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sexta-feira, 1 de março de 2019

E assim se gasta meia vida

Fui de bicicleta à bênção dos ciclistas a Fátima. 
Em chegada lá, não coloquei a puta da  vela a arder porque a fila tinha mais de um quilómetro, não assisti à missa pois havia dezenas de ciclistas e não se ouvia nada. 
Fui almoçar uma sandocha de leitão, portanto.
Antes tivesse esperado e antes tivesse ficado. Ou nem sequer devesse ter ido. Sei lá eu. 
O que eu sei é que na volta vinha a descer um estradão a cento e duzentos à hora e aparece-me uma curva fechada que não consegui fazer. O instinto deu-me para travar. Mal feito! A roda da frente esbarrou e eu esbardalhei-me feio. 
Esfarrapei todo o lado direito nas pedras e fiquei aflita de um pé. Respirei fundo, bebi água, descansei, endireitei-me, ajeitei o orgulho ferido e mais o pé e aí vou eu. Doía-me horrores mas dava para pedalar. Pedalei mais vinte quilómetros até não poder mais pelo que foram levar-me a casa. 
De casa ao hospital, tornozelo partido, tíbia rachada perna acima. Rica coisa fui arranjar.
Cinco dias de internamento, cirurgia e três parafusos no pé depois, aqui estou eu... já em casa, perneta, de férias forçadas e cheia de mimo. Trabalhar e pedalar só daqui a uns meses...


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Se tem cara de benuron

Perguntou a minha amiga a alguém que desfiava um Rosário de doenças há mais de meia hora.

O que eu me ri

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A vida maravilhosa de Jacinta

A sua formação em Engenharia Mecânica, a sua inteligência e profissionalismo, a sua boa disposição e a sua beleza fizeram com que tivesse muitos amigos, um bom emprego, que pudesse viajar para locais exóticos, comprar roupas de marca, viver na zona cara da cidade. A sua vida era maravilhosa e ela escrevia com eloquência e paixão, retratando os seus momentos felizes. O seu blog era um sucesso. As fotos das festas, dos lugares fantásticos onde ia, do seu aspeto impecável tornaram o seu instagram um sucesso também. Era uma vida das revistas, uma vida de sucesso e felicidade. Cansou-se, no entanto, de manipular imagens e palavras, chegou um momento em que o que ela queria mesmo era falar da sua solidão, do emprego precário de onde nunca tinha conseguido sair, das roupas que nunca teve, da tristeza que sentia. Apagou tudo e criou um novo blog, um novo instagram.

Na realidade Jacinta até era parecido com Joaquina e ali ela podia ser o que quisesse. Agora para variar seria uma jovem desesperada por uns tempos. Depois, logo se veria…

terça-feira, 6 de junho de 2017

Será que é só nos filmes?

Assim que chega a casa, suspira, descontrai e aos poucos vai tirando a máscara. Os sapatos de salto, a roupa certinha e apresentável, tira as pulseiras e os brincos, prende o cabelo. Veste uma roupa larga e confortável, amarrotada de ter sido atirada à pressa para o roupeiro no dia anterior, uma t-shirt velha, umas calças mais que usadas, mas o que importa isso, afinal é para andar em casa, na intimidade do lar, sem máscaras, sem maquilhagem que disfarça as gelhas do dia e encobre os olhos cansados, sem um penteado que disfarça o cinzento da alma,  sem o sorriso número sete que esconde as contrariedades. Sabe tão bem poder estar finalmente na pele que tão bem se ajusta a si. Tira a loiça da máquina, põe roupa a lavar, faz o jantar, dobra cuecas e meias, trata dos filhos, faz o jantar, arruma a cozinha. Uf! Um banho, um pijama fofinho, um pouco de creme nas mãos. Exausta, descansa... Caramba. Nos filmes e nas revistas e nas séries, as mulheres estão em casa, bonitas e apresentáveis, de batom nos lábios, penteadas, calçadas, engraçadas, sem nada para fazer que não seja mimar maridos e filhos, ler, conversar, ouvir música, pintar, escrever e rir muito... Será que é só nos filmes?