Este que está a terminar foi um ano dos difíceis. Começou
mal, continuou mal. Tão mal que quis terminá-lo e começar um novo em julho. Não
resultou. Continuo a tentar encontrar-me no meio da confusão, quando já tenho
idade suficiente para não me perder. Mas não vale a pena enumerar o que correu
mal a nível pessoal, profissional e familiar, isto é, a todos os níveis, portanto,
mas sim, vale muito a pena, encaixotar e arrumar a parte do ano mau e lembrar o
que de bom aconteceu e que, ainda assim, foi tanto.
Pese embora os acontecimentos barra contratempos, Mamãe
sobreviveu, Sogro sobreviveu, as minhas relações afetivas sobreviveram. O meu
corpo, pese embora as alterações, sobreviveu, já a minha alma, ah, a alma, com
algumas ajudas, cá vai andando, periclitante uns dias, cheia de certezas da
vida em outros.
Fui à bênção das pastas de MaiNovo e vim de lá inchada de
orgulho. Meu MaisVelho está finalmente a encontrar o seu caminho e a ganhar juízo
e nada me deixa mais feliz do que isso. Tenho tentado ser maior todos os dias.
Faço das tripas coração para apoiar a família em momentos difíceis, mas não tem
sido fácil pois faço-o à minha maneira, a qual é, digamos, peculiar, e me deixa
sempre um amargo de boca. Fiz o que mais gosto. Percorri doze aldeias
históricas a pedalar e mais a Costa Vicentina, conheci melhor Fafe, Amarante,
Póvoa, Mondim e Caramulo, tudo ao pedal. Pedalei por muitos outros lugares no Norte,
no Centro e no Sul do país, num total de quase seis mil quilómetros, conhecendo
pessoas e terras, vendo paisagens que enchem o coração e vivendo emoções
indescritíveis. Percorri outros tantos quilómetros de avião e conheci Praga de
lés a lés. Este ano andei numa roda viva, no fundo talvez a fugir de mim. E dos
outros. Andei numa luta pessoal constantemente. Os meus dois eus debateram-se
como nunca, e eu quis desaparecer, fugir, partir para outro lugar muitas e
muitas vezes, mas fiquei, vou ficando, fico sempre e agora os meus eus estão
mais calmos e mais tranquilos. Conquanto se mantenham assim, está tudo bem.
Sou pessoa de esperanças e de novas oportunidades. Sou
pessoa de lutas. E por tudo isto estou pronta para mais uma época natalícia, em
paz, junto da família e aguardo um novo ano cheio de tudo.
Desejo-vos a todos um Feliz Natal e um Novo Ano cheio de
coisas boas.




