Ana sempre teve umas mãos de fada. Tudo em que tocava se
transformava em algo bonito.
Os cadernos mais limpos e organizados eram os
dela, encapados e decorados com perícia, as bonecas, eram as que tinham os
vestidos mais bonitos, todos feitos por ela, os desenhos, os mais bem pintados,
sem um único borrão. Um esmero aquela miúda.
Já na altura, nas férias de verão, na menina Arlete, para
onde todos os miúdos ali da zona iam algumas semanas, a Ana, todos os dias
tinha ideias novas para brincar, sempre com coisas feitas com as mãos que as
outras miúdas copiavam logo em seguida. Até rendas e malhas ela sabia fazer,
tão novinha, mas tão portentosa.
Ana era dona de um sorriso lindíssimo, fazia
umas covinhas de lado, nas bochechas e embora pequenita e rechonchudinha, nunca
passava despercebida. Minha mãe estava sempre a falar-me dela como exemplo, mas
eu, nunca passei de uma pequena magricela e nunca quis nada com rendas e
malhas. Uma desilusão para ela, enfim.
Anos mais tarde acabei por lhe perder o rasto, mas sempre
que passava em frente à sua casa, antes dela se mudar para longe e ao ver as
cortininhas de renda, as andorinhas de louça na parede, os vasos pintados com
plantas viçosas às cores, tudo muito bonito e cuidado com esmero, imaginava a Ana
a fazer bonecas de trapo e malha.
Descobri-a há pouco no Instagram e tenho de vos mostrar….