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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Como eu vi "O Caminho" - a chegada

E lá partimos de manhã muito cedo com direcção a Catedral de Santiago de Compostela, nossa última etapa. À medida que nos aproximávamos a quantidade de peregrinos aumentava e não parávamos de dizer Bom dia, Olá e Bom Caminho.   Nesta fase final havia muitas pessoas com cara de sofrimento, cansados, transpirados, a coxear, e a andar muito devagar. Era afinal o acumular de alguns dias e muitos kms. No nosso caso, que começámos no Porto, foi um total de 264,5 kms. 
Eu, estava ainda mais determinada pois via aproximar-se o meu objectivo. Apesar de cansada, suja, de rabo dorido e pernas amassadas, foi o dia em que pedalei mais depressa. O Objectivo era chegar lá pela hora de almoço para podermos desfrutar do local antes do regresso a casa de carro. Pelo caminho voltámos a encontrar o casal alentejano que tínhamos conhecido no dia anterior e lá fomos a tagarelar todo o caminho.
Após a última subida para a catedral, chegámos os 6 à praça da catedral exactamente à 1 da tarde. Foi lindo, foi mágico ver aquela praça repleta de pessoas, umas a  descansar deitadas no chão, outras a tirar fotos, outras a abraçarem-se e a cumprimentarem-se felizes com a chegada. Bom, a catedral, já lá tinha ido, mas era criança e não me lembrava de nada, é linda e estava repleta de gente de muitos locais do mundo. Cusquei tudo quanto era canto, só não abracei o Santo pois as filas eram intermináveis e estávamos esganados com fome. Na fila para o carimbo final das credenciais e recepção do "diploma" com os nossos nomes em latim, havia dezenas de pessoas com ar cansado mas feliz, tal como o meu. Os sorrisos e as conversas falavam por nós.
E lá chegou ao fim esta aventura mágica, este desafio que não podia deixar de cumprir. 
Acho que vou voltar..



Como eu vi "O Caminho" - dia 2

Diziam ser o mais difícil. De facto houve uma enorme subida de um monte onde era impossível pedalar e tivemos de carregar as bikes às costas, mas o espírito de entreajuda dos meus companheiros de viagem e ainda de alguns peregrinos que viajavam a pé e me ajudaram a transpor aquele obstáculo, tornaram este momento indescritível. Todos se cumprimentam, trocam-se saudações, palavras de ânimo. Isso e a beleza das paisagens foram dos pontos altos deste Caminho. Os cânticos continuaram a ouvir-se por aqueles montes fora e os peregrinos eram mais que muitos e de muitas nacionalidades. Íamos parando para tirar fotos, comer, confraternizar com as pessoas e carimbar as nossas credenciais de peregrino. A maioria dos peregrinos iam a pé, alguns grupos iam de bike e até alguns a cavalo. Atravessámos aldeias, cidades, montes, pomares, vinhas e até alguns riachos. Muitas estradas romanas em pedra, vias rápidas, estradões, subidas sinuosas e descidas complicadas... O meu maridão empurrou-me algumas vezes, quando o caminho se complicava, foi incansável. Primeiro dizia que estava ali por mim, para me ajudar a realizar este sonho, que aquilo nem significava assim tanto para ele, mas agora já fala em repetir, adorou cada minuto o que me faz muito feliz.
A 2ª etapa terminaria em Pontevedra, mas os alojamentos estavam à pinha e ficámos a 14 kms, em Arcade, onde jantámos uma paella divinal. Ainda passeámos pela ria onde encontrámos portugueses a pescar. Foi engraçado.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Como eu vi "O Caminho"

Um pouco difícil em alguns momentos sim, mas muito belo e muito mágico em todos os outros. E agora que o fiz, que consegui cumprir mais um objectivo a que me propus, sinto-me muito mais forte, muito maior, muito mais rica no meu interior. Tenho o coração cheio daquilo que vi, daquilo que passei, daquilo que senti...

Dia 1
O mais difícil para mim, pois arrancámos do Porto já passava das 10 da manhã por causa da credencial de peregrino e pedalámos durante longos 108 kms (fizemos um pequeno desvio para passar num sitio que nos tinham recomendado), muitos deles por estradas e a subir. Ainda assim, adorei pedalar cada km.  Adorei atravessar o Porto de bike, cidade que praticamente não conhecia. Tenho de voltar lá com tempo.
O percurso está muito bem marcado e quase de 100 em 100 metros encontramos setas amarelas ou o símbolo da concha da vieira desenhados nos postes, nos muros, nas estradas, Não há que enganar e O Caminho passa por montes de igrejas e outros monumentos religiosos de grande beleza, assim como as paisagens são de cortar a respiração.
Pelos vistos este fim de semana foi muito fértil no que toca a festejos e por aqueles montes e vales ecoavam cânticos, bandas filarmónicas, foguetes e música pimba. Cada cidade e aldeia que atravessávamos tinha a sua própria música, as suas ruas engalanadas e as suas pessoas vestidas para as festas. Com o eco dos montes, os sons misturavam-se e faziam-me sentir um friozinho na barriga.... À medida que íamos passando, imaginei-me na pele de cada uma daquelas gentes. Como já partimos muito tarde quase não encontrámos peregrinos, mas a chegada a Ponte de Lima surpreendeu-me, havia dezenas deles pelas ruas. E mais uma cidade em festa que quase não arranjámos alojamento, estava tudo cheio e pagámos uma pequena fortuna para pernoitar. Valeu no entanto a pena, pois Ponte de Lima é mais um local onde tenho de voltar com mais tempo, do que vi, é um lugar lindo.