Mostrar mensagens com a etiqueta Eu e a minha bike. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eu e a minha bike. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 1 de março de 2019

E assim se gasta meia vida

Fui de bicicleta à bênção dos ciclistas a Fátima. 
Em chegada lá, não coloquei a puta da  vela a arder porque a fila tinha mais de um quilómetro, não assisti à missa pois havia dezenas de ciclistas e não se ouvia nada. 
Fui almoçar uma sandocha de leitão, portanto.
Antes tivesse esperado e antes tivesse ficado. Ou nem sequer devesse ter ido. Sei lá eu. 
O que eu sei é que na volta vinha a descer um estradão a cento e duzentos à hora e aparece-me uma curva fechada que não consegui fazer. O instinto deu-me para travar. Mal feito! A roda da frente esbarrou e eu esbardalhei-me feio. 
Esfarrapei todo o lado direito nas pedras e fiquei aflita de um pé. Respirei fundo, bebi água, descansei, endireitei-me, ajeitei o orgulho ferido e mais o pé e aí vou eu. Doía-me horrores mas dava para pedalar. Pedalei mais vinte quilómetros até não poder mais pelo que foram levar-me a casa. 
De casa ao hospital, tornozelo partido, tíbia rachada perna acima. Rica coisa fui arranjar.
Cinco dias de internamento, cirurgia e três parafusos no pé depois, aqui estou eu... já em casa, perneta, de férias forçadas e cheia de mimo. Trabalhar e pedalar só daqui a uns meses...


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

E foi assim


Quatro horas e meia de chapinhanso Luso e Bussaco acima e Luso Bussaco abaixo. A água brotava do chão cheia de força e escorria trilhos abaixo formando pequenos rios que fomos trepando um a um. Pedras e pedregulhos, árvores caídas, lama. Chapinhámos durante cinquenta quilómetros de pura diversão. Não valeu o banho de água fria do Luso no fim nem eu não ter levado na bike vários garrafões para encher com aquela água pura e cristalina, mas valeram as fotos para registar o momento, valeu o leitão e o frisante na Mealhada, valeu o companheirismo e as gargalhadas todo o caminho, valeu também o tareco de primeira classificada no meu escalão que trouxe para casa. Não que houvesse mais alguma maluca com mais de cinquenta anos a aventurar-se naquilo, por isso o ganhei, mas até fica bem na minha prateleira de troféus. 😊




sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Não sei bem porquê

Tenho sempre pressa e corro todos os dias em várias direções. Pressa em sair, pressa em fazer, pressa em chegar seja lá onde for. Vivo à pressa e dificilmente consigo esperar com calma por algo ou alguém. Quando dou por mim estou a ranger os dentes e até já me doem os maxilares da força que faço para controlar esta minha pressa de viver. É nem sei bem porquê. Mas ainda há uma réstia de esperança para a minha pessoa.
Há momentos em que a pressa se vai.




segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Cada vez mais louca varrida, quando acharem por bem internem-me por favo

Quando sentes o sangue a palpitar-te nas veias, quando sentes o coração a bater perto da boca, quando ficas deslumbrada e queres apreciar a paisagem, sentir aquela imensidão de beleza a arrepiar-te a pele mas não podes porque no trilho para onde te levaram e onde tens de passar só cabe a roda da bicicleta e tens de te concentrar para não caíres no precipício, quando sentes os arrepios de adrenalina a percorrer o corpo e pensas ”Ainda bem que vim, como eu adoro isto!”
Mas depois, já que estás a pensar, lembras-te que tiveste um problema mecânico e estás sem travões!!!
Que tal fazeres este trilho com um pé desencaixado do pedal pronto para o que der e vier e a rezar para não aparecer um obstáculo e para não teres de travar? Que tal teres noção que o mais provável é esbardalhares-te por ali abaixo a qualquer momento? Que tal é sentires que podes estar por um fio? Que tal?
Cagadinha de medo pois então!! Ficar branca como a cal e chegar lá abaixo com falta de ar, os dentes gastos de tanto ranger, a tremer e o coração a querer atirar-se ao chão e ainda por cima, ouvir os gajos a dizer, “Então, nunca mais vinhas, isto é pedalar por ali abaixo e está feito.”

