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terça-feira, 2 de junho de 2020

Dia 127 - Reencontro

Desde vinte de março que não nos olhávamos ao vivo e a cores. Foi ontem.
Sem auscultadores, sem câmaras, sem filhos a chamar, sem gatos a passar em frente ao ecran e sem lar ao fundo. Não que isso fosse mau, mas era sem dúvida diferente e se dúvidas houvesse que as pessoas têm uma vida fora do trabalho, esta foi a prova. É bom que se saiba que somos profissionais, mas também somos pais, mães, filhos e gestores de uma panóplia de coisas fora do trabalho. Se somos ou não competentes, com certeza que o seremos, à nossa maneira e uns mais do que outros e em diversas áreas. Somos humanos e por isso não somos perfeitos. E viva a diferença.
Pese embora tudo isto, arrisco dizer que foi emocionante voltar a ver esta minha segunda família com quem quase passo mais tempo do que com a minha primeira e voltar a sentar-me naquele meu lugar tão familiar. Em tempo de introspeção arrisco também em perguntar-me se gostaria que certas coisas fossem diferentes para ser mais e ser melhor em tudo. Sim, gostaria. Se sempre tivermos certezas e nunca dúvidas, nunca teremos a oportunidade de uma melhoria. E eu  tenho sempre tantas dúvidas, sempre questiono, sempre mudaria algumas coisas. Se me deixassem. A ver...

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Enquanto o sol não chega


Enquanto me quedo pasmada e embalsamada, a olhar a bruma pela janela e a respirar o fresco e a humidade que vão entrando devagarinho refrescando a sala, não penso, não pestanejo, não me mexo. É, de resto, o que fazem os que estão embalsamados. Não basta ser segunda-feira, acontecimento que me deixa prostrada, mas que eu até aprecio como se de um novo recomeço se tratasse, este será mais um, deste novo ano que começou em setembro. Uma nova semana, um novo recomeço, uma nova tentativa que chega cinzenta. Baralhada e confusa. As palavras presas debaixo da língua sem que mas deixem soltar. A vida não chega para mim. Os dias e as pessoas não chegam para mim. Nem eu.
Sim, esqueci-me de tomar os comprimidos!

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Deixai-os brilhar

Há gente tão boa, tão perfeita, tão assertiva, tão tudo, que por mais que façamos nunca chegaremos aos seus calcanhares.
Não sei se deprima, se apanhe a minha auto estima do chão e me reduza à minha insignificância ou se cague nisso (pardon my French) e me mantenha aqui, apagadita, no meu low profile a deixá-los brilhar...

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Minha gente!


Achei recentemente cinco quilos que alguém perdeu. 
Tão parvas estas pessoas, perdem tudo!

Não sei bem como foi isto acontecer que eu não sou de achar nada que seja dos outros, mas enquanto andei aqui quase a finar de ansiedade e depois perneta e distraída a fazer mapling durante uns tempos e a comer que nem uma lontra todas as gordices que me traziam, vou a ver e pimba. Cá estavam eles agarradinhos a mim.
Posto isto, decidi que esta cena dos estereótipos não haveria de me vencer, que eu ainda estava linda e tirando a largura de costas e o perímetro abdominal, até já possuía uma petite bunda redondinha, coisa que nunca tinha tido. Achei mais um. Quilo, claro. 
Esta gente não é parva, é estúpida mesmo, em vez de guardarem as suas coisas, não, perdem para os outros acharem. 
Bom, digamos que aquela cena da perimenopausa diz o doutor, também não abona a favor se bem que eu não deva preocupar-me pois as mulheres mais cheeinhas têm menos sintomas, diz ele. 
Pois, e se ele diz eu sou gaja para acreditar.
Tudo muito lindo sim, não fosse isto tornar-se um caso de praticamente vida ou morte. É que quando estou vestida mal consigo respirar. Sei lá, a roupa aperta-me, dá-me ideia que encolheu e o ar não passa. Pois. E se eu não respirar, caio para o lado, certo? Certo!
Vida ou morte pois claro.

Uuooohhh! Pensei. Espera lá que isto agora já é a sério e eu tenho de fazer alguma coisa.

Gente:
1- Vou ao nutri do ginásio?
2- Como apenas umas folhitas de alface durante uns tempos?
3- Faço exercício físico como se não houvesse amanhã?
4- Ou … mando alargar a roupa?



quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Pintei


Hoje pintei o meu dia de cores e de cheiros.
A manhã pintei-a de cinza e lá fui mudando os tons, ora mais clara, ora mais escura, cheguei a temer ter de pintar a chuva, mas acabou por não acontecer. Não tenho tintas para pintar a chuva no verão e dos cinzas quase esgotei a paleta. Os cinzas cheiram a melancolia e a tristeza e isso não é fácil de pintar.
A tarde pintei-a de várias e diferentes cores, esbatidas e através da minha janela como se de um quadro se tratasse. Mas também pintei o cheiro do vento e do sol que espreitavam pela greta aberta, pintei o verde a dançar, pintei flores, pintei telhados. Sempre que olhava o quadro, a minha tarde ganhava mais vida.
Ao fim do dia então, pintei livremente e com cores fortes. Pintei a brisa, pintei as minhas pernas e o meu coração a bater, pintei o cheiro da liberdade. Pintei o céu e pintei o mar, pintei de verde e de amarelo, pintei a espuma sobre a areia e pintei chapéus às cores.
Por fim pintei o cair da noite e a calmaria. Pintei o cheiro das estrelas….
Hoje foi dia de pintar.







terça-feira, 23 de julho de 2019

Ontem, hoje e amanhã


Não é bem, é mais antes de ontem, quando dei por mim a concluir, uma vez mais, que este mundo não é o meu.
Bla, bla, bla, é o que oiço à minha volta sem reter nada, cansam-me certas conversas de chacha de quem tem a mania que sabe tudo sobre tudo e sobre todos. E os tios, dos primos, da irmã que foi casada mas já não é e que agora vive ali e vai acolá e anda com fulana e sicrano, que raio de vidas. E porque aquilo devia ter sido feito assim e não assado, calafetado, isolado, pintado com tinta especial e, talvez dessa forma consiga o sucesso tal como pretende, mas assim é que não. E porque fez isto e disse aquilo, quando deveria ter feito aqueloutro. E porque está velho e agora está gordo, mas sicrano está magro mas tem cara de infeliz. Já a outra, fez não sei o quê e gastou pipas de massa e ficou pior. Socorrroooo! Tirem-me daqui que eu sou um alian, não percebo nada do que dizem!
Já ontem, era mais bla, bla, bla, mas em que raça de bicho me tornei, azedo e solitário, que não sei falar com ninguém, não sou capaz de me dar a ninguém, não estou bem em lado nenhum e nem com pessoas? Estarei a ganhar pelo e cauda? Será que, entretanto, começo a ladrar ou a miar? Sim, gosto de festinhas mas por favor deixem-me aqui, enroscada no meu canto, só não me lixem que eu mordo.
Hoje, então e finalmente, deixa-me cá dar um arzinho da minha graça e falar com pessoas, confraternizar, se não criar algumas empatias, pelo menos, mostro-me afável que entretanto põe-me num foguetão e mandam-me para a lua…

domingo, 5 de maio de 2019

Ponto cruz

Já fui prendada sim.
Há tanto tempo que já nem me lembro, só quando olho para estes quadros, os únicos que ainda conservo nas paredes, recordo essa fase da minha vida.
Bordei  o enxoval dos meus filhos bebés, fiz quadros, forrei cestos, pintei, decorei com todo o amor e carinho e muitas fitas e lacinhos.
Os bordados já foram substituídos por outro tipo de roupas e de tamanhos muito maiores, os quadros foram substituídos por posters e fotos, os cestos forrados por coleções de latas e isqueiros e bonés e ténis de marca xpto. As pinturas mudaram de cor, as fitas e os lacinhos desapareceram para sempre. E com eles a minha fase mais prendada, ficaram estas borboletas em ponto cruz.
E a palavra Mãe. O beijinho e o abraço de feliz dia da mãe.



