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domingo, 7 de abril de 2019

Sem título

Estava aqui a coçar a minha perneta desenfreadamente por dentro do gesso com uma agulha de tricot, quase mesmo até fazer sangue que vocês não imaginam a coceira que isto dá, quando me ocorreu a pergunta que a psicóloga de uma amiga lhe fez na primeira consulta pós cancro da mama:
"O que é que te aconteceu para chamares o cancro à tua vida?"
Pois.... que raio de pergunta para se fazer, que raio de abordagem, que raio será aquilo de chamar desgraças para a nossa vida? O que pensar, o que responder?
Será mesmo que chamamos inconscientemente acontecimentos para as nossas vidas para resolver questões para as quais não temos resolução? Será???
Bom, que eu andava cansada, desmotivada, exausta mesmo, a nível psicológico, andava, que achava que precisava de uma pausa no trabalho, achava, que deveria repensar os meus azimutes e mais uma série de coisas, deveria e que desejava ardentemente que algo se altera-se e que tivesse tempo para fazer certas coisas, desejava.
Agora, será que necessitava mesmo de partir um tornozelo para ficar imóvel em casa já lá vão seis longas semanas para concluir que no final de contas tenho saudades do meu trabalho e do stress e das intrigas dos colegas e da confusão do departamento e de cozinhar e engomar para a família e das resmunguices deles e de tantos contratempos a todos os níveis e desta tristeza esquisita e de não ter tempo para nada? Será que precisava de ficar sem palavras e com a alma doente de tão vazia' Será que precisava de ficar com a vida em suspenso E de saber quem me quer bem e para quem sou importante?
Quer-me cá parecer que sim...
Agora já chega, já cá tenho a minha lição.
Amanhã é um dia importante na minha vidinha de perneta e o meu nome do meio é esperança, não é, mas é :)
Até amanhã.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Asas

Já fui muito. Já fui tudo. Já fui nada.
Já fui eu. Já quis ser outras que não eu. Já tentei ser outras. Não deu.
Sou de projetos, sou de objetivos, sou de sonhos.
Sou de asas e nessas asas eu voo.
Não me canso de voar.
Serei muito, serei tudo, serei eu.
Voltarei a ser eu mas nunca vou parar de voar.


quarta-feira, 27 de março de 2019

Tivesse eu

inventado colecionar notas de cinquenta ou de cem e estava rica a esta hora.
Agora gatos do mundo....

Isto é só uma pequena parte da coleção




quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O que me prende


Já há muito que queria ter falado sobre a minha família do trabalho, mas como falar de trabalho nos blogs pode criar “azias” em algumas pessoas, tenho me inibido de tal.
É hoje.
Sim, o que temos no trabalho é tipo uma família, afinal de contas passamos mais tempo lá do que em qualquer outro lugar ou com quaisquer outras pessoas. No meu caso até almoço lá, passo muitas, muitas horas com aquela gente.
E se dentro das famílias, existem pais e mães que nos amam e nós amamos incondicionalmente, irmãos e primos do coração, tias velhas e chatas e outras porreiraças, primas e primos invejosos, falsos e velhacos que não nos podem ver nem nós a eles, tios birrentos e teimosos de quem passamos a vida a fugir,  alguns parentes afastados, outros até que nunca chegámos a conhecer e amigos, que os amigos também fazem parte da família, no trabalho é igual.
Eu tenho tudo isso e muito mais pois estou no seio de uma família numerosa. Há, portanto, familiares de todos os tipos e para todos os gostos.
Tive a sorte, no meio desta gente toda, de acabar por ir parar a um departamento de primos fixolas. Somos unha e carne, tipo mosqueteiros mesmo. É um por todos e todos por um, sempre. Seis homens e eu. Um nem precisa falar para os outros saberem o que está a pensar, estamos sempre de acordo e entendemo-nos muito bem. Choramos e rimos em conjunto e quando um tem problemas todos ajudam, quando o trabalho não corre bem, todos apoiam. Vamos à happy hour ás sextas-feiras e eu sou um deles. Contam sempre comigo. Estou muito grata por fazer parte deste grupo de primos e fico feliz todos os dias por vir trabalhar por causa deles.
Não tenho dúvidas. Naqueles momentos em que a vontade é bater a porta e sair daquele lugar, o companheirismo, a amizade e o bom ambiente que nos une, pesa cinquenta por cento para nós sete. 
E é o que me prende, sim.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Agora a sério


