terça-feira, 3 de março de 2020

Dia 55 - Estranhamente estranha



Gosto que me dêem alguma atenção, mas ser o centro das atenções no meio de um grupo, assusta-me.
Ser transparente de forma a que ninguém me veja ou ser ignorada desgosta-me, mas ter todos à minha volta a dar-me beijos ou a tocar-me e à espera que eu fale, enerva-me.
Ter que participar em conversas de “chacha” encanita-me os nervos, especialmente se as conversas andam à roda de falar de fulano e sicrano, filho ou tio ou primo de alguém, porque eu nunca sei quem é ninguém, nunca estou a ver onde moram, nem o que fazem, nunca sei que se divorciaram ou se são pais deste ou daquela.
E nunca sei essas coisas porque o meu disco rígido não tem essa parte, veio com defeito.
Não gosto de ser a primeira a chegar aos eventos, mas também não gosto de ser a última nem de fazer entradas triunfais.
Não gosto de estar mal vestida ou descabelada ou desleixada, mas também não gosto de ser a estrela da festa. Definitivamente não aprecio ser aquela para quem todos olham seja por que razão for, fico sempre a achar que me caiu um dente ou tenho a saia presa nas cuecas e o cu à mostra. 
Gosto de um elogio, mas nunca me acho a última bolacha do pacote, até pelo contrário, nunca estou cem por cento segura, acho sempre que estão a ser só simpáticos comigo. 
Não gosto de dominar as conversas, não gosto de meter conversa com desconhecidos, mas gosto que me deixem falar quando quero intervir ou então não abro mais a boca para deixar os brilhantes brilharem. Não tenho a pretensão de ser adorada por todos, ou de ser a mais conhecida, ou a mais popular ou a mais seja o que for, mas também não quero que pensem que sou uma pindérica, ou antipática, ou que tenho o nariz no ar ou a mania de importante e superior.
Não preciso de companhia para ir às compras nem de alguém para estar à mesa comigo, ou para pedalar ou correr ou ir ao gym, faço tudo muito bem sozinha e na boa.
Contrariamente, por vezes queixo-me que estou muitas vezes sozinha, mas adoro a minha solidão e poder fazer o que me dá na real gana. O que gosto mesmo é de me queixar, talvez seja uma forma de pedir mimo.
Adoro cometer loucuras, mas transtornam-me as quebras de rotina.
Não gosto de pedir favores nem gosto muito que mos peçam a mim.
Uf! é melhor parar por aqui.
Sou mesmo esquisita eu. E sei que sou.

10 comentários:

  1. Tu tás a falar de mim? Eu não o faria melhor ahahahahah

    Somos, esquisitas? Olha a minha cara de aborrecida :-)


    Beijinhos esquisitos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Non, há portanto mais estranhos do que possa parecer. No fundo ainda bem, sempre nos consolamos uns aos outros :)
      Olha, beijinho de estranha para estranha

      Eliminar
  2. Podia descrever me da mesma forma.

    Acho que há certas coisas que já tínhamos dado conta que temos comportamentos muito senelhantes e formas de sentir muito iguais.

    E tal como tu, também me sinto pouco normal.
    E desta vez a culpa nem é do signo, já que não é comum a ambas :)

    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Alice, parece que é difícil para nós seguir uma linha de pensamento e atitude definidos, somos assim assim :)
      A mim faz-me um pouco de confusão ver certas atitudes nos outros tão certeiras e confiantes quando toda eu sou dúvidas, mas fico mais contente por afinal não ser a única :)

      Eliminar
  3. Não estás só no mundo :)

    Isa

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Isa, fico contente em saber que não estou só e que existe mais gente estranha, podemos sempre fazer um clube :)

      Eliminar
  4. Devíamos formar um clube.
    Reuníamos às sextas feiras mas só para comezainas e ir abanar o esqueleto;))

    ResponderEliminar
  5. Revejo-me no seu texto! Muito bem, obrigada!:)

    Beijos. Boa noite!

    ResponderEliminar
  6. Bem vistas as coisas, todos somos estranhos, todos somos mais parecidos do que aquilo que parecemos ou aparentamos. A diferença são as máscaras que cada um vai construindo.

    Um bom resto de domingo, GM! :)

    ResponderEliminar

Quem quer pensar comigo: