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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Hoje cheirou-me a queijo

Esta tarde, olhava eu pela vidraça da sala de trabalho constatando que a chuva tinha dado tréguas e que até talvez fosse desta que o tempo abrisse e quem sabe até o sol desse um ar da sua graça, quando me veio á memória o cheiro do queijo que distribuiam pelos alunos quando eu andava na escola primária.
Tenho esta mania de guardar memórias com cheiros, vá-se lá saber porquê. E nem faço a menor ideia porque raio fui eu lembrar-me do cheiro áquele queijo num dia em que me apeteceu bater em pessoas porque estava a chover.
Mas falava eu do cheiro daquele queijo que vinha em latas para as escolas depois do 25 de Abril. Em chegando o intervalo, fazíamos fila e a professora abria as latas e cortava e distribuia pedaços de queijo com bolachas por todos nós. Alguns nunca lanchavam porque simplesmente não tinham nada para lanchar e assim, passaram a comer a meio da manhã. Não era o meu caso, a quem a minha mãe mandava pão e fruta e ai de mim que não comesse tudo, mas o queijo era para todos sem discriminações e todos tinham de o comer.. O queijo que vinha em latas! Foi mais ou menos nessa altura que me lembro de ter passado de "palito/palito fino" para somente "palito com pernas".
Lembro-me até do sacrifício que fazia por ter de o comer pois não gostava do queijo, muito menos do cheio. Mas hoje apeteceu-me tanto uma lasca....

terça-feira, 19 de abril de 2016

Lembro-me

Sábados eram dias de quintal, um dos passatempos de meu pai. Apaziguava-lhe o stress da semana, dizia. Apanhei-lhe o gosto.
Nesses dias ele podava árvores, colhia a fruta da época, revia o estado das cercas dos animais, estudava e engendrava complicados esquemas para abastecimento automático de água aos bichos ou o sistema de rega de todo o quintal. E eu, andava por ali a cirandar á volta dele, que dentro de casa é que ninguém me segurava. Dava-lhe as ferramentas, segurava as cestas da fruta que, uma vez cheias levava para dentro, apanhava braças cortadas e juntava num monte e no fim do dia sentávamo-nos os dois no alpendre a ver os patos acabados de nascer a nadarem na enorme banheira enterrada na terra a fazer de lago.
Lembro-me.
Lembro-me do calor que fazia em algumas dessas tardes, das gotas de suor na testa de meu pai, do seu ar cansado, mas também do sorriso nos seus olhos. Ele sorria sempre com os olhos e eu tinha sempre de olhar para eles, iguais aos meus.
Lembro-me do cheiro a terra em mim, dos meus joelhos negros  e das unhas encardidas. Lembro-me da minha mãe a trazer o lanche para nós numa bandeja e da minha irmã atrás dela. Ficávamos ali, os quatro, a ver os patos nadar...