Este que está a terminar foi um ano dos difíceis. Começou mal, continuou mal. Tão mal que quis terminá-lo e começar um novo em julho. Não resultou. Continuo a tentar encontrar-me no meio da confusão, quando já tenho idade suficiente para não me perder. Mas não vale a pena enumerar o que correu mal a nível pessoal, profissional e familiar, isto é, a todos os níveis, portanto, mas sim, vale muito a pena, encaixotar e arrumar a parte do ano mau e lembrar o que de bom aconteceu e que, ainda assim, foi tanto.
Pese embora os acontecimentos barra contratempos, Mamãe sobreviveu, Sogro sobreviveu, as minhas relações afetivas sobreviveram. O meu corpo, pese embora as alterações, sobreviveu, já a minha alma, ah, a alma, com algumas ajudas, cá vai andando, periclitante uns dias, cheia de certezas da vida em outros.
Fui à bênção das pastas de MaiNovo e vim de lá inchada de orgulho. Meu MaisVelho está finalmente a encontrar o seu caminho e a ganhar juízo e nada me deixa mais feliz do que isso. Tenho tentado ser maior todos os dias. Faço das tripas coração para apoiar a família em momentos difíceis, mas não tem sido fácil pois faço-o à minha maneira, a qual é, digamos, peculiar, e me deixa sempre um amargo de boca. Fiz o que mais gosto. Percorri doze aldeias históricas a pedalar e mais a Costa Vicentina, conheci melhor Fafe, Amarante, Póvoa, Mondim e Caramulo, tudo ao pedal. Pedalei por muitos outros lugares no Norte, no Centro e no Sul do país, num total de quase seis mil quilómetros, conhecendo pessoas e terras, vendo paisagens que enchem o coração e vivendo emoções indescritíveis. Percorri outros tantos quilómetros de avião e conheci Praga de lés a lés. Este ano andei numa roda viva, no fundo talvez a fugir de mim. E dos outros. Andei numa luta pessoal constantemente. Os meus dois eus debateram-se como nunca, e eu quis desaparecer, fugir, partir para outro lugar muitas e muitas vezes, mas fiquei, vou ficando, fico sempre e agora os meus eus estão mais calmos e mais tranquilos. Conquanto se mantenham assim, está tudo bem.
Sou pessoa de esperanças e de novas oportunidades. Sou pessoa de lutas. E por tudo isto estou pronta para mais uma época natalícia, em paz, junto da família e aguardo um novo ano cheio de tudo.

Desejo-vos a todos um Feliz Natal e um Novo Ano cheio de coisas boas.



quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Mal Dormida

Eu já desconfiava, derivado da proximidade da minha amiga insónia, que não me larga desde que travei conhecimento com a minha pessoa, que tinha problemas com o sono e o sono comigo. Veio então a confirmar-se pelo relógio inteligente que dorme comigo. Sim, além dos telefones, agora há relógios cá com uma esperteza que até o sono nos controlam. Sou gaja de tecnologias eu.
Esta noite o meu sono foi classificado com 56 pontos. Posto isto, o tal do relógio esperto, manda-me deitar mais cedo, não beber água antes de dormir e devido à má qualidade respiratória, manda-me fazer uma dieta saudável para não engordar o pescoço... O gajo até já me disse também que não durmo profundamente, que acordo muitas vezes, que respiro mal... O parvo! Como se eu não soubesse que era uma mal Dormida e que ando tipo zombie.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Sonhos que sonhei


Durante anos tive um poster da Nadia Comaneci na parede do meu quarto. Todas as noites adormecia imaginando-me a fazer aqueles saltos mortais, aquelas piruetas nas paralelas assimétricas, os triplos saltos mortais no solo, os flics encarpados na trave olímpica. Imaginava-me naquilo durante horas, cheia de força e confiança e ao mesmo tempo elegância. E sonhava. Sonha a dormir e sonhava acordada. E em todas as manhãs, acordava, olhava o poster e queria ser como ela. Sabia dessa impossibilidade, mas ainda assim não parava de sonhar e durante muitos anos quis ser como a Nadia Comaneci. Ainda hoje sonho por vezes este sonho. Estranho é nunca ter desistido de os sonhar, parece que nunca cheguei a crescer e que nunca adaptei os sonhos à minha realidade. Por causa disso a minha cabeça e o meu corpo não se entendem, ela manda e o corpo ressente-se. E andamos nisto.


