terça-feira, 13 de março de 2018

Cuidadora

Sou supostamente uma cuidadora. Cuidadora de filhos. cuidadora de pais, de casa, de trabalho, de mim e de todos os outros. Os que me rodeiam. É suposto os cuidadores saberem cuidar. Cuidar é amar, ajudar, apoiar. É educar, orientar, ensinar. Cuidar é saber respostas, é saber tomar decisões, é arranjar soluções. Cuidar é fazer dos filhos, dos pais, da casa e do  trabalho, pessoas e lugares felizes e perfeitos sem querer nada em troca. Todos os dias acordo determinada a ser a melhor cuidadora do mundo, mas todas as noites acabo concluindo que não o sei ser. E todas as insónias me trazem uma certeza. Necessito, eu própria que cuidem de mim...

segunda-feira, 12 de março de 2018

Alma minha desassossegada que se encanita por tudo e por nada

Se ontem eu queria matar pessoas, hoje foi um dia de tréguas, tréguas da chuva, tréguas do vento, tréguas do meu pensamento. O céu não chorou e chegou até a estar pintado de azul por vários momentos, o verde até me pareceu mais verde e a minha alma sossegou. Lá fiz as pazes com a minha pessoa. 
Vesti o meu melhor sorriso, calcei a minha boa disposição e fiz-me à vida embrenhando-me no trabalho o dia todo. E se a marmita do almoço trazia uma sopita e uma empada de galinha para tirar os remorsos baleares do fim de semana, o lanche foi bolo desmanchado. Feio mas bom que estava o gajo. 
Voltei ao foco e fui ao gym, esmerei-me no jantar e para o dia ser perfeito, só faltou mesmo o voo sincronizado do pelotão de pássaros da uma da tarde, mas a primavera está tardia.  Bem que perscrutei o horizonte mas não deram um ar de sua graça, há muito que não os vejo e, julgo, não voltarão tão depressa, parece que vai continuar a chover. Se amanhã eu voltar a querer matar pessoas, desculpem qualquer coisinha, é derivado dos nervos em franja, sim, a tal que cortei à tigela há uns tempos e já voltou a crescer.
Que alma esta a minha, tão mas tão desassossegada. Encanita-se por tudo e por nada.

domingo, 11 de março de 2018

Eu juro que tentei

Fazer de um domingo de tempestade um domingo agradável. 
Vá, um domingo enclausurada e sem pedalar, um domingo a fazer comida para filho levar para universidade, um domingo a engomar roupa sem fim, um domingo a chorar baba e ranho com os episódios da morte do Jack do This is Us. Raios partam a série, quando começo a ver vou logo buscar lenços pois já sei que aí vem molho. 
Mas eu tentei, juro que tentei que fosse uma clausura agradável.....
Numa aberta fui ao pão quente a cinquenta metros de casa, de bicicleta. Assim que montei na bike de regresso, o saco de papel rasga-se e o pão espalha-se na estrada. Fui pedir um saco, apanhei o pão do chão e zarpei para casa, veio uma bátega de água, apanhei um banho. Já de roupa trocada e seca, resolvi fazer um bolo, ia saber bem com um chá. Após forma untada verifiquei que era demasiada massa para o tamanho da forma, sai também um bolo de caneca e saiu mesmo, literalmente. De seguida o bolo ficou colado ao molde, coloquei ovos na pizza do almoço filhos, não gostaram, ferro de engomar avariou, (graças a Deus) episódio 13 da série deu erro e não consegui ver, vi os da morte e funeral do Jack. Chorei, chorei, chorei....
Ainda bem que este domingo está a acabar!!! Yuppiii, vem lá a segunda-feira :)

quarta-feira, 7 de março de 2018

Julia

Quando deu por si encontrava-se no meio de um caminho desconhecido. Um caminho que descia em direção a um largo de onde não se vislumbrava saída. Esse largo estava envolto em uma leve bruma e havia pessoas. Apesar de haver muitas, as pessoas estavam sós, longe umas das outras, tinham um olhar apático e movimentos presos, praticamente não se mexiam, não falavam, pareciam paradas numa cápsula de tempo, amarradas a um marasmo sem volta. Agradável e cómodo porém, aquele caminho até ao largo. Bonito e confortável o tal largo. Não fora no entanto aquele o caminho que escolhera em tempos e do qual se desviara nem sabia como. Esse, era a subir, em direção à vida, ao sol e aos sorrisos. O que escolhera tinha mar e serras e caminhos vários, uns verdejantes e mornos, outros cinzentos e frios mas também era cheio de vida, de projetos e de sonhos.
Era a hora  então, seguiria de imediato por um atalho pois em chegando ao largo poderia não conseguir sair....

And the Oscar goes to....

Que tal, acham que posso copiar?

segunda-feira, 5 de março de 2018

Estranho

Será descabido que vários adultos de meia idade que raramente saem do casulo e terão cada vez menos palavras para dizer, quando saem se divirtam com os telemóveis? Descobrem e experimentam aplicações, tiram selfies e fotos a tudo o que mexe, fazem filmes, postam enquanto jantam e comentam-se uns aos outros. Experimentam o boomerang, as capas de revista, o que dizem os signos e mais uma série de porcarias e riem até mais não. Será descabido que no dia seguinte, após a ressaca, ainda vão às lágrimas de tanto rir com as figurinhas que fizeram?
Talvez não seja descabido, talvez seja só estranho.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Uff!

Foi apenas quando ouvi as oito badaladas no sino da igreja que realizei que havia de estar a sair para o trabalho e ainda estava deitada. Porra! Este corpinho anda cansado, mas a partir desse lapso de tempo ganhou uma energia nunca antes vista. Parecia uma cabrita aos saltos de um lado para o outro. Não que tenha problemas se chegar atrasada, masé que eu sou das horas. Gosto, faço questão de chegar a horas, antes da hora, na loucura um minuto depois da hora, vá. Sou inglesa por parte das horas sim e espumo da boca, fuzilo com o olhar, mato, quem me faz esperar. Afinal eu consigo é ser mesmo muito rápida de manhã, arranjei-me, comi e apesar de sair de casa às 8:35  consegui chegar ao trabalho às 8:30. A blusa vinha desabotoada, o cabelo desgrenhado o pequeno-almoço ainda está aqui entalado mas juro que isto vai correr bem, oh se vai. É sexta feira!(dito em tom de cantoria)