Mostrar mensagens com a etiqueta divagações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta divagações. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

É

E no meio do barulho que melhor oiço o silêncio.
É no escuro que melhor vejo a claridade

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Gostava

Sempre que as oiço, dizendo-as ou ouvindo-as sem que queira, juro a mim mesma que um dia vou ser capaz. Se há palavras, que eu sei, que voam com o vento, outras há que ficam gravadas no tempo, suspensas por um pequeno e ténue fio de voz num qualquer recanto da memória. Essas, as que ficam, são muitas vezes como pequenas agulhas que se vão espetando na pele e que a nós e aos outros fazem doer em certos momentos. E doem uma eternidade...
Talvez possa ainda chegar o dia em que eu consiga dourá-las, contorná-las, enfeitá-las com flores e berloques para que não mais doam. Gostava. É que eu teimo em acreditar em palavras...

Esternocleidomastoideo!
Hoje esta dói-me p'ra caraças.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Pintei



Lanterna para a noite

Pintei uma porta para o mundo e saí
Pintei uma janela para o amor e amei
Pintei uma lanterna na noite e olhei
Pintei estrelas, pintei flores
Pintei o céu e o mar
Pintei filhos, pintei mães
Pintei a alegria e a felicidade
Pintei...



segunda-feira, 9 de maio de 2016

Casa com gente dentro

Casas de sonho e revistas de decoração com tudo perfeito e a condizer. Que sonho. Um toque aqui, um pormenor ali, um padrão, uma flor um tom claro, um cadeirão ás flores para quebrar a monotonia, umas janelas enormes para deixar entrar a luz, espaços amplos para dar a impressão de grandeza, pinturas, molduras, objetos personalizados, livros. A nossa casa somos nós, que escolhemos tudo á nossa imagem e da nossa carteira, sonhamos no entanto com as casas das revistas. Um dia talvez, se a sorte nos bafejar com a chave certa do euromilhões.
Mas a minha casa é a minha e tem gente dentro. A terceira ronda de pratos que comprei desde que me casei já tem os rebordos lascados, o quarto conjunto de copos já está baço da máquina de lavar, o cesto da roupa tem uma imensidão de meias desirmanadas, na arca frigorífica nasce gelo todos os dias e o espelho de aumentar da casa de banho tem ferrugem da humidade. Talvez compre um novo conjunto de pratos e outro de copos, talvez deite fora afinal as meias desirmanadas e substitua a arca e o espelho. Ou talvez não. Gosto das casas das revistas, mas a minha é minha e tem gente dentro.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Sabia-se de cor

Imagens da sua vida sucediam-se a uma velocidade estonteante diante de seus olhos que cerrava com quanta força tinha para parar tamanho corropio. Sabia que nos filmes tal acontecia quando se caminhava para o túnel de luz que se apagaria no final, quando a alma saia do corpo e subia. 
Era por isso urgente parar.
Teimosamente viu-se no entanto a correr por entre flores, a trepar a ginjeira, a correr para o baloiço. Sentia o vento no cabelo, as ervas a arranhar-lhe as pernas, o cheiro das flores que sucumbiam  á sua passagem. Depois ouviu os soluços pelas amizades perdidas, o fim do primeiro amor e a partida para a grande cidade onde daria o salto para a independência. Viu-se vestida de branco, ouviu o choro fraco e aflito do seu primeiro filho, depois o médico a dizer-lhe que não fizesse força que o bebé tinha o cordão umbilical enrolado no pescoço, tão pequeninos, tão indefesos, tão desesperadamente amados. Logo de seguida já estava com um ao colo e outro agarrado á perna. Viu-se rodeada de beijos e abraços, viu-se prenhe de amor. Excertos de vida, flashes de lugares e cheiros e momentos felizes. Pessoas a partirem, outras a chegarem.
Em poucos minutos riu e logo depois chorou.
Sabia-se de cor.
Nunca iria perecer, pois renasceria quantas vezes fossem necessárias.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Pintei...

Hoje pintei os olhos de azul. Azul da cor do céu para que perdure em mim a alegria de viver e da cor do mar para me lembrar do movimentos sincronizados das ondas que tanto me fascinam. Azul já não é cor habitual de que se pintem os olhos, mas não tendo pintado de azul, tê-los-ia pintado de verde. Verde da cor da serra e dos prados que vejo montada na minha bike, o que me faz tão feliz. Mas o verde também já não é a cor de que hoje em dia se pintem os olhos. Amanhã vou pinta-los de amarelo da cor do sol, mas eu nem gosto de amarelo, e amarelo também não é cor com que se pintem os olhos. Rosas, pasteis, castanhos, cinzentos? Não. Amanhã não vou pintar os olhos, vou trazer a minha paleta de cores bem junto do coração e vou colorindo o meu dia com elas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Limbo

Não  era noite  nem era dia, não  havia sol e nem havia lua. Não era quente nem era frio e não  havia barulho nas não  estava silêncio.
O tempo parou, o mar secou,  a terra estagnou e o céu fundiu-se na imensidão.
Nada.
Só tu. E eu. Ali estendidos num longo abraço...