terça-feira, 25 de setembro de 2018

Oca

Discernimento e clareza de ideias é coisa que escasseia nesta minha alma penada e à deriva no momento. O pensamentos encontram-se igualmente confusos e obscuros, derivado de certas doses diárias de choques eléctricos por um lado e outros tantos choques calmantes por outro. E depois, além de tantas outras ralações, tenho uma aranha residente no espelho lateral esquerdo do meu  bolinhas. Todos os dias limpo a teia, todos os dias lá tenho uma nova. Eu, que tenho pavor de aranhas já não sei o que faça. São demasiadas ralações, portanto.
Então e por ora, quedo-me por aqui calada e sogadita que é para não dizer besteiras.
Inté

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Máscara

Foi por detrás daquela máscara que tudo aconteceu. As guerras, os duelos, os debates. A raiva e o desespero, a solidão e a tristeza, a dúvida. Mas também o amor e a amizade, o querer. Foram as luas minguantes, as brumas que tudo escondem, tudo toldam e tudo escondem. Mas depois vieram os sóis e as luas, a vida a brotar de dentro e a voltar ao normal. A máscara tudo esfuma e tudo tapa e só os mais atentos conseguem vislumbrar através dela. Ninguém o fez..... Ou até fez e muito.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Outra vez

Quis o destino, irónico que só ele, que eu finalmente compreendesse porque raio me calha, todos os dias, por vezes até várias vezes e em vários locais, a última meia folha de papel higiénico do rolo. Não, não é porque os outros se estão literalmente cagando para mim e ou para os outros que vêm a seguir, ou  porque apenas o digníssimo próprio cu lhes interessa. É porque o destino assim quer. Ele que que eu aprenda de vez que, pese embora haja muita merda que se limpa até que o algodão não engane, algumas vezes faz-se merda que não se consegue limpar....

P.S. Desculpem o baixar do nível.
Por favor substituam a merda por cocó e o cu por rabo. Ah! E o cagando por defecando.
Agradecida.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Até dói

Se dói, voltar ao trabalho depois das férias... Dói tanto que ainda ando aqui a colar pensos rápidos por todo o corpo e a cabeça ainda está ligada às máquinas....
Mas foi, foi um solzinho na tola e no corpitcho, foi água salgada, foi areia, foi uma vidinha de dondoca sem cozinhar, lavar e passar. Há lá coisa mais boa?
E foi, foi o livro "um sopro de vida" da Clarice Lispector que encontrei numa livraria perto de mim, com o qual me identifico mas que é um total desassossego. Sei agora que sou ainda mais desassossegada do que alguma vez imaginava e que  nem a idade me traz a tranquilidade que tanto anseio. Preciso dar mais uma volta à minha vida, isso sim.
Foi, foi a série "The Handmaid's Tale" tão... Intensa, tão forte, mexe tanto cá dentro que quando fecho os olhos ainda vejo algumas cenas.
Foi, foi "A casa de papel" boa, muito boa.
Foram as pedaladas, foi mais um Caminho, o Caminho Poente, Nazaré - Fátima - Casa, 106 kms para acender uma vela e praticamente ser escorraçada do recinto porque tinha uma bike na mão e não podia incomodar os peregrinos.... Triste, muito triste, inconveniente, arrogante e vergonhoso que foi aquilo.
Foi, foi dançar e pular num concerto longe de mim com os amigos.
Foi, mas foi, acima de tudo perceber que preciso de me meter aí nalguma seita ou grupo de terapia ou quem sabe aprender a fazer crochet para que esta inquietação se vá. Já nada me valha, nem férias, nem trabalho, nem diversão, nada. Sou um caso perdido de desassossego e inquietação. Posto isto, resta-me andar aqui, atrás do rebanho até à coisa amainar :))
Se amainar.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Não sei...

