Não gosto quando me arrombam os dias.
Metem-me o pé de cabra à porta e entram pelo meu dia adentro sem que eu consiga impedir.
Trocam-me a tarde com a manhã, reviram-me as horas, deixam-me os minutos fora do sítio sem que os consiga encontrar. A calma fica assustada, a concentração foge com medo e o raciocínio fica num alvoroço.
Gosto ainda menos quando me arrombam as noites. Trocam-mas pelos dias, reviram-me os sonhos, desarrumam-me o descanso. A cama fica toda embrulhada, a pele exaltada e a rotina alterada.
Já venho, vou buscar uma corrente e um cadeado.


