domingo, 13 de maio de 2018

E se eu vos disser

Que este bolo saiu do forno às cinco da tarde, ein?
Eu já vos disse, tenho termites em casa e já tive de pegar na vassoura e correr todos da cozinha.


terça-feira, 8 de maio de 2018

Anos de vida

Diz-me o doutor de meus filhos que conheço há anos e a propósito da minha recente viagem de bike, que eu havia de abrandar, que havia de ter mais cuidado pois o nosso coração é como o motor de um carro, quanto mais trabalha, mais se gasta e se cansa. Eu.... respondi-lhe o que de imediato me ocorreu, que é isto que me dá anos de vida e força para ultrapassar todos os contratempos . E é!!
Não, não é só bom, também é dor e é sofrimento, é quase morrer de calor num dia e dois dias depois entrar quase em hipotermia por causa do frio e da chuva, são as dores nas pernas e nos braços e nas costas, é o rabo quase em ferida de tantas horas em contacto com o selim, é o cansaço, é o esforço é o medo de cair ou de não conseguir chegar. Mas também é felicidade e alegria puras, é ar livre, é beleza, é conhecer, é ver o que os outros não vêm, fazer o que os outros não têm coragem de fazer, é testar o corpo e a mente, é chegar à conclusão que queremos, somos e podemos e que nada nem ninguém nos mete medo. É desafio, é adrenalina, é conquista, é paixão. E por último, é concluir que tentando e lutando conseguimos, é a mente a dominar o corpo, é não ficar e ir, é arriscar, é saber enfrentar os medos, é ganhar ao invés de perder, é esperança, é viver.
E isto é ou não ganhar anos de vida?




segunda-feira, 7 de maio de 2018

Dualidade


Sento-me no fundo da sala panorâmica frente ao mar e um pouco afastada de todos observando os pequenos grupos que se vão formando por entre aquele grupo maior. Observo alguns, saltitando de grupo em grupo, conversando, rindo, perguntando, dizendo, lembrando histórias do passado e não querendo perder pitada, bebendo de tudo e de todos, absorvendo e dando-se de corpo e de alma cheios de certezas e de palavras. Eu observo, ora a vista do mar, ora as pessoas e aquele saltitar tão caraterístico daquela família. Engraçado como me sinto tão de outra.  Sinto-me estranha, deslocada, até um pouco desassossegada. Observo de novo a vista e regozijo-me por ser quem sou, por apreciar o mar e o sol, por ver rios em montanhas secas, por saber apreciar silêncios, meus e dos outros, mas depois fico insegura e penso como me verão os outros, talvez uma antipática com mania de importante, uma alienada familiar e resolvo juntar-me a um dos grupos. Nessa altura já todos estavam de partida para outros grupos e eu fico de novo sozinha, desarmada. Vagueio pela sala. Ainda nessa manhã me reconheceram a cara chapada de meu pai com quem de facto me identifico em todas estas características incluindo a física e já estavam a jurar a pés juntos que era igualzinha à minha mãe. Perdi-me então de novo na minha identidade sentando-me e descalçando os saltos altos por baixo da mesa para que ninguém visse que até nisso a minha família é outra. No fundo sinto-me feliz por nenhum dos meus filhos ser assim, como eu…

domingo, 6 de maio de 2018

O meu mar

Se os dias em que pedalei pela serra foram fantásticos, se vi montes, se vi vales, se andei acompanhada do cântico dos pássaros, se passei riachos e aldeias, se me achei, me reencontrei, se a minha paz se engrandeceu, se a minha alma se recompôs, voltar à minha praia e ao meu mar dá-me sempre anos de vida. O sol voltou e eu fui vê-lo. Estava lá, tal e qual e à minha espera...



sexta-feira, 4 de maio de 2018

Só porque sim

Depois do frio e da chuva e do vento que apanhei no início da semana a pedalar na serra comprei um biquini que só vou usar lá para Julho ou Agosto. Voltei ao trabalho mas não me apetecia. Lavei sete máquinas de roupa que tenho agora para dobrar e engomar. Voltei a beber água com limão. Já estou de novo farta de pessoas... Eu Quero voltar para a serra...

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Caixa de surpresas

Existe em mim uma caixa. E em ti e nele e nela... Habita em todos nós uma caixa cuja tampa está prestes a saltar e a mudar o rumo dos acontecimentos, das nossas vidas, da nossa história. Olhando para trás dificilmente voltarei a acreditar que podemos traçar um plano de vida e segui-lo, pese embora o fizesse ou tentasse fazer até há bem pouco tempo. É que as nossas caixas, amarradas com finas fitas de seda, estão plenas de surpresas, e as delicadas fitas soltam-se ao entreabrir da tampa fazendo com que brote o mais profundo de nós. Tantas caixas há em que é preciso tão pouco para que se abra essa tampa, outras há que passam uma vida inteira fechadas. Não seremos apenas nós, tão pouco apenas os outros, será talvez um conjunto de circunstâncias quantas vezes alheias a nós que mantêm essas caixas fechadas, essas fitas amarradas. E quantas vezes aguardo ansiosamente que a tampa se abra e isso não acontece. E quantas vezes já mudei o meu rumo, quantas vezes já se me abriu a caixa e me surpreendi, quantas vezes já morri e quantas já renasci, quantas vezes já dei por mim e tentar sair por essa tampa entreaberta e a realizar sonhos, a fazer coisas difíceis e inimagináveis.  A minha caixa é cheia de surpresas. Está amarrada com finas e frágeis fitas de seda...

terça-feira, 1 de maio de 2018