segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Não gosto

Não gosto quando me arrombam os dias.
Metem-me o pé de cabra à porta e entram pelo meu dia adentro sem que eu consiga impedir. 
Trocam-me a tarde com a manhã, reviram-me as horas, deixam-me os minutos fora do sítio sem que os consiga encontrar. A calma fica assustada, a concentração foge com medo e o raciocínio fica num alvoroço.
Gosto ainda menos quando me arrombam as noites. Trocam-mas pelos dias, reviram-me os sonhos, desarrumam-me o descanso. A cama fica toda embrulhada, a pele exaltada e a rotina alterada.
Já venho, vou buscar uma corrente e um cadeado.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

É

E no meio do barulho que melhor oiço o silêncio.
É no escuro que melhor vejo a claridade

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Gostava

Sempre que as oiço, dizendo-as ou ouvindo-as sem que queira, juro a mim mesma que um dia vou ser capaz. Se há palavras, que eu sei, que voam com o vento, outras há que ficam gravadas no tempo, suspensas por um pequeno e ténue fio de voz num qualquer recanto da memória. Essas, as que ficam, são muitas vezes como pequenas agulhas que se vão espetando na pele e que a nós e aos outros fazem doer em certos momentos. E doem uma eternidade...
Talvez possa ainda chegar o dia em que eu consiga dourá-las, contorná-las, enfeitá-las com flores e berloques para que não mais doam. Gostava. É que eu teimo em acreditar em palavras...

Esternocleidomastoideo!
Hoje esta dói-me p'ra caraças.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Pintei



Lanterna para a noite

Pintei uma porta para o mundo e saí
Pintei uma janela para o amor e amei
Pintei uma lanterna na noite e olhei
Pintei estrelas, pintei flores
Pintei o céu e o mar
Pintei filhos, pintei mães
Pintei a alegria e a felicidade
Pintei...



sábado, 4 de fevereiro de 2017

E após vinte e um dias de pausa forçada pedalei!
Acordei e não quis saber de nada, peguei na bike e fiz-me ao caminho. Contra o vento, contra a chuva, contra o tempo, fui. O vento estava tão forte que dificultava a pedalada e me empurrava para trás mas em chegada à praia verifiquei que o mar amainou e pareceu-me até ver um pequeno raio de sol a tentar furar por entre as nuvens, chuva nem vê-la. Não vi vivalma, não me cruzei com ninguém por aquelas bandas, mas não há que fiar pois à vinda para casa assim que resolvi agachar-me atrás de um pinheiro para escorrer a água às azeitonas ao ar livre apareceu um carro, dois corredores e uma moto. Raios, uma Gaja já nem pode fazer uma mijinha no pinhal descansada...
Foram apenas trinta quilómetros mas alegraram o meu coração. 
Bom fim de semana.





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Preciso

Há dezoito dias que não pedalo, mais precisamente há quatrocentas e quarenta e duas horas. Porque faz um frio de rachar, porque chovem cães e gatos, porque é noite às cinco da tarde, porque não tenho companhia. Não, não é por nada disto pois não há chuva, não há frio, não há noite, muito menos falta de companhia que me impeçam de pedalar, simplesmente outras prioridades e urgências me têm impedido de o fazer. A minha vida está virada do avesso e eu já não sei o que faça. Não pedalo há dezoito dias, não corro há dois meses, não vou ao ginásio há 4 e não vou ver o mar nem a serra já nem sei há quanto tempo.
E eu preciso disto como de pão para a boca... Começo a definhar de corpo e de alma.
Preciso de ouvir as ondas, preciso de ver a espuma a espalhar-se na areia, preciso de silêncio. Do silêncio da serra, de subir lá acima para ver a imensidão do céu, do cheirinho dos pinhais acabados de cortar, de correr pelas ruas da cidade, embrenhada na noite com um telhado de estrelas e a lua a iluminar-me. Preciso, de paz, de sossego e de tempo para pensar. Ou para não pensar em nada. Preciso.

(este blog está a ficar uma grande chatice, eu sei)