Que s’a lixem. Eu fui para a serra sem travões e sobrevivi.




domingo, 7 de outubro de 2018

Voltei

Fui ali fazer-me ao Caminho Histórico da Rota Vicentina. De Santiago do Cacém ao Cabo de São Vicente de bike. 210kms e dois dias e meio de, achava eu, planícies alentejanas, chaparros e praias paradisíacas cheias de surfistas bem apessoados. As praias paradisíacas estavam lá, os surfistas também, já as planícies... poucas, muito poucas. E ao contrário do que eu imaginava, montes e serras para trepar eram aos molhos. Dizem que só os bravos se atrevem. Eu... fui ao engano mas esfalfei-me para as subir e descer e consegui. Devo ser uma brava portanto. Mas o mais importante é que como em todas as outras travessias, voltei muito mais rica. Rica de gentes e lugares, rica de paisagens, conhecimentos, vivências e emoções.
Vi pessoas diferentes, vi planícies, subi serras assustadoras. Vi muitas vacas e cabras, fui perseguida por dezenas de cães pastores. Vi montanhas de fardos de palha, lavei-me do pó nos riachos, vi o nascer do sol do alto dos Cerros da Carrapateira. Passei por expedições de Alemães onde os burros carregavam as mochilas, passei por muitos caminhantes e ciclistas, pessoas a passear a cavalo. Fiz festas a uma Alpaca. Dei mergulhos no mar, jantei na Zambujeira a ver o pôr do sol. Pedalei durante quilómetros ao longo dos diques de rega, comi açorda de bacalhau à moda do Alentejo, ouvi o silêncio da madrugada da janela do meu quarto. Fui corrida de uma propriedade privada ao saltar uma cerca e vi o céu e o mar fundirem-se num só. Nas falésias deixei as tristezas, no alto das serras larguei as angústias . Numa das subidas mais íngremes, não tive força na perna e caí para o lado, lá, deixei um pouco da minha pele e trouxe um braço negro e arranhado como arranhado ficou o meu orgulho no momento. Cheguei por fim ao Cabo de São Vicente suja e cansada mas de sorriso nos lábios e muito feliz. Mais do que uns dias de férias, mais do que sair da rotina, mais do que correr mundo de bicicleta, mais do que tudo o que por lá deixei e tudo aquilo que trouxe, foi mais um desafio concluído! E quando eu consigo concluir desafios, eu consigo tudo....
Já estou a preparar o próximo.




















quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Não, não consegui explicar de forma a fazer-me entender…


Hoje tentei explicar a alguém que também não, não era capaz de me levantar às sete da manhã para fazer exercício físico mas que sim, sete, seis ou mesmo cinco se fosse para ir subir uma qualquer serra a pedalar ou andar uma ou duas horas de carro para ir conhecer uma nova ciclovia no outono onde os noventa quilómetros de pedalada ao longo de um rio são mágicos porque as folhas de vários tons de dourado vão caindo ao passarmos, atapetando os caminhos e iluminando os céus, que sim, que não me custa o frio e o calor ou até a chuva, a madrugada ou a noite quando se trata de subir ao monte e ver o mundo lá de cima, bem pertinho do céu e das nuvens. Que sim, que tudo vale por aquela imensidão a meus pés, aquela paz, aquele silêncio. Que não, não me custa pedalar dias seguidos para conhecer novos lugares, que não me custa o suor, o cansaço, a dificuldade, o pó, as pedras e as silvas quando é para pedalar, que não me custa fazer vários quilómetros toda molhada porque descobrimos um riacho por entre as árvores e nos refrescámos vestidos e calçados lá dentro. Não, não consegui explicar..


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Saber ler...

Era o que eu queria fazer ao pensamento do segurança que vive na gurita da fábrica perto de minha casa. O que pensará ele ao ver-me voar na lomba mesmo frente ao seu portão praticamente todos os dias, faça sol ou faça chuva, um dia a correr, no outro de bicicleta e no outro de carro, depois de novo de bicicleta, de novo a correr e depois de carro para lá e para cá num sem parança sem explicação. Eu sei que eu bem o vejo a espreitar quando eu passo praticamente a gritar Ahhh! lá vem ela, a maluquinha. Vou começar a fazer-lhe fixes para que ele tenha mesmo a certeza que eu não bato bem da bola.


A praia hoje às 7 da tarde estava brutal!


domingo, 6 de maio de 2018

O meu mar

Se os dias em que pedalei pela serra foram fantásticos, se vi montes, se vi vales, se andei acompanhada do cântico dos pássaros, se passei riachos e aldeias, se me achei, me reencontrei, se a minha paz se engrandeceu, se a minha alma se recompôs, voltar à minha praia e ao meu mar dá-me sempre anos de vida. O sol voltou e eu fui vê-lo. Estava lá, tal e qual e à minha espera...



quarta-feira, 25 de abril de 2018

E prontus!

