A uma Gaja fascina-a a tecnologia.
Isto de carregar numa tecla e ver-se noutro lugar, longe das 4 paredes onde se encontra, é coisa para a deixar extasiada. Desde que tem um telemóvel inteligente (cortesia de maridão) uma gaja, sem sair do lugar e mexendo apenas os dedos e os olhos (por isso estou cada vez mais pitosga), consegue ir de Freixo de Espada a Cinta a Cuba do Alentejo, passando pelo Sobral de Monte Agraço num ápice, saber a meteorologia em Kuala Lumpur, conversar com filhos, ir ao banco, escrever e ler autênticas obras de arte, procurar uma nova posição no Kama Sutra, cuscar a nova coleção do Armando e da Luis Vitão, fazer maravilhosas e originais selfies e postar na hora, registar os treinos de bike, fotografar os coelhos a mocar com as coelhas no pinhal e até saber o que fazem os amigos. Eu sei lá, quase tudo, gente, quase tudo.
Eu e ele, o meu telemóvel super inteligente e eu, desenvolvemos desde então uma relação linda e apaixonada, somos inseparáveis, praticamente siameses ao ponto de ele dormir comigo, juntinho à almofada, para que o possa ouvir dizer-me que já é hora de levantar. Sabe tudo sobre mim o meu telemóvel inteligente.
O problema, pessoas, é que o meu telemóvel, tão inteligente e maravilhoso que ele é, mas que nunca mais foi o mesmo desde que caiu dentro do pote da compota de tomate, andava-se-me aqui a perder o piu, coitadinho e antes que se finasse de vez, lá tive de o levar ao Doutor.
Digam-me pessoas, como vou eu viver 2 longas semanas sem ele e ele sem mim e longe de tudo e de todos??
Ai que estou tão triste, ai que já estou a ressacar e ainda só passou 1 dia. Ai levem-me ao psicólogo.