Mas gostava de entender porque há - de a vida complicar-se tanto em certos momentos, porque nos dá e nós tira constantemente, porque nos põe à prova todos os dias. Só espero estar à altura de tanto desafio....

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Ano Novo

Ano Novo é quando um homem quiser. Ou uma mulher, vá. E se assim o dizem, assim o façam que é como quem diz, era chegada a altura de parar com os então seus dilemas sobre rumos a seguir, far-se-ia um novo ano em pleno junho e resoluções seriam tomadas, seguidas e muito provavelmente, concretizadas. E no caso de tais resoluções se revelarem infrutíferas, far-se-ia outra vez um novo ano, quem sabe lá para setembro....

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Saber amar

Pegou numa borracha e um a um foi apagando os que aparentemente não lhe queriam bem. Quando deu por si viu-se só, submerso na solidão e na angústia da sua vida apagada e triste. Esqueceu-se de esquecer e de perdoar. Esqueceu-se de amar....

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Vai e vem

Acordei esta madrugada estranhando a claridade e a brisa que se faziam sentir no quarto  e só depois lembrei que a sacada fora escancarada para a noite na hora de dormir. Cobri as pernas com o lençol e olhei em volta, toda a casa dormia ainda, mas Rosa Maria, a minha gata amarela aguardava como sempre na mesa de cabeceira olhando-me para me dar os bons dias. Respirei fundo, bem fundo, até encher e esvaziar ao limite o ar dos pulmões. E consegui fazê-lo sem nada que o atravessa-se a meio e o impedisse de circular como em tantas outras ocasiões. Por hoje, a minha angústia se foi, sinto-me tranquila. Não sei... mas o meu peito está mais leve.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Talvez quando o sol vier...

Eu e tantos outros pela blog fora que se quedam mudos e quietos voltem a querer botar faladora. Hoje pela tarde deu um ar de sua graça, o tal de sol e logo apeteceu rir e dizer umas parvoíces, mas foi-se que está ainda envergonhado. Talvez amanhã apareça e venha para ficar.
Bom, eu cá ando, e nos entretantos dei por mim em testes ao champô de cebola. Bem bom por sinal. Depois, dei por mim a mal caber no biquini e fui ao ginásio, estou aqui que nem posso, depois dei por mim a insistir numa crise existencial que teima em demorar a largar-me, a desgostar-me e a desgostar que os outros desgostem de mim.
Raios! Se o sol não vier depressa me desfaço em desgostares. ..

É há pouco ainda dei por mim a ir  ver o mar, que este pelo menos nunca me falha, está sempre lá. Umas vezes enervado e revoltado, outras tranquilo e muito calmo, mas sempre lá, à minha espera...

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Evasão


Sou perita em fugas.
Fujo.
Fujo dos carros, da poluição, do buliço da cidade. Fujo das maldades, das guerras, das desgraças. Fujo das responsabilidades, fujo das tristezas, fujo de tudo e de todos.
Só não consigo fugir de mim...

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Fábrica de Sonhos

Sou possuidora de uma fábrica de sonhos. São sonhos que sonho acordada, ciente de que a maioria não passa disso mesmo. Sonhos! No entanto, esta fábrica que haveria de me fazer feliz, traz-me angustiada nos dias. Porque sonho sonhos impossíveis, porque alguns sonhos não são como os sonhei e outros, que sonhei e que são tal e qual quando se realizam, no fim de os viver, me deixam vazia deles.
Ainda assim tenho sonhado muitos que consigo concretizar e por estes dias lá foi mais um. Mais um que sonhei, mais um que realizei, mais um que excedeu as minhas expetativas.
Hoje...... Sinto-me vazia!

quarta-feira, 23 de maio de 2018

E assim é a vida

Andam a morrer-me pessoas.
Umas vão-me morrendo devagarinho, vão ficando moribundas, dia após dia, semana após semana, por vezes meses, até que acabam por se finar. Outras morrem-me sem eu querer. Algumas, mato-as eu. Só não sei se me morrem para sempre ou se ressuscitarei algumas....