segunda-feira, 15 de julho de 2019

Entretanto, a sul

Onde as ondas meigas e calmas do Mediterrâneo vêm beijar as areias escuras da praia e onde o sol da tarde estala na pele fazendo-me fugir para a sombra.
As noites são quentes e secas, quase tão quentes quanto os dias mas eu não sei, será do cansaço das caminhadas pelo areal, será do sol ou da simples despreocupação com o mundo, o vazio da mente que teimo em trazer, a razão pela qual aqui durmo sempre tão bem. Ou será pelo embalar das ondas do mar mesmo do lado de lá do muro? Ou será por saber que estou longe de todos os meus problemas ainda que por apenas uns dias?
De madrugada, refastelo-me na cama de portadas abertas a ouvir as pequenas ondas a bater na areia, onde entretanto o dia chama por mim.
Gosto de madrugar e deambular pela varanda perscrutando a praia, observando cães e donos numa brincadeira de fazer inveja. Desportistas correm para cá e para lá. Gosto de chapinhar no mar e entrar na sua água um pouco fria, sentir a pele a ser refrescada. Gosto, ano após ano, apesar de sempre iguais, destes dias de evasão, a novecentos quilómetros de casa.
Eu por cá, a sul, estou bem.
Até já.








terça-feira, 9 de julho de 2019

Spot


O  pinhal de Leiria ou o que resta dele é imenso. 
Há anos que me embrenho nele e julgava que o conhecia bem, no entanto, fogos e milhares de pinheiros cortados depois  tudo está diferente, foram-se os pontos de referência. 
Ontem andei perdida e até me assustei um pouco quando vi uma carrinha aparecer do nada à minha frente e no meio do pinhal, mas não houve perigo, apenas me fez desviar da rota e andar perdida mais um tempo. Valeu-me o sentido de orientação e voltei ao trilho. Mais uma aventura. Mais umas quantas descobertas. Sabiam que apesar de não haver pinheiros as aves continuam lá? Muitas me acompanharam ao longo do meu passeio. Chapins, cotovias, piscos. Milhafres imponentes. Adoro os milhafres com as suas asas enormes a sobrevoarem os céus à procura de comida.
No final lá voltei ao meu spot preferido.
Lindo não é? |



segunda-feira, 8 de julho de 2019

A Guerra dos Plásticos


Aos poucos quero juntar-me a ela. Dói-me o coração ver aqueles rios de lixo plástico, os animais a morrerem por causa dele, os pinhais cheios de despojos de quem não tem consciência, em suma, a terra a morrer e eu a ver.
Já temos o mar, a terra e o ar contaminados e daqui a mais começamos a cair para o lado que nem tordos como se diz na gíria. Assim como cuidamos da nossa casa e de nós, devemos cuidar do nosso planeta.
Esta não é uma guerra fácil tendo em conta que a nossa vida está rodeada de plástico, de manhã à noite e em todos os locais por onde passamos, mas os pequenos passos de cada um, fazem muito, por isso, vamos lá à luta.
Reciclagem já faço há muito e raramente deixo escapar algo e ai de quem deixe cá em casa. Tenho vindo a substituir recipientes de plástico por vidro e reutilizo garrafas, frascos de vidro e latas. Uso e abuso de cestos de verga. Não uso palhinhas que já não há bebés em casa, nem louça descartável, lavem e limpem que faz bem exercitar os bíceps, cotonetes também não uso, limpem masé os ouvidos com o dedo mindinho ou deixem crescer a unhaca e agora, estou a tentar abolir os sacos. Na mercearia peço para pesar avulso e coloco tudo no saco de pano que levo sempre comigo, no supermercado, levo sacos antigos comigo e encho-os com os diferentes géneros para a pesagem. Em casa volto a guardá-los e reutilizo-os até se estragarem. Só então vão para o lixo. Outros lixos domésticos e comestíveis, guardo para as galinhas de Mamãe.
Sei que não é muito aquilo que faço, mas já é alguma coisa e conto que seja cada vez mais.
Feliz por contribuir.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Receita de doutor

Caminhar na areia da praia para exercitar o pé, disse ele.
Levei a chave da praia pois àquela hora e com um dia tão cinzento a praia estava deserta e a porta já fechada.
Apenas algumas canas de pesca e alguns pescadores vestidos até aos olhos e, surpresa das surpresas, o nadador salvador, a bandeira hasteada. Provavelmente teria de cumprir o horário do contrato, coitado.
Onde já se viu uma praia deserta em pleno mês de julho.
O mar estava escuro pela falta de sol mas calmo e muito cheio. Surpreendentemente a água não estava fria. Um regalo, a água salgada.
Que paz, que calmaria, que cócegas nos pés.
Voltei a fechar a praia no regresso. Talvez volte amanhã.
Trouxe uma recordação nos bolsos.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

quarta-feira, 3 de julho de 2019

A dar nos verdes


Não consegui adiar mais, ontem tive de ir comprar carne. Esgotadas que estão as alternativas de saladas, massas, legumes salteados e peixes, e farta de reclamações, lá tive de abastecer a arca.
Contrariada é certo. Não é que não goste, mas nitrofuranos, hormonas e afins arrepiam-me só de pensar e enfarta-me mastigar e engolir tanta cena química.
Mas cá em casa os meus três homens adoram carne e refeição que não seja de carne, especialmente os filhos, dizem, não é uma boa, completa e saciante refeição. O que fazer??
Eu, gosto de peixe, mas peixe da aquicultura também me arrepia. Gosto de peixe que é do mar e é sempre o que peço quando vou comprar, mas que “o peixe vem todo do mar” é a resposta que sempre me dão.
Mas não, os peixes estão ali fechados em água salgada a enfardar farinhas e mal conseguem nadar ou crescer livremente, isso não é mar, é um quadrado de água.
Por mim virava vegetariana e pronto, mas cá em casa já me disserem que tirasse o cavalinho da chuva que querem continuar a dar forte na carne.
Pois que ando aqui a magicar uma forma de os enganar e a ganhar coragem para me impor numa viragem total, mas ainda não estou preparada para o embate.
Nos entretantos, vou dando nos verdes à parte e à socapa.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Minutias


Apesar do detox e da tática do deixa para lá contando até vinte, trinta ou até cinquenta, persistem os meus problemas com minudências.
A mudança do rolo do papel higiénico pós términus, ou a falta dela, os ténis espalhados na sala e ou outras cenas várias, muitas, fora do sítio, são coisas que me encanitam os nerves. Já vómito de gato em forma de bola de pelo, restos de ceia tardia de filhos em férias espalhados pelo sofá e cozinha de pernas para o ar derivado da confeção da mesma e ainda, garagem repleta de sacos resultantes do esvaziamento de quarto de estudante, é coisa para me dar vontade de gritar.
Não gritei.
Fechei a porta, muito devagarinho e zarpei para o trabalho
Pode ser que logo tudo esteja nos seus lugares.
Ou talvez não.