domingo, 18 de novembro de 2018

Quando eu for grande

Quero saber planear refeições e organizar marmitas. Estou fartinha de ler sobre o assunto e até já tentei algumas dicas, assim como tentei várias vezes preparar na noite anterior o que vou vestir no dia seguinte. Simplesmente transcende-me desaparafusa-me os neurónios, baralha-me e contraria-me. Não consigo. Mesmo que prepare a roupa, quando acordo é que sei se acordei cinzenta e sou incapaz de vestir uma roupa encarnada e se acordo executiva não me sinto confortável com umas calças de ganga e se acordo desportiva tenho de esquecer o blazer e as calças vincadas. Ora, o mesmo se passa com a comida. Como é que eu vou saber ao domingo o que me vai apetecer comer na quinta-feira ein? E se eu tiver carne e só me apetecer uma sopinha? E se as termites cá de casa devorarem tudo ao jantar e não restar nada para a marmita? E se eu fizer mal os cálculos (como sempre) e apenas sobrar um fio de esparguete para três, ein? Esqueçam lá isso. Eu nunca me lembro de manhã de deixar algo a descongelar, nunca sei o que fazer e nunca tenho tempo ou me apetece aquilo que planeei. É muito bom, muito mesmo, ter tudo controlado e organizado, mas gente, eu sou uma gaja espontânea, faço e digo e só penso depois. Socorro! Preciso de um workshop de marmitas.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Pronto, já podem matar-me se quiserem

Diz-se por aí que no mundo virtual, todos criam personagens bonitos e bons e felizes.
Pois eu admito aqui e agora que sou uma péssima mãe, péssima filha, esposa, irmã e amiga. Colega de trabalho então, até sou capaz de ser uma autêntica bruxa. Já andei a conduzir e ao telefone, já passei traços contínuos vezes sem conta e ando quase sempre em excesso de velocidade. Já matei animais, especialmente aranhões, melgas e lagartixas e faço-o de novo e sempre que o consiga fazer a uma distancia considerável. Já roubei fruta em quintais alheios e uma vez até roubei uma braça de uma planta, a dona viu e queria chamar a polícia, quase a matei à má língua. Dei umas palmadas nos meus filhos e fiz bullying a uma vizinha quando era garota. Já menti, já omiti, custa-me pedir desculpa, sou do mais arisca que pode haver e não gosto cá de beijoquices. Sou teimosa e refilona que só visto, orgulhosa então, deve haver poucas como eu. Sou egocêntrica e tenho dificuldade em colocar-me no lugar dos outros. Quando embirro com alguém ou alguma coisa, não vejo um palmo à frente do nariz.
Não vivo do blog porque sou burra que nem uma porta e não só porque não quero, mas porque não tenho capacidade para tal. Não sou rica porque não tive a esperteza nem de casar com um homem rico nem de ascender na profissão. Não sou linda, nem alta, nem boa como o milho e simpática é só às vezes. Não aprecio velhinhos nem criancinhas birrentas.
Resumindo e concluindo, não ando aqui para enganar ninguém nem aqui nem na vida real. Dissimulada é o que não sou nem um bocadinho, mas até gostava. Mesmo! É que isto de morrer de morte matada não há-de ser fácil.
E pronto! Assim sendo podem então matar-me, mas aviso já que sou dura de morrer.
Já morri de amor, de desgosto, já morri de dor e de tristeza, já morri de várias outras mortes e voltei sempre a nascer.
Sei nadar, sei fugir a correr e de bicicleta, sei body combat e já não tenho vesícula. Por isso, vejam lá como é que me matam, ok?
Até!



P.S. Vejam lá bem isso que eu até sou gira e fixe e sei fazer algumas coisas mais ou menos ok? Ah! E gosto de animais e de algumas pessoas e choro nos filmes, sou trabalhadora, amiga de quem é meu amigo e muito leal. Bom, pese embora tudo o que disse ali em cima, sou até bastante prendada. Reconsiderem isso do matar-me, vá.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Saber ler...

