessoa que eu mais admirei, o meu ídolo, o meu pilar de segurança, o meu suporte e apoio sempre que eu tinha necessidade. O meu pai era adepto das conversas, tudo se esclarecia com conversa, nunca com um estalo. Além disso era adepto dos castigos como penalização e dos prémios de desempenho. Adorava o meu pai, no entanto, era difícil arrancar-lhe um sorriso. Era uma pessoa demasiado séria e carrancuda e poucas coisas o faziam sorrir. O seu sorriso, a maioria das vezes, via-se apenas nos olhos e eu lembro-me de todos os dias da minha vida inventar macacadas e tentar fazer coisas boas para o fazer sorrir. Eu tinha de lhe arrancar um sorriso por dia, corresse por onde corresse! Nem sempre consegui, mas nos dias em que olhava para os olhos dele e os via sorrir, era um dia feliz para mim.
Sou bastante parecida com ele, dizem, eu cá acho que nem aos calcanhares dele eu chego ou alguma vez chegarei, mas bom, uma coisa é certa, eu também sorrio com os olhos, mas eu, tenho um sorriso fácil. Gosto das pessoas que sorriem. Receber um sorriso é das coisas mais gratas que tenho na vida. Um sorriso fala muito mais que uma palavra e eu, quando deixo de sorrir é porque algo vai mal e é por isso que dou tanta importância a um sorriso e ao sorriso ou falta dele nas outras pessoas.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Os pais dos filhos
No dia em que soube que a pequena Margarida não resistiu e em que a ténue linha que a ligava à vida se quebrou, tão pequenina, tão inocente, tão frágil que nos faz sentir quão injusto é este mundo, vieram à minha memória momentos por que passei e que penso muitos de nós passámos com os nossos filhos. Momentos de desespero, momentos de dúvida, momentos de dor e tristeza. Momentos de culpa, momentos de impotência, momentos vazios e apáticos aos quais dificilmente conseguimos reagir, mas que é suposto. Vieram à minha memória lembranças de casos onde nem sempre os heróis são os filhos, mas muitas vezes são os pais, esses que supostamente tudo devem saber, fazer, ultrapassar. Sim, os pais, quem os protege, quem os defende, quem os incentiva, ajuda e ensina a ultrapassar tamanhas perdas, tamanho sofrimento. Quem os condecora e os elogia, quem os enaltece, quem os reconhece pelo facto de todos os dias fazerem o melhor que sabem e podem pelos filhos? Esses que movem montanhas, esses que morreriam todos os dias para salvar os filhos se preciso fosse. Sim, esses, os pais dos filhos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)