Um dia já lá vai pela GR 22 a  rota das aldeias históricas, primeira etapa Castelo Novo - Idanha - Monsanto já está. Foi abrir e fechar cercas, passar rios, dizer adeus às vaquinhas e às cabrinhas e pedalar com um calor do caraças. 29 graus, chega? Adoro estas aldeiazinhas típicas

terça-feira, 10 de abril de 2018

Há já algum tempo

Que não ia ao Spa...
E posso dizer que após várias horas num banho de lama e outras tantas a tirá-la da bike, dos sapatos, da roupa, do cabelo (my God, o meu cabelo), fiquei como nova.

domingo, 12 de novembro de 2017

É por isto...

Daqui eu vejo o céu, daqui eu vejo a terra, daqui eu vejo o mundo e este mundo é meu.
Pedalo durante muitos e muitos quilómetros, sempre a subir, a subir, a subir. Mesmo até ao céu.
Mas não importa. Nada importa quando chego lá acima.
O mundo está a meus pés e eu bebo e respiro este mundo.

É por isto que eu amo pedalar!











domingo, 27 de agosto de 2017

Capítulos

Há muito que não pedalava sozinha, mas decidida que estou em contrariar a minha falta de vontade para fazer coisas, teria de ser hoje, não tinha companhia nem vontade de a arranjar iria sozinha, eu, a minha bike e a minha música estrada fora. Prestes a ter de desistir por causa daqueles pingos que teimavam em cair e que tornam a estrada perigosa para uma roda tão fina, decidi arrancar na mesma, devagarinho por aí fora. Já nem lembrava o quão gosto de pedalar sozinha e estar comigo e é quando estou comigo que tomo resoluções, que termino capítulos para iniciar outros. É limpar o pó, varrer o chão e fechar a janela para abrir uma outra limpa e desimpedida. Feito!
Quando cheguei às praias já estava sol.


terça-feira, 20 de junho de 2017

Voltei, voltei... voltei de lá!

Foram 480 kms de aventura, de calor, de camaradagem, foi o espírito de mosqueteiro, isto é, "um por todos e todos por um". Foram cinco dias de felicidade, de desafio, de dificuldades ultrapassadas, dia a dia, pedalada a pedalada.
Não sei se cheguei mais serena, se mais inquieta, não sei se encontrei o que procuro ou se vou continuar na minha luta. O que eu sei é que seguramente cheguei diferente. O que eu sei é que as lágrimas que me saltaram dos olhos assim que cheguei finalmente à praça em Compostela vieram do coração. Foram lágrimas de alegria, foram de felicidade, foram de gratidão e superação. Foram também de alívio, que já me doía o cú e as pernas e as costas e tudo e mais alguma coisa.
Há experiências, há pessoas, há situações que nos tornam melhores.
Sim, cheguei uma melhor pessoa, cheguei seguramente mais forte e com outra perspetiva de vida.






segunda-feira, 1 de maio de 2017

Hoje foi dia de desafio

Mais do que mais um desafio concluído, foi sentir que de alguma forma ajudei alguém a participar e a superar-se. Mais do que a minha própria superação, foi saber colocá-la de lado para ajudar alguém a consegui-la. Estou feliz.


terça-feira, 25 de abril de 2017

Noventa e seis horas

Eu vi serras eu vi mares
Eu pedalei sem parar
Estou demente eu sei
Mas é assim que gosto de estar


Quatro dias, noventa e seis horas, cinco mil setecentos e sessenta minutos de suposta pausa e descanso. Nestes dias pedalei tresentos e quarenta quilómetros. Pois. Larguei tudo e pedalei.
Além de dores no rabo e nas pernas, não sei o que procuro ou sequer se procuro alguma coisa. Talvez fuja de algo não sei, só sei que estes momentos me fazem esquecer. Esquecer do estado do mundo, da pequenez de algumas pessoas, da ingratidão de outras, do trabalho por resolver, das paredes da sala à espera de serem lavas, da roupa por engomar. Do meu lado negro também.
A questão é que quando chego a casa tudo está igual. 
Exceto eu.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Prazer solitário

Colhi um pouco de sol
Colhi um pouco de mar
Guardei-os no meu bolso
Para mais tarde me deleitar