Era o que eu queria fazer ao pensamento do segurança que vive na gurita da fábrica perto de minha casa. O que pensará ele ao ver-me voar na lomba mesmo frente ao seu portão praticamente todos os dias, faça sol ou faça chuva, um dia a correr, no outro de bicicleta e no outro de carro, depois de novo de bicicleta, de novo a correr e depois de carro para lá e para cá num sem parança sem explicação. Eu sei que eu bem o vejo a espreitar quando eu passo praticamente a gritar Ahhh! lá vem ela, a maluquinha. Vou começar a fazer-lhe fixes para que ele tenha mesmo a certeza que eu não bato bem da bola.


A praia hoje às 7 da tarde estava brutal!


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A culpa é dos estrogénios

Tenho perguntado aqui á minha pessoa por onde anda o meu bom humor, a minha alegria e paixão pela vida, o meu alto astral e energia, a minha proatividade e imaginação, o meu estado de alma feliz e a vontade de cantar enquanto trabalho. 
Estou fartinha de vasculhar os armários da alma e de abrir e fechar as gavetas do meu arquivo interior na esperança de os encontrar escondidos nalgum recanto, mas não. Há dias em que ainda vislumbro um ou outro, para logo os perder de vista. Uma ralação esta tristeza, esta apatia que se me pespega e cola sem que a entenda, sem saber de onde vem ou para onde vai. 
Esperançada estava no ócio e no nadismo, na mudança de ares e no pedalar até que não houvesse amanhã, mas já desesperancei. Bastaram três dias, três pequenos, frios e ventosos dias de agosto para que as gavetas ficassem lacradas e sem possibilidade de arrombamento para voltar a tirar o que está lá dentro.
Só que agora já sei. Aparentemente a culpa é dos estrogénios ou da escassez deles vá.
A puta da idade é fodida e eu estou "arrumada como o Caldas", não me consigo entender com isto do avanço da idade...

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Dante

Mal cheguei da minha aventura levei de chofre com a realidade. O voltar ao trabalho e à rotina no dia seguinte, os fogos e as mortes, doenças de alguns amigos do peito, dois deles a quem foi diagnosticado cancro, outro hospitalizado... Há várias noites que não durmo. Esta inquietação, este desassossego, este calor consome-se por dentro e por fora. Abro os olhos e vejo pessoas a morrerem, fecho os olhos e parece que vejo chamas. Tenho com certeza algum botão avariado.
Esta noite resolvi beber um copo de vinho e tomar um comprimido para dormir. A cambalear consegui subir as escadas e chegar à cama mas passadas três horas oiço nitidamente uma briga de gatos na rua e achei que era o meu Zé. Fui salvá-lo.  Três da manhã e eu na rua de pijama à procura do Zé. Nada! Voltei a subir as escadas e fui ver o meu aspecto de alucinada no espelho da cada de banho. Lá estava o filha-da-mãe-do-gato, à fresca, esparramado no chão a dormir!
Ele estava bem, eu é que voltei a não dormir. Abaixo gatos e moto-serras e fogos e doenças e outras merdas que tiram o sono e uma gaja!!

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Sopro

Hoje acordei amarrotada, envelhecida, praticamente desprendida, tristemente ausente e desnudada.  Desejosa de que a ventania que se fazia ouvir nas frinchas das minhas janelas me arrancasse e levasse para bem longe assim que eu abrisse a porta e saísse para a rua.
Voltaria quando o sol brilhasse e o vento amainasse.  Voltaria quando um pequeno sopro o meu coração sossegasse.
Não me levou, mas ainda vai levar.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Digam o que disserem

O Homem vestido de branco a sorrir, a beijar as crianças, milhares de velas, as lágrimas nos rostos de quem sente o coração apertado, os cânticos.
Concordem ou não, gostem ou não, acreditem ou não. A fé é mesmo um "pormaior".
Emocionei-me

terça-feira, 25 de abril de 2017

Noventa e seis horas

Eu vi serras eu vi mares
Eu pedalei sem parar
Estou demente eu sei
Mas é assim que gosto de estar


