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terça-feira, 10 de abril de 2018

Este cinzento...

Que não me sai da alma nem do corpo, à semelhança do céu lá fora. As minhas nuvens são grandes e escuras e estão tão baixas  que quase as alcanço com as mãos. Quem me dera poder agarrá-las, empurrá-las, afastá-las de vez para deixar entrar o sol e o calor nesta minh'alma cansada e desgastada. Tantas vezes estas nuvens já vieram para depois se afastarem e deixarem passar a justiça e a verdade, a destrinça no pensamento daqueles que apenas se vêem a si próprios. Sei. Sei que mais tarde ou mais cedo isso acontecerá, acredito ou quero acreditar que todos os olhos verão a realidade e não apenas o que querem ver. Enquanto isso o tempo vai passando. 
Aqui fico. À espera.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

O rosto


"O rosto é a porta da alma". (Cícero)



Quantas vidas, quantas mortes, quantas alegrias, quantas tristezas. Um rosto marcado pela vida e pelos anos, um rosto com alma. Quantos segredos, quantas palavras, quantos silêncios, quantas lágrimas ou sorrisos conterá este rosto...
Gosto de olhar os rostos de frente, nos olhos, observá-los. Os que me rodeiam, os com que me cruzo, os que conheço e os que nunca vi antes. Tento escrutinar-lhes a alma, interpretar-lhes cada sulco, cada  pedaço de pele, os olhos, a boca. Há rostos onde nada vejo, olhos mortiços, pele sem vida, bocas finas e apertadas, sulcos disfarçados, rostos sem expressão. Esses são um enigma para mim, embora ache que são rostos dissimulados, maquilhados, mascarados. Por alguma razão talvez, são os rostos da indiferença.
Há no entanto rostos que são para mim um livro aberto. Consigo ler-lhes a alma, a essência, a tristeza, a felicidade, a dor, o abandono, a solidão, o sucesso... Um rosto diz-nos tantas coisas. Gosto de olhar os rostos, a porta da alma.



(Nota: Rosto de uma Nazarena desconhecida que captei com a minha objetiva há 3 anos. Este rosto melancólico e resignado fascinou-me...)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Haveria de chegar o dia

Finalmente chegaria o dia em que ele havia crescer e compreender que a vida, além de ser para ser vivida, seria também de humildade, de aprendizagem e de luta. Nesse dia, ele havia de entender que a vida é receber, é ficar à espera, é ser-e o centro do universo, mas também é fazer parte desse mesmo universo, indo, dando, amando, apoiando e colaborando. Quando chegasse esse dia, após anos e anos de revolta e incompreensão por parte do mundo, pensava ele, e  após dezenas de guerras inglórias, o isolamento, o desgosto e  a infelicidade fá-lo-iam descer à terra e enfrentar finalmente uma realidade que julgava não existir. Nesse dia veria tudo com uma clareza tão pura e cristalina, que se tornaria finalmente um homem e se faria a vida e amaria incondicionalmente e compreenderia os que o rodeiam e as suas imperfeições e partiria para a sua luta como todos os outros.
Haveria de chegar esse dia...