Quatro dias, noventa e seis horas, cinco mil setecentos e sessenta minutos de suposta pausa e descanso. Nestes dias pedalei tresentos e quarenta quilómetros. Pois. Larguei tudo e pedalei.
Além de dores no rabo e nas pernas, não sei o que procuro ou sequer se procuro alguma coisa. Talvez fuja de algo não sei, só sei que estes momentos me fazem esquecer. Esquecer do estado do mundo, da pequenez de algumas pessoas, da ingratidão de outras, do trabalho por resolver, das paredes da sala à espera de serem lavas, da roupa por engomar. Do meu lado negro também.
A questão é que quando chego a casa tudo está igual. 
Exceto eu.


terça-feira, 28 de março de 2017

Nunca é tarde

Foi quando o cinzento se apoderou dos meus dias e da minha vida, foi quando os meus filhos cresceram e ficaram independentes não querendo mais uma mãe galinha atrás deles, foi quando os meus amigos estavam ocupados, foi quando me sentia só. Foi quando os meus dias ficaram vazios e o meu tempo enorme, tão enorme que não sabia o que fazer com ele. Perdi-me, tentei achar-me, voltei a perder-me e o meu barco andou à deriva num mar revolto por algum tempo. Peguei porém no leme e tentei reajustá-lo. E reajustei-o pois foi aos quarenta e quatro anos que descobri uma nova paixão. E desde então que não paro de crescer e de aprender e de concretizar sonhos....


domingo, 12 de março de 2017

Olho o espelho e vejo-me demoradamente. 
Todos os dias me vejo e me reconheço e gosto ainda de me ver acabada de acordar. Gosto. 
Gosto quase todos os dias de mim.
É no entanto quando tenho tempo e me detenho em frente ao espelho, quando me olho demoradamente e com calma que vejo como o tempo tem passado por mim, este tempo que não pára, este tempo que não tem tempo de parar um pouco e esperar por mim.
Vejo umas pálpebras a ficarem descaídas outrora esticadas e lisas onde o eyeliner ficava perfeitamente desenhado, umas rugas ao pé dos olhos e da boca que escondem agora a sombra e o batom.  Vejo umas mãos brancas e com manchas, uma pela baça e cansada outrora coberta de sardas de que tanto me orgulhava, um ventre mole, uns ombros escanzelados, umas pernas finas. Sim, esta sou eu, aquela de quem gosto quase todos os dias. É quando tenho mais tempo que gosto menos de mim...


P.S. Vou trocar de espelho :)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Viço

Diz por quem lá passa que a partir dos cinquenta se perde o viço.
Dizem da pele que fica seca e sem brilho, do cabelo que branqueia e fica ralo e das rugas, que se cravam na pele. Do corpo, dizem que já mostra as marcas de uma vida começando a mover-se mais lentamente e que mazelas surgem do nada.
Já da alma o que dizem é dúbio. Uns afirmam que fica mais serena e sábia, mais madura, outros afirmam que mostra uma certa revolta e algum ressentimento, outros ainda que finalmente lhe chega a calmaria. Eu cá não acho nada disso, uma alma é uma alma e nunca perde o viço, a exuberância ou o verdor. O que acontece é que muitas ficam presas em estereótipos enganosos.
Sei lá! Só sei é que parece que a partir de hoje vou perder o viço.
Que sa lixe, que do viço cuido eu. Não vou deixar de me meter em aventuras, não vou deixar de subir serras a pedalar nem de as descer que nem uma louca por cima das pedras, não vou deixar de me vestir como uma miúda, nem de me rir às gargalhadas no meio de uma reunião, nem de chegar a casa de manhã de sapatos na mão depois de ter dançado a noite toda (claro que depois vou demorar três meses a recuperar, mas isso não interessa nada). Não vou parar de sonhar. Não vou, nunca, deixar andar a vida sem lutar por ideais e por justiça nem vou nunca deixar de tentar mudar o mundo. Continuo a querer fazer o meu cruzeiro de sonho pelos fiordes da Noruega e continuo a querer pedalar pela Europa dias e dias sem fim. Conformar-me e ficar quieta é que não.
Venham de lá os 50!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Esta pele que não é a minha

Visto por vezes uma pele que sinto não ser a minha, é fria e pouco elástica, no entanto gosto dela. Protege-me dos ventos fortes e das tempestades, os relâmpagos nem os sinto.
Há porém dias em que insisto vesti-la e a odeio, pois protege-me igualmente das brisas leves e doces, dos dias amenos de sol, do calor dos sorrisos.
Nunca sei bem que pele vestir ou em que parte do dia chegou a hora de despir uma